Enquanto coordenava a campanha de Dilma, ‘Palocci’ assistia ao espetáculo do crescimento de seu ‘patrimônio’.

Ministro Palocci e a Presidenta Dilma

Continuam a pleno vapor as revelações sobre o espetáculo do crescimento do patrimônio de Antonio Palocci. Soube-se hoje que a Projeto, sua firma de consultoria agora convertida em administradora de fortuna, faturou uma bolada ao mesmo tempo em que ele coordenava a campanha de Dilma Rousseff à presidência da República. Que tipo de prestação de serviço milionária terá sido esta?

Folha de S.Paulo revela que o faturamento da Projeto ultrapassou R$ 20 milhões no ano passado. A proficiência da empresinha – afinal, tinha apenas um único funcionário conhecido – é ilustrada pelo salto nos negócios: quatro anos antes, quando foi aberta, a consultoria arrecadara R$ 160 mil com a prestação de serviços. É o show dos milhões.

Fazendo uma conta rápida, deduz-se que a multiplicação dos peixes na cesta de Palocci foi muito mais prolífica do que se sabia até agora. Se, em 2006, o patrimônio declarado do ministro não chegava a R$ 400 mil e se, na pior das hipóteses, em toda a sua meteórica existência a Projeto só tiver faturado os R$ 20 milhões de 2010, o salto terá sido de 50 vezes – e não 20, como se falava até agora, já com suficiente espanto.

Palocci continua recusando-se a revelar para quem a Projeto trabalhou, o que fez e quanto recebeu enquanto ele dava expediente como deputado no Congresso. Quanto mais escorrega, mais corre risco de tombar.

Enquanto ele se mantém calado, a imprensa vai cuidando de descobrir não só que os valores praticados eram astronômicos, mas também que a carteira de clientes da Projeto era rechonchuda.

Informa O Estado de S.Paulo que pelo menos 20 empresas, incluindo bancos, montadoras e indústrias, contrataram a firma de Palocci. Em documento que deve enviar à Procuradoria-Geral da República, segundo o jornal, o ministro explica que “boa parte dos pagamentos foi concentrada entre novembro e dezembro do ano passado quando anunciou aos clientes que não mais atuaria no ramo de consultoria”.

Naquela altura, pelo menos 70% dos serviços de consultoria e análises de mercado já estariam concluídos, o que explicaria os altos montantes recebidos nesse período. Para a Projeto, assessorada agora por marqueteiros dedicados a “gestão de crises”, nada mais “natural” do que o crescimento dos contratos em 2010. Será?

A firma do ministro está se revelando uma gigante de mercado e um extraordinário case de sucesso no mundo das consultorias econômicas. Maior até do que concorrentes vistosas do ramo. Também a Folha informa que “o faturamento da empresa de Antonio Palocci está no mesmo patamar do das maiores consultorias econômicas do país, empresas com dezenas de funcionários, especializados em diferentes áreas”.

O jornal cita duas: a LCA Consultores (o LC da sigla é associado a Luciano Coutinho, atual presidente do BNDES) e a Tendências, do ex-ministro Maílson da Nóbrega. Embora líderes de mercado, não chegam nem perto da produtividade da Projeto e seu faturamento obtido com um único funcionário.

“A Folha apurou que a LCA Consultores, líder do mercado, fatura pouco mais de R$ 20 milhões por ano. Sua equipe é de mais de cem pessoas e atende quase cem empresas. A segunda maior, Tendências, fatura de R$ 13 milhões a R$ 15 milhões, tem cerca de 70 funcionários e cem clientes”.

Igualmente profícua é a lista de temas sobre os quais a Projeto dava consultoria aos que a procuravam. Um investidor na Ásia contratou Palocci “para opinar sobre a viabilidade financeira de negócios na região e estabilidade da moeda no respectivo país”, informa o Estadão.

