Presente Passado, passado presente – Uma reflexão de Tony Judt e Timothy Snyder sobre a História

Tony Judt e Timothy Snyder

Tony Judt e Timothy Snyder

Uma reflexão do historiador britânico Tony Judt (1948-2010) em conversa com o historiador americano Timothy Snyder (1969-… ), que se encaixa muito bem em nossa realidade brasileira presente, principalmente em anos eleitorais no Brasil, um país onde o povo é tipicamente sem memória – e onde a intelligentsia pró- Status Quo ou anti- Status Quo reproduzem a “verdade do bem” e a “verdade do mal”. Essa reflexão vale também como uma análise para muitas coisas referentes a construção do conhecimento e do discernimento de um cidadão nas mais variadas searas da vida, em qualquer sociedade democrática atual decente  (Brasil, quem sabe um dia seja uma, ‘não que as outras democracias sejam modelos perfeitos’). Afinal, a História, diferentemente do que muitos pós-modernos dizem (Fukuyama entre eles), não morreu…e ainda é determinante do nosso presente e futuro.

É isto o que posto em meu blog hoje:

“Na verdade, não acho que negligenciar o passado é o nosso maior risco; o erro característico do presente é citá-lo na ignorância. […]Como estamos fadados a explorar o passado para justificar o comportamento público presente, o argumento em favor de realmente conhecer a história é irresponsável. Um cidadão bem informado tem menos probabilidade de ser enganado em explorações abusivas do passado para erros presentes.

[…] Fraudar o passado é a mais antiga forma de controle do conhecimento: se você tem poder sobre a interpretação do que aconteceu antes (ou pode simplesmente mentir sobre isso) , o presente e o futuro estão à sua disposição. Portanto, é simples prudência democrática assegurar que os cidadãos sejam historicamente informados.

Aqui, me preocupo com o ensino de história “progressista”. Em nossa infância, com certeza na minha e imagino que na sua, a história era um monte de informações. Você a aprendia de uma maneira organizada, em série – muitas vezes em uma linha cronológica do tempo.  O objetivo deste exercício era fornecer  às crianças um mapa mental – estendido para trás ao longo do tempo – do mundo em que habitavam.  Aqueles que insistiam em que essa abordagem era acrítica não estavam errados. Mas se revelou um grave erro substituir a história carregada de dados  pela intuição de que o passado foi um conjunto  de mentiras e preconceitos que precisam ser corrigidos: preconceitos em favor de povos e homens brancos, mentiras sobre o capitalismo ou o colonialismo, ou o que quer que seja.

Você não pode ensinar às crianças a história americana dizendo: acredita-se amplamente que a Guerra Civil ocorreu por causa da abolição da escravidão, mas ha! – posso lhes garantir que ela ocorreu de fato  por conta de algo completamente diferente. Pois as coitadinhas na fileira da frente vão virar umas para as outras e perguntar: “Espere um pouco, o que ela  está falando? O que é Guerra Civil? Quando ela aconteceu? Quem ganhou?”

Essas abordagens supostamente críticas, que pretendem – sejamos generosos – ajudar crianças e estudantes a formar seus próprios julgamentos, são contraproducentes. Semeiam confusão em vez de discernimento, e a confusão é inimiga do conhecimento. Antes que alguém – seja criança ou estudante universitário – possa se envolver com o passado, tem de saber o que aconteceu, em que ordem e com que resultado. Em vez disso, criamos duas gerações de cidadãos completamente desprovidos de referências comuns. Em consequência, eles podem contribuir pouco para a governança da sociedade. A tarefa do historiador, se quiser pensar desta forma, é fornecer a dimensão do conhecimento e da narrativa sem a qual não podemos ser um todo cívico. Se temos uma responsabilidade cívica como historiadores, é essa.

[…] Os alunos não podem questionar o que não conhecem.

[…] A condição necessária de uma sociedade verdadeiramente democrática ou civil – o que Popper chamou de “sociedade aberta” – é uma consciência coletiva sustentada das maneiras como as coisas estão sempre mudando, e no entanto a mudança total é sempre ilusória. Quanto a Fukuyama, ele não fez nada mais que adaptar a história comunista a seus próprios fins. Em vez de o próprio comunismo fornecer o fim e objetivo na direção do qual a história se move, esse papel foi atribuído a queda do comunismo. O trabalho do historiador é pegar esse disparate arrumadinho e bagunçá-lo.

Assim, cada vez que algum imbecil declara que um Saddam Hussein é Hitler reencarnado, nosso trabalho é entrar na briga e complicar essa asneira simplória.  Uma bagunça precisa é muito mais verdadeira para a vida do que inverdades elegantes. Mas, ao desacreditar declarações políticas enganosas, continuamos obrigados a pôr algo em seu lugar: uma linha narrativa, uma explicação coerente, uma história compreensível. Afinal, se não tivermos claro em nossa própria cabeça exatamente o que foi e não foi o caso no passado, como podemos nos oferecer ao mundo como uma fonte confiável de autoridade imparcial?

