“EMPIRISMO”

John Locke (1632-1704) - o fundador do Empirismo

Nome genérico das correntes filosóficas em que o conhecimento é visto como resultado da experiência , sendo aceitas apenas verdades que possam ser comprovadas pelos sentidos. Rejeita os enunciados metafísicos – baseados em conceitos que extrapolam o mundo físico – , em razão da impossibilidade de teste ou controle.

A noção de gravidade, por exemplo, faz parte do mundo sensível; já o conceito de bem seria do mundo metafísico. O Empirismo provocou revolução na ciência. Partindo da valorização da experiência , o conhecimento científico , que antes se contentava em contemplar a natureza , passou a querer dominá-la., buscando resultados práticos.

O inglês John Locke (1632-1704) é considerado o fundador da Escola Empirista. No século XVIII , o principal nome é do escocês David Hume (1711-1776).

No empirismo contemporâneo, também chamado de positivismo lógico , destacava-se  o austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951).

“ESCOLA DE FRANKFURT”

Juergen Habermas - um dos últimos remanescentes da Escola de Frankfurt ainda vivos

Grupo de pensadores alemães que, no século XX, se dedicou a reflexões e críticas sobre a razão , a ciência e ao avanço do capitalismo. Eles consideravam a racionalidade tecnológica do mundo moderno uma nova forma de dominação cultural.

Influenciados pelas idéias de Karl Marx (1818-1883) e Max Weber (1864-1920) , esses filósofos contrapõem-se ao funcionalismo de Émile Durkheim (1858-1917), que concebe a sociedade como um organismo com funções específicas, desconsiderando o processo histórico.

Entre os expoentes da Escola de Frankfurt destacaram-se Walter Benjamin (1892-1940), Theodor Adorno (1903-1969) e, mais tarde,  Jürgen Habermas (1929 -).

Renda Básica de Cidadania – um possível caminho para a diminuição das indiferenças socioeconômicas?

O Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva instituiu, a partir de 2005, a renda básica de cidadania, que se constitui no direito de todos os brasileiros residentes no país e estrangeiros residentes há pelo menos 5  anos no Brasil, não importando sua condição socioeconômica, receberem, anualmente, um benefício monetário.

A critério do Poder Executivo, esta programa prioriza as camadas mais necessitadas da população, sendo o pagamento do benefício de igual valor para todos, e suficiente para atender às despesas mínimas de cada pessoa com alimentação, educação e saúde, considerando para isso o grau de desenvolvimento do país e as possibilidades orçamentárias .O pagamento deste benefício deve ser feito em parcelas iguais e mensais. O benefício monetário previsto é considerado como renda não-tributável para fins de incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, cabendo ao Poder Executivo definir o valor do benefício, em estrita observância ao disposto na Lei de Responsabilidade Fiscal ( artigos 16 e 17).

A partir do exercício financeiro de 2005, os projetos de lei relativos aos planos plurianuais e às diretrizes orçamentárias passaram a ter que  especificar os cancelamentos e as transferências de despesas, bem como outras medidas julgadas necessárias à execução do Programa. Esta Lei entrou em vigor no dia 8 de janeiro de 2004.

De acordo com a lei, de autoria do senador Eduardo Suplicy, a aplicação da mesma deve ser feita de forma gradual, começando pelos mais necessitados, com a evolução de programas de transferência de renda como o Bolsa Família.

Alaska – onde tudo começou

Na década de 1960, o governo americano havia recém descoberto reservas de petróleo no estado do Alaska. Entendendo que o petróleo pertenceria aos cidadãos do estado, o governo do Alaska determinou que fosse instituído uma taxa sobre o lucro sobre a exploração do petróleo. Assim, foi sancionado um projeto, que depois de algumas modificações fazia com que 50% dos royalties do petróleo fossem destinados ao “Fundo Permanente do Alaska”, instituindo-se um pagamento igual, anualmente, a todos os habitantes do estado.

As aplicações são feitas em títulos de renda fixa, ações de empresas do Alaska, dos EUA e internacionais, inclusive brasileiras, além de investimentos imobiliários. O patrimônio do Fundo evoluiu de um bilhão de dólares, no início dos anos 80, para US$ 32 bilhões em 2005. Cada pessoa residente no Alaska há um ano ou mais vem recebendo um dividendo anual, igual para todos, que varia de cerca de US$ 300,00 no seu início, até US$ 1.963,86 em 2000, passando para US$ 845,76 em 2005.

