“Estudo das características do cidadão São-Carlense”

CATEDRAL -são carlosSão Carlos é um município brasileiro localizado no interior do estado de São Paulo, próximo de seu centro geográfico, e a uma distância rodoviária de 231 quilômetros da capital paulista. Com uma população estimada em 218.080 habitantes (IBGE/2008), distribuídos em uma área total de 1.141 km², é a 14ª maior cidade do interior do estado em número de residentes.

A cidade é um importante centro regional, com a economia fundamentada em atividades industriais e na agropecuária (neste setor, destaca-se a produção de cana-de-açúcar, laranja, leite e frango). Bem servida por vias de transporte como rodovias e ferrovias, São Carlos conta com unidades de produção de algumas empresas multinacionais, dentre as quais Volkswagen, Faber-Castell (a subsidiária são-carlense é a maior do grupo em todo o mundo, produzindo 1,5 bilhões de lápis por ano), Electrolux, Tecumseh e Husqvarna. Algumas unidades de produção de empresas nacionais, dentre as quais Toalhas São Carlos, Tapetes São Carlos, Papel São Carlos, Prominas Brasil, Cardinali e Latina.

Atendendo às necessidades locais, e, em certos aspectos, regionais, há uma rede de comércio e serviços distribuída em lojas de rua, postos de conveniência e um Shopping Center da marca Iguatemi. No campo de pesquisas, além das universidades, estão presentes no município dois centros de desenvolvimento técnico da Embrapa.

Os dois campi da Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), além de outras duas instituições de ensino superior particulares, o Centro Universitário Central Paulista (UNICEP) e as Faculdades Integradas de São Carlos (FADISC), tornam intensa a atividade universitária no município, que conta com uma população flutuante de cerca de vinte mil graduandos, boa parte atraída de outras cidades e estados.

São Carlos

Figura 1. Localização do município de São Carlos

A cidade de São Carlos é considerada uma cidade de porte médio, com uma taxa de crescimento populacional crescente desde 1950, com destaque para as décadas de 1970 a 1990. Como a cidade possui várias indústrias e renomadas universidades, existem fluxos populacionais interessados em melhores condições de trabalho e, conseqüentemente, melhores condições de vida e de sobrevivência.

O crescimento urbano desordenado, devido à forte ocupação urbana aliado à ausência de políticas agrárias, resulta no inchamento das cidades, baixa expansão da rede de serviços urbanos, aumento da pobreza e diminuição da qualidade de vida. São Carlos não foge desse problema, com seus bairros periféricos que cresceram vertiginosamente nas décadas de 80 e 90.

Objetivos

O projeto de pesquisa consiste em analisar as tipologias de famílias existentes em São Carlos e relacioná-las com as características dos Indivíduos por ela avaliados.

Definições

A pesquisa “ Condições de Vida e Pobreza em São Carlos: a Questão da Pobreza – Uma Abordagem Interdisciplinar”, realizada no 2o. semestre de 1994 pelo NPD (Núcleo de Pesquisa e Documentação “Professor Dr. José Albertino Rodrigues”) do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos, teve como objetivo dimensionar, localizar e qualificar a pobreza em São Carlos.

Na primeira etapa desta pesquisa a população de São Carlos, recenseada em 1991 pelo Censo do IBGE, foi distribuída em cinco categorias socioeconômicas: de A, a mais rica, a E, a mais pobre. Essas categorias foram criadas a partir dos seguintes critérios: os valores dos terrenos que serviam de base para o cálculo do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e as condições de habitação e do entorno, a partir de impressões de alguns agentes imobiliários e de alguns recenseadores do Censo do IBGE de 1991 que auxiliaram na classificação das áreas dentro do continuum de A a E.

Conforme os dados apresentados, podemos observar que o padrão de vida em São Carlos em relação à Região Metropolitana de São Paulo é mais precário em relação à saúde e à renda, melhor nas condições de educação e expressivamente superior nas condições de habitação.

Analisando a pobreza em São Carlos, em suas várias dimensões, podemos notar que com exceção das condições de habitação, que mostram uma situação privilegiada de São Carlos em relação à região metropolitana de São Paulo e as condições de inserção de mercado de trabalho que mostram uma situação de correspondência entre as duas regiões tomadas para análise, às outras dimensões revelam uma situação de carência mais acentuada no que diz respeito a São Carlos.

