A vitória do partido do ‘mesmo’. – por Arnaldo Jabor

Arnaldo Jabor

A história de minha vida política sempre oscilou entre dois sentimentos: esperança e desilusão. Cresci ouvindo duas teses divergentes: ou o Brasil era o país do futuro ou era uma zorra sem nome, um urubu caindo no abismo. Nessa encruzilhada, eu cresci. Além disso, dentro dessa dúvida havia outra: UDN ou PTB? Reacionários da “elite” ou o “povo”? Brigadeiro Eduardo Gomes ou Getúlio, “finesse” ou “sujeira”? Comecei a me interessar por política quando votei em Jânio. Confesso. Eu tinha 18 anos e não consegui me interessar por Lott, aquele general com cara de burro, pescoço duro. Jânio me fascinava com sua figura dramática, era uma caricatura vesga, cheia de caspa e dava a impressão de que ele, sim, era de esquerda, doidão, “off”. Meses depois, estou no estribo de um bonde quando ouço: “Jânio tomou um porre e renunciou!” Foi minha primeira desilusão. Eleito esmagadoramente, largou o governo como se sai de um botequim. Ali, no estribo do bonde ‘Praia Vermelha’, eu entendi que havia uma grossa loucura brasileira rolando por baixo da política, mais forte que slogans e programas racionais. Percebi que existia uma ‘sub-história’ que nos dirigia para além das viradas políticas. Uma vocação, uma anomalia secular que faz as coisas ‘desacontecerem’, que criou ‘um país sob anestesia, mas sem cirurgia’, como diagnosticou Mário Henrique Simonsen.

Já na UNE, eu participei febrilmente da luta pela posse do vice João Goulart, que a direita queria impedir. O Exército do Sul, com Brizola à frente, garantiu a posse de Jango e botei na cabeça que, com militares ‘legalistas’ e heróis de esquerda, finalmente o Brasil ia ascender a seu grande futuro.

Nos dois anos seguintes, vivi a esperança de um paraíso vermelho que ia tomar o País todo, numa réplica da rumba socialista de Cuba, a revolução alegre e tropical que ia acabar com a miséria e instalar a cultura popular, a grande arte, a beleza, sem entraves, com o presidente Jango e sua linda mulher fundando a ‘Roma tropical’, como berrava Darcy Ribeiro em sua utopia. Um velho mundo ia cair sem resistência. Não haveria golpes, pois o ‘Exército é de classe média e portanto a favor do País’ – nos ensinava o PCB. Dá arrepios lembrar da assustadora ingenuidade política da hora. No dia 31 de março de 64, estou na UNE comemorando a ‘vitória de tudo’.

Havia um show com Grande Otelo, Elza Soares, celebrando a ‘vitória do socialismo’. Um amigo me abraçou, gritando: “Vencemos o imperialismo norte-americano; agora, só falta a burguesia nacional!” Horas depois, a UNE pegava fogo e eu pulava pelos fundos sob os tiros das brigadas juvenis de direita. No dia seguinte, diante de mim, materializou-se a figura absurda de Castelo Branco, como um ET verde-oliva. Acho que virei adulto naquela manhã, com a UNE em fogo, com os tanques tomando as ruas. Eu acordara de um sonho para um pesadelo.

No entanto, os tristes dias militares de Castelo ainda tinham um gosto democrático mínimo, que até serviu para virilizar nossa luta política. Agora, o inimigo tinha rosto e uniforme e contra ele se organizou uma resistência cultural rica e fértil, que se refinou pelo trauma e que perdeu o esquematismo ingênuo pré-64. As ideias e as artes se engrandeceram na maldição. Nossa impotência estimulou uma nova esperança. A partir daí, as passeatas foram enchendo as ruas, num movimento democrático que acreditava que os militares cederiam à pressão das multidões. Era ilusão.

Ventava muito em Ipanema, dezembro de 68, enquanto o ministro Gama e Silva lia o texto do Ato Institucional 5 na TV, virando o País num sinistro campo de concentração. Com uma canetada, o Costa e Silva, com sua cara de burro, instado pela louca ‘lady MacBrega Yolanda’, fechou o País por mais 15 anos. Esperança. Desilusão. Vieram os batalhões suicidas das guerrilhas urbanas. Nos anos do milagre brasileiro, os jovens românticos ou foram massacrados à bala ou caíram no desespero da contracultura mística, enquanto os mais caretas enchiam o rabo de dinheiro nos ‘milagres’ de São Paulo.

O bode durou 15 anos e a democracia virou uma obsessão. “Quando vier a liberdade, tudo estará bem!”, dizíamos. Só pensávamos na democracia e ninguém reparou que ela foi voltando menos pelos comícios das Diretas e mais pelas duas crises do petróleo que criaram a recessão mundial, acabando com a grana que sustentava os militares no poder. Os milicos e a banca internacional nos devolveram a liberdade na hora de pagar a conta da dívida externa. Os militares queriam se livrar da batata quente da falência do Estado e entregaram-no aos paisanos eufóricos com a vitória de Tancredo. Nova esperança! Aí, veio um micróbio voando, entrou no intestino do Tancredo e mudou nossa história. E começou a grande desilusão. Com a volta da democracia, no período Sarney, tudo piora. Nossos velhos vícios reapareceram. Apavorado, vi que a democracia só existia de boca, não estava entranhada nas instituições que passaram a ser pilhadas pelos famintos corruptos e políticos que tomaram o poder – todos ‘nobres’ vítimas da ditadura. Daí para frente, só desilusão e dor: inflação a 80% ao mês (lembram?), o messianismo de Collor, montado no cavalo louco da República, vergonha e horror. Depois, nova esperança com o impeachment; depois, mais esperança com o Plano Real, vitória da razão reformista com FHC, logo depois do Brasil no tetra, céu azul, esperança sem inflação. Nunca acreditei tanto na vida.

