Vote pela “Democracia” – por Moacir Pereira Alencar Júnior

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Na imagem, o filósofo grego Clístenes …um dos “pais” da Democracia.

Vote pela “democracia” e ganhe grátis um indulto para Lula, o condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Vote pela “democracia” e faça o “injustiçado” Lula ministro. Vote pela “democracia” e eleja pela quinta vez consecutiva um partido hegemônico que depois de uma série de crimes provados e figurões condenados, ainda dizem que são “perseguidos políticos” e “guerreiros do povo”. Vote pela “democracia” e faça Gilberto Carvalho e Miriam Belchior ministros (ambos envolvidos na nebulosa morte de Celso Daniel, em 2002). Vote pela “democracia” e aprove a política econômica equivocada dos governos Dilma com sua “nova matriz econômica”, que nos levou ao cadafalso econômico atual. Vote pela “democracia” e eleja “antifascistas” stalinistas. Vote pela “democracia” e ataque deliberadamente o “Poder Judiciário”, que “persegue” seu partido. Vote pela “democracia” e permita que o PT indique os 11 ministros que existem no STF…com mais um mandato terão indicado completamente todos. Vote pela “democracia” e diga que o “mensalão” e o “petrolão” não existiram… Vote pela “democracia” e diga que a corrupção institucionalizada no Congresso para aprovar projetos de leis e decretos com os “…lãos” não foram por intenção hegemônica de subverter a ordem constituída e se perpetuar no poder. Vote pela “democracia” e faça Dilma Rousseff e Lindbergh Farias ministros (mesmo sendo rechaçados nas urnas pelo eleitorado que já não suportava tanto cinismo e incompetência). Vote pela “democracia” e aplauda o partido que dá apoio deliberado as ditaduras de Cuba, da Nicarágua, da Venezuela e de países da África Negra. Vote pela “democracia” e eleja a “defesa de direitos humanos” seletivos pela “ideologia”. Vote pela “democracia” e eleja um presidente que foi um dos piores prefeitos do país e nem reeleito foi. Vote pela “democracia” e depois não reclame dos problemas existentes no país.

Aos amigos petistas e bolsonaristas – por Moacir Pereira Alencar Júnior

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Deixo aqui uma reflexão aos meus amigos petistas e amigos bolsonaristas do Facebook….sim, para ambos. Sempre busquei cultivar essa divergência de pessoas com visões plurais no meu facebook, apesar de ver dezenas de pessoas me excluindo por não aceitarem meus pontos de vista… somente nas duas últimas semanas já foram umas 15 ao menos que me excluíram de suas listas e foram pra suas ‘redomas de conforto’. Lembro sempre de um professor de escola que tive no ensino fundamental, que dizia sábias palavras: “não vivam em caixinhas de algodão, não sejam medíocres”.

Aos meus amigos de esquerda e que apoiam Haddad enfatizo o pensamento do sociólogo já falecido – Guerreiro Ramos – que em 1963, em seu livro ‘Mito e Verdade da Revolução Brasileira’ – enfatizava que a crise brasileira daquela época era também uma crise de cultura política. Para Ramos, o Brasil passava por um processo de orfandade política. A crise de liderança poderia fazer com que a tão falada e possível ‘revolução brasileira’ se tornasse uma ‘jornada de otários’. Haveria muitos que viviam de ‘gesticulações revolucionárias e de ficções verbais’. Ele também enfatizava que o ativismo que se manifestaria nos setores sindicais, na categoria dos sargentos e dos oficiais das forças armadas, e em outras esferas nacionalistas, constituiria enorme capital político, porém este capital estaria exposto ao ‘malbaratamento’, em meio a ausência de lideranças competentes e realistas, que dessem o devido sentido verdadeiramente nacional.

Fazendo logicamente algumas distinções com nosso momento presente, fica evidente os  erros semelhantes da esquerda promovidas agora no Século XXI. Durante a ‘democracia populista’ (1946-1964) – assim como agora com o lulopetismo – a esquerda considerava que sua permanência no poder seria perpétua, e que seus erros e ‘gesticulações revolucionárias’ e ‘ficções verbais’, assim como a construção do “nós contra eles” por  mais de uma década por meio de narrativas sem solidez iriam evitar essa debacle sem autocrítica …espero que realmente a façam agora. Foram essas gesticulações revolucionárias e ficções verbais que levaram o Brasil a este cenário de hoje.

Aos meus amigos bolsonaristas enfatizo uma reflexão e pensamento do Visconde de Uruguai – Paulino José Soares de Sousa – que foi deputado, senador, ministro e conselheiro de Dom Pedro II. Era membro do Partido Conservador e atuou como figura de relevo no período do chamado ‘regresso conservador’, também conhecido como Tempo Saquarema – entre os últimos anos do período regencial (fim dos anos 1830) e início do denominado “renascer liberal”, nos anos sessenta do século XIX. Paulino acreditava que era “ preciso empregar todos os meios para salvar o país do espírito revolucionário, porque este produz a anarquia, e a anarquia destrói, mata a liberdade, a qual somente pode prosperar com a ordem”.

Dito isso, enfatizo que nas normas e regras democráticas não cabe jogar um contra o outro e fazer discursos irresponsáveis, sendo um possível virtual presidente da República ou o deputado federal mais votado do país. Antes de mais nada, “a soberba é má conselheira”, conforme enfatizou Marco Antônio Villa, no Jornal da Manhã da Jovem Pan há quatro dias. Mesmo que Bolsonaro seja eleito com 60% dos votos ele terá que governar para aproximadamente 210 milhões de brasileiros… não pode ser um irresponsável que diga que os “vermelhos serão banidos do país”, que irão parar na “cadeia” apenas por suas visões antagônicas ao seu grupo político que ascende ao poder. Não cabe mais a um candidato à presidência da República que lidera as pesquisas de opinião com folga sobre seu adversário fazer discursos de ódio e terror contra opositores (petistas e bolsonaristas sempre gostam dessa estratégia para alimentar a guerra política). Ter certa ordem é vital a democracia…com desordem a mesma não impera; todavia que ordem pode preponderar quando a liberdade se torna seletiva pela visão ideológica?