Isto indica que a cidade convive com uma realidade de pobreza, em algumas de suas dimensões, pior do que a realidade da região metropolitana de São Paulo, já caracterizada por altos índices de “exclusão social”.

Esta pesquisa construiu cinco tipologias de carência familiar baseadas numa perspectiva multidimensional da condição de vida que enfatizava as seguintes dimensões: acesso à renda, à educação, ao emprego, aos equipamentos de saúde e a condições dignas de habitação.

Na dimensão da saúde foram consideradas carentes as famílias que dependiam do Sistema Unificado de Saúde (SUS); em renda, as famílias que possuíam rendimentos inferiores a 2 salários mínimos por adulto equivalente; em educação, as famílias nas quais os chefes da família não possuíam escolaridade básica – primeiro grau completo; em habitação as famílias que residiam em imóvel construído com material adaptado ou moravam em domicílios com menos de três cômodos básicos (quarto, sala e cozinha) ou utilizavam coletivamente com outras famílias banheiro,tanque ou cozinha ou aquelas que para dormir serviam-se de outro cômodo, além dos quartos.

São Carlos também não escapa do principal problema dos tempos modernos: o desemprego. A destruição de postos de trabalhos e a crescente precariedade das relações de trabalho são fatores que incidem diretamente na renda e conseqüentemente na sobrevivência das pessoas e da família.

O crescente desemprego se torna ainda mais perverso nos segmentos populacionais mais pobres, pois, a escassez do emprego soma-se a baixa escolaridade e baixa qualificação o que torna mais difícil a inserção no mercado de trabalho, sobram sempre os empregos mais precários e menos remunerado. Para a sociedade fica a responsabilidade de construir alternativas viáveis que gerem emprego e renda.

Assim, o que é possível constatar é que o município de São Carlos, apesar de estar localizado em uma das regiões mais desenvolvidas do país e apresentar uma economia dinâmica, não conseguiu administrar o padrão de crescimento desigual já conhecido do cenário nacional. A pobreza e a miséria fazem parte de sua realidade, fato que impõe a necessidade de serem propostas e operacionalizadas políticas de inclusão social”.

Figura 2 – Tipologias: cidade de São Carlos

São Carlos2

Fonte:Pesquisa “Condições de vida e pobreza em São Carlos : a Questão da Pobreza. Uma abordagem interdisciplinar” NPD – Núcleo de Pesquisa e Documentação “Prof. Dr. José Albertino Rodrigues“ – DCSo / UFSCar , 1994.

Hipóteses

  • Existe relação entre as cinco tipologias estudadas (habitação, educação, saúde, mercado de trabalho e renda) e quais as classes socioeconômicas a elas associadas?

  • Existe relação entre as características do indivíduo (qualidade de inserção no mercado de trabalho, posição na família e cor)?

  • Há ligação entre os anos de escolaridade do indivíduo com a qualidade de inserção no mercado de trabalho?

Metodologia

O conjunto de dados a ser analisado foi obtido pela pesquisa “Condições de vida em São Carlos. A questão da pobreza: uma abordagem interdisciplinar”. Consiste em 923 observações de 21 variáveis relativas à saúde, renda, mercado de trabalho, entre outras.

Este estudo levará em consideração as cinco categorias socioeconômicas existentes no município, categorias estas classificadas nas classes A, B, C, D e E. Baseado nestas classificações será relacionado essas categorias com cinco tipologias de carência familiar, sendo elas: Habitação, Saúde, Educação, Renda e Emprego.

O problema de pesquisa a ser estudado, que buscaremos esclarecer é a importância da educação e a sua relação com a posição de um cidadão na família, sua cor e sua inserção no mercado de trabalho. Além da qualidade da inserção do profissional no mercado de trabalho, avaliando informações como estas: procura por trabalho nos últimos 7 dias , se trabalhou nos últimos 7 dias , procura por trabalho nos últimos 30 dias e caso não procurou por trabalho , quais são as razões.

Para a análise estatística dos dados, serão utilizadas técnicas multivariadas, de Análise Fatorial de Correspondências Simples e Múltiplas. Estamos interessados em identificar relações entre as unidades de observação, entre as características observadas e entre unidades de observação e característica simultaneamente.

