SESC Bom Retiro será inaugurado hoje em SP

Região,onde já foi sede do Palácio do Governo do Estado, e onde tem o Colégio Liceu Coração de Jesus, com uma história de 126 anos, passa a contar com um grande complexo esportivo e cultural para a população. Este é um importante momento para um avanço na revitalização da região.


SESC BOM RETIRO

O Serviço Social do Comércio (Sesc) São Paulo inaugura,hoje,dia 27 de agosto, a nova unidade Bom Retiro, na Alameda Nothmann, 185, região central de São Paulo. Com projeto arquitetônico de Leon Diksztejn, o conjunto levou três anos para ser construído e possui 14 mil m² de área construída, em um terreno de aproximadamente 4 mil m². Para o diretor-regional do Sesc, Danilo Santos de Miranda, “a relação das unidades com o entorno é fundamental para a ação da instituição de acolher o diverso e propor a convivência e inclusão social. Além disso, a Unidade Bom Retiro traduz a vocação para a pluralidade, tanto no atendimento do trabalhador do comércio local como no atual debate sobre a revitalização da região central da cidade”.

Dentre outros equipamentos, o Sesc Bom Retiro oferecerá aos paulistanos: Teatro com palco italiano de 198m², depósito e apoio, camarins e capacidade de 291 lugares, incluso neste número 9 lugares para deficientes físicos, 6 lugares para obesos e 08 lugares para mobilidade reduzida; ginásio poliesportivo coberto; piscina semiolímpica coberta e aquecida por meio de energia solar; espaço para exposições; e ainda salas de ginástica multifuncional e para oficinas de criatividade.

Conta também com área de alimentação; brinquedoteca; “área de convivência com iluminação e ventilação natural; clínica odontológica; sala de Internet livre; biblioteca; estacionamento coberto com bicicletário; e um moderno sistema de operação, baseado nos valores da sustentabilidade, como o aquecimento solar para água de banho e de piscina”.

Tais espaços têm por objetivo proporcionar um momento acolhedor para que as pessoas possam se divertir, exercitar o diálogo, a criatividade e o bem-estar corporal.

A nova unidade apresenta um espaço propício para a prática da cidadania, a convivência e o aprimoramento humano. “É preciso pensar na questão da acessibilidade no palco, respeitando também o artista”, afirma.

A entrada possui acesso universal e livre para todas as pessoas por meio de dois conjuntos de elevadores e rampas. Possui banheiros e vestiários adaptados, espaço reservado para cadeirantes no teatro e vagas de garagem para veículos de pessoas com mobilidade reduzida.

A obra teve um investimento de R$ 53 milhões que, segundo o diretor Danilo Santos de Miranda, cumpriu as expectativas da projeção.

Contará com, aproximadamente, 160 funcionários para atender a demanda da população local. A estimativa mínima no atendimento inicial é de oito mil pessoas por semana nos diversos programas oferecidos.

“A média na unidade Belenzinho do Sesc, por exemplo, é de 20 mil pessoas por semana. No verão alcança cerca de 40 mil visitantes”, completa Miranda.

Programação

No sábado (27), das 11h30 às 14h30, será realizado um jogo exibição de Futsal Master com a presença de ex-jogadores do Corinthians: Basílio, Zé Maria, Wladimir, Müller, Biro-Biro, Tupanzinho, Neto, Ronaldo (goleiro), Fabinho, João Paulo, Vander, Rincon, Aguinaldo, Edson (Bocão), Batata, Paulo Egídio, Fabinho Fontes, Ruben Junior, Serginho, Pitta e Geraldão.

A presença destes ex-atletas, com passagem e história pelo S.C. Corinthians Paulista justifica-se, visto ter sido no Bairro do Bom Retiro que o clube, prestes a comemorar 101 anos, teve sua origem.

Das 14h30 às 16h, acontece na Unidade uma partida de basquete misto com a participação de ex-atletas da seleção brasileira, como Oscar, Hortência, Pipoca, Janeth, Branca, Arthur Belchor e Micaela. Esta proposta tem a intenção de trazer à lembrança outro esporte praticado no bairro há muitos anos – o basquete – com a fundação da Federação Paulista de Bola ao Cesto, no início do século passado no Bom Retiro.