Outro cliente da lista, revela Mônica Bergamo na Folha, a empresa de planos de saúde Amil o contratou para palestras de prevenção na época do surto da gripe suína. Mas Palocci não disse que o que “proporciona uma experiência única que dá enorme valor no mercado” foi sua passagem pelo Ministério da Fazenda? Ah, de quebra, a Amil também pagou por aconselhamento para expansão dos seus negócios no Nordeste. Está explicado…

Completa a lista de clientes conhecida até agora o grupo WTorre, que, entre 2006 e 2010, fez negócios avaliados em R$ 1,3 bilhão com fundos de pensão de estatais (Previ e Funcef) e com a Petrobras. Logo, logo vai se ficar sabendo que a Projeto também esteve por trás, digamos, da criação do estado da Gurgueia…

Com carteira tão extensa e com tanto dinheiro em caixa, também entende-se agora porque a empresinha que só tem um funcionário na sua lista de empregados contratou a gestora de recursos de um bancão para cuidar de sua fortuna. A Projeto já se mostrou, por si só, uma instituição financeira.

Se quiser manter-se como lugar-tenente da presidente da República, Antonio Palocci precisará ser cada vez mais como a mulher de César: não só precisa ser como parecer honesto. Por tudo o que se soube até agora, não conseguiu nem uma coisa nem outra. O homem que já se viu enredado em ervilhas superfaturadas, lixo mafioso e humildes sigilos devassados está longe de conseguir livrar-se das suspeitas sobre suas faraônicas pirâmides de dinheiro.

Governador Alckmin critica resistência à PM na ‘Cidade Universitária’.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) criticou neste sábado, 21, a resistência de parte do Conselho Gestor da Universidade de São Paulo (USP) à presença da Polícia Militar no interior da Cidade Universitária. “Isso é um resquício do período autoritário”, disse.

Alckmin defendeu a ação da PM que, segundo ele, é necessária para oferecer segurança não só aos estudantes, mas também às pessoas que têm acesso ao campus. “É para proteger o cidadão e evitar o crime.” Para o governador, associar o trabalho da segurança pública à repressão é algo que precisa ser ultrapassado. “Estamos vivendo outro momento”, acentuou.

A falta de segurança no campus da USP passou a ser discutida depois do assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, no último dia 18, supostamente numa tentativa de assalto num estacionamento do campus, no bairro do Butantã, zona oeste da capital. O governador confirmou que a Polícia Militar vai promover rondas e reforçar o policiamento na área.

“A universidade tem autonomia, mas houve uma decisão do Conselho Gestor de solicitar o apoio da nossa polícia. Vamos colaborar com a segurança feita pela própria universidade e isso não vai tirar a liberdade do estudante.” Ele disse que a forma de colaboração está sendo definida.

Nos EUA a Corte Suprema decide; aqui no Brasil o presidente veta a Corte. O que será do Caso Battisti? – por Moacir Pereira Alencar Junior

Cesare Battisti quando foi preso com documentos falsos no Brasil.

O Supremo Tribunal Federal (STF) redistribuiu o pedido de liberdade feito pela defesa do ex-ativista (assassino) de esquerda italiano Cesare Battisti e, com isso, a decisão sobre a soltura que poderia sair ainda nesta sexta-feira (13) foi adiada.

A defesa de Battisti diz que aguarda “serenamente” uma decisão do tribunal.

O requerimento da defesa tinha sido encaminhado ao ministro Marco Aurélio Mello porque o relator do processo, ministro Gilmar Mendes, está em viagem aos Estados Unidos. O tribunal informou na noite desta sexta que, após a verificação de que houve um erro, o pedido foi redistribuído para o gabinete do ministro Joaquim Barbosa.

Segundo a assessoria do STF, houve um equívoco na interpretação do Regimento Interno, e o processo foi por engano para Mello. O ministro chegou a redigir e assinar uma decisão, que não foi publicada. “Houve um erro cartorário do tribunal. Gastei à toa meu latim”, disse Mello, que não informou o teor de sua decisão.

Battisti foi condenado à prisão perpétua pela Justiça italiana por ter supostamente participado de quatro assassinatos. Ele está preso no Brasil desde 18 de março de 2007.

Mesmo depois da decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no fim do ano passado, de não extraditar o italiano, Battisti permanece no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. Em janeiro deste ano, o governo da Itália pediu que o STF reveja a decisão de Lula. Na quinta (12), o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou ao Supremo parecer contra o pedido do governo da Itália.