O fato de o Alaska ter distribuído 6% do seu PIB igualmente a todos os seus habitantes, que eram 300 mil em 1976, quando a população aprovou aquele sistema por referendo popular, e 700 mil em 2005, fez com que ele se tornasse o mais igualitário dos 50 estados norte-americanos. De 1989 a 1999, nos EUA, as famílias 20% mais ricas tiveram um crescimento da sua renda média de 26%. As famílias 20% mais pobres, de 12%. Já no Alaska, na mesma década, as famílias 20% mais ricas tiveram um crescimento da sua renda média de 7%, enquanto que as famílias 20% mais pobres de 28%, portanto quatro vezes mais.

Palestra do Suplicy e a Renda Básica de Cidadania

Eu e Suplicy - em palestra sobre Renda da Cidadania na UFSCar -  17/10/2009

Para reduzir a exclusão social, governos de vários países vêm implantando programas assistenciais. Muitos destes programas são benefícios pagos em dinheiro que geralmente buscam a atender a um grupo determinado, como estudantes, gestantes, desempregados, idosos e deficientes físicos. A carência de qualificação profissional e dificuldade ao acesso ao mercado de trabalho ,comum na centralização dos mercados, combinado aos grandes avanços tecnológicos , afetam a capacidade de subsistência das parcelas mais pobres, que dependem de um salário como única forma possível de renda. No Brasil, o Bolsa Família, cumpre um papel distributivo de caracter emergencial, condicional ao poder de compra do beneficiário que constitui família .Sendo considerado por algumas pessoas como um programa de caráter assistencialista.

Já a Renda Básica de Cidadania ,por ser incondicional e para todos, tenta busca suprir limitações e desvios dos demais programas de transferência de renda. Se for efetivada com êxito, poderá promover bons resultados para toda a população.

“Liceu Coração de Jesus : Um coração na educação , vítima da degradação.”

Torre do Liceu Coração de Jesus

Fundado em 1885 , por São João Dom Bosco,  com auxílio da Princesa Isabel , o Liceu Coração de Jesus , onde estudaram personagens como Monteiro Lobato , Grande Otelo ,Toquinho , Zeferino Vaz , Carvalho Pinto , Vicente Feola e Noite Ilustrada  definha em meio à cracolândia , área degradada do centro de São Paulo, que abriga centenas de usuários de crack.

A presença constante dos “viciados em crack” no entorno do Liceu espanta alunos novos e, há pelo menos oito anos, tem motivado transferência de estudantes. O problema é tão grave que o colégio que ocupa uma área de 17 mil metros quadrados , tem hoje só 288 alunos – há trinta anos eram 3000.

vista aérea do Liceu

O Liceu , tombado pelo patrimônio histórico, acompanhou as mudanças da cidade. No início chamava-se Liceu de Artes , Ofícios e Comércio e atendia aos filhos de imigrantes italianos e dos negros libertos , que estudavam gratuitamente nas oficinas de sapataria e alfaiataria. Mais tarde , serviu como internato para filhos de fazendeiros de café. Depois teve cursos universitários e técnicos.

Hoje , mesmo com todos os problemas , o Padre Benedito Spinoza (diretor) diz que o Liceu não vai fechar. “Não vamos desistir. Educar é  vida dos salesianos e já investimos muito dinheiro aqui. Tenho esperança no ensino integral, que tem aumentado a procura , pois os pais entram de carro no pátio do colégio e deixam as crianças aqui, diferentemente dos jovens do Ensino Médio , que costumam vir sozinhos e , por isso , acabam  sendo vítimas desta situação de não cidadania, que penetra em seu coração e planta a semente do medo e da indiferença.”

Com uma infra-estrutura impecável , com conservatório de música e um teatro com mais de 750 lugares ,onde todo ano ocorria as Maratonas Culturais , as quais permitiam aos alunos mostrar seus conhecimentos ,tanto artísticos como os conquistados na sala de aula, o Liceu , assiste a um processo nunca esperado por um colégio de seu porte.