Mas, hoje, estou aqui, com medo e com tristes pressentimentos. Dilma pode ser uma nova esperança, se criar uma ponte entre a teimosia regressista e uma modernização mais liberal. O problema é que, para além das ideologias, existe no Brasil a maldição do Mesmo, uma grande empada de detritos que clama pelo atraso. O maior inimigo do Brasil é a aliança entre uma ideologia ‘de esquerda’ e a oligarquia ‘de direita’ – como é hoje. Nem UDN nem PTB. Ganha sempre o Partido do Mesmo.

“Eu estudo na PTUFSCar”- por Moacir Pereira Alencar Junior

Reitor da UFSCar – Targino de Araujo Filho

Targino de Araujo Filho, reitor da UFSCar, logo após a sua reeleição neste ano de 2012, soltou uma moção de repúdio a um Jornal São Carlense (Primeira Página) que na época em questão disse o seguinte: “O atual reitor Targino de Araújo Filho é ligado ao grupo comandado pelo deputado federal e ex-prefeito Newton Lima e pelo prefeito de São Carlos, Oswaldo Barba e também ao Partido dos Trabalhadores (PT), deixando clara a partidarização, ou seja, a participação político-partidária nas eleições da UFSCar”.
Na ocasião, o Conselho Universitário disse que as acusações do Jornal eram levianas e soltaram a seguinte resposta: “Trata-se de afirmação leviana e sobretudo caluniosa,repetida à exaustão com explícita intenção de imiscuir o processo eleitoral em curso na Universidade às eleições municipais que se aproximam. Este Conselho pronuncia-se, assim, para atestar que não há quaisquer indicativos de que as decisões tomadas na Universidade Federal de São Carlos sejam determinadas pelas filiações político-partidárias dos membros de sua comunidade e, sobretudo, para reiterar nosso orgulho justamente de que tais decisões sejam tomadas democrática e participativamente nos órgãos colegiados desta Instituição”.
Hoje o mesmo – Targino de Araujo Filho – aparece na propaganda de Fernando Haddad em São Paulo. O Reitor reeleito mostra que suas palavras não tem nenhuma credibilidade, e quem é o verdadeiro calunioso é o próprio. Da mesma forma o CONSUNI mostra que é um orgão chapa branca, e que realmente as eleições para a reitoria foram envoltas de processos questionáveis. Que decepção.

Sinal de Vida – por Fernando Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso,  em evento de setembro de 2011

Tenho dito e escrito que o Brasil construiu o arcabouço da democracia, mas falta dar-lhe conteúdo. A arquitetura é vistosa: independência entre os poderes, eleições regulares, alternância no poder, liberdade de imprensa e assim por diante. Falta, entretanto, o essencial: a alma democrática. A pedra fundamental da cultura democrática, que é a crença e a efetividade de todos sermos iguais perante a lei, ainda está por se completar. Falta-nos o sentimento igualitário que dá fundamento moral à democracia. Esta não transforma de imediato os mais pobres em menos pobres. Mas deve assegurar a todos oportunidades básicas (educação, saúde, emprego) para que possam se beneficiar de melhores condições de vida. Nada de novo sob o sol, mas convém reafirmar.

Dizendo de outra maneira, há um déficit de cidadania entre nós. Nem as pessoas exigem seus direitos e cumprem suas obrigações, nem as instituições têm força para transformar em ato o que é princípio abstrato. Ainda recentemente um ex-presidente disse sobre outro ex-presidente, em uma frase infeliz, que diante das contribuições que este teria prestado ao país não deveria estar sujeito às regras que se aplicam aos cidadãos comuns… O que é pior é que esta é a percepção da maioria do povo, nem poderia ser diferente porque é a prática habitual.

Pois bem, parece que as coisas começam a mudar. Os debates travados no Supremo Tribunal Federal e as decisões tomadas até agora (não prejulgo resultados, nem é preciso para argumentar) indicam uma guinada nesta questão essencial. O veredicto valerá por si, mas valerá muito mais pela força de sua exemplaridade. Condene-se ou não os réus o modo como a argumentação se está desenrolando é mais importante do que tudo. A repulsa aos desvios do bom cumprimento da gestão democrática expressada com veemência por Celso Mello e com suavidade, mas igual vigor, por Ayres Britto e Cármen Lúcia, são páginas luminosas sobre o alcance do julgamento do que se chamou de “mensalão”. Ele abrange um juízo, não político-partidário, mas dos valores que mantém viva a trama democrática. A condenação clara e indignada do mau uso da máquina pública revigora a crença na democracia. Assim como a independência de opinião dos juízes mostra o vigor de uma instituição em pleno funcionamento.

É este, aliás, o significado mais importante do processo do mensalão. O Congresso levantou a questão com as CPI’s, a Polícia Federal investigou, o Ministério Público controlou o inquérito e formulou as acusações e o Supremo, depois de anos de dificultoso trabalho, está julgando. A sociedade estava tão desabituada e descrente de tais procedimentos quando eles atingem gente poderosa que seu julgamento – coisa banal nas democracias avançadas – se transformou em atrativo de TV e do noticiário, quase paralisando o país em pleno período eleitoral. Sinal de vida. Alvíssaras!