De acordo com o Regimento Interno do Supremo, o relator pode ser substituído, em caso de deliberação urgente, “pelo ministro imediato em antiguidade”. Segundo a assessoria do STF, o processo é encaminhado para o ministro que tem mais tempo de tribunal abaixo do relator, ou seja, mais novo de tribunal.

Pela ordem de antiguidade, o processo iria para o presidente do STF, Cezar Peluso, no entanto, o presidente da Corte não participa dessa linha de substituição. Excluído Peluso, pela antiguidade, o processo deveria ir para o ministro Ayres Britto, que está impedido de recebê-lo porque, no momento, exerce a Presidência do tribunal. O presidente Peluso está em viagem oficial aos Estados Unidos.

Após detectado o erro, o processo voltou para a Secretaria Judiciária do STF e de lá foi enviado ao gabinete de Joaquim Barbosa.

Aeroportos, Copa de 2014 e a infra-estrutura mágica. Se o plano A não funcionar, realmente terá plano B?

Névoa no Aeroporto Tom Jobim, impossibilitando pousos e decolagens.

O assessor técnico da diretoria de infraestrutura da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Dorieldo Prazeres, alertou para o fato de que julho, mês da Copa, é um mês de muita neblina em Guarulhos, período em que o aeroporto fecha com frequência e muitos voos são obrigados a alternar para outros aeroportos.

“Há um perigo de interrupção na Copa e não tenho ideia de qual seria o plano de contingência para lidar com isso”, declarou, durante seminário sobre aeroportos na América Latina, promovido pela “PriceWaterhouseCoopers” em parceria com o “Santander”.

“Qual seria a opção quando Guarulhos fechar? Campinas é uma preocupação pois também está saturado”. Além de Guarulhos, o aeroporto Santos Dumont, no Rio, também costuma fechar por problemas de neblina durante o inverno.

Questionado sobre a existência de um plano B para o caso das obras não ficarem prontas a tempo para a Copa, o representante da Infraero, Walter Américo Souza, superintendente de planejamento de aeroportos, foi evasivo: “Estamos trabalhando junto com governos locais e estaduais para ver o que está acontecendo, estamos aprendendo com as lições da Copa da África e teremos uma solução no futuro próximo”.

CNBB defende o conceito de família como sendo a união entre homem e mulher capaz de gerar filhos.

Os bispos que estão reunidos na 49ª Assembleia Geral Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no interior de São Paulo, voltaram a comentar a decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceram a união estável entre casais do mesmo sexo. O bispo diocesano de Camaçari (BA), dom João Carlos Petrini, criticou a posição do Supremo ao dizer que os representantes da Igreja Católica “não vão fazer nenhuma cruzada” contra a proposta, mas continuarão a defender o conceito deles de família.

“Não vamos fazer nenhuma cruzada, mas vamos procurar defender aquilo que até hoje, desde Adão e Eva, foi sempre uma característica típica da vida na nossa sociedade, que é uma instituição chamada família. E, repito, heterossexual e aberta para a procriação”, afirmou dom João, durante a coletiva de imprensa do evento, que acontece até o dia 13 em Aparecida, no Vale do Paraíba.

A votação unânime a favor dos homossexuais no STF ocorreu na quinta-feira (5), em Brasília. O porta-voz da Assembleia Geral da CNBB e arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, foi na mesma linha do bispo da Bahia. Para ele, “faz parte do direito da pessoa humana” ter acesso a heranças e outros benefícios, como prevê a manifestação dos ministros, mas “outra coisa é formar a família humana, dentro do que nós vemos que faz parte do direito natural”.

“Nós somos a favor da vida, somos contra qualquer discriminação. Somos contra as pessoas viverem, assim, umas contra as outras”, disse o arcebispo do Rio. “E lembramos que não basta apenas o direito positivo, achar o que é melhor pelo maior número de votos. Mas, sim, o direito natural que vem da própria natureza humana, que é o ‘ser família’”, afirmou dom Orani, que pediu respeito ao posicionamento da Igreja Católica sobre o tema.