Quem não se lembra das famosas Olimpíadas do Liceu ( que ocorreram por diversos anos no estádio do Ibirapuera ) , que promoviam o espírito de luta e superação por meio do esporte  entre as turmas de todas as séries. Era um evento único entre  os colégios do Estado de São Paulo.

Um dos estopins que levaram a degradação desta região foi a saída da sede do governo do Estado de São Paulo do Palácio dos Campos Elíseos para o Palácio dos Bandeirantes, no ano de 1965. O Glamour da região central da cidade de São Paulo,tendo a sede do governo na Avenida Rio Branco ,era um fator de prestígio a região.

Durante anos a região ficou sem investimentos de revitalização, e belos locais como o Parque da Luz , a Estação Júlio Prestes e o Liceu tornaram-se alvos deste crescimento desenfreado da falta de atencão do governo nas questões de segurança e de defesa do patrimônio público e privado.

palácio dos campos elíseos , no fundo à direita, torre do colégio Liceu Coração de Jesus

Região passa por tentativa de revitalização

A perseverança dos Salesianos em manter  aberto o Liceu Coração de Jesus é por conta das intenções dos órgãos públicos de revitalizar a região. Em frente ao colégio, na alameda Dino Bueno, está sendo construído um Sesc. A prefeitura também pretende transformar um quarteirão na Sede do Centro Paula Souza. E há um projeto de um complexo cultural de dança.

Apesar do otimismo, pouco foi feito desde 2005 , quando foi anunciado o projeto de revitalização .  A previsão de início das obras era para 2011 , mas deve atrasar , já que a licitação para o projeto urbanístico está parada no TCM ( Tribunal de Contas do Município ).

Fui estudante do Liceu (1988 – 1998 )

Certificado Ensino Fundamental - 1998 - Liceu

Como estudante do Liceu entre os anos de 1988 e 1998 ,vejo com tristeza este episódio de descaso do governo para com a região dos Campos Elíseos , Bom Retiro e Luz.

Assim como a Folha de São Paulo , que dedica uma reportagem especial sobre o Liceu no Caderno Folha Cotidiano do dia de hoje (28/10/2009)  , dedico este artigo ao colégio que acolheu a mim, e fez parte de momentos importantes de minha vida. Espero poder estar contribuindo para que esta história, que já dura 124 anos , não termine assim. Afinal um coração na educação , caso do Liceu, não pode ter um fim por ser vítima da degradação.

Eu na Maratona Cultural - ano de 1991

O OBJETIVISMO ABSTRATO POR SAUSSURE: “ALGUNS APONTAMENTOS PELA PERSPECTIVA BAKHTINIANA”.

Escrito por Ana Lígia Criado Suman

e-mail: ligiaspanic@yahoo.com.br

bakhtin

Como recorrente à obra Marxismo e Filosofia da Linguagem de Bakhtin, coloca-se como questionamento norteador do capítulo quatro — Das Orientações do Pensamento Filosófico-Línguístico — a inquietação quanto à possibilidade de precisar e ou/situar, em aspectos de natureza teórico-metodológica, o objeto a ser tomado pelo estudo pela filosofia da linguagem, em diálogo com o campo de atuação da linguística geral quanto aos possíveis caminhos e soluções para a problemática apresentada. Como já referido pelo próprio nome do capítulo, são colocadas em relação de oposição duas orientações de pensamento que direcionarão por sua vez as indagações acerca dos estudos sobre linguagem no âmbito filosófico-linguístico, a saber, o Subjetivismo Idealista e o Objetivismo Abstrato.

De modo específico, as considerações aqui realizadas se focalizarão na segunda orientação a partir de uma leitura feita por Bakhtin no que diz respeito à sua configuração e principais características abordadas na época contemporânea, início do século XX, tendo como principal representante e difundidor desse ideário o linguista Ferdinand de Saussure.

A vertente do Objetivismo Abstrato vem a se consubstanciar num projeto de centralidade que objetiva compreender numa totalidade singular os fatos da Língua, partindo de uma ciência que se define por uma base sistêmica pautada pela exatidão e imobilidade de seus elementos lingüísticos, a prova de qualquer natureza transformadora. O sistema linguístico em questão vem a se constituir pelos pilares das formas fonéticas, gramaticais e lexicais da língua funcionando pelo ditame normativo que as identificarão em suas especificidades categóricas num determinado ponto no tempo, se distanciando de modo independente de uma criação individual propiciada pelo próprio sujeito falante.