Os métodos estatísticos para este tipo de estudo, assim como o uso de qualquer procedimento estatístico, depende do tipo de informação disponível, ou seja, do tipo de característica observada. Quando as características observadas são quantitativas as metodologias de Análise de Componentes Principais (ACP), Análise Fatorial (AF) e Análise de Conglomerados (Cluster) são apropriadas para o estudo. Porém, em muitas situações práticas particularmente nas Ciências Humanas e Sociais, com destaque na parte de pesquisa de opinião, as características de interesse são em quase sua totalidade, características qualitativas. Nestes casos, caso exista alguma característica quantitativa dentre aquelas de interesse, ela poderá ser categorizada e assim receber o mesmo tratamento das demais. Para estas situações é que a Analise Fatorial de Correspondências aparece como uma alternativa para análise do problema em estudo.

Por suas propriedades estatísticas e pela riqueza de suas interpretações, corroborada pelo desenvolvimento de recursos computacionais, a análise de correspondências tornou-se um método privilegiado na descrição de dados qualitativos. Com estas características, constitui-se numa ferramenta com inúmeras possibilidades de uso, particularmente nas áreas de ciências humanas e sociais onde a presença de variáveis qualitativas de interesse é bastante usual.

Podemos destacar dois grandes objetivos gerais da Análise Fatorial de Correspondências:

  1. Analisar toda informação contida em uma Tabela de Contingência;

  2. Representar Graficamente a estrutura de uma Tabela de Contingência.

A Análise de Correspondência tem por objetivo, identificar as relações das linhas, colunas e entre linhas e colunas de uma tabela de contingência, ou ainda, analisar a similaridade e dissimilaridade das linhas e colunas.

Em uma tabela de contingência, a semelhança entre duas linhas, ou entre duas colunas, se expressa de maneira totalmente simétrica. Duas linhas são consideradas próximas se estão associadas da mesma forma em relação ao conjunto das colunas, ou seja, se elas apresentam freqüências próximas para todas as colunas. Simetricamente, duas colunas estão próximas se estão associadas de um mesmo modo no conjunto das linhas.

Esquematicamente, o estudo do conjunto das linhas consiste em expor uma técnica na qual se buscam as linhas cuja distribuição se desvia mais do conjunto da população, aquelas que assemelham entre si (no sentido determinado anteriormente) e as que se opõem. Para relacionar a tipologia das linhas com o conjunto das colunas, caracteriza-se cada grupo de linhas pelas colunas a que este grupo se associa muito ou muito pouco. O estudo do conjunto das colunas é totalmente análogo.

Está claro que esta aproximação, segundo a noção de semelhança utilizada, permite estudar a relação entre as duas variáveis, isto é, o desvio da tabela da situação de independência. A análise desta relação é o objetivo fundamental da AFCS.

Finalmente é importante destacar que a AFC (Simples e Múltiplas) como toda Análise Fatorial também é utilizada para uma redução da dimensão dos dados conservando maior parte da informação possível.

A representação gráfica de uma Análise Fatorial de Correspondências é feita através do gráfico das coordenadas de cada plano fatorial. Usualmente os primeiros planos fatoriais são suficientes para análise do problema em estudo.

Quanto às variaveis ; foram analisadas no estudo:

  • Tipologia de Família :

  1. habitação1 ( escala politômica )

  2. educação1

  3. saúde1

  4. mercado de trabalho

  5. renda1

  • Característica do Indivíduo :

  1. Qualidade de inserção do indivíduo no mercado de trabalho

  2. posição na família

  3. cor1

  4. anos de escolaridade

São Carlos3

Figura 3 – Análise Fatorial de Correspondências – Tipologias da Família

Na figura 3, identificamos alguns grupos. O primeiro relaciona indivíduos classificados como classe A relacionados à medicina privada, à habitação mais que satisfatória e à educação muito alta. O segundo grupo, relacionado à classe social E, é relacionado às faixas de renda miseráveis e indigentes, grau de educação muito baixo e habitação insatisfatória. O terceiro grupo associa indivíduos da classe social D com a faixa de renda pobre, mercado de trabalho intermediário e habitação precária.São Carlos4Figura 4 – Análise Fatorial de Correspondências – Características do Indivíduo

Analisando estes dados constatamos que podemos formar grupos de características mais correlacionadas entre si , sendo eles :

  • Quando a qualidade de inserção da pessoa no mercado de trabalho é considerada como sendo dependente há uma tendência de que ela venha a ser de cor amarela e ocupe posição de cônjuge na família.