Na quinta-feira, enquanto a sessão que julgava as ações no STF ainda estava em andamento, outros três bispos, além de dom Orani, também se manifestaram acerca do assunto. Todos defenderam a família como sendo a união entre homem e mulher capaz de gerar filhos.

Censo 2010 mostra que há cerca de 60 mil casais homossexuais

O Brasil tem mais de 60 mil casais homossexuais, segundo dados preliminares do Censo Demográfico 2010, divulgados nesta sexta-feira (29). Essa foi a primeira edição do recenseamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a contabilizar a população residente com cônjuges do mesmo sexo.

Ainda de acordo com os resultados preliminares, 37.487.115 casais são formados por pessoas de sexo oposto.

Em números absolutos, a região com mais casais homossexuais é o Sudeste, que abriga 32.202 casais, seguida pelo Nordeste, com 12.196 casais. O Norte tem o menor número de casais do mesmo sexo: 3.429, seguido do Centro-Oeste, com 4.141. A Região Sul tem pouco mais de 8 mil casais homossexuais. Entre os estados, São Paulo é o que tem a maior quantidade de casais homossexuais (16.872) e Roraima é o que tem menos, com apenas 96 casais que se declararam homossexuais.

Nesta sexta, o IBGE também divulgou a Sinopse do Censo Demográfico 2010, que apresenta os primeiros resultados definitivos do último recenseamento. Alguns números divulgados preliminarmente em novembro de 2010 foram ajustados, a exemplo do total da população, com a inclusão de estimativas sobre a população dos domicílios considerados fechados durante a coleta de dados.

Os censos demográficos são realizados no Brasil a cada dez anos. Participaram desta edição, segundo o IBGE, cerca de 230 mil recenseadores, supervisores, agentes censitários e analistas censitários. A coleta do Censo 2010 foi realizada entre 1º de agosto e 30 de outubro de 2010.

Grau de parentesco
Dos 67,5 milhões de domicílios recenseados, mais de 57 milhões são considerados particulares e têm ao menos uma pessoa apontada como responsável pelos demais moradores da casa.

Sobre o grau de parentesco dos residentes em domicílios particulares com relação ao responsável pelo domicílio, o levantamento preliminar aponta que, 71.279.012 brasileiros são filhos ou enteados que moram com os pais; 9.123.939 são netos ou bisnetos; 12.771.453 tem outro grau de parentesco; e 1.924.250 não possuem nenhum grau de parentesco com os demais moradores do domicílio.

“Um morador de cada domicílio respondeu ao questionário e enumerou o grau de parentesco de cada morador do domicílio. Quem é o responsável, o cônjuge, o filho, o neto e demais parentescos que podem aparecer”, explica a demógrafa Leila Ervatti, do IBGE.

300%, este foi o lucro da VALE neste primeiro trimestre comparado ao mesmo período de 2010

Caminhão com capacidade de levar 240 toneladas, em área de extração de minério de Ferro.

A Vale teve lucro líquido recorde de R$ 11,291 bilhões no primeiro trimestre de 2011, ante R$ 2,879 bilhões em igual período do ano anterior – o que equivale a alta de 292,2%, refletindo preços maiores de seu principal produto, o minério de ferro.

Os ganhos deste primeiro trimestre superam em 7% o recorde anterior, de R$ 10,554 bilhões, apurados no terceiro trimestre de 2010. O lucro líquido também é 12,9% superior ao resultado do quarto trimestre de 2010, quando a mineradora apurou ganhos de R$ 10,002 bilhões.

“Este é o resultado da execução de nossa estratégia de expandir a produção principalmente através do crescimento orgânico, desenvolvendo ativos de primeira linha… em um cenário de forte demanda global por minerais e metais”, afirmou a companhia em comunicado nesta quinta-feira (5)

O lucro da mineradora foi o maior da história de uma companhia aberta no Brasil para um primeiro trimestre, de acordo com a Economática. O desempenho acontece em meio à troca do principal executivo da empresa, Roger Agnelli, que no próximo dia 20 deixa o cargo que será ocupado por Murilo Ferreira, um ex-executivo da Vale.

