Margaret Thatcher – (1925-2013)

Margaret Thatcher - "A DAMA DE FERRO"

Margaret Thatcher – “A DAMA DE FERRO”- em foto de 2010

O porta-voz da família de Thatcher informou hoje,  que Thatcher morreu em consequência de um acidente vascular cerebral.

“É com grande tristeza que Mark e Carol Thatcher anunciam que sua mãe, a baronesa Thatcher, morreu em paz depois de um derrame, esta manhã,” disse o Lorde Tim Bell, o porta-voz.

Líder Conservadora e primeira-ministra britânica, Margaret Hilda Thatcher nasceu em Grantham, na Inglaterra, no ano de 1925. Formada em química pela Universidade de Oxford, em 1947, elegeu-se deputada pela primeira vez em 1959, pelo Partido Conservador.

De 1964 a 1970, quando o Partido Trabalhista assumiu o poder, ela ocupou diversos cargos no gabinete de Edward Heath. Heath se tornou primeiro-ministro em 1970, e Thatcher, sua secretária de Educação. Após os conservadores sofrerem nova derrota, em 1974, Thatcher concorreu com Heath pela liderança do partido e, para surpresa de muitos, venceu a indicação. Em 1979, o Partido Conservador venceria as eleições gerais, e ela se tornaria primeira-ministra, aos 54 anos.

Maio de 1979 - Thatcher e o marido Denis acenam ao chegar ao número 10 da Downing Street, em Londres, para assumir o cargo de primeira-ministra do Reino Unido.

Maio de 1979 – Thatcher e o marido Denis acenam ao chegar ao número 10 da Downing Street, em Londres, para assumir o cargo de primeira-ministra do Reino Unido.

Sua gestão passou a ser um referência para o novo liberalismo: privatizou empresas estatais, reduziu o déficit público com o corte de recursos públicos e endureceu as relações com o movimento sindical. Tratou também com firmeza o grupo nacionalista IRA (Em 1984, ela escapou por pouco de um atentado do IRA (o Exército Republicano Irlandês), que instalou um carro-bomba numa conferência do Partido Conservador em Brighton), e em 1982, derrotou a Argentina na Guerra das Malvinas. Aliou-se ao presidente norte-americano Ronald Reagan, que chegou ao poder em 1981, para ampliar as pressões contra o bloco soviético, no período final da Guerra Fria.

Ronald Reagan e Margaret Thatcher

Ronald Reagan e Margaret Thatcher

Com ideias arrojadas, ela criou uma nova expressão no dicionário inglês: “thatcherismo”, que significa uma política que privilegia a liberdade de mercado, as privatizações, preconiza menos intervenção do governo na economia e mais rigor no tratamento com os sindicatos trabalhistas.

Sua atuação lhe valeu o apelido de “Dama de Ferro”. Deixando o poder em 1990.

Foto de 2005 - Thatcher posa entre o então primeiro-ministro britânico Gordon Brown, e sua esposa Sarah.

Foto de 2005 – Thatcher posa entre o então primeiro-ministro britânico Gordon Brown e sua esposa, Sarah.

Chávez, o passarinho – Opinião Estadão

Hugo Chávez

Hugo Chávez

Hugo Chávez reencarnou num passarinho. A notícia foi dada pelo sucessor do caudilho venezuelano, o presidente postiço Nicolás Maduro, no início oficial da campanha para a eleição do próximo dia 14. Maduro disse que estava numa capelinha de madeira, rezando, quando entrou um “passarinho pequenininho”, que deu três voltas sobre sua cabeça e pousou numa viga, momento em que começou a assoviar. Maduro, claro, assoviou de volta, porque, entre outras qualidades fantásticas, ele entende a linguagem dos bichos, e percebeu que se tratava de Chávez emplumado. “Eu senti o espírito dele. Eu o senti como uma bênção, dizendo-nos: ‘Hoje começa a batalha. Rumo à vitória’. Eu o senti na minha alma”, declarou Maduro, levando a campanha eleitoral de vez para o terreno do outro mundo, um caminho sem volta desde a morte de Chávez. Não se trata, pois, da eleição de um presidente, mas da unção do filho de Deus na Venezuela – e, nesse caso, seu opositor, Henrique Capriles, só pode ser o diabo.

Maduro está presidente da Venezuela apenas por obra e graça dos desejos do falecido caudilho e das desavergonhadas manobras governistas para rasgar a Constituição que eles juram respeitar. Foi a única maneira de estabelecer um mínimo de ordem nas hostes chavistas após a morte de seu líder, evitando, ao menos por ora, um conflito entre correligionários. De discreto assessor internacional do presidente, mais conhecido fora do que dentro do país, Maduro saltou para o estrelato bolivariano quando Chávez agonizava. Sem o carisma ou a capacidade de liderança de seu mentor, ele tem a responsabilidade de manter a coesão do movimento chavista, enfrentando a crescente desconfiança da base – que certamente vai se empenhar para elegê-lo, porque se trata de uma ordem do caudilho, mas que não lhe garante apoio incondicional depois disso. Com a Venezuela mergulhada em profunda crise econômica, uma desarrumação política entre os chavistas pode tornar o país definitivamente ingovernável.

Por essa razão, Maduro precisa ver Chávez até nos passarinhos que pousam nas igrejas. A beatificação do falecido, como se sabe, começou logo depois de sua morte, mas, à medida que o tempo passa, os hagiógrafos estão perdendo qualquer pudor. Num comunicado interno da PDVSA, a estatal de petróleo que é o esteio do “socialismo do século 21”, os funcionários ficaram sabendo que Chávez havia se transformado em Cristo, pois “padeceu por seu povo, consumiu-se a seu serviço, sofreu de seu próprio calvário, foi assassinado por um império, morreu jovem…”. Ou seja, “preenche todos os requisitos para ser um Cristo, pois, ademais, fez milagres em vida”. E o texto termina com uma exortação: “Oremos por Chávezcristo!”.

Como entidade divina, portanto, Chávez é onipresente, e as leis terrenas não se aplicam a seus apóstolos. A campanha eleitoral não poderia começar antes de 2 de abril, mas o chavismo já está no palanque desde a morte do caudilho, há um mês, ocupando os principais canais de TV, primeiro com o interminável funeral de Chávez, depois com as redes obrigatórias e com a transmissão integral de longos eventos públicos oficiais. Como é apenas um mortal, Capriles que se vire com os dez dias de campanha a que tem direito, durante os quais enfrentará o rolo compressor a serviço do governo – incluindo o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, dizendo falar “em nome do Mercosul”, interpretou a eleição de Maduro como um “sonho de Chávez”.

Se havia necessidade de alguma prova adicional de que há na Venezuela de hoje uma brutal regressão da democracia, a despeito do que pensam os simpatizantes do chavismo no governo brasileiro, agora não há mais. Maduro, ou quem quer que os chavistas imponham ao país no futuro previsível, estará empenhado em impedir que seu poder seja contestado, lastreando-o não em elementos mundanos, como o respeito às instituições democráticas e às liberdades civis, e sim no mistério do “Chávezcristo”.