Portanto, há um equilíbrio,  e não vou dizer que ele é fácil de alcançar. Se você só quer fazer bagunça – se vê a tarefa do historiador como borrar todas as linhas – , torna-se irrelevante. Se tornarmos a história caótica para nossos alunos ou leitores, perderemos qualquer reivindicação sobre a conversa cívica.

Reflexão feita a partir de trechos do livro “Pensando o Século XX” – páginas 283-289. Editora Objetiva, 2012.

Margaret Thatcher – (1925-2013)

Margaret Thatcher - "A DAMA DE FERRO"

Margaret Thatcher – “A DAMA DE FERRO”- em foto de 2010

O porta-voz da família de Thatcher informou hoje,  que Thatcher morreu em consequência de um acidente vascular cerebral.

“É com grande tristeza que Mark e Carol Thatcher anunciam que sua mãe, a baronesa Thatcher, morreu em paz depois de um derrame, esta manhã,” disse o Lorde Tim Bell, o porta-voz.

Líder Conservadora e primeira-ministra britânica, Margaret Hilda Thatcher nasceu em Grantham, na Inglaterra, no ano de 1925. Formada em química pela Universidade de Oxford, em 1947, elegeu-se deputada pela primeira vez em 1959, pelo Partido Conservador.

De 1964 a 1970, quando o Partido Trabalhista assumiu o poder, ela ocupou diversos cargos no gabinete de Edward Heath. Heath se tornou primeiro-ministro em 1970, e Thatcher, sua secretária de Educação. Após os conservadores sofrerem nova derrota, em 1974, Thatcher concorreu com Heath pela liderança do partido e, para surpresa de muitos, venceu a indicação. Em 1979, o Partido Conservador venceria as eleições gerais, e ela se tornaria primeira-ministra, aos 54 anos.

Maio de 1979 - Thatcher e o marido Denis acenam ao chegar ao número 10 da Downing Street, em Londres, para assumir o cargo de primeira-ministra do Reino Unido.

Maio de 1979 – Thatcher e o marido Denis acenam ao chegar ao número 10 da Downing Street, em Londres, para assumir o cargo de primeira-ministra do Reino Unido.

Sua gestão passou a ser um referência para o novo liberalismo: privatizou empresas estatais, reduziu o déficit público com o corte de recursos públicos e endureceu as relações com o movimento sindical. Tratou também com firmeza o grupo nacionalista IRA (Em 1984, ela escapou por pouco de um atentado do IRA (o Exército Republicano Irlandês), que instalou um carro-bomba numa conferência do Partido Conservador em Brighton), e em 1982, derrotou a Argentina na Guerra das Malvinas. Aliou-se ao presidente norte-americano Ronald Reagan, que chegou ao poder em 1981, para ampliar as pressões contra o bloco soviético, no período final da Guerra Fria.

Ronald Reagan e Margaret Thatcher

Ronald Reagan e Margaret Thatcher

Com ideias arrojadas, ela criou uma nova expressão no dicionário inglês: “thatcherismo”, que significa uma política que privilegia a liberdade de mercado, as privatizações, preconiza menos intervenção do governo na economia e mais rigor no tratamento com os sindicatos trabalhistas.

Sua atuação lhe valeu o apelido de “Dama de Ferro”. Deixando o poder em 1990.

Foto de 2005 - Thatcher posa entre o então primeiro-ministro britânico Gordon Brown, e sua esposa Sarah.

Foto de 2005 – Thatcher posa entre o então primeiro-ministro britânico Gordon Brown e sua esposa, Sarah.

”João Alfredo Corrêa de Oliveira” – por Plínio Corrêa de Oliveira

João Alfredo Corrêa de Oliveira

João Alfredo foi Presidente do Gabinete do Conselho de Ministros do Segundo Reinado ( março de 1888 – junho de 1889 ), foi durante sua presidência que ocorreu a abolição da escravatura, em maio de 1888.  Ele era do Partido Conservador, abolicionista e defensor da Monarquia. Neste artigo, seu sobrinho, Plínio, faz uma breve descrição de João Alfredo.

Este artigo foi publicado no dia 21 de dezembro de 1936, no Jornal Diário de São Paulo.

Ignoramos as razões por que o riquíssimo arquivo deixado pelo conselheiro João Alfredo ainda não tentou o talento e a curiosidade de algum biógrafo. Nesse arquivo, ao par de documentos históricos de primeiro valor figuram trabalhos do conselheiro ainda inéditos, entre os quais uma história da Revolução de 1817 em que é cabalmente demonstrada a tese de que a maior parte de seus cabecilhas não desejava a proclamação da República.

O certo é que uma biografia de João Alfredo constituiria um estudo psicológico de interesse palpitante, pois que a sua evolução intelectual dos princípios dissolventes e igualitários de 1789 a um Catolicismo sincero e praticante, oferece uma complexidade de aspectos em nada inferior à conversão de Nabuco (1) ou Calógeras (2).