O Ebitda (lucro antes de impostos, juros, amortizações e depreciações) no primeiro trimestre foi de R$ 15,517 bilhões, alta de 188,2% sobre os R$ 5,385 bilhões há um ano. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 268 milhões, contra R$ 1,337 bilhão no primeiro trimestre de 2010.

No período, a receita operacional líquida atingiu R$ 22,985 bilhões, contra R$ 12,583 bilhões do primeiro trimestre de 2010.

Pela contabilidade norte-americana, o lucro da Vale atingiu US$ 6,83 bilhões.

No primeiro trimestre de 2011, o volume vendido de minério de ferro e pelotas totalizou 68,586 milhões de toneladas métricas, volume 2,7% superior aos 66,802 milhões de toneladas do mesmo período do ano passado.

Apesar de o volume ter crescido apenas ligeiramente na comparação anual, os preços do minério de ferro quase dobraram no período, segundo a Vale, para US$ 126,19 por tonelada, em meio à forte demanda internacional pelo produto, especialmente da China.

Em relação ao quarto trimestre de 2010, um período que costuma ser sazonalmente mais forte que a primeira metade do ano, as vendas de minério de ferro e pelotas da Vale caíram 16,2%, informou a companhia.

A produção de minério de ferro da Vale aumentou para 71,54 milhões de toneladas no primeiro trimestre, contra 69,06 milhões no mesmo trimestre do ano passado e ante 80,26 milhões de toneladas no quarto trimestre de 2010.

A Vale também observou em nota que as operações no primeiro trimestre foram impactadas pelas chuvas excepcionalmente fortes no Brasil, que afetaram principalmente as minas do sistema norte.

A receita gerada com vendas de minério de ferro atingiu R$ 11,907 bilhões no primeiro trimestre, sendo o maior valor registrado pela Vale num primeiro trimestre, informou a companhia em comunicado.

“Especificamente comparado ao 1T10, a Vale melhorou o desempenho operacional em quase todos os produtos, como o minério de ferro, pelotas, manganês, ferro ligas, carvão, níquel, cobre e cobalto, apresentando aumentos de produção, permitindo que continuemos a nos beneficiar de um cenário global favorável”, afirmou a companhia em comunicado ao mercado.

A Ásia recebeu praticamente a metade da produção da Vale, ou 49,1%, fatia menor do que a região registrou no quarto trimestre de 2010, quando ficou com 54% do total das vendas, refletindo o recuo da demanda da China no período, de 34,6% para 29,5%.

Mesmo assim, a China continua como o país de maior peso na receita da Vale, seguido pelo Brasil, com 17,8%,  e Japão, com 10,7%.

“Um novo Brasil” – por Fernando Henrique Cardoso

Décadas atrás havia uma discussão sobre a “modernização” do Brasil. Correntes mais dogmáticas da esquerda denunciavam os modernizadores como gente que acreditava ser possível transformar o País saltando a revolução socialista. Com o passar do tempo, quase todos se esqueceram das velhas polêmicas e passaram a se orgulhar das grandes transformações ocorridas. Até mesmo pertencermos aos Brics, uma marca criada em 1999 pelo banco Goldman Sachs, passou a ser motivo de orgulho dos dirigentes petistas: finalmente somos uma economia emergente!

Na verdade, o Brasil é mais do que uma “economia emergente”, é uma “sociedade emergente” ou, para usar o título de um livro que analisa bem o que aconteceu nas últimas décadas, somos um novo país (ver Albert Fishlow, O Novo Brasil, Saint Paul Editora, 2011). Para entender as dificuldades políticas que foram transpostas para acelerar estas transformações basta ler a primeira parte de um livrinho que tem o instigante título Memórias de um Soldado de Milícias, escrito por Luiz Alfredo Raposo e publicado este ano em São Luís do Maranhão.

Embora os livros comecem a registrar o que é este novo Brasil – e há outros, além do que mencionei -, o senso comum, especialmente entre os militantes ou representantes dos partidos políticos e seus ideólogos, ainda não se deu conta por completo dessas transformações e de suas consequências.