  • Quando a qualidade de inserção da pessoa avaliada é considerada como sendo ruim e muito ruim há uma tendência de que ela venha a ser de cor parda e preta-mulata e ocupe posição de parente e outros na posição da família.

  1. Foi considerado parente :filho , enteado , neto , pai , sogro , genro , nora , etc.

  2. Foi considerado outros: agregado , pensionista , empregado doméstico , parente da empregada , etc.

  • Quando a qualidade de inserção da pessoa avaliada é considerada como sendo regular e muito boa há uma tendência que ele venha ser um chefe de família.

  • Pela variável suplementar idade observamos que os indivíduos mais escolarizados , ou seja , com 15 anos de estudo ou mais estão associados à qualidade de inserção no mercado de trabalho considerada ótima.

Conclusões

Após a análise dos resultados, podemos dizer que o município de São Carlos apresenta problemas de inserção das classes D e E em vários setores da sociedade, desde a educação até o atendimento médico. Essas classes sociais estão fortemente associadas aos níveis de educação, saúde e habitação mais baixos e degradantes, ao passo que vemos os cidadãos da classe A com os níveis mais altos. Como essas classes de nível socioeconômico baixo, além das tipologias analisadas, possuem pouca educação, podemos concluir que o futuro para estes indivíduos é obscuro e extremamente limitado. Assim como o abismo social , que tende a aumentar.

A inserção do indivíduo no mercado de trabalho é um dos pilares fundamentais para um desenvolvimento gradativo da sociedade são-carlense. Quanto melhor a inserção do indivíduo no mercado de trabalho, mais destacada será a sua posição perante os seus familiares. Os indivíduos de cor preta/mulata e parda continuam a sofrer com um mercado de trabalho excludente, que apresenta um pré-conceito que podemos chamar de anomia.

Vale ressaltar que os indivíduos com maior escolaridade no município, que seria de mais de 15 anos de estudo , tendem a obter os melhores empregos, uma vez que o município possui uma qualidade de ensino superior considerada a melhor do interior do Brasil.

Em suma , São Carlos como uma cidade de porte médio apresenta problemas que ocorrem em quase todos os municípios da federação , porém por apresentar um índice de acesso ao ensino superior público e gratuito acima da média nacional era de se imaginar que o governo do município pudesse apresentar uma política que buscasse integrar as classes D e E com maior efetividade ao mercado de trabalho , a saúde e a educação . Além de promover políticas públicas que venham a atender com mais acurácia e transparência o cidadão de baixa renda que necessita de uma moradia digna para viver , e não apenas para sobreviver.

Esta pesquisa foi realizada por Moacir Pereira Alencar Junior e Victor Ramos Zambrano , no 2º semestre de 2008.

Karl Heinrich Marx ( 1818 – 1883 )

KARL MARX

Filósofo alemão , foi autor de vários conceitos que fundamentaram a ideologia socialista – comunista do século XX.

Nasceu em Trier , filho de familia judia, e estudou filosofia nas Universidades de Berlim e Jena.

Em 1842 chefiou a redação do jornal Nova Gazeta Renana em Colônia, no qual escreveu artigos considerados radicais em defesa da democracia. Mudou-se para Paris em 1844 e lá conheceu Friedrich Engels.

Em 1848 publicou o Manifesto do Partido Comunista ,em parceria com Engels , em que defende a solidariedade entre os trabalhadores na busca de sua emancipação política e social .O documento defende uma revolução de caráter internacional que leve a burguesia e o capitalismo ao declínio , podendo assim implantar o comunismo.

A divulgação do manifesto provoca sua expulsão de Paris. Mudou-se para Londres, onde estuda história e economia , escreve artigos na imprensa e ajuda a fundar a Primeira Internacional dos Trabalhadores, que reúne partidos de esquerda de diversos países.

Em 1867 publica o primeiro volume de “ O Capital “, na qual expõe os seus conceitos ( chamados marxistas ) , como a teoria do valor , a da mais-valia e da acumulação do capital. Os outros volumes da mesma obra só são conhecidos após sua morte.