Das 16h às 17h, será realizado um jogo demonstração de basquete de cadeira de rodas, com pára-atletas da Associação Desportiva para Deficientes (ADD).

Das 17h às 18h, o futebol feminino encerra a programação do dia no ginásio com uma partida exibição com a participação das atletas da Seleção Brasileira: Cristiane, Ester, Fabiana, Gabi, Andréa, Pelegrine e Érika e atletas da equipe do Santos F.C.: Sandrinha, Carol Arruda, Kaká, Auinã, Erikinha, Piquena e Calan.

No Domingo (28), a programação esportiva no ginásio começa com jogos de luta, apresentações e demonstrações simultâneas de diversas expressões em lutas e artes marciais trazidas por vários povos (japoneses, gregos, judeus, coreanos), deste o início do século passado, com a presença dos atletas João Derly e Edinanci (Judô), Denis Vieira (Luta Greco Romana), Júlio Vieira (Sumo), Diogo Silva (Taekwondo), Marcos Daud e Márcia Martins (Kurash) e do mestre Avigdor Zalmon (Krav Maga), das 10h às 13h30.

A partir das 14h, Ginástica Geral, com apresentações de grupos de ginástica rítmica, artística e geral do estado de São Paulo.

Às 16h, uma apresentação de danças circulares, atividade que celebra a vida e ritualiza em seus movimentos a busca da união, a comunhão entre pessoas e desperta para a importância das tradições milenares, com o Grupo Semeia Dança.

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Bento XVI critica “utilitarismo”, durante a Jornada Mundial da Juventude, em Madrid.

O Papa Bento XVI afirmou nesta sexta-feira (19) que a universidade deveria voltar a sua autêntica vocação, que “busca a verdade própria da pessoa humana”, e criticou a redução “utilitarista” do ensino que busca apenas satisfazer “a demanda trabalhista”.

Ilustração da Manga Hero, editora de quadrinhos católicos sediada na Califórnia, Estados Unidos.

“Às vezes se pensa que a missão de um professor universitário hoje seja exclusivamente a de formar profissionais competentes e eficazes que satisfaçam a demanda trabalhista em cada momento preciso”, destacou o Papa, vestido de branco, para 1.500 professores universitários, na basílica de San Lorenzo del Escorial, a 50 km de Madri.

“Também se diz que a única coisa que se deve privilegiar na presente conjuntura é a mera capacitação técnica. Certamente, se espalha na atualidade esta visão utilitarista da educação, também a universitária, difundida especialmente a partir de âmbitos extrauniversitários”, completou, antes de ser aplaudido de pé.

“Um utilitarismo sem ética leva ao totalitarismo. Quando apenas a utilidade e o pragmatismo imediato se erguem como critério principal, as perdas podem ser dramáticas: desde os abusos de uma ciência sem limites, além dela mesma, até o totalitarismo político que se aviva facilmente quando se elimina qualquer referência superior ao mero cálculo de poder”, explicou.

Joseph Ratzinger recordou, em contraste, a grande vida intelectual interdisciplinar que havia em seu período como docente na Universidade de Bonn, após a guerra.

“Quando ainda se curavam as feridas da guerra a ilusão por uma atividade apaixonante supria tudo, o trato com colegas das diversas disciplinas e o desejo de responder as inquietações últimas e fundamentais dos alunos”.

“A universidade encarna, pois, um ideal que não deve ser desvirtuado nem por ideologias fechadas ao diálogo racional, nem por servilismos a uma lógica utilitarista de simples mercado, que vê o homem como mero consumidor. Aí está vossa importante e vital missão”, destacou.

Oposição e governo trocam elogios no lançamento do programa “Brasil sem Miséria”, na Região Sudeste.

Num encontro recheado de simbolismo político em São Paulo, a presidente Dilma Rousseff e o governador Geraldo Alckmin trocaram elogios, evidenciando a aproximação entre os dois e despertando polêmica em setores do PSDB e do PT.

Os 4 governadores da Região Sudeste e a Presidenta Dilma

Em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, para lançamento do programa Brasil sem Miséria, no Sudeste, Alckmin disse que o “período de disputa” política estava ultrapassado e o momento era de unir esforços. “Isso se deve ao seu patriotismo, generosidade e espírito conciliador”, afirmou o tucano para Dilma. Os elogios causaram surpresa, inclusive nos tucanos presentes.