Eleito deputado aos vinte anos sua longa atividade política só sofreu uma interrupção de cinco anos quando se extinguiu a primeira legislatura de que fez parte. Em toda a sua longa carreira, João Alfredo mostrou-se profundamente embebido dos preconceitos dissolventes da Revolução Francesa e os defendeu sempre com ardor. Particularmente na famosa questão religiosa, sua atuação revelou o cunho fortemente anti-clerical e regalista da mentalidade dos estadistas de então. Com vigor que ele imprimia a todas as suas atividades, João Alfredo não hesitou em tomar a defesa da Maçonaria liberal, contra a Igreja, e na violência da luta, não lhe detiveram os passos nem sequer os laços do parentesco e amizade que o prendiam ao jovem Bispo D. Vital G. de Oliveira.

Depois de golpear a fundo o Altar, João Alfredo viu com tristeza que chegava a vez do Trono, de que ele era extremo defensor. No entanto, ainda aí, com uma coerência surpreendente em um liberal, não desmentiu seus princípios. Quando ele era Ministro do Império interpelou-o alguém sobre as providências tomadas contra a propaganda republicana, que grassava em todo o país. João Alfredo respondeu que não tinha providências a tomar, pois que, se algum dia os brasileiros optassem pela mudança do regime, ele saberia obedecer às injunções da maioria soberana.

Tibieza de opiniões? Indiferença para com a forma de governo? Não. Quando se proclamou a República, João Alfredo profundamente desgostoso, afastou-se definitivamente da política. Se cruzou os braços ante a propaganda republicana, fê-lo portanto por mera obediência às suas convicções liberais.

No entanto, esse liberal de grande estilo era, no cenário de nossa política, um autêntico Bismarck taciturno, de poucas palavras. Sua tática parlamentar se destacava pela perícia das manobras efetuadas com virulência disciplinadora de um chefe e a habilidade aveludada de um maneiroso diplomata. Muito cedo, pela manhã já era visto a percorrer as residências dos deputados, confabulando com uns e com outros, animando, coordenando, estimulando, ameaçando. Nos debates parlamentares era antes de tudo um general que dirigia de cima e de longe, sem se envolver pessoalmente na peleja oratória. Mas, quando o fazia, entrava no mais renhido do fogo, com a ferocidade fogosa de um nordestino combativo, a atacar, defender, argumentar, vencer. João Alfredo era grande orador, e disso deu provas sobejas, que hoje já ninguém discute. No entanto, seu invariável silêncio no Parlamento chegou a lhe valer a injusta fama de mau orador. Arcou com essa fama, em holocausto às suas idéias. O sacrifício foi duro, mas premiado de êxito, e quando João Alfredo encerrou sua carreira vitoriosa, a unanimidade dos brasileiros o aclamava como um dos maiores estadistas do Império.

Esse Bismarck taciturno e autoritário destoava singularmente do ambiente de retórica brilhante e talvez excessiva do Parlamento Imperial. Agia-se muito, falava-se mais ainda do que se agia. E assim parecia um prodígio a reserva inflexível do ilustre tribuno pernambucano, seu espírito autoritário e sua catadura de ditador.

Realmente havia em João Alfredo uma contradição íntima, que era um “superavit” de sua grande inteligência, em relação às idéias do século. Mal prevenido contra elas, por uma educação talvez deficiente do ponto de vista da segurança doutrinária, João Alfredo as abraçou por muito tempo. Mas sua inteligência lúcida e seu temperamento forte fizeram dele um liberal autoritário, amigo da ordem tanto quanto da liberdade. No estudante, no tribuno, o amor à liberdade excedia ao amor à ordem. No ministro, que viu do alto as verdadeiras necessidades do país, o amor à ordem acabou por vencer o amor à liberdade. E, com isso, João Alfredo foi evoluindo lentamente, até chegar ao polo oposto do liberalismo, que é o catolicismo.

O antigo perseguidor de bispos, morreu católico fervoroso. No-lo atestam seu testamento, e suas “últimas palavras”, em que pede a Misericórdia de Deus para a sua grande alma, que deposita no regaço da Igreja Católica. Bem antes de morrer, fizera-se membro da Ordem Terceira do Carmo, em que tomou o nome de Irmão João da Cruz, e foi com o hábito austero dos penitentes do Monte Carmelo que quis ir à última morada, para aguardar lá a ressurreição.

Seu fim piedoso e sereno seguindo-se a uma vida de liberal combativo faz lembrar involuntariamente a famosa sentença. “L’Eglise est une enclume qui a usé bien de marteaux” [A Igreja é uma bigorna que gastou muitos martelos].