Os fundamentos deste novo País começaram a se constituir a partir das greves operárias do fim da década de 1970 e da campanha das Diretas-Já, que conduziram à Constituição de 1988. Este foi o marco inicial do novo Brasil: direitos assegurados, desenho de um Estado visando a aumentar o bem-estar do povo, sociedade civil mais organizada e demandante, enfim, liberdade e comprometimento social. Havia na Constituição, é certo, entraves que prendiam o desenvolvimento econômico a monopólios e ingerências estatais. Sucessivas emendas constitucionais foram aliviando essas amarras, sem enfraquecer a ação estatal, mas abrindo espaço à competição, à regulação e à diversificação do mundo empresarial.

O segundo grande passo para a modernização do País foi dado pela abertura da economia. Contrariando a percepção acanhada de que a “globalização” mataria nossa indústria e espoliaria nossas riquezas, houve a redução de tarifas e diminuição dos entraves ao fluxo de capitais. Novamente os “dogmáticos” (lamento dizer, PT e presidente Lula à frente) previram a catástrofe que não ocorreu: “sucateamento” da indústria, desnacionalização da economia, desemprego em massa, e assim por diante. Passamos pelo teste: o BNDES atuou corretamente para apoiar a modernização de setores-chave da economia, as privatizações não deram ensejo a monopólios privados e mantiveram boa parte do sistema produtivo sob controle nacional, seja pelo setor privado, seja pelo Estado, ou em conjunto. Houve expansão da oferta e democratização do acesso a serviços públicos.

O terceiro passo foi o Plano Real e a vitória sobre a inflação, não sem enormes dificuldades e incompreensões políticas. Juntamente com a reorganização das finanças públicas, com o saneamento do sistema financeiro e com a adoção de regras para o uso do dinheiro público e o manejo da política econômica, a estabilização permitiu o desenvolvimento de um mercado de capitais dinâmico, bem regulado, e a criação das bases para a expansão do crédito.

Por fim, mas em nada menos importante, deu-se consequente prática às demandas sociais refletidas na Constituição. Foram ativadas as políticas sociais universais (educação, saúde e Previdência) e as focalizadas: a reforma agrária e os mecanismos de transferência direta de renda, entre eles as bolsas, a primeira das quais foi a Bolsa-Escola, substituída pela Bolsa-Família. Ao mesmo tempo, desde 1993 houve significativo aumento real do salário mínimo (de 44% no governo do PSDB e de 48% no de Lula).

Os resultados veem-se agora: aumento de consumo das camadas populares, enriquecimento generalizado, multiplicação de empresas e das oportunidades de investimento, tanto em áreas tradicionais quanto em áreas novas. Inegavelmente, recebemos também um impulso “de fora”, com o boom da economia internacional de 2004-2008 e, sobretudo, com a entrada vigorosa da China no mercado de commodities.

Por trás desse novo Brasil está o “espírito de empresa”. A aceitação do risco, da competitividade, do mérito, da avaliação de resultados. O esforço individual e coletivo, a convicção de que sem estudo não se avança e de que é preciso ter regras que regulem a economia e a vida em sociedade. O respeito à lei, aos contratos, às liberdades individuais e coletivas fazem parte deste novo Brasil. O “espírito de empresa” não se resume ao mercado ou à empresa privada. Ele abrange vários setores da vida e da sociedade. Uma empresa estatal, quando o possui, deixa de ser uma “repartição pública”, na qual o burocratismo e os privilégios políticos, com clientelismo e corrupção, freiam seu crescimento. Uma ONG pode possuir esse mesmo espírito, assim como os partidos deveriam possuí-lo. E não se creia que ele dispense o sentimento de coesão social, de solidariedade: o mundo moderno não aceita o “cada um por si e Deus por ninguém”. O mesmo espírito deve reger os programas e ações sociais do governo na busca da melhoria da condição de vida dos cidadãos.

Foi para isso que apontei em meu artigo na revista Interesse Nacional, que tanto debate suscitou, às vezes a partir de leituras equivocadas e mesmo de má-fé. É inegável que há espaço para as oposições firmarem o pé neste novo Brasil. Ele está entre os setores populares e médios que escapam do clientelismo estatal, que têm independência para criticar o que há de velho nas bases políticas do governo e em muito de suas práticas, como a ingerência política na escolha dos “campeões da globalização”, o privilegiamento de setores econômicos “amigos”, a resistência à cooperação com o setor privado nos investimentos de infraestrutura, além da eventual tibieza no controle da inflação, que pode cortar as aspirações de consumo das classes emergentes. Para ocupar esse espaço, entretanto, é preciso que também as oposições se invistam do espírito novo e sejam capazes de representar este novo Brasil, tão distante do pequeno e às vezes mesquinho dia a dia da política congressual.