Alckmin e Dilma firmaram acordo de unificação dos programas de transferência de renda paulista e federal. Os beneficiados, cerca de 1 milhão de famílias, terão um mesmo cartão para sacar os recursos do Bolsa Família, do governo federal, e do Renda Cidadã, do Estado.

A ala do PSDB mais crítica ao governo federal, ligada ao ex-governador José Serra, não participou do encontro. O ex-candidato a presidente fora convidado, assim como o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) e o ex-governador Alberto Goldman. Nenhum deles compareceu. O prefeito Gilberto Kassab também não foi à reunião.

Os tucanos que não gostaram da aproximação de Alckmin com Dilma disseram que o governador mira a reeleição e, por isso, estaria em busca de recursos do governo federal. Em nome dessa estratégia, teria optado por um discurso pouco oposicionista, ignorando a discussão em torno da paternidade dos programas sociais – o PSDB diz que o Bolsa Família nasceu de iniciativas da era FHC, como o Bolsa Escola.

A avaliação também ressoou entre petistas, para quem o movimento de Dilma pode fortalecer ainda mais o PSDB no principal colégio eleitoral do País. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado para o encontro, mas não compareceu – ele também fora chamado para a reunião com os governadores do Nordeste, no começo do mês, e não foi.

Alckmin tem orientando seus secretários a manter uma relação de proximidade com o Palácio do Planalto. Isso inclui intensificar as parceiras. O Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, contará com recursos do Estado, que dará aporte de até R$ 20 mil para aumentar o valor do imóvel financiado, que hoje é de R$ 65 mil.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também adotou a política de boa vizinhança na cerimônia de quinta-feira, 18. Foi ao encontro a convite de Alckmin, mas acabou no palco ao lado de Dilma, a pedido dela. A presidente iria deixar o palácio após a cerimônia, mas aceitou convite do governador para almoçar. Sentou-se, de novo, ao lado de FHC.

“O grande pacto republicano e pluripartidário que estamos firmando hoje é um pacto capaz de transformar a realidade social que vivemos. Por isso queria também agradecer a presença do senhor presidente Fernando Henrique, por esse seu gesto”, disse Dilma, minutos antes, na cerimônia, que teve a participação dos governadores do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), e de Minas, Antonio Anastasia (PSDB).

FHC e DILMA

Desde o primeiro mandato de Lula, o governo federal falava em unificar com os Estados o cadastro de beneficiados dos programas sociais. Houve, porém, resistência dos dois lados: nem Lula nem os governadores queriam deixar de exibir suas marcas sociais.

Combate à miséria

O objetivo é retirar 2,7 milhões de brasileiros da extrema pobreza nos quatro Estados da região, onde 79% da população mais pobre se concentra nas áreas urbanas. Com a assinatura do termo de compromisso para superação da miséria com os governadores, os Estados e municípios passarão a localizar e cadastrar famílias cuja renda mensal por pessoa seja inferior a R$ 70 e que não sejam atendidas ainda por programas sociais.

De acordo com o governo federal, 300 mil famílias serão contempladas até 2014 no Estado de São Paulo por meio do acordo de complementação de renda do Bolsa Família. As pessoas que já são atendidas pelo Bolsa Família receberão esse valor extra por meio do programa estadual Renda Cidadã. Essa complementação de renda já existe no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.

Também como parte do plano Brasil Sem Miséria, Dilma vai assinar acordo de cooperação com a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) para que as concessionárias apoiem o programa na divulgação de informações e na localização das famílias de baixa renda. Outra meta do plano é levar energia elétrica a cerca de 11 mil famílias da região, além de, por meio do programa Água para Todos, facilitar a construção de cisternas e pequenos sistemas de irrigação.

O governo vai ainda assinar acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) para que as empresas nesses quatro Estados comprem produtos de agricultores familiares. Além disso, estão previstas no plano a instalação de 286 Unidades Básicas de Saúde e 86 Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e ações para expandir a rede de ensino técnico.

Faz 8 anos que o Brasil perdeu Sérgio Vieira de Mello – Uma importante figura na diplomacia brasileira e mundial.