Não é a única novidade. Também nas eleições municipais o eleitorado está mandando recados aos dirigentes políticos. Antes da campanha acreditava-se que o “fator Lula” propiciaria ao PT uma oportunidade única para massacrar os adversários. Confundia-se a avaliação positiva do ex-presidente e da atual com submissão do eleitor a tudo que “seu mestre” mandar. É cedo para dizer que não foi assim, pois as urnas serão abertas esta noite. Mas ao que tudo indica, o recado está dado: foi preciso que os líderes aos quais se atribuía a capacidade milagrosa de eleger um poste suassem a camisa para tentar colocar seu candidato no segundo turno em São Paulo. Até agora o candidato do PT não ultrapassou nas prévias os minguados 20%.

No Nordeste, onde o lulismo com as bolsas-família parecia inexpugnável, a oposição leva a melhor em várias capitais. São poucos os candidatos petistas competitivos. Sejam o PSDB, o DEM, o PPS, sejam legendas que formam parte “da base”, mas que se chocam nestas eleições com o PT, são os opositores eleitorais deste que estão a levar vantagem. No mesmo andamento, em BH, sob as vestes do PSB (partido que cresce) e em Curitiba são os governadores e líderes peessedebistas, Aécio Neves e Beto Richa, que estão por trás dos candidatos à frente. Em um caso podem vencer no primeiro turno, noutro no segundo.

Não digo isso para cantar vitória antecipada, nem para defender as cores de um partido em particular, mas para chamar a atenção para o fato de que há algo de novo no ar. Se os partidos não perceberem as mudanças de sentimento dos cidadãos e não forem capazes de expressá-las essa possível onda se desfará na praia. O conformismo vigente até agora, que aceitava os desmando e corrupções em troca de bem estar, parece encontrar seus limites. Recordo-me de quando Ulysses Guimarães e João Pacheco Chaves me procuram em 1974, na instituição de pesquisas onde eu trabalhava, o CEBRAP, pedindo ajuda para a elaboração de um novo programa de campanha para o partido que se opunha ao autoritarismo. Àquela altura, com a economia crescendo a 8% ao ano, com o governo trombeteando projetos de impacto e com a censura à mídia, pareceria descabido sonhar com vitória. Pois bem, das 22 cadeiras em disputa para o Senado o MDB ganhou 17.. Os líderes democráticos da época sintonizaram com um sentimento ainda difuso, mas já presente, de repulsa ao arbítrio.

Faz falta agora, mirando 2014, que os partidos que poderão eventualmente se beneficiar do sentimento contrário ao oportunismo corruptor prevalecente, especialmente PSDB e PSB, se disponham cada um a seu modo ou aliando-se a sacudir a poeira que até agora embaçou o olhar de segmentos importantes da população brasileira. Há uma enorme massa que recém alcançou os níveis iniciais da sociedade de consumo que pode ser atraída por valores novos. Por ora atuam como “radicais livres” flutuando entre o apoio a candidatos desligados dos partidos mais tradicionais e os candidatos destes partidos. Quem quiser acelerar a renovação terá de mostrar que decência, democracia e bem estar social podem novamente andar juntos. Para isso, mais importante do que palavras são atos e gestos. Há um grito parado no ar. É hora de dar-lhe conseqüência.

Na política vale tudo – opinião Estadão

Quando para muitos parecia que nossos políticos tinham esgotado o repertório de subterfúgios para abusar da coisa pública em benefício próprio, descobre-se que o dono do PDT em São Paulo, deputado federal Paulinho da Força, candidato a prefeito da capital, mantinha controle sobre a Secretaria de Estado de Emprego e Relações de Trabalho por intermédio de seu filho, Alexandre Pereira da Silva, que, apesar de não ter nenhum vínculo formal com a pasta, ali dispunha de um gabinete completo, a partir do qual, em nome do pai, mandava e desmandava na área de operações. Alexandre é funcionário da Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação (Fundac), fundação de direito privado, sem fins lucrativos, que só este ano recebeu R$ 3,7 milhões da Secretaria do Trabalho.

Tendo o Estado revelado a maracutaia, o governador Geraldo Alckmin ordenou à Corregedoria-Geral da Administração, vinculada à Casa Civil, a investigação dos fatos. E na tarde da quarta-feira o pivô do imbróglio afastou-se da Secretaria, obedecendo à determinação provinda do Palácio dos Bandeirantes. Mas Alckmin, antecipando-se à rigorosa apuração que ordenara, fez eco às declarações de Paulinho da Força de que não havia no episódio “nenhuma irregularidade”.

O secretário de Emprego e Relações de Trabalho chama-se Carlos Ortiz, é sindicalista filiado ao PDT e assumiu o cargo em março último, em decorrência de um acordo político por meio do qual Paulinho garantiu uma força – da legenda de que é dono e certamente também da central sindical da qual é presidente licenciado – à candidatura de Alckmin à reeleição, em 2014. A Coordenadoria de Operações da pasta é oficialmente dirigida por um funcionário de carreira sem filiação partidária, Marcos Wolff.

Mas era Alexandre quem dirigia de fato a unidade, recebendo diretamente os pleitos dos prefeitos e dispondo a seu critério dos recursos destinados à aplicação na área da Coordenadoria, que abrange 243 postos de atendimento a trabalhadores distribuídos por todo o Estado – uma base de operações perfeita… para cabos eleitorais.

Lamentável sob todos os aspectos, este é mais um episódio que evidencia, por um lado, o nível de banalização a que chegou a prática da mais deslavada apropriação privada dos bens e recursos públicos por parte de políticos e, por outro, que cada vez mais as principais legendas partidárias se revelam farinha do mesmo saco.