Exclui-se assim a perspectiva sócio-histórica da língua ao ser apresentada para o indivíduo como norma indestrutível, decisiva, imutável pela condição de produto acabado, em que suas leis lingüísticas se distanciam de uma explicação ideológica, — destoam palavra e sentido sob uma condição de produção social — para se constituir de maneira fechada, independente, autônoma e arbitrária, considerada num posicionamento sincrônico que a unifica e enrijece (imobilidade), ao contrário de tomá-la em movimento diacrônico em suas mudanças históricas (transformação, inconstância).

A língua por sua vez, em seu modo de significância no sentido saussuriano, se focará em termos semióticos como sistema lingüístico em que seus elementos se definem por suas relações com os outros elementos do sistema (próprio do signo lingüístico), numa sucessão de unidades em que as mesmas se reconhecem e se completam mutuamente enquanto tais pela subordinação própria do sistema, instaurando-se assim um campo da pura distintividade e identificação em seu diferencial com o outro, perfeitamente explicável segundo Saussure como ciência pelo viés exclusivo da descrição sincrônica mencionada anteriormente.

O diálogo feito com a corrente racionalista dos séculos XVII e XVIII — e posteriormente no século XX a corrente estruturalista com o Curso de Linguística Geral em 1916 — quantos aos princípios lógicos que conduzem o funcionamento da língua na orientação do pensamento filosófico-linguístico em questão é, pois, abordado numa correlação importante para o entendimento do mesmo em correspondência íntima entre código lingüístico e código matemático. Pode-se compreender tal relação ao considerar-se que

(…) o que interessa não é a relação do signo com a realidade por ele refletida ou com o indivíduo que o engendra, mas a relação do signo para signo no interior de um sistema fechado, [...] só lhes interessa a lógica interna do próprio sistema de signos; esse é considerado, assim como na lógica, independentemente por completo das significações ideológicas a que se ligam. (BAKHTIN, 1999, p. 83, grifos do autor).

Saussure por sua vez estabelece uma tríplice distinção no campo da linguagem entre língua (sob a sistemática apresentada) e fala — esta última reconhecendo-a, porém não a considerando instância relevante diante da perspectiva descritiva estrutural da língua em que já se explica o modo como seus componentes (formas) se encaixam, alcançando assim uma posição de auto-suficiência na relação língua = forma ≠ substância (conteúdo) —.

A linguagem assim, em sua privação de unidade e regularidade por um eixo centralizador não foi para Saussure capacitada ao estado de objeto da lingüística, prevalecendo, como o esperado em tal posição, o próprio sistema lingüístico, focalizado nele mesmo e por ele mesmo em condição de abstração das possíveis forças históricas que lhe deram origem, a matriz social em que funciona e o processo psicológico que adquire e disponibiliza a sua utilização no comportamento lingüístico (princípio de autonomia da lingüística).

Por meio de um posicionamento crítico, construindo uma frente de embate quanto aos princípios do objetivismo abstrato em sua dissonante conformação com a realidade que envolve a língua, tomando-a por sua vez em condição de normatividade das formas, Bakhtin apresenta no capítulo cinco — Língua, Fala e Enunciação — o que é de fato separado/recusado pelo sistema lingüístico, ou seja, o conteúdo ideológico das mais diversas possibilidades de enunciação, vindo assim a refletir, como forma de oposição, sobre a existência do diálogo constante com uma contextualização (norma social) que permite o uso da língua na compreensão de suas formas em suas particularidades passíveis de variações e flexibilidades (conteúdo) nas interações verbais (atos de fala).

Partindo de questionamentos que atuam no sentido de desestabilizar os pressupostos sustentados pelo objetivismo abstrato, estando os mesmos sob condições consideradas indiscutíveis e profícuas quanto ao que se toma como propósitos necessários e reais à língua, Bakhtin ao contestar o sistema perpassa pelo campo dos estudos filológicos e às exigências desse último como fruto do surgimento da linguística, referindo-se, a partir dessa relação, ao estatuto de língua morta como sendo objeto comum de estudo a ambos (filologia e linguística) pela óptica sincrônica, assim como o papel análogo da abordagem filológica em se desligar da esfera do real-social e ausentar-se da compreensão ideológica em suas análises, entendendo a palavra como um todo isolado, detentora de um sentido uno anexado em sua forma correspondente.