Benito Mussolini ( 1883 – 1945 )

mussolini

Líder do  fascismo na Itália , serve na I Guerra Mundial como soldado. Funda, em 1919, o movimento nacionalista Fascio de Combatimento e, em 1922, organiza a Marcha sobre Roma ,demonstração de força que origina um convite do rei para que encabece um novo governo.

No poder ,o Duce controla o sistema sindical ,proíbe greves, persegue a imprensa e estabelece um regime de partido único.

Alia-se a Alemanha na II Guerra Mundial . Derrubado pelos Aliados em 1943, é preso por correligionários e libertado pelos nazistas.

Morre nas mãos  de guerrilheiros italianos.

assista aqui : trajetória de Mussolini – vida e feitos – em português.

Um fantasma do passado , presente e futuro… – por Moacir Pereira Alencar Junior

Há exatos 25 anos, era como se o Império Nazista não tivesse encontrado fim inglório nos escombros da chancelaria do Reich, em Berlim. Baixado o corpo à sepultura, após a oração fúnebre em alemão, cerca de vinte pessoas se adiantaram, ergueram o braço direito e bradaram três vezes: ” Heil Hitler” . Um deles ainda acrescentou, uma vez: “Heil Rauff “.

walter rauff

No dia 14 de maio de 1984 , no Cemitério Central de Santiago, no Chile, foi sepultado o antigo oficial da Marinha e depois comandante SS Walter Rauff , morto na véspera aos 77 anos, de câncer no pulmão. Rauff foi um herói de guerra nazista: inventou as câmaras de gás móveis, caminhões fechados, com saída para o escapamento do motor, nos quais foram asfixiados 97 mil judeus na Europa durante a II Guerra Mundial.

Juan Diego Dávila, um dos manifestantes nazistas,se justificou: “O tempo dirá como Hitler foi grande. Sua figura se levantará, como a de Napoleão ,sobre a de seus caluniadores”.

Rauff se refugiou no Chile em 1958, depois de passagens pela Síria e pelo Equador. Organizou uma fabrica de conservas de pescado e uma pequena empresa de navegação em Punta Arenas, no Sul do País. Alemanha Ocidental, Grã-Bretanha, França e Israel pediram insistentemente sua extradição – sempre negada, sob o argumento de que já tinha terminado o período legal para o julgamento. “Seria injusto expulsar uma pessoa que manteve, no Chile, um comportamento inatacável” – Defendia na época o então chanceler chileno, Jaime del Valle.

assista aqui : Funeral de Walter Rauff no Chile , onde manifestantes reverenciam Hitler e  Walter Rauff com honras nazistas


Brasil em Grandes Números , possibilidades de avanço constante?? – por Moacir Pereira Alencar Junior

BRASIL EM NÚMEROSO Governo Federal publicou no seu site oficial informações sobre a situação do Brasil no cenário mundial (clique na imagem), destacando dados como: expectativa de vida, grupos étnicos, religiões, acordos internacionais de meio ambiente aos quais faz parte,  e informações da economia, tais como o desempenho da  inflação e PIB no decorrer desta década.

O Governo não poderia deixar de  destacar as informações sobre a produção de Petróleo , que em média é de 2,4 milhões de barris/dia , além de informar que o Brasil é o líder mundial de extração de petróleo em águas profundas e possui uma das dez maiores reservas mundiais (  incluindo o campo de Tupi ).

Também é destacado a dinamicidade da Indústria nacional : onde o governo informa que o país é o maior fabricante de carros do mundo e maior fabricante mundial de aeronaves.

O Etanol brasileiro também merece espaço considerável nesta propaganda, onde o governo tenta deixar claro à mídia internacional que a Amazônia não correrá riscos de sofrer desmatamento, haja vista que o principal pólo produtor de cana-de-açúcar ,no caso, o estado de São Paulo, está a uma distância de 2,5 mil Km da mesma. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), o etanol brasileiro é o de menor custo em relação a outros países, e o Brasil é o único país do mundo capaz de produzir este combustível de forma competitiva e sem subsídios.

Quando o assunto em questão é a geração de energia elétrica, o governo federal destaca a capacidade de produzir mais de 102.000 megawatts de potência (dados de 2008) e enfatiza sua posição de líder mundial de energia renovável e limpa, informando que 44% de sua matriz energética é composta de fontes não fósseis, sendo a média mundial de 14%. E destaca também a posição do Brasil como maior exportador de etanol e o maior  mercado de biodiesel.