Há quase duas décadas governando o Estado de São Paulo, o PSDB age e deixa seus aliados agirem em seus domínios com a mesma falta de cerimônia com que seu figadal adversário, o PT, atropela a lei e os mais elementares princípios éticos para impor no plano federal seu desígnio de perpetuação no poder.

Da maneira como as coisas estão dispostas na política brasileira, os tucanos têm a pretensão de se apresentar como os principais opositores do lulopetismo. Mas o comportamento do PSDB, seja em seu principal reduto, o território paulista, seja em outras paragens como o Estado de Goiás – como a CPI do Cachoeira tem demonstrado -, revela que não existe muita diferença no modo como uns e outros manejam, na prática, o cotidiano da administração pública. O mesmo tipo de alianças de conveniência com que o PT procura garantir a “governabilidade” no plano federal se reproduz – guardadas as peculiaridades do jogo político no âmbito regional ou local – nos domínios tucanos.

A vala comum em que os políticos parecem atolados evoca o aparente conflito apontado na política, pela teoria weberiana, entre a ética das convicções, fundada em princípios, e a ética da responsabilidade, que procura compatibilizar princípios com genuína governabilidade. Escreveu um ilustre tucano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em recente livro sobre A arte da política: “Se é certo que o político, para Weber, deve ser julgado pelas consequências de seus atos, isto não significa que a ação do político dispense convicções”.

Não tem sido tarefa fácil, porém, identificar na ação dos políticos brasileiros convicções que não sejam a de que na política vale tudo.

Fernando Haddad ganha apoio de intelectuais tucanos – Jornal Folha de São Paulo

Intelectuais historicamente ligados ao PSDB decidiram nas últimas semanas embarcar na campanha do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad.

Principal adversário do ex-governador José Serra (PSDB) na eleição deste ano, Haddad conseguiu atrair dois ex-ministros do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e até acadêmicos que no passado foram ligados a Serra.

Os que admitem seu empenho na campanha petista ressaltam, no entanto, que se trata de uma adesão pessoal ao candidato, e não ao PT.

Eles citam como motivação seu respeito à produção intelectual de Haddad, que fez carreira como professor universitário antes de entrar na política, e sua trajetória no Ministério da Educação, pasta que chefiou por oito anos.

Além disso, alguns dos intelectuais manifestam descontentamento com os rumos do PSDB desde a fracassada campanha de Serra à Presidência da República em 2010. Eles acham que o tucano fez o partido dar uma guinada à direita no ano passado, ao levar para o palanque a discussão de temas como o aborto.

Um dos primeiros a se aproximar de Haddad foi o economista e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) Luiz Carlos Bresser-Pereira. Ministro da Administração no primeiro mandato de FHC e de Ciência e Tecnologia no segundo, Bresser está articulando um convite para que Haddad vá à FGV fazer uma palestra em breve.

O ex-ministro, que foi filiado ao PSDB até o ano passado e rompeu com o partido publicamente depois da campanha presidencial, conhece Serra há muitos anos. Ele tem influenciado colegas como o professor José Márcio Rego.

“Há sim uma simpatia de parte do corpo docente da FGV, vinculada ao PSDB, pelo Fernando Haddad”, disse Rego. Em 2006, ele ajudou a coletar na academia assinaturas para um manifesto para lançar Serra de novo à Presidência da República. Mas o tucano preferiu concorrer ao governo de São Paulo, e o candidato do PSDB à Presidência foi Geraldo Alckmin.

Haddad contará ainda com o auxílio da secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin. Secretária de Cultura no primeiro mandato do governador Geraldo Alckmin e ex-ministra de Administração de FHC, Costin deve colaborar com o capítulo de educação do programa de governo petista.

Costin foi convidada a dar sugestões a Haddad por Cida Perez, ex-secretária de Educação na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy em São Paulo. Nas próximas semanas, ela participará de um debate sobre educação organizado pela campanha de Haddad ao lado da socióloga Maria Alice Setúbal, que em 2010 participou da campanha da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva à Presidência.

Na USP, onde Haddad se formou em direito, fez mestrado em economia e doutorado em filosofia, colegas apontam a aproximação da cientista política Maria Hermínia Tavares de Oliveira, que sempre foi próxima dos tucanos. Procurada pela Folha, ela não quis falar sobre as eleições municipais.

PSDB de São Carlos será Hexa – ‘A arte da inépcia e a paixão pela derrota’. – por Moacir Pereira Alencar Júnior

Moacir Pereira Alencar Júnior

O PSDB nasceu no ano de 1988, em meio ao processo constituinte, como uma facção de dissidentes do antigo MDB. Caminhando hoje para seus 24 anos de vida, o partido não conseguiu atingir sua maioridade e sua maturidade política em certos municípios do Brasil.

De 1992 até 2008, foram cinco eleições municipais para a escolha de prefeito e vereadores. Nestes 16 anos tivemos diferentes conjunturas, diferentes senadores, diferentes governadores, diferentes presidentes; além de diferentes candidatos nos mais variados partidos que optaram por disputar a prefeitura são-carlense. Porém, o PSDB de São Carlos  não soube em nenhum momento aproveitar cenários favoráveis, seja da conjuntura estadual, seja da conjuntura federal.

De 1992 até então, o partido demonstra estar petrificado no que tange a candidatura a prefeitura do município de São Carlos. Em 1992, Paulo Altomani se lançou candidato à prefeito em um momento onde o PSDB ainda se mostrava incipiente, já que tinha apenas 4 anos de estrada, e quase nada a mostrar de factível e concreto a população.