Por fim, após um percurso realizado por uma perspectiva pedagógica na qual a reflexão lingüística se insere por meio da problemática do ensino de língua pautado pela rigidez do sistema que impõe suas formas, Bakhtin destaca, ao considerar a língua como um fenômeno genuinamente histórico — portanto se constituindo ininterruptamente pelo múltiplo da esfera social —, ao mesmo tempo em que desconstrói — no sentido da condição absoluta e única reservada à língua pelos preceitos normativos — o caráter essencialmente contraditório do objetivismo abstrato pelo foco racionalista-mecanicista-estrutural proporcionado à língua, em detrimento a sua produção de significação pelas interações verbais como também por suas transformações no âmbito sócio-histórico.

Referências:

BAKHTIN, Mikhail. Das orientações do Pensamento Filosófico-Científico. In: Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico da linguagem. 9 ed. São Paulo: Hucitec, 1999.

__________. Língua, Fala e Enunciação. In: Marxismo e Filosofia da Linguagem: problemas fundamentais do método sociológico da linguagem. 9 ed. São Paulo: Hucitec, 1999.

“ESTRUTURALISMO”

Saussure

Corrente de pensamento que adota a estrutura – um conjunto de elementos relacionados entre si e com o todo – como conceito metodológico essencial.

O estruturalismo começa no início do século XX , com o trabalho do linguista suíço Ferdinand de Sausurre ( 1857-1913 ) , tornando-se mais tarde uma das principais correntes das ciências humanas. Na filosofia, não chega a ser uma escola com contornos definidos , mas teve grande difusão por levar à compreensão mais abrangente do conjunto dos fatos.

“CARTESIANISMO”

Descartes

Movimento filosófico cuja origem é o pensamento do francês René Descartes (1596-1650) , considerado o fundador da filosofia moderna .

Para Descartes, nem os sentidos, que podem enganar-nos , nem as idéias , que seriam confusas , são capazes de nos conduzir ao entendimento da realidade. Assim , desenvolve um sistema de raciocínio que se baseia no método da dúvida e da evidência , sem pressupor certezas nem verdades , como era tradição entre os pensadores que o antecederam.

O método cartesiano transforma o mundo em algo que pode ser quantificado , revolucionando todos os campos do pensamento à época e permitindo o desenvolvimento da ciência moderna.

O OBJETIVISMO ABSTRATO SEGUNDO MIKHAIL BAKHTIN: “Intransponibilidade com o subjetivismo idealista.” – Mas qual destas vertentes prevalece hoje?

Este artigo busca fazer uma análise do:

  • subjetivismo “idealista” e do objetivismo “abstrato” a partir do capítulo 4 da obra “Marxismo e Filosofia de Linguagem” do filósofo russo Mikhail Bakhtin (1895 – 1975).

Introdução

Na filosofia de linguagem e nas demais divisões metodológicas correspondentes da lingüística geral, encontraremos em destaque duas orientações principais que tem como objetivo isolar e delimitar a linguagem como um objeto de estudo específico: o subjetivismo idealista e o objetivismo abstrato.

Subjetivismo Idealista –

‘Bakhtin e o sócio-interacionismo’

Esta tendência tem como prioridade o ato da fala , de criação individual, como fundamento da língua. Nesta tendência a língua é análoga às outras manifestações de caráter ideológico, principalmente nos domínios da arte e da estética , todos os fatos da língua , sem exceção, tem como meta buscar uma explicação fundada na psicologia individual sobre uma base voluntarista, base esta que postulou o livre arbítrio na base do psiquismo.

Os adeptos do subjetivismo consideram a língua como constituinte de um fluxo ininterrupto de atos da fala, onde nada permanece estável, nada conserva sua identidade. Em suma, a palavra representa o signo por excelência. Sendo o signo responsável pelas atribuições de valores que promovem a humanização dos objetos. Deste modo a palavra acompanha e comenta todo ato ideológico.