Conforme informações do governo, os investimentos estrangeiros diretos aumentaram mais de 100% entre 2006 e 2008, algo significante, o país conquistou novos parceiros comerciais no cenário internacional . Porém neste mesmo período o saldo na balança comercial caiu 46,8% , o que é preocupante.

No quesito econômico, as reservas cambiais são de US$ 206,8 bilhões , marca nunca antes atingida , que coloca o Brasil em um novo patamar no quesito econômico. O crescimento do PIB entre 2000 e 2008 foi de 35,9%. Porém a inflação no mesmo período foi de 82,15%, isto mostra  que houve um corroimento no poder de compra do cidadão brasileiro.

Com a queda do dólar o PIB estimado de 2008 foi de US$1,37 trilhões .

O Governo enfatiza que o país é o maior exportador mundial de diversas commodities, tais como : ferro, café, suco de laranja , carne bovina, tabaco, frango e açúcar.

Quando a questão é o acesso a rede mundial de computadores ( Internet ) , o Brasil possui cerca de 40 milhões de usuários , o maior número de usuários da América Latina e o 11º do mundo, sendo o líder mundial no tempo de conexão à Internet : 23h48min/mês.

O governo divulgou que a população brasileira é composta por brancos que representam 49,9% da população , pardos (43,2% ) , negros (6,3% ) e amarelos (0,7% ) . (Estes dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD ,do ano de 2005 ).

Ainda temos o predomínio da religião católica no Brasil, onde 73,6% da população é adepta.  O restante é representado pelos protestantes  e outras religiões.

Quanto a expectativa de vida, o brasileiro vive em média 73,49 anos. Sendo a expectativa de 77,95 anos para mulheres e 69,5 anos para homens.

O Brasil mostra-se muito dependente do “transporte por rodovias “;  61,8% do transporte de cargas e 96,2% do transporte de passageiros ocorrem em rodovias. Isto acarreta um aumento no preço de mercadorias e provoca um prejuízo constante aos cofres públicos, já que não há uma política adequada para manter a qualidade de rodovias interestaduais e intermunicipais, além das próprias rodovias federais.

Em suma, podemos concluir que nosso país está caminhando gradualmente rumo a um desenvolvimento aparentemente constante, porém não é só de maravilhas que vive a população brasileira. Nesta propaganda positivista o Governo Lula esquece de  destacar as taxas de desemprego que cresceram nos últimos meses e também não traz a tona informações sobre a distribuição de renda no país, que continua a ser uma das mais desiguais do planeta. A política de caráter neoliberal do Governo Lula não permite que as classes C, D e E sejam inseridas com êxito ao mercado de trabalho e impossibilita o progresso de milhões de cidadãos. Apenas expandir o Bolsa Família não é o caminho certo para minimizar os problemas da população, o assistencialismo do governo ata as mãos de milhões de trabalhadores  que não podem viver de seu próprio trabalho, com méritos e reconhecimento.

Dia da Abolição da Escravatura

Depois de muitas lutas pela libertação dos escravos negros do Brasil , Princesa_Imperial_D__Isabel_do_Brasil2a Lei Áurea foi promulgada  pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888 ,há exatos 121 anos.

Mas a escravatura foi abolida , de fato , muito antes da assinatura da lei. Em 1810 , Dom João VI prometeu à Grã- Bretanha acabar com o comércio de escravos.

Em 1850 , o tráfico negreiro passou a ser extinto pela Lei Eusébio de Queirós. Posteriormente , alguns anos depois ,foram promulgadas a Lei do Ventre Livre e a Lei dos Sexagenários.

Entretanto, a abolição não significou grande mudança para os escravos. Uma vez que não foram criadas condições para a integração do negro à sociedade após a assinatura da lei .

A verdadeira conquista da liberdade tem sido um processo lento e ainda atual , pois os negros continuam excluídos de setores da sociedade  e ainda sofrem para ter seus direitos respeitados.