Assim como os petistas se sentiram donos do poder por longa data, Bolsonaro também não pode pensar que será dono do poder. A legitimação de sua eleição pelas urnas não dá a ele plenos poderes para passar por cima das instituições vigentes. Seus desvarios e máximas devem ser contidas -e espero que sejam apenas retórica – no contrário esse governo será um fracasso, e os mesmos que hoje o estão pondo lá, com toda certeza brigarão para tirá-lo… sempre dentro das regras do jogo democrático, que espero que seja as regras que ele siga. Conciliar e dialogar é vital a um chefe de Estado…quem assim não seguir já caminhará para a tirania.

Aos que não se consideram de nenhum destes espectros mas votarão em um deles, ou mesmo anularão, apenas digo que o centro político é requisito essencial da integridade de poder, palavras sábias também ditas pelo sociólogo Guerreiro Ramos, em 1963.

 

Ceticismo – por Moacir Pereira Alencar Júnior

 

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Vote em Bolsonaro: “Fascista” / Não vote em nenhum deles: “Colaboracionista do fascismo” / Vote em Haddad: “Baluarte da democracia”.

Muitos perguntam porque centrei meus ataques ao PT neste segundo turno, e “completamente nada falo” de Bolsonaro. Antes de mais nada já expus de vários modos minhas críticas a estas duas agendas de Brasil que hoje disputam o poder. Acredito que a democracia pode ter os mais variados espectros na seara política – dos extremistas de direita aos extremistas de esquerda. E é exatamente este contrabalanceamento que permite termos a construção da democracia – aos trancos e barrancos – e seu melhor aprimoramento.

Nossa redemocratização nasceu torta…se por um lado ela tem 30 anos, por outro ela nunca teve de forma clara um partido com propostas eminentemente conservadoras. Um caso similar é o chileno, que somente 20 anos depois do fim da ditadura de Pinochet, em 2010, elegeu um governo conservador com Sebastian Piñera (centro-direita apoiada por uma direita radical ainda saudosa de Pinochet). No caso chileno, o poder se revezava entre DC (Democrata Cristão) e PS (Partido Socialista) durante 20 anos, até o partido da Renovação Nacional eleger Piñera.

PT-PSDB, no Brasil, sempre foram “oposições” neste período, mas jamais um dos partidos era de fato antagônico em seus ‘projetos maiores’. Tal como o DC e o PS chileno, havia muito mais similaridades do que distinções entre as origens destas duas legendas. Mas no caso brasileiro, a narrativa de poder petista levou o PSDB a um campo da qual nunca soube se adaptar e mesmo se apresentar (centro-direita). Já tive a oportunidade de perguntar pessoalmente isso a Fernando Henrique Cardoso, em 2012.

Podemos falar da existência de grupos difusos em vários partidos brasileiros com defesa de agendas conservadoras, mas jamais poderíamos falar de partidos políticos. Natural que em um momento uma direita se organizaria no Brasil – seja ela moderada como radicalizada – e o PSL abraçou essa causa e agora representa tal agenda. E se a mesma ascendeu é porque os outros grupos não souberam enxergá-la da maneira devida. A direita pós-redemocratização foi sempre caricaturizada (Digo isso porque em meu mestrado estudei pensamento conservador, e sei como as análises sobre o mesmo são  tão reducionistas no mundo acadêmico, marginalizadas).  E aqui vale ser ressaltado que qualquer grupo ‘não petista’ foi estigmatizado nesta última década (sem diferenciação – PT sempre colocou todos no mesmo balaio – “todos são “fascistas”, “reacionários”, “golpistas”, etc”).

Hoje a “caricatura radicalizada” ganhou porte e asas, e assumirá o poder, pelas urnas. Porque não vejo nenhum intelectual dos outros grupos que estão sendo derrotados a fazer uma análise crítica deste por que? Sabemos que por 50 anos a ditadura militar fez de nossas universidades um polo de resistência ao autoritarismo. Mas um polo que apresentou muitas contradições, e ficou refém de uma única visão de mundo, também radicalizada. A ditadura militar jamais tentou incutir na mente dos brasileiros um monopólio de pensamento e formação ideologizada. Seu autoritarismo e repressão seguiram outros caminhos. Já após o fim da ditadura, a universidade se tornou um polo de formação majoritária de uma única visão ideológica. Permaneceu a mesma militante de via única, pouquíssimo aberta ao plural e ao diálogo nas ciências humanas.

Sabemos que o que molda uma população mais do que autoritarismo e repressão é ter o controle hegemônico do pensamento, por décadas e por gerações nas instituições de ensino secundário e no ensino superior. E quando você tenta naturalizar essa visão a vida da sociedade, corre o risco de criar uma reação como a que vemos hoje representada em Bolsonaro. Negar isso é impossível.  A Universidade Pública foi literalmente cooptada pelo petismo muito antes dos mesmos estarem no poder, e após estes 14 anos se tornaram indissociáveis. Se este governo Bolsonaro cair em erro, ou mesmo trocar os pés pelas mãos – para estas afirmações ainda cabe o benefício da dúvida – lembremos que uma comoção intestina não começa de um dia para noite. Por isso sou cético com estes dois grupos.