SOCIÓLOGO, FOI PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Karol Józef Wojtyla (Papa João Paulo II) é beatificado.

Milhares de fiéis que assistiram à cerimônia de beatificação de João Paulo II continuam a venerar os restos mortais do papa antecessor de Bento XVI, no Vaticano. Pelo menos um milhão de pessoas participaram da cerimônia nesta manhã de domingo (1º).

Papa João Paulo II

O caixão está exposto na Basílica de São Pedro, perante o altar da Confissão. Sobre ele foi colocada uma cópia do Evangelho de Lorsch, aberto e apoiado em um coxim tecido com decoração de ouro, além de uma coroa de flores com as cores oficiais da bandeira vaticana, amarela e branca.

A Guarda Suíça cerca o caixão de Karol Wojtyla, que foi proclamado beato em cerimônia solene neste domingo pelo papa Bento XVI, provocando uma profunda emoção em mais de um milhão de fiéis que assistiram ao ato.

Bento XVI rezou em silêncio ante o caixão do antecessor, com o qual colaborou por 23 anos como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Os fiéis começaram a visitar o caixão às 13h16 locais (8h16 de Brasília) e está previsto que possam fazê-lo até amanhã, às 19h pelo horário do Vaticano, quando serão fechados os portões da Basílica.

O féretro foi retirado na sexta-feira do túmulo que ocupava na cripta da Basílica de São Pedro e será colocado nos próximos dias em uma capela do templo. Até agora, os restos de Wojtyla descansavam a poucos passos do sepulcro de São Pedro.

Após o papa e os cardeais venerarem os restos de João Paulo II, foi a vez das delegações oficiais dos países presentes, e em seguida a de pessoas portadoras de deficiência e o restante do público.

As portas da basílica permanecerão abertas até o “último peregrino”, segundo a Santa Sé.

Assim que forem concluídas as celebrações pela beatificação, o caixão será levado à capela de São Sebastião, com melhor capacidade para receber um volume ainda maior de fiéis no futuro.

A placa de mármore que cobria o túmulo nas grutas vaticanas será enviada para a Cracóvia, para ser utilizada na construção de uma nova igreja, que será erguida em nome do Papa polonês.

BIOGRAFIA DE JOÃO PAULO II

Karol Józef Wojtyla , conhecido como João Paulo II desde outubro de 1978 com a eleição para o papado, nasceu em Wadowice, uma pequena cidade a 50 quilômetros de Cracóvia, em 18 de maio de 1920.

Ele foi o segundo dos dois filhos de Karol Wojtyla e Emilia Kaczorowska. Sua mãe faleceu em 1929. Seu irmão mais velho, Edmund, um médico, morreu em 1932 e seu pai, um oficial do exército  morreu em 1941.

Ele fez sua Primeira Comunhão aos 9 anos e foi confirmada aos 18. Após a formatura de Marcin Wadowita onde fez o ensino médio em Wadowice, matriculou-se na Universidade de Jagiellonian , que fica em Cracóvia , no ano de 1938,onde também fez parte de uma escola de teatro.

As forças de ocupação nazista fecharam a Universidade, em 1939, o jovem Karol teve que trabalhar em uma pedreira (1940-1944) e depois na Solvay, fábrica de produtos químicos para ganhar a vida e evitar ser deportado para a Alemanha.

Em 1942, ciente de sua vocação ao sacerdócio, ele começou a fazer cursos no seminário clandestino de Cracóvia, dirigido pelo Cardeal Adam Stefan Sapieha, arcebispo de Cracóvia. Ao mesmo tempo, Karol Wojtyla foi um dos pioneiros do “Teatro Rapsódico”, também clandestino.