Imperialismo Econômico e Economia Socialista : faces da mesma moeda ? – Por Moacir Pereira Alencar Junior

Este artigo visa fazer uma síntese entre duas correntes de pensamento socioeconômico que foram estudadas por muitos teóricos na história :

  • o Socialismo, conjunto de doutrinas que se propõem a promover o bem comum pela transformação da sociedade e das relações entre as classes sociais, mediante a alteração do regime de propriedade, e

  • o Imperialismo, política de expansão e domínio territorial e/ ou econômico de uma nação sobre outras, que nas últimas décadas do século XX passou a também ser definida como Neoliberalismo. Sendo o Neoliberalismo uma doutrina que favorece uma redução do papel do estado na esfera econômica.

Introdução

O socialismo nasce em um período da história, século XIX, em oposição as idéias liberais e a expansão do capitalismo. Sendo a Revolução Industrial um dos principais fatos por ele discutido, uma vez que a revolução industrial provoca efeitos sociais irreversíveis.

Em seu primeiro momento, surge como um ideal, mas depois passa a ser visto como uma necessidade considerada histórica, que origina-se da crise do capitalismo. Esta corrente de pensamento baseia-se na análise da sociedade do século XIX, que de certa forma é eminentemente capitalista.

Para Karl Marx, o principal teórico do socialismo, o modo de produção capitalista determina as relações sociais ; relações estas que ele considera em sua obra “O Capital” como sendo desumanas, onde os trabalhadores são meros objetos de uso e são os únicos responsáveis por gerar toda a riqueza existente.

Porém esta sociedade que viveria em coletivismo, sem divisão de classes e sem a existência de um estado repressor , segundo Marx; não encontrou meios de se firmar em nenhuma nação, com exceção à França, onde a comuna de Paris governou por 72 dias no ano de 1871, e neste curto período acabou com os privilégios de classe, instituiu o ensino gratuito e obrigatório , além de promover a distribuição da renda em sistemas cooperativos.

Socialismo Científico  e “Socialismo” Soviético  – Antagonismos

Ao fim do século XIX, mais exatamente em 1885, na Conferência de Berlim, as principais nações européias dariam início a um processo conhecido como ‘imperialista’, ou também chamado neocolonialismo. Estas nações promoveram a Partilha da África,visando a exploração das riquezas naturais, e também, simultaneamente, buscaram por novos mercados consumidores em outras partes do globo, para expandir suas forças monopolistas e praticar suas políticas de cartelização internacional.

Foi neste contexto histórico que ocorreu a Primeira Grande Guerra Mundial, que durou de 1914 à 1918. Ela se deu devido ao revanchismo econômico e as rivalidades político-militares existentes entre as grandes potências mundiais, incluindo Alemanha, Itália, Japão, França, Império Turco-Otomano, EUA, Reino Unido e Rússia.

Em meio a esta guerra sem precedentes teria origem a primeira revolução de caráter socialista da história, a Revolução Russa, que ocorre em outubro de 1917.

Defendendo os lemas “pão , paz e terra” e “todo o poder aos sovietes” , os bolcheviques tomam o poder, assinam o tratado de Brest-Litovsk retirando -se da Primeira Grande Guerra e criam os conselhos populares com o objetivo de dar início as reformas sociais. Porém , a guerra civil permanece e só termina em 1921, quando o exército vermelho, comandado por Trótski, derrota o exército dos brancos, que é composto por czaristas e burgueses, que contavam com o apoio de franceses, britânicos, japoneses e norte-americanos.

Após a vitória bolchevique, a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) é formada em 1922, e na seqüência surge o NEP – Nova Política Econômica, criada por Lênin, que viria a ser um misto de economia de mercado e projeto socialista, com objetivo de minimizar os problemas econômicos e sociais existentes. Este projeto permitiria a criação de empresas privadas e o comércio em pequena escala sob a supervisão constante do Estado, que permitia uma entrada limitada de capital externo.

Para Lênin, aplicada de modo justo, a NEP não apresentaria perigos para a Rússia Soviética, mesmo que esta política econômica promovesse um certo ressurgimento e um desenvolvimento de elementos capitalistas. De modo que para Lênin, a NEP já tinha auxiliado no nascimento de um setor socialista, representado por empresas estatais, ferrovias, bancos, frota marinha e fluvial; e em questão de mais tempo, promoveria um número maior de melhorias na economia soviética.

Porém com sua morte, em 1924, a economia soviética passa a adotar um novo rumo. Com a chegada de Stálin ao poder, a sociedade passa a ser burocrática, tecnocrática e difícil de ser classificada como capitalista ou socialista.