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Obs:  por estarmos em 2012, eu resolvi fazer uma breve descrição de quem foi Joaquim Nabuco e João Calógeras para uma melhor análise do artigo:

(1) Nabuco foi o maior tribuno do Abolicionismo – Filho de Nabuco de Araújo – foi uma das principais lideranças do Partido Liberal, sendo o principal representante do movimento abolicionista. Excelente orador e polemista, escreveu vários libelos anti-escravistas e buscou apoio na Europa para o movimento. Ele era alvo predileto do ódio dos escravocratas.

(2) Calógeras foi um dos mais cultos e competentes funcionários públicos do Império. Entrou para o serviço público em 1859 como primeiro oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros e terminou a carreira como chefe de seção do Ministério do Império, 15 anos depois. Em suas cartas que tratam do período do Império, ele destacou as intrincadas manipulações que se faziam para conseguirem nomeações, promoções e licenças, envolvendo superiores hierárquicos, políticos, amigos e até mesmo o Imperador. A trajetória de Calógeras sempre se deu pelos seus méritos pessoais.

DOM PEDRO II (1825 – 1891)

DOM PEDRO II

Segundo Imperador do Brasil, Pedro de Alcântara João Carlos Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Gonzaga nasce no Rio de Janeiro, sétimo Filho de Dom Pedro I e da imperatriz Maria Leopoldina. Herda o direito ao trono com a morte dos irmãos mais velhos, Miguel e João Carlos.

É coroado aos 15 anos, em 1841. Em 1843 se casa com a princesa Teresa Cristina Maria de Bourbon, filha de Francisco I, rei das Duas Sicílias. Viaja muito, mantém correspondência com cientistas europeus, entre eles Louis Pasteur (1822-1895), e protege intelectuais e escritores.

Obtém prestígio promovendo o progresso na economia com a introdução do café e a ampliação das redes ferroviária e de telégrafo. Em 1889, sai do país dois dias depois da proclamação da República. Passa a viver na França , onde assiste a espetáculos de arte e participa de palestras e conferências. Morreu de pneumonia em Paris.

DOM PEDRO I (1798 – 1834)

DOM PEDRO I

Primeiro imperador do Brasil, Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon nasce no Palácio de Queluz, nos arredores de Lisboa. Filho de Dom João VI, torna-se príncipe herdeiro com a morte do irmão mais velho, Antônio, em 1801.

Chega ao Brasil em 1808, com a família real. Fica no país como príncipe regente quando Dom João VI retorna a Portugal, em 1821, e, no ano seguinte, proclama a Independência. É coroado imperador do Brasil e outorga a primeira Constituição, em 1824. Por governar de forma autoritária, perde popularidade.

Diante do desgaste político, em 1831 resolve abdicar em favor do filho Dom Pedro II. Volta a Portugal, onde restitui sua filha ao trono, tomado por seu irmão Dom Miguel. Durante a luta, contrai tuberculose. Assume a Coroa portuguesa como Dom Pedro IV e morre logo depois. Em 1972, seus restos mortais são trazidos para a cripta do Monumento do Ipiranga, em São Paulo.

Ao mestre, sem retoques – Jornal Estado de São Paulo

Vinte anos após deixar o sacerdócio, Leonardo Boff, teólogo censurado por Ratzinger, analisa o papa em excursão latina

BOFF / RATZINGER

Até o âncora da CNN saiu do sério no último domingo quando, quase incrédulo, abriu os braços para mostrar o tamanho do sombrero que Bento XVI afundou na cabeça ao ouvir um conjunto de mariachis na cidade mexicana de León. Era o início da primeira viagem do bávaro Joseph Ratzinger à América de língua espanhola desde que virou papa, em 2005. Observadores mais entusiasmados, ou mais fervorosos, podem ter vislumbrado ali uma latinidade que sairia do armário, com desdobramentos inesperados em Cuba, terra não dos sombreros, mas das guayaberas. Falso foguetório. Bento XVI, 85 anos incompletos, rapidamente se reconduziu à sobriedade germânica que o caracteriza. Do México saltou para a ilha caribenha, encontrou-se com os irmãos Castro, repetiu a palavra “liberdade” em diferentes momentos e arrumou outras tantas para condenar o bloqueio econômico americano. Daí pegou seu aeropapa e voltou para casa.

E a empatia esperada? E aquela sedução diante das massas que fez de seu antecessor, o polonês Karol Wojtyla, o João de Deus neste lado do mundo? Enfim, o que fica do primeiro ensaio de Bento XVI no terreiro da latino-americanidade? Quem reflete sobre essas e outras questões é o catarinense Leonardo Boff, 73 anos, que o papa conhece de longa data e a quem ainda se refere como “der frommer theologe”, o teólogo piedoso. “Esse tratamento tem a ver com o que ele me dizia no passado, ao aprovar meu jeito de aproximar teologia e espiritualidade. Ele leu o que escrevi, e gostava. Em compensação me condenou em outros campos”, relembra Boff, ex-aluno dileto de Joseph Ratzinger, depois confrontado irremediavelmente com o mestre quando este se tornou prefeito da poderosa Congregação para a Doutrina da Fé, ex-Santo Ofício, no pontificado de João Paulo II.