Após a Segunda Guerra Mundial, continuou seus estudos nos principais seminários de Cracóvia, uma vez que tinha reaberto, e na Faculdade de Teologia da Universidade Jagiellonian, até sua ordenação sacerdotal em Cracóvia, em 01 de novembro de 1946. Logo depois, o Cardeal Sapieha lhe enviou a Roma onde trabalhou sob a direção do dominicano francês Garrigou-Lagrange. Ele terminou seu doutorado em teologia em 1948 com uma tese sobre o tema da fé nas obras de São João da Cruz.Naquela época, durante as férias, ele exerceu seu ministério pastoral entre os imigrantes poloneses da França, Bélgica e Holanda.

Em 1948 voltou à Polônia e foi vigário de diversas paróquias de Cracóvia, bem como capelão dos universitários até 1951, quando retomou seus estudos sobre filosofia e teologia. Em 1953, ele defendeu uma tese sobre “Avaliação da possibilidade de fundar uma ética católica sobre o sistema ético de Max Scheler” na Universidade Católica de Lublin. Mais tarde ele se tornou professor de Teologia Moral e Ética Social no seminário maior da Cracóvia e na Faculdade de Teologia de Lublin.

Em 04 de julho de 1958, foi nomeado bispo auxiliar de Cracóvia pelo Papa Pio XII, e foi consagrado em 28 de setembro de 1958, na Catedral de Wawel, em Cracóvia, pelo Arcebispo D. Baziak.

Em 13 de janeiro de 1964, foi nomeado Arcebispo de Cracóvia pelo Papa Paulo VI, que fez dele um cardeal em 26 junho de 1967.

Além de participar do Concílio Vaticano II com uma contribuição importante para a elaboração da Constituição Gaudium et spes , o Cardeal Wojtyla participou em todas as assembléias do Sínodo dos Bispos.

Ele foi eleito papa em 16 de outubro de 1978 e em 22 de outubro começou o seu universal Ministério Pastoral na Igreja.

Papa João Paulo II realizou 104 viagens pastorais fora da Itália e 146 no interior da Itália. Como Bispo de Roma visitou 317 das 332 paróquias.

Seus principais documentos incluem 14 encíclicas, 15 exortações apostólicas, 11 constituições apostólicas e 45 cartas apostólicas. O Papa também publicou cinco livros: “Cruzando o Limiar da Esperança” (outubro 1994), “Dom e Mistério: No 50º aniversário de minha Sacerdotal Ordenação” (Novembro 1996), “Tríptico Romano – Meditações”, um livro de poemas (março 2003), “Levanta-te, vamos ser o nosso caminho” (Maio de 2004) e “Memória e Identidade” (Publicação na Primavera de 2005).

João Paulo II presidiu em 147 cerimónias de beatificação (1338 proclamou beatos) e 51 cerimônias de canonização (482 Santos) durante o seu pontificado. Ele ocupou nove consistórios em que ele criou 231 (+ 1 “in pectore”) cardeais. Ele também convocou seis sessões plenárias do Colégio dos Cardeais.

João Paulo II presidiu em 15 Sínodos dos Bispos: seis ordinárias (1980, 1983, 1987, 1990, 1994, 2001), um extraordinário (1985) e oito especiais (1980, 1991, 1994, 1995, 1997, 1998 [2] e 1999).

Nenhum outro Papa encontrou tantas pessoas como João Paulo II: até à data, mais de 17.600.000 peregrinos participaram nas Audiências realizadas às quartas-feiras (mais de 1160).Esta cifra não inclui as outras audiências especiais e cerimônias religiosas realizadas [mais de 8 milhões de peregrinos durante o Grande Jubileu do Ano 2000 sozinho] e os milhões de fiéis que se reuniram durante as visitas pastorais na Itália e em todo o mundo. Deve-se lembrar também as personalidades dos governos numerosos encontrados durante 38 visitas oficiais e nas 738 audiências e reuniões com chefes de Estado e até mesmo as 246 audiências e encontros com primeiros-ministros.

Morreu em Roma, no Vaticano, às 21:37 de 2 de abril de 2005. Seu funeral teve lugar na Praça de São Pedro, no  dia 8 de Abril de 2005.