Objetivismo Abstrato

Esta tendência vê cada enunciação, cada ato de criação individual como único e não reiterável. Em cada enunciação encontram-se elementos idênticos aos de outras enunciações no seio de um determinado grupo de locutores, ou seja, estes traços são normativos para todas as enunciações, garantindo a unicidade de uma determinada língua e sua compreensão por todos os locutores de uma comunidade.

Nesta concepção objetivista, o sistema linguístico completamente independe de todo ato de criação individual , de toda intenção ou desígnio. Assim como uma criança, a língua sobre pressão do meio onde desenvolve-se, tendendo a ser moldada à sua imagem e semelhança. Portanto a língua é independente de toda ação individual, assim como um fenômeno social, normativo para cada indivíduo.

Saussure na lingüística e Durkheim na sociologia : Exemplos de pensamentos linguísticos e sociológicos divergentes aos de Mikhail Bakhtin.

Bakhtin busca defender que as relações sistemáticas, que existem entre duas formas lingüísticas no sistema (em sincronia) , nada têm de comum, com as relações que unem qualquer destas formas à sua imagem transformada no estágio posterior da evolução histórica da língua. Para ele um evento torna-se um fenômeno de massa a partir de um erro individual, originando uma norma lingüística. A lógica da história da língua é portanto a lógica dos erros individuais ou dos desvios. A lógica da língua não é absolutamente a da repetição de formas identificadas a uma norma, mas sim uma renovação constante , a individualização das formas em enunciações estilisticamente únicas e não reiteráveis.

Portanto a passagem de uma forma histórica a outra se efetua , na essência, nos limites da consciência individual.

A vertente objetivista, que tem Saussure como um dos principais representantes, já vê a língua como um sistema estável, imutável, submetido a uma norma. A língua não é um motor ideológico; entre a palavra e seu sentido não existe vínculo natural e compreensível para a consciência , nem vínculo artístico.

Os atos individuais de fala constituem, do ponto de vista da língua, simples refrações ou variações fortuitas ou mesmo deformações das formas normativas. A influência cartesiana é clara, leva-se em conta o ponto de vista do receptor, mas não o do locutor como sujeito que exprime sua vida interior. Portanto os objetivistas, de certo modo, tem a matemática como signo por excelência, inclusive para a língua.

Durkheim considera , assim como Saussure, que a consciência coletiva não pode ser tratada como uma mera entidade de caráter metafísico que vem a ser fruto de fenômenos sobrenaturais, mas sim algo que decorre do concurso de vários indivíduos que vem a contribuir, cada um , com uma pequena parcela ao coletivo. Assim como as representações sociais , as representações lingüísticas independem do indivíduo e fazem parte da consciência coletiva.

Essa consciência transcende a consciência individual, pela sua exterioridade e pela pressão que exerce sobre ela.

Conclusões

Na atualidade é complexo afirmar qual destas vertentes prevalecem, tanto no meio sociológico como linguístico. Ambas as vertentes trazem respostas que fazem com que a aplicabilidade das mesmas sejam aceitas e interpretadas de modo coeso e consistente em nosso contexto sócio-cultural, nas mais variadas temáticas.

Considerar uma como antítese e outra como tese seria algo que rompe com premissas  já consolidadas,afinal, será a união destas duas vertentes que produzirá uma síntese.

Dom Hélder Câmara (1909 – 1999)

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Conhecido internacionalmente pela defesa dos direitos humanos durante o regime militar do Brasil , o cearense Dom Hélder Pessoa Câmara destacou-se como um dos responsáveis por incluir a problemática da desigualdade social na atuação da Igreja Católica no país.

Entre as várias iniciativas que criou ou de que participou ativamente , estão a Cruzada São Sebastião ( voltada para a questão de moradia da população carente ) e as Comunidades Eclesiais de Base. Em 1962, participou do Conselho Nacional de Reforma Agrária do Governo João Goulart.

Foi idealizador da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB ) , foi nomeado arcebispo de Olinda e do Recife em 1964. Foi uma das principais vozes de denúncia das violações e desmandos cometidos durante a ditadura militar.

assista aqui: Dom Hélder Câmara – um homem  inesquecível