Sentar-se no banco de Galileu diante dos inquisidores da Igreja, tendo à frente o mestre que o formou e pressionado a renegar teses da Teologia da Libertação, da qual era um dos formuladores, não é experiência de vida que o tempo apague. Em 1985, o franciscano indexado como rebelde recebeu uma condenação ao silêncio obsequioso. Depois seguiu-se um leve relaxamento das sanções. Mas, em 1992, portanto há exatos 20 anos, veio o enquadramento mais forte de Roma: silêncio total, sem direito a escrever, recolhido a um convento nas Filipinas ou na Coreia. Boff então se despediu da Ordem dos Frades Menores, abandonou os votos sacerdotais e se declarou leigo.

Mas a Igreja, especialmente a dos pobres, segue dentro dele. A teologia, também. Recentemente acrescentou um título à lista de mais de 60 livros com o lançamento de Cristianismo: Mínimo do Mínimo (ed. Vozes), em que discute como as igrejas criam respostas complicadas para o mistério da fé, “que é feito de simplicidade”. Vê-se que o aluno continua na trilha oposta à do seu mestre na Universidade de Munique. Boff quer simplificar. Ratzinger, feito papa, quer recuperar a simbologia católica mais tradicional e austera. São antípodas que se referenciam mutuamente.

Nesta conversa em torno de Bento XVI, Boff traz à tona momentos em que ambos atuaram juntos, ou bem próximos, desde os anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II (1961-62) até o derradeiro momento da ruptura. Professor emérito da Uerj, honoris causa das universidades de Turim (Itália) e Lund (Suécia) e detentor em 2001 do Right Livelihood Award, Nobel alternativo concedido em Estocolmo, hoje mora em Araras (RJ) com a mulher, a também teóloga Márcia Miranda, cercado da prole que adotou como sua. Além de falar aos movimentos sociais, mantém agenda extensa de palestras dentro e fora do País. “Vivo neste ciganismo intelectual”, brinca.

No sétimo ano do pontificado e na sua 23ª viagem internacional, esta é a primeira vez que Bento XVI empreende uma visita à América de língua espanhola. Sendo o continente um reduto do catolicismo, terá demorado a vir para esses lados?

A preocupação central do atual papa é recuperar visibilidade para a Igreja no continente europeu. É isso. Ele considera que o processo de secularização fez com que a Igreja perdesse importância social, tornando-se mais e mais invisível. Diante de um cristianismo agônico, como se vê em muitas partes da Europa, ele traça uma estratégia de reconquista, que não se aplica à América Latina, considerada já conquistada. Aqui ele procura reforçar o existente. Considero uma estratégia equivocada, pois implica optar pelos ricos e não pelas maiorias empobrecidas do mundo. Mas é justamente dessa estratégia que vem toda uma valorização do catolicismo tradicional, uma parafernália de símbolos religiosos recuperados, algo que a mim soa como coisa meio vaidosa. Acredito que a renovação não virá do centro, mas da periferia onde vivem 52% dos católicos. O cristianismo tornou-se uma religião do Terceiro Mundo que um dia teve origem no Primeiro Mundo. Mas isso é de difícil compreensão para o papa.

O senhor reconhece no Bento XVI de hoje o Ratzinger dos anos 80, que o condenou ao silêncio obsequioso e o levou, por fim, a abandonar a Ordem e o sacerdócio?

Há um Ratzinger anterior, com quem estudei e trabalhei nos anos 60, 70. Era um professor adorado pelos alunos, teólogo de posições avançadas, tínhamos estreita ligação. A partir de 1965, com a criação da revista Concilium, formou-se o grupo dos 25 teólogos mais influentes no mundo, grupo que se reunia uma vez ao ano em alguma cidade europeia, sempre na semana de Pentecostes, para discutir os rumos da igreja pós-Vaticano II. Ratzinger estava lá, conosco. Ficou tão entusiasmado com a minha tese de doutorado na Universidade de Munique, sobre a Igreja como sinal no mundo secularizado, que tratou de arrumar editora e financiamento de 14 mil marcos para a publicação. O que o teria feito mudar? Acho que ele chegou à Congregação para a Doutrina da Fé muito rapidamente. De simples teólogo em Munique foi a cardeal em pouco tempo e logo promovido a um posto importantíssimo no Vaticano, graças à amizade com Karol Wojtyla. Quando este virou papa, logo o chamou para a congregação. E é como eu sempre digo: Roma tem uma enzima que transforma todo mundo.

Roma mudou Ratzinger?