Já em 1996, durante um período de relativa estabilidade econômica, e tendo Mario Covas como governador e FHC como presidente, o partido saiu das eleições derrotado. Melo, do então PFL, teve 36,4% dos votos; Altomani, pelo PSDB, teve 34,0%; e Lobbe Neto, então no PMDB , teve 14,7%. O regionalismo rasteiro e a completa ausência de unidade das coligações de então, levaram a segunda derrota do candidato do PSDB no município.

No ano 2000, buscando a reeleição, agora pelo PTB, Melo perdeu por 128 votos para Newton Lima (PT). O ex-reitor da UFSCar(1992-1996), vinha se destacando neste período, por sua capacidade administrativa e planejamento estratégico, atuando na FAI-UFSCar. Newton era uma imagem de ruptura frente aos candidatos anteriores, assim como Altomani, já que muito dos candidatos que disputavam, ainda estavam vinculados a grupos que gerenciaram a cidade em tempos de restrição dos direitos políticos, e representavam o famoso coronelismo que assola o país. Altomani teve nestas eleições apenas 11,7% dos votos. Certamente a campanha não decolou, uma vez que ele demonstrava ser mais do mesmo, não conseguiu conquistar os anseios e as aspirações de quem clamava por mudança.

Dentro do senso comum, uma derrota como a de 2000 – após três eleições seguidas – representaria o fim da trajetória política de Altomani como candidato a prefeito.  Porém em 2004, Altomani se lançaria a quarta candidatura sucessiva a prefeito de São Carlos, também pelo PSDB. Em uma realidade e contexto totalmente adverso, com a expansão do PT nas esfera municipal e federal, o PSDB pecou novamente. Newton Lima foi reeleito com 42,8% dos votos. Restou ao Altomani, 28% dos votos e uma sensação de definitivo e já tardio déjà vu.

Mas a surpresa ainda viria a bater as portas; em 2008, novamente ele – Altomani – se mostraria como uma ‘nova figura política’ para por fim aos 8 anos de gestão petista em São Carlos.  Sedento por poder dentro do partido – ou por falta de figuras credenciadas e qualificadas para disputar as eleições –  e crente que desta vez o povo votaria nele, ele conquistou o pentacampeonato consecutivo de derrotas para o executivo do município. Neste episódio, o partido demonstrou também uma incapacidade elevadíssima para buscar parcerias partidárias, e não conseguiu nem se quer união com o DEM – que lançou Aírton Garcia, que teve 30% dos votos, em um partido que na esfera estadual e federal sempre estava alinhado ao PSDB. Oswaldo Barba, ex-reitor da UFSCar (2004-2008), representando os legados e conquistas de Newton, não precisou de esforço para sair vencedor, já que a inépcia de ação e comunicação entre DEM e PSDB demonstrou a que ponto chega a fome pelo poder, tanto para se manter imutáveis dentro de seus respectivos diretórios, como também pela excessiva ambição de ‘chegar ao trono’ municipal.

Estamos em 2012, os 12 anos de PT no município já demonstram desgastes e problemas graves nos mais variados setores. Há problemas de infra-estrutura na área de Saúde, Educação, Transporte,  e muitos outros. Centenas de milhares de cidadãos reclamam dos atendimentos das Unidades Básicas de Saúde, ora por falta de médicos qualificados em diferentes áreas médicas, além de problemas de atendimento, ora pela morosidade, ora pelo descaso de certos médicos para com a comunidade em variados bairros do município.

Na questão do transporte, a concorrência – tão cara e bela em uma verdadeira democracia, onde deveria predominar opção de escolhas e qualidades de serviços – é substituída pelo monopólio de uma empresa de ônibus (Athenas Paulista) que atende a população a seu bel prazer, furtando os cidadãos com suas taxas altas e serviços deficitários, distantes de uma boa qualidade.

Na questão da educação, certas escolas municipais agonizam devido a problemas de investimento, e a um constante problema de demanda para receber alunos nas séries iniciais e no ensino fundamental. A questão da infância e juventude é usada como modelo pela gestão municipal, mas problemas em conselhos tutelares e em algumas entidades de auxilio a jovens é constante e preocupante.

Chegamos a um período que precede os 6 meses para as eleições; o PSDB, julgando estar inovando, novamente lançará o desgastado e colecionador de derrotas Paulo Altomani, sendo que o apoio do DEM ainda está em aberto, ou seja, talvez voltaremos a assistir a oposição se degladiando mais uma vez.

O PT, gerenciando pessimamente a cidade, com sua política de pão e  circo, continua majestoso, mesmo em meio a inépcia administrativa e a incompetência de seu prefeito, uma vez que a oposição se mostra amorfa, apática e totalmente incapaz de mostrar onde está seu projeto hegemônico caso chegue ao poder.

O cenário político das eleições de 2012 em São Carlos promete:

Estas campanhas prometem ser uma tragédia muito maior do que nossas próprias forças. Os nossos “líderes políticos”, afirmando hoje as mentiras de ontem, negando amanhã as verdades de hoje, mostrarão a imagem da virtude da democracia, quem és o pai da ‘pátria’ são-carlense. E que ‘pátria’…

 

Há 48 anos se iniciava o Regime Militar…GOLPE ou REVOLUÇÃO… bem ou mal..ele fez parte de nossa história. – por Moacir Pereira Alencar Junior

Hoje, após 27 anos de instituições democráticas, mergulhamos em polarizações ideológicas torpes e debates rasteiros….

Em 1930, com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, o Brasil passaria a fazer à escolha pelo primeiro GOLPE ou REVOLUÇÃO no modelo republicano que se iniciara em 1889. As oligarquias paulistas deixavam o poder após 36 anos de políticas extremamente regionalistas e permitiram a população o sonhar em uma renovação.