Sergio Vieira de Mello

Sergio Vieira de Mello nasceu em 15 de março de 1948 no Rio de Janeiro (Brasil). Filho de um diplomata e historiador, viveu no exterior desde criança. Passou uma parte da infância em Beirute (Líbano) e depois na Itália onde freqüentou o liceu francês Chateaubriand de Roma. De volta ao Brasil, terminou seus estudos secundários no Lycée Franco-Brésilien e obteve o “baccalauréat” em letras clássicas com menção honrosa. Querendo estar perto de seu pai, então Cônsul-Geral do Brasil em Nápoles, Sergio, em 1966, viaja para a Suíça, onde começa a estudar filosofia na Universidade de Friburgo. Mais tarde continua seus estudos na França, em Paris, onde se forma em 1969 e, em 1970 obtém um mestrado em filosofia na Universidade de Sorbonne.

Em novembro de 1969, Sergio é aceito no Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), com sede em Genebra. Sadruddin Aga Khan é, então, o Alto Comissário. Admitido como redator em francês, entre outras tarefas, tem a de verificar que os documentos oficiais estejam redigidos corretamente nos diversos idiomas da Organização. Trabalhando no ACNUR, continua seus estudos de filosofia e, em 1974, obtém seu doutorado (“doctorat troisième cycle”), com louvor, também na Sorbonne. Seus estudos universitários são coroados com sucesso em 1985, quando obtém o “Doctorat d’Etat” defendendo sua tese “Civitas Maxima” com menção honrosa.

Em 1971, o ACNUR realiza uma operação de repatriação sem precedentes. Logo após a guerra civil que devastou a província paquistanesa de Bengali Oriental, cerca de 10 milhões de pessoas se refugiam na Índia. A partir da proclamação da independência de Bangladesh, em dezembro de 1971, os refugiados voltam a seu país. Sergio Vieira de Mello, então com 23 anos, é enviado a Dacca em setembro de 1971 para preparar a repatriação e garantir a reintegração dessa imensa multidão. Trabalha em Bangladesh até fevereiro de 1972. Durante esses cinco meses, de sua primeira experiência de trabalho de campo, Sergio assiste à criação de um novo estado : o Bangladesh.

Em fevereiro de 1972, depois de muitos anos de guerra, é assinado um acordo de paz em Adis Abeba entre as autoridades de Cartum e os rebeldes do sul do Sudão. Como conseqüência desse acordo, centenas de milhares de pessoas do sul do Sudão, refugiadas nos países limítrofes, desejam voltar para seu país. De novo o ACNUR, deve garantir sua repatriação. A partir do verão de 1972, Sergio é o encarregado desta nova missão do ACNUR. Ele participa do projeto e da construção de uma ponte sobre o Nilo em Juba. Só tem 24 anos. De volta do Sudão, casa-se com Annie na França em 1973.

No ano seguinte, Sergio será enviado a Chipre; antes, para Nicósia do Sul e, em seguida, como representante do ACNUR a Nicósia do Norte – de novembro de 1974 a abril de 1975.

A Revolução dos Cravos em Portugal, em abril de 1974, determina a queda da ditadura de Salazar e a independência das últimas colônias portuguesas: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe. Em 25 de junho de 1975, Moçambique se torna independente; Sergio viaja com sua mulher para cuidar, novamente, da repatriação e reintegração dos refugiados moçambicanos. Permanecerá em Maputo até novembro de 1977. Com 28 anos, será um dos mais jovens representantes do ACNUR em operação de campo.

No início de 1978, é nomeado Representante Regional do ACNUR para a América Latina. Sergio só tem 30 anos. Viaja com a família para Lima (Peru). Seu primeiro filho Laurent nasce em meados de 1978. Passam dois anos no Peru, onde Sergio trabalha, essencialmente, para assentar em países de asilo definitivo refugiados latino-americanos fugitivos do regime de Pinochet.

Em janeiro de 1980, volta a Genebra (Suíça), para o Departamento de Pessoal do ACNUR, onde é responsável pela formação dos funcionários. Seu segundo filho, Adrien, nasce em meados de 1980.

Em novembro de 1981, após 20 meses em Genebra, Sergio Vieira de Mello é nomeado Conselheiro político da FINUL (Força Interina das Nações Unidas no Líbano), em Naqoura, no sul do Líbano. Nesta primeira experiência de manutenção da paz, Sergio pode avaliar a complexidade dessas operações que, em sua maioria, esbarram em muitas dificuldades para manter a paz pela escassa cooperação de todos os beligerantes. Vezes demais, estas operações limitam-se a uma ação humanitária e a experiência da FINUL não foi nenhuma exceção.