O papa, no meu modo de ver, vive um processo de regressão em sua capacidade de formular uma visão coerente do mundo, seja do ponto de vista da análise, seja do ponto de vista da teologia. Ele é cada vez mais conservador. É risível teologicamente ressuscitar a idéia medieval de que fora da Igreja Católica não há salvação e de que a romana é a única igreja verdadeira. Comete-se um erro teológico. Seria o mesmo que dizer: Evangelho é somente o de Marcos, o mais antigo. Os demais, de Mateus, Lucas e João, que vieram depois, têm apenas elementos evangélicos, mas não são o Evangelho. Ora, ele próprio me ensinou que, assim como os quatro Evangelhos se aceitam mutuamente, assim deveria acontecer com as igrejas. Juntas elas formam o legado de Jesus. Ele aceitou essa tese como teólogo, mas a renegou no Vaticano. E por quê? Eis uma coisa tão alemã… Ao ir para a congregação, Ratzinger o fez como um típico burocrata alemão, assumindo como algo pessoal o que era oficial. Lembro de uma passagem: logo depois de sua nomeação, escrevi uma carta para ele felicitando-o e dizendo que, enfim, a teologia iria florescer no mundo. Quinze dias depois recebi carta dele avisando que havia processos abertos contra mim na congregação e que daria andamento a eles. Pensei, puxa, vida, em 15 dias ele já terá mudado tanto?

A visita ao México e a Cuba servirá para diluir a imagem de Ratzinger como desagregador da Teologia da Libertação?

O papa carrega um fardo negativo na história da teologia cristã. Não apenas perseguiu teólogos levando-os a julgamento em Roma, como fez comigo e Gustavo Gutiérrez (teólogo e frade dominicano nascido no Peru), como proibiu que publicássemos a primeira Suma Teológica (obra doutrinária e filosófica de São Tomás de Aquino, do século 13) na perspectiva da libertação.

Como assim?

Eu coordenava um grupo de cem teólogos da América Latina envolvidos na publicação da obra, em 53 volumes. Quando lhe expus o projeto, o então cardeal Ratzinger perguntou “e quem paga?”.Depois me disse que deveríamos publicar apenas um volume por ano, mas argumentei: “Eminência, não viveremos para ver o final do trabalho”. Por fim condicionou a autorização da publicação, o imprimatur, a uma licença especial que deveria vir de bispos espanhóis muito conservadores. Abandonamos o projeto. Tudo isso causou grande dano às comunidades que ter-se-iam enriquecido na sua compreensão da fé e também de seu compromisso político a partir da fé.

O giro latino-americano dos últimos dias também não poderá distrair a opinião mundial dos escândalos sexuais na Igreja?

Tanta perspicácia política não possuem os estrategistas do Vaticano. A concepção deles é centrada sobre a Igreja em si mesma, bastião de defesa contra o secularismo, ateísmo e materialismo do mundo moderno. Roma apoia o cristianismo da América Latina desde que mantenha sua lógica colonial, dependente do centro, e não pretenda fazer aqui um ensaio original com outras culturas, de onde saia um rosto índio-negro-latinoamericano de cristianismo. Ou seja, cristianismo, sim, desde que romano. Agora, a pedofilia atacou de fato o coração da Igreja Católica, aquele capital simbólico e espiritual do qual vivia sua legitimidade e força moral. Isso tudo deve causar uma tremenda perplexidade ao papa.

Por quê?

A concepção que eu ouvia em suas aulas era de que a Igreja deve ser o pequeno rebanho, um pedaço do mundo reconciliado, o oásis onde a salvação se realiza de forma exemplar, como representação para todos os demais. Ocorre que esse oásis e pedaço de mundo reconciliado é uma ideia platônica, realidade que nunca existiu. A Igreja está no mundo como as demais realidades, sujeita a vulnerabilidades da condição humana. Os antigos diziam e sobre isso o teólogo Ratzinger escreveu algumas belas páginas: a Igreja é uma casta meretriz. De noite ela peca como meretriz. De dia Deus a limpa, a torna casta e a faz sua esposa. Quanto à pedofilia na Igreja, a estratégia do Vaticano é desviante ao separá-la do celibato. O elo entre os dois temas é a sexualidade. Notoriamente a educação dos candidatos ao sacerdócio, e ao celibato, tem sido insuficiente, fazendo da sexualidade o mundo da tentação e do pecado. Ora, uma educação inadequada faz com que muitos deem azo a expressões perversas e criminosas da sexualidade. O normal seria a Igreja rever a lei do celibato e torná-lo facultativo, como o fizeram todas as igrejas.

Como o senhor compara o estilo João Paulo II ao de Bento XVI no contato com fiéis?

Podemos discutir a teologia conservadora de João Paulo II, mas não podemos desconhecer seu irradiante carisma, que galvanizava multidões. Num mundo sem figuras carismáticas, pois hoje a maioria dos chefes de Estado, opacos burocratas, sai das escolas de administração, a figura de João Paulo II se sobrelevava. Não possuía boa teologia, tanto que sua tese doutoral sobre a fé em São João da Cruz não foi aprovada. Mas era um grande pastor. Falava mais por gestos que por palavras. Sua aparição ao público era uma encenação. Vê-se que tinha sido na juventude ator. E foi ator a vida inteira, encenou a própria morte. Sua irradiação era tão grande que fascinou e, eu diria, até cegou Ratzinger, que, em seu entusiasmo, logo o beatificou. Já o papa atual preserva dentro de si o mestre, que de fato foi, de uma rigorosa universidade alemã. Não possui carisma por isso não projeta aura benfazeja, mas severa, contida. O professor com quem privei sempre foi uma pessoa gentil, fina, mas extremamente tímida. Sim, Bento XVI é um homem muito tímido. Posso imaginar como deve sofrer longe de seus livros e da leitura de Santo Agostinho, do qual é eminente especialista, tendo que fazer saudações e dar manifestações públicas de carinho, algo inimaginável na sua atividade de Herr Professor.