Do Governo Provisório ao Estado Novo bastou apenas 7 anos, para Getúlio impor a maior repressão existente na história de nosso país. As limitações dos direitos políticos e civis foram cada vez mais enrijecidas, porém, ações no que tangem aos direitos sociais minimizaram as barbáries levadas pelo governo Getulista durante seus 15 anos de poder. A jornada diária de 8 horas de trabalho, a criação dos IAPs (Institutos de Aposentadorias e Pensão),  a instituição do salário mínimo e a consolidação das leis trabalhistas tornaram o governo Getúlio um modelo de gestão social, porém a repressão de membros de seu governo, como Filinto Muller, responsáveis por toda a estrutura de coerção adotada, caíram no esquecimento.

A intentona comunista e a falácia da existência de uma conspiração comunista resultaram no Plano Cohen, que calou a ala comunista das formas mais variadas. Do envio de Olga Benário aos campos de concentração alemães, aos afogamentos de dezenas de centenas de dissidentes ao governo no oceano atlântico. Incrivelmente, membros do primeiro escalão da ANL que militavam pelos ideais comunistas vieram a apoiar Getúlio em 1945, no caso do QUEREMISMO –  caso de Luis Carlos Prestes – até hoje algo mal explicado e o tanto quanto estranho e assustador.

Merece ser ressaltado, que, a partir de 1946, com nova Constituição, o Legislativo se fortaleceu, mas ficou preso as estruturas burocráticas e ao Executivo com suas agências centralizadoras. Esta estrutura burocrática manteve-se sólida durante todo o período 1946-1963. As interventorias geridas pelo PSD e as clientelas sindicalizadas do PTB perpetuavam as raízes do Estado-novismo, lembrando que PSD-PTB eram as bases de sustentação do Governo de João Goulart.

O único partido de oposição, a UDN, se mostrava incapaz de seguir uma unidade nacional. A dispersão eleitoral, e o declínio eleitoral de partidos conservadores somava-se ao conflito institucional “Executivo-Legislativo”. A deslegitimação do sistema partidário e do Legislativo ganhava ainda mais força quando a aliança PSD-PTB passou  a apresentar embates ideológicos frequentes.

Em meio a este cenário, diversos atores sociais passaram a se racionalizar, já que nenhum grupo ou setor da sociedade exercia controle majoritário tranquilo, sendo que este artificialismo seria um indício óbvio e direto da desagregação dos partidos políticos do período João Goulart.

Neste período, no início de 1964, chegava ao auge a controvérsia referente às “reformas de base”. Aos poucos, criava-se assim o clima ideológico e psicológico que constituiu o fator determinante da Queda de João Goulart. O aprofundamento da divisão entre as Forças Armadas também foi vital para acelerar este processo. Em meio a manifestos militares a favor e contra as reformas, as Forças Armadas reproduziam no seu interior a grave crise política pela qual o país passava.

O resultado já conhecemos, o mês de abril de 1964 já teria Ranieri Mazzili como presidente temporário.  Em 11 de abril de 1964, o general Humberto de Alencar Castello Branco era formalizado como presidente pelo Congresso Nacional. Será novamente em meio a restrição dos direitos políticos e civis que teremos novas conquistas sociais, como a criação do INPS, FGTS e a consolidação do Fundo Rural.

Enquanto nos 15 anos do Governo Getúlio vivíamos a Segunda Guerra Mundial, e o Brasil oscilou entre um fascismo e um gracejo com a Itália e a Alemanha Nazi-fascista; no período da década de 1960-1970 o Brasil tomou posição no mundo bipolar, saindo a favor do ocidente.

Também assistimos a um período de brutal violência. As forças opositoras ao Regime Militar, principalmente nos anos 60-70, viam sua base de sustentação em grupos de guerrilha tais quais ALN, VPR e Var-Palmares. Não há como negar a criação  de uma oposição ao governo que estava totalmente alinhada aos pensamentos e concepções revolucionárias soviéticas. Conforme dizia Carlos Marighella :  “O agrupamento comunista de São Paulo é contrário à organização de outro partido comunista. Não desejamos fazer outro partido, o que seria a volta às antigas discussões e até mesmo a repetição da velha estrutura partidária, em prejuízo da atividade revolucionária imediata.”

As aspirações democráticas não eram ponto de apoio dos movimentos de guerrilha. Os atentados, sequestros e assaltos levavam uma bandeira que apresentava um radicalismo político. Um dos objetivos principais do programa básico da ALN era “formar um governo revolucionário do povo”. A ideia de governo revolucionário do povo também cairia em uma nova Ditadura, com o Brasil passando a ser satélite da União Soviética, mudando de lado na bipolaridade dos tempos da Guerra Fria. A possibilidade de um renascimento que viesse a romper com ideias repressoras, tanto de militares, como de guerrilheiros, nasceriam efetivamente no fim da década de 1970, com o povo nas ruas, e com a ação de Ernesto Geisel, que em 1978  enviou ao Congresso Nacional a emenda constitucional que põe fim ao AI-5 e restaura o habeas corpus. O Executivo já não mais poderia colocar o Congresso em recesso, cassar mandatos nem privar os cidadãos dos direitos políticos. Neste momento também acaba a censura prévia. Porém, as greves são proibidas em setores considerados estratégicos para a segurança nacional.

“Esta abertura lenta, gradual e segura…” nas palavras do Presidente Ernesto Geisel (1974-1979) foi continuada por seu sucessor João Baptista Figueiredo. Porém, para a abertura realmente atingir seu ápice foi necessário muita ação popular, de membros intelectuais dos mais variados setores da sociedade, com grande destaque para a Igreja Católica.