Em julho de 1983, Sergio volta para Genebra onde reassume sua função no Departamento de Pessoal do ACNUR. Trabalha muitos anos na sede e exerce diversas funções. Idealiza também vários projetos e planos (CPA, CEI,…) que vão modificar a política da Instituição. Durante esses 10 anos, é transferido para Buenos Aires, onde só trabalha alguns meses, pois o novo Alto Comissário o chama de volta para Genebra. Sergio aproveita esse período de estabilidade em Genebra para terminar sua tese de Doutorado, que defende brilhantemente na Sorbonne, em Paris, em dezembro de 1985.

Durante esses anos na sede do ACNUR em Genebra, ele foi, sucessivamente, Chefe de Gabinete do Alto Comissário e Chefe do Secretariado da Comissão Executiva. Em maio de 1988, é nomeado Diretor da Divisão para a Ásia. É o criador e incentivador do “Plano de Ação Global” (mais conhecido como CPA) que vai por fim ao drama dos “boat people” vietnamitas. De fato, 10 anos após o fim da guerra do Vietnam, os “boat people” vietnamitas continuavam a deixar seu país, enfrentando riscos incalculáveis para atravessar o Mar da China. Se, por um lado, sabemos o número de “boat people” que alcançou os países de primeiro asilo no Sudeste da Ásia durante essa década, por outro, é difícil saber com precisão quantos deixaram o Vietnam. Era preciso por fim a essa tragédia. Sergio, incentivador do CPA, decidiu reunir, em volta da mesma mesa de negociações, todos os protagonistas, inclusive as autoridades de Hanói. Este plano permitiu organizar uma operação de repatriação individual para o Vietnam com um sistema de vigilância garantido pelo ACNUR até o fim dos anos 90. Durante esse período de estabilidade em Genebra, Sergio também ocupa o cargo de Diretor de Relações Exteriores do ACNUR de abril de 1990 a dezembro de 1991.

Em fins de 1991, a nova Alta Comissária para Refugiados, Sra. Sadako Ogata, nomeia Sergio seu Enviado Especial ao Camboja. No âmbito dos acordos de Paris para o Camboja, assinados em outubro de 1991, é criada uma autoridade provisória das Nações Unidas para o Camboja (APRONUC) e Sergio se torna o Chefe do Setor de Repatriação. Esta operação será considerada um sucesso para as Nações Unidas posto que, em junho de 1993, cerca de 370.000 cambojanos tinham voltado para seu país.

Sergio volta a Genebra, no verão de 1993 e viaja novamente, no outono, para uma nova operação de manutenção da paz, nos Bálcãns. De outubro de 1993 a abril de 1994, será Diretor político da FORPRONU em Sarajevo, na Bósnia. Mais tarde, em abril de 1994, viaja para Zagreb como Chefe de Assuntos Civis da FORPRONU.

Após esta experiência nos Bálcãns, Sergio, novamente em Genebra, será nomeado pela Sra. Ogata Diretor de Operações e Planejamento (1994-1996). Uma das tarefas principais que ele vai realizar neste posto, entre junho de 1995 e setembro de 1996, será a organização da Conferência sobre os Refugiados e as Migrações na Comunidade dos Estados Independentes (CEI). A conferência levará à elaboração de um Plano de Ação para regulamentar os fluxos migratórios decorrentes da fragmentação das antigas repúblicas soviéticas. Em janeiro de 1996, Sergio é nomeado Assessor do Alto Comissário com o título de Subsecretário Geral das Nações Unidas.

É novamente enviado do ACNUR para trabalhar junto às Nações Unidas, em novembro de 1996, para exercer as funções de Coordenador Humanitário das Nações Unidas para a região dos Grandes Lagos na África. No início de 1997, volta para Genebra por um ano no seu posto de Assessor do Alto Comissário.