João Paulo II e Fidel desenvolveram, guardadas as distâncias, um contato sincero aparentemente. E tem-se que a Igreja católica em Cuba recuperou terreno social e até presença política. Isso poderá ser ‘reeditado’ com Bento XVI e Raúl Castro?

Quem seguiu de perto o encontro de Fidel Castro com João Paulo II teve a clara percepção de que eles se afinavam profundamente. Pudera, tinham as mesmas características de base: o exercício autoritário do poder. E ambos eram figuras carismáticas. Com o papa atual é diferente. Eu diria que nessa semana vimos o encontro de dois chefes de Estado, cada qual com sua identidade, sem nenhum gesto que rompesse o plano burocrático. Como de praxe o papa tem que falar dos direitos humanos, já que a Igreja levanta a pretensão de ser especialista em humanidade, mas quem a conhece por dentro percebe a falácia da presunção.

Cuba e o contato com a gente simples de lá podem mudar concepções em Bento XVI?

O encontro é sempre criativo, muda a cabeça das pessoas. Seria preciso ser inimigo da própria humanidade e não se comover diante dos humildes que acenam e estendem a mão para uma figura que representa algo de sagrado, de uma realidade que ultrapassa a nossa. Para João Paulo II as viagens significavam grande aprendizado. Para Bento XVI deve também haver um quociente de aprendizado, mas como é intelectual de grandes conhecimentos teóricos, num nível realmente alto, penso que o aprendizado servirá para confirmar as próprias convicções. Mas talvez eu esteja subestimando a força intrínseca que todo encontro possui… Isso já é filosofia, não é análise.

Mas ele desembarcou no México, primeira etapa desta viagem, anunciando-se como ‘peregrino da fé, da esperança e do amor’.

Que outra mensagem poderia dizer? Ele não é um político, porém maneja símbolos poderosos, que alcançam fundo a alma das pessoas. Todos anseiam por amor, fé, esperança. Não será um Berlusconi ou um Sarkozy que farão semelhantes discursos. Então o papa está em seu papel.

Na coletiva para 70 jornalistas no voo Roma-León, rumo à primeira escala mexicana, o papa disse textualmente: ‘Hoje é evidente que a ideologia marxista, como foi concebida, já não responde à realidade’. Mas a frase chegou a ser publicada como ‘o papa disse que comunismo em Cuba não funciona’…

Como a maioria dos alemães, ele é profundamente anticomunista. E não diferencia os tipos de marxismo como fez inteligentemente João XXIII na Mater et Magistra, ele que era bem menos culto que Ratzinger. Se Bento XVI tivesse se restringido ao marxismo como teoria social, como conjunto de ferramentas para entender uma sociedade e analisar a lógica perversa do capital, talvez falasse o contrário. Hoje, dizem-no livreiros da Europa e dos Estados Unidos, Marx é um dos autores mais lidos e estudados por financistas que foram à falência e procuram entender por quê.

Fidel, no breve encontro com Bento XVI em Havana, ousou perguntar ‘o que faz um papa’. O que o senhor acha da indagação?

Se eu fosse o papa responderia com toda a simplicidade: “Não faço nada. Fazem tudo por mim”. Porque o que ele tem que fazer, e essa é sua única missão, é viajar pelo mundo para fortificar os irmãos na fé, mantendo a unidade de uma instituição que hoje tem o tamanho de uma China inteira. No mais, fazem tudo por ele. Uma vez alguém perguntou a João XXIII quantas pessoas trabalhavam na Cúria Romana. E ele disse: “A metade” (risos). É assim mesmo, metade trabalha, metade vagabundeia.

A secularização, como já se disse aqui, está no topo das preocupações do Vaticano. E o papa prega que é possível redescobrir Deus como orientação fundamental de vida no contexto da racionalidade moderna. O senhor está de acordo com ele?

Estimo que o papa possua um conceito reducionista de secularização. Na verdade é um conceito nascido no interior da teologia protestante do século 19 e começo do século 20 para afirmar a legítima autonomia do saeculum, quer dizer, do mundo, da criação. Na secularização, Deus não é pronunciado, o que não significa que esteja ausente. Ele está presente sob o nome de justiça, amor, retidão, boa consciência, solidariedade e compaixão. Ilusão dos cristãos pensarem que Deus esteja presente somente onde seu nome é pronunciado, pois muitos se dão por piedosos e comportam-se como malfeitores. Nosso mundo político está cheio deles. Já o “secularismo” é a patologia da secularização ao afirmar que só existe este mundo e qualquer aceno a algo que o transcenda é ilusão ou alienação. Creio que o papa deveria ter feito a distinção para não condenar aquilo que é são.