Mas a origem de mais uma revolução, rumo a democracia para o povo brasileiro, dependeu exacerbadamente do próprio Estado…novamente tivemos uma revolução passiva, novamente tudo se deu de cima para baixo. Seja na Independência do Brasil, seja na Proclamação da República, seja na conquista da nova democracia pós-1985, o papel da população brasileira se manteve figurativo. As estruturas que alicerçaram os passos para o ”novo” estavam abraçadas e mesmo entrelaçadas pelo ‘velho’.

Os 27 anos democráticos são o tanto quanto lastimáveis…

o sistema partidário representa o que há de mais obscuro e indignante:

Ausência de programas definidos….inépcia de ação programática e teórica…ridicularização da ideologia e das afinidades com as bases eleitorais…compromissos exclusos as bandeiras partidárias…aulicismo brutal e inconsequente…eis a situação da situação e da oposição no jogo político brasileiro.

Os partidos são tão inexpressivos e sem valoração, que os grupos se sintetizam em um processo de polarização que inexiste na prática. Aproximadamente 30 partidos se aglutinam, ora na defesa da manutenção do poder, ora em uma oposição que parece ainda mais emburrecer. Muitos dizem que isto se deve ao processo de caminhada rumo ao centro por parte dos partidos. Mas isto é uma grande falácia. Como caminhar rumo ao centro, sendo que não há ideologias definidas nos extremos ?

A busca pela manutenção do poder pelos partidos políticos – seja nos municípios, seja nos estados, como na esfera federal – assassinou projetos, anseios e as mais variadas aspirações, seja de um defensor do estado mínimo, seja de um defensor de um estado com forças plenas.

A turba sedenta por poder, mistificou tudo ao seu redor para mostrar que ‘renovação’ – (renovação plena, nunca – breves reformas dentro do sistema imposto, sempre)  – só se dá por meio da subserviência e pelo cerimonial do beija mão.

São Paulo’s mayoral race -The big beast – José Serra strikes again.

IT IS lucky for José Serra that in Brazil a flip-flop is just a popular item of footwear. Otherwise that is what many might call his decision, made public on February 27th, to seek his party’s nomination for mayor of São Paulo, after months of declaring that he had no interest in the job. His change of heart came just a week before a primary arranged by his Party of Brazilian Social Democracy (PSDB). Two of the four would-be candidates have now stepped aside to make way for Mr Serra, a former mayor, state governor and twice a losing presidential candidate. The vote has been delayed until March 25th to give him time to set out his stall. Though many party activists are furious at the casual treatment they have received, he is likely to win.

São Paulo is Brazil’s biggest municipality, with 11m residents, and the country’s beating business heart. Its mayor matters. But the result of this election will now be especially important. It will affect the future of the PSDB, which at federal level is the main opposition to President Dilma Rousseff. It also has implications for the governing Workers’ Party (PT) and the next presidential election, in 2014.

When the current governor of São Paulo, Geraldo Alckmin, steps down in 2014, the state will have been in the PSDB’s hands for 20 years. Luiz Inácio Lula da Silva, Brazil’s former president and the PT’s powerbroker, has been plotting to end that hegemony. The plan was to win the mayoralty as a stepping stone to taking the state two years later. Lula arm-twisted the PT’s local bigwigs into dropping their preferred mayoral candidate, Marta Suplicy, a former mayor popular with poor paulistanos but loathed by better-off ones.

In her place Lula installed Fernando Haddad, a former education minister who is unobjectionable, unremarkable and in São Paulo almost unknown. They were close to sealing an alliance with the current mayor, Gilberto Kassab, that would have left the PSDB’s candidate isolated. But Mr Kassab is a close friend of Mr Serra’s. Now Mr Haddad must face a big beast, and probably without Mr Kassab’s backing. Suddenly, the day when the PT takes the PSDB’s stronghold looks further off.

Mr Serra’s previous stint as São Paulo’s mayor ended prematurely. He stepped down after just 15 months to run for state governor, even though he had signed a pledge during the campaign to serve a full four-year term. This is his main electoral liability. Voters suspect that he still harbours presidential ambitions, and would cut short his mayoral term again. But a campaign spent swearing that this time is different will help his main rival for the PSDB’s presidential nomination in 2014, Aécio Neves, a senator from Minas Gerais.

Losing São Paulo would be a big blow for the PSDB. Mr Serra’s return makes that less likely. Uniting around a single presidential candidate would also be a good idea—though Ms Rousseff, a popular and steady incumbent, will be hard to beat in 2014. Mr Serra won his party’s nomination for president in 2010 by sheer force of will and because nobody could think of a way to stop him. Most party activists thought it was time for a fresh face, and his defeat suggests they were right. His late entry to the mayoral race may make it more likely that they get their wish next time. But it also points to the PSDB’s failure to nurture a new generation of leaders.

Qual o sentido da coerência em um líder político? – por Moacir Pereira Alencar Junior

Novos líderes tem que caminhar rumo ao ostracismo??

Temos tendências a sermos radicais e extremistas na juventude; oscilando ora por um estilo provinciano, até certo ponto, demagógico; e ora por crenças que santificam e genializam certos indivíduos, criando mártires e grandes ícones. Muitos tem fome pelo absoluto, mas realmente cada um não assume suas próprias ideias.

Com o passar do tempo, esta fase de obliteração e, até certo ponto, anarquismo, ganha sentido e nova forma. Alguns continuam a cultuar promessas, mas nunca vivem em um mundo da ação. Outros, por impotência e ingenuidade, procuram saídas na fé, tentando se afastar das misérias de nossas almas.