Em primeiro de janeiro de 1998, quando o Sr. Kofi Annan completa um ano como Secretário Geral, Sergio é novamente enviado do ACNUR junto às Nações Unidas em Nova York, onde é nomeado Secretário Geral Adjunto do Departamento de Ações Humanitárias, OCHA (Escritório de Coordenação de Ações Humanitárias). No âmbito de suas funções, Sergio cumprirá, a pedido do Secretário Geral, uma missão de avaliação em Kosovo, em maio de 1999. Na volta, faz um relatório ao Conselho de Segurança e, em 11 de junho de 1999, é nomeado pelo Secretário Geral, seu Representante Especial Provisório, responsável pela Administração Interina das Nações Unidas em Kosovo (MINUK). Voltando a Nova York em julho de 1999, reassume suas funções no OCHA.

No início de setembro de 1999, a situação piora rapidamente no Timor Leste após a divulgação dos resultados do referendum organizado pelas Nações Unidas, favoráveis à independência desta ex-colônia portuguesa anexada pela Indonésia em 1976. Em 15 de setembro, por decisão do Conselho de Segurança, é criada e enviada para o local uma Força Internacional de Intervenção (INTERFET). Em 25 de outubro do mesmo ano, uma nova resolução do Conselho de Segurança cria a Autoridade Provisória das Nações Unidas no Timor Leste (UNTAET). Esta administração transitória dispõe de poderes legislativos e executivos (incluindo a Justiça e a Administração do Território). Sergio Vieira de Mello é nomeado Administrador do UNTAET. Chega a Dili em novembro de 1999 e governa o Timor Leste até abril de 2002, data em que Xanana Gusmão é eleito Presidente. O Timor Leste é criado em 20 de maio de 2002 e se torna o 192º país das Nações Unidas.

Em setembro de 2002, desejando voltar para a Suíça e para perto de sua família, Sergio é nomeado Alto Comissário de Direitos Humanos com sede em Genebra. Permanecerá neste posto até o final de maio de 2003, quando o Sr. Kofi Annan lhe pede que seja seu Representante Especial em Bagdá por um período de 4 meses. Chega ao Iraque em 2 de junho de 2003. No dia 22 de julho, refere ao Conselho de Segurança sobre a situação no Iraque e as condições extremamente difíceis nas quais as Nações Unidas têm que trabalhar. As forças da coalizão tinham entrado no Iraque no dia 19 de março de 2003.

Cinco meses depois, no dia 19 de agosto de 2003, Sergio Vieira de Mello e 21 de seus colegas são mortos em Bagdá, no atentado mais sangrento sofrido pela Organização das Nações Unidas.
O mundo estava atônito. O profundo sentimento de perda que se seguiu ao desaparecimento de Sergio gerou uma onda de dor e desespero sem precedentes. É difícil expressar o sentimento mais apropriado para descrever o vazio experimentado no mundo inteiro devido a sua perda prematura. Mas um testemunho sobressai por sua simplicidade e porque vinha do coração.

Kamel Morjane, ex Alto Comissário Adjunto do ACNUR e amigo do Sergio (atualmente Ministro da Defesa da Tunísia): “No ACNUR, onde ele passou 25 anos de sua vida, era o filho brilhante que seus antecessores gostariam de ter tido. Para seus coetâneos, como eu, era o colega ou o amigo, muitas vezes os dois ao mesmo tempo, que tentávamos imitar e ter como exemplo, mas que ninguém conseguiu igualar”.

Em sua longa carreira, Sergio foi apoiado, incentivado e protegido discretamente por sua mulher Annie enquanto os dois viam, com orgulho, seus filhos Laurent e Adrien crescerem e se tornarem jovens sadios. Do ponto de vista família, o marido e pai querido continuará a fazer muita falta.

Depois de um velório no Rio de Janeiro, sua cidade natal e em Genebra, uma cidade que se tornou sua segunda casa e cujos cidadãos se tinham aglomerado nas ruas para prestar-lhe uma última homenagem, Sergio foi levado ao Cemitério dos Reis onde desde então descansa em paz.

Sua trajetória de vida foi espetacular. é uma pena que seu reconhecimento entre os brasileiros seja tão limitado e até mesmo ausente. Ele foi um brasileiro que, com muita raça, transparência e ética conduziu umas das mais belas trajetórias das últimas décadas no cenário internacional.

Fica aqui minha homenagem a Sérgio Vieira de Mello.

abaixo esta um breve Vídeo em homenagem póstuma a Sérgio Vieira de Mello feito pela ONU