Ele quer uma Igreja menor, mais disciplinada e homogênea. No ano passado, se não me engano, visitou sua Baviera natal, pregando ‘uma outra Alemanha’, não a Berlim secular, administrada por um prefeito gay…

Quem conhece a Baviera entende suas palavras. Vivi lá cinco anos ininterruptos e pude conversar muito com Ratzinger sobre o tipo de catolicismo que se originou na região. Para o professor aquilo significa uma das mais perfeitas e completas encarnações da fé cristã numa cultura rústica, camponesa, de virtudes ligadas ao trabalho, à piedade familiar, às festas de Igreja e à impregnação de elementos religiosos em todas as casas. Ele me disse várias vezes que “o caminho romano passa pela Baviera”. Só que se trata de um cristianismo que não se confrontou com a modernidade!

Depois de deixar a ordem e o sacerdócio, o senhor esteve com seu ex-professor?

Não, não. Numa famosa conferência que fez em Florença, sobre o Vaticano II, ainda cardeal, Ratzinger me citou em público. Curioso, ele se refere a mim como “der frommer theologe” (o teólogo piedoso), aprovando a maneira como eu aproximo espiritualidade e teologia, mas me criticando duramente em outros textos… Pois bem, depois da conferência houve uma entrevista e um jornalista indagou por que, afinal, fizera a citação de alguém que havia condenado. E ele respondeu algo assim: “Boff é um homem inteligente, bom teólogo, espero que um dia volte e acolha o magistério da Igreja”. Continuará esperando.

”A política na era dos príncipes e do absolutismo – “Nicolau Maquiavel” – por Moacir Pereira Alencar Junior

Nicolau Maquiavel

Artigo A política na era dos príncipes e do absolutismo – “Nicolau Maquiavel” –  arquivo na íntegra em PDF CLIQUE AQUI

Maquiavel contribui com suas obras, principalmente com O Príncipe e os Discursos [os Comentários à Primeira Década de Tito Lívio] de maneira decisiva na formulação e na consolidação de uma nova ciência – a Política. Sua análise em meio a Renascença evoca as disparidades e conflitos que são postos em prática na arena do poder.

Ele ataca certas tradições medievais e nem por isso rompe totalmente com elas. Há uma contradição existente sobre suas máximas e seu pensamento expresso. Diferentes vertentes e escolas acabam demonstrando que Maquiavel teve uma capacidade única de levar a realidade as diferentes classes sociais a partir da leitura minuciosa de uma aristocracia absolutista.

Esta construção da realidade transcendeu Monarquias e Repúblicas, e esta presente em nossa atualidade, seja ora por meios tirânicos adotados por chefes de Estado como Bashar al Assad. Ou ora por medidas democráticas, onde há uma participação decisiva da população na condução da ação de seus dirigentes.

Prudente de Morais (1841-1902) – 3º presidente do Brasil

Prudente de Morais

Prudente José de Morais Barros nasce em Itu (SP), forma-se em direito e inicia a vida política em Piracicaba. É nomeado governador da Província de São Paulo em 1889. Assume a Presidência de 1894 a 1898. Em seu governo, enfrenta a ocupação da Ilha de Trindade pelos ingleses, pacifica o Rio Grande do Sul, conflagrado pela Revolução Federalista, e vence os rebeldes de Canudos.

Governa entre 15 de novembro de 1894 e 15 de novembro de 1898.

Floriano Peixoto (1839-1895) – 2º presidente do Brasil

Floriano Peixoto

Floriano Vieira Peixoto nasce em Maceió (AL). Cursa a Escola Militar do Rio de Janeiro e participa da Guerra do Paraguai. Assume o Ministério da Guerra, em 1890, e é eleito vice-presidente do Brasil em 1891. Com a renúncia de Deodoro da Fonseca, assume a presidência de 1891 a 1894. É responsável pela consolidação da República num período de movimentos rebeldes.

Floriano Peixoto governa entre 23 de novembro de 1891 e 16 de novembro de 1894.

Marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892) – 1º presidente do Brasil

Marechal Deodoro da Fonseca

Marechal Deodoro da Fonseca

Manoel Deodoro da Fonseca nasce na cidade de Alagoas (AL), hoje batizada com seu nome. Faz carreira no exército e participa das Guerras da Cisplatina e do Paraguai. Com prestígio na estrutura militar, lidera a proclamação da República, em 1889. Elege-se presidente em 1891. Articula um golpe de Estado, mas fracassa e renuncia no próprio ano.

Deodoro da Fonseca governa entre 15 de novembro de 1889  e  23 de novembro de 1891.