Aqueles que abraçam certas utopias, caem no fanatismo. Este hall, onde se encontra o utopismo, é composto  por pessoas que dizem sintetizar a certeza, a lógica e o equilíbrio em tudo que pleiteam. Boa parte deles protestam, bradam por justiça, buscando mostrar que não são afetuosos com a covardia e com o servilismo, demonstrando não serem pessoas fracas e com medo. Do populista ao parnasiano (há populistas parnasianos?), todos buscam, pela habilidade, mostrar uma concepção do que é ser democrata. 

O populista busca demonstrar que ele tem um vínculo com o povo, mais que um vínculo, um compromisso. Ele discursa para as massas sendo financiado pelos grandes agentes econômicos. Para garantir a manutenção do poder, se mostra afável e pronto a atender a massa por meio da caridade. Caridade esta, que apenas adia, mas agrava ainda mais a miséria. É muito fácil o raciocínio frio quando você está por cima nesta situação. Mas se o povo verdadeiramente se rebelar, este populista vai se usar da repressão policial, ora por falta de coragem, ora por falta de decisão; até porque uma liderança necessita de uma força moral, o que é cada vez mais escasso em nosso cenário político.

Neste cenário, tanto as cúpulas revolucionárias (que palhaçada), como as cúpulas ditas conservadoras, vivem deste mal caratismo. E, neste ano – 2012 -, começa mais um ano de eleições, onde compromissos e bases eleitorais voltarão a mostrar suas caras, e suas respectivas forças no jogo político.

Estas campanhas prometem ser uma tragédia muito maior do que nossas próprias forças. Os nossos “líderes políticos”, afirmando hoje as mentiras de ontem, negando amanhã as verdades de hoje, mostrarão a imagem da virtude da democracia, quem és o pai da pátria. As facções e ideias políticas passarão a criar uma nova classificação para a palavra amizade. Esta será a amizade para os interesses políticos, onde um amigo sempre aceita o outro, mesmo que aquele esteja na mais absoluta degradação.

Alguns continuarão a ver na despolitização, e na irresponsabilidade política/anarquismo, uma saída; outros continuarão a bradar que extremistas criaram a mística do povo. 

A coerência é uma loucura, um gracejo com o isolamento, e uma grande chance de total queda no silêncio retumbante do ostracismo.

Sistema partidário brasileiro entra em estágio delirante e preocupante. – por Moacir Pereira Alencar Junior

siglas sem significância

Joaquim Nabuco disse uma certa vez:

“A conciliação como coalizão e fusão dos partidos, para que se confundam os princípios, para que se obliterem as lutas políticas, é impraticável e mesmo perigosa, e por todos os princípios inadmissível.”

No início deste mês de fevereiro de 2012, algumas coalizões nas diferentes capitais do país passaram a ganhar forma e também um certo conteúdo, digamos bizarro.

Na capital do estado do Amapá – Macapá, a união da aliança PSOL – PSDB surpreendeu a muitos que acompanham o mundo da política, seguindo esta tendência, assistimos a quase concreta união PSD – PT pela disputa da capital do Estado de São Paulo – São Paulo.

Fiquei a refletir sobre afinidades políticas e ideológicas entre PSDB e PSOL, e conclui que esta união é uma das coisas mais delirantes no mundo da barganha política da Terra Brazilis. Pensei na união de opostos extremos – o mundo dos latifundiários, de mãos dadas com os trabalhadores sem terra, e o fim de qualquer defesa de princípios basilares para o funcionamento de uma democracia.

No caso do PT-PSD….nossaa…a vanguarda do atraso do antigo DEM está de mãos dadas com o partido que mais combateu durante toda sua história. Imagino Florestan Fernandes (coitado!) abraçando figuras como Ronaldo Caiado nos palanques do Processo Constituinte de 1987/1988. É a ruptura de todo e qualquer ideário partidário construído em mais de 32 anos de história do PT.

É  triste ver se esvair o ideal que originou cada um destes partidos citados: PT,PSDB, PSOL. O PSD é o único que nasceu sem um ideário, oficialmente como uma legenda de “autênticos barganheiros políticos”.

O jornalista e escritor, Harrison Oliveira, escreveu em uma de suas obras:

“A conciliação política implantada em 1853, pelo mineiro Honório Hermeto Carneiro Leão – o Marquês do Paraná – foi considerado pelo Senador José de Alencar, como uma Prostituição; e pelo Barão de Rio Branco, como a maior desgraça que já desabou sobre a nossa incipiente democracia. A conciliação implantada em 1985, por outro mineiro, o ex-presidente Tancredo Neves, destruindo a oposição política, incrementou o adesismo, o aulicismo e transformou um cenário de lutas ideológicas, na humilhante paz  dos pântanos, na solidão apavorante dos cemitérios abandonados e na venal licenciosidade dos bordéis”.

O Brasil de antes da Revolução de 1930 era rico ideologicamente. Num momento de crise de classes dominantes, surgiam correntes de orientações bem diversas: o sindicalismo anarquista e socialista; os primeiros militantes comunistas; embriões de movimentos que levariam a um pensamento próximo do fascismo, mais tarde expresso no integralismo. Além do forte movimento católico conservador, que afirmou-se na Liga Eleitoral Católica para as eleições constituintes.

Hoje o Brasil assiste ao desmoronamento das instituições partidárias/ideológicas. Episódio menosprezado por muitos, mas preocupante para a consolidação de um verdadeiro cenário de florescimento de embates consistentes e contundentes.