Bruno Rizzi, um dos fundadores do Partido Comunista Italiano (PCI), torna-se crítico do Partido Bolchevique; ele afirmava que na URSS era a “posse do Estado” que dava à burocracia a propriedade dos meios de produção, que era coletiva e não mais privada. Segundo Rizzi, a burocracia tem a força do Estado, que vale bem mais que as propriedades e os títulos jurídicos da burguesia. Este totalitarismo, constituía a tendência também dos fascismos e das próprias democracias burguesas.

Segundo o ex-trotskista Max Schachtman, o stalininismo é uma contra-revolução-integral, principalmente nas relações econômicas e sociais. Para Schachtman, esta burocracia tem de ser destituída por meio de uma revolução social.

Schachtman viria a ser um dos criadores do neoconservadorismo, que defende o Estado minimamente burocrático. James Burnham, outro ex-trotskista, acreditava que assim como na economia moderna, atuando como Managers, os burocratas tem o poder de dirigir o aparelho produtivo, por conseqüência, também a sociedade.

Outras correntes da época dirão que o bolchevismo vem a ser uma variante do desenvolvimento capitalista.

Três grandes teóricos marxistas do século XX : Karl Korsch, Anton Pannekoek e Otto Rühle entraram em contradição com o estatismo centralizador que Josef Stálin pôs em prática. Segundo eles, a política de Stálin era a realização de uma nova fase da história do capitalismo e da modernização burguesa.

Segundo Korsch, o marxismo russo nada mais foi do que um processo de desenvolvimento do capitalismo em meio a uma Rússia czarista feudal , ou seja, a revolução socialista visava aproximar-se de um capitalismo triunfante.

Já para o holandês Anton Pannekoek, a Rússia stalinista praticava um socialismo de estado, uma vez que o estado era o único empresário; e também praticava o capitalismo de estado, uma vez que os trabalhadores não são donos dos meios de produção e são objetos de uso.

Encerrando esta lista de teóricos marxistas que se mostraram contra este estatismo centralizador de Stálin está o alemão Otto Rühle. Ele acreditava que as tendências teóricas, tanto de Lênin, como de Stálin, levariam a um regime burguês para servir como primeiro modelo ao totalitarismo fascista. Para ele, a luta contra o fascismo deveria começar pela luta contra o bolchevismo.

Analisando o significado da palavra socialismo, os ideais defendidos por Marx e o governo que se instaurou na URSS com Stálin, podemos concluir que o imperialismo econômico estava mais enraizado na economia “socialista” do que se esperava.

Em suma, o Estado Soviético tinha o monopólio de todos os meios de produção, praticava cartel, ou seja, fixava preços e quotas de produção, e além disso, manipulava a grande massa trabalhadora da linha de produção até o discurso ideológico, sem contar as atrocidades as quais os opositores tinham de passar nos campos de trabalho forçado, na Sibéria.

Grandes Economistas II

John Maynard Keynes ( 1883-1946 )

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Keynes contesta as hipóteses liberais  de que as forças de mercado conduzem ao equilíbrio econômico.

Segundo Keynes, as crises ocorrem quando o investimento na economia não é suficiente para garantir o pleno emprego da força de trabalho existente.

Para Keynes, a crise deve ser combatida com o aumento dos gastos públicos, com o objetivo de suprir a deficiência de demanda do setor privado, o que viria a diminuir o desemprego.

Na prática , sua política econômica persegue o pleno emprego por meio da criação de frentes de trabalho, mecanismos de controle de crédito, além da fixação de salários mínimos e limitação da jornada de trabalho. Além dele ser a favor da ampliação de modernos sistemas previdenciários.

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‘Cenário no qual as idéias de Keynes ganham importância’


A expansão do crédito bancário, a especulação financeira no EUA e a superprodução deflagraram uma grave crise econômica, que chegou ao auge com a quebra da Bolsa de Nova York. Mais de 9 mil bancos e 85 mil empresas decretaram falência e a cotação das ações caíram em média 85% entre 1929 e 1932.

A redução de salários chegou a 60% e o desemprego atingiu 13 milhões de norte-americanos. A crise ganhou dimensão mundial com a diminuição do crédito dos EUA a outros países e a elevação das tarifas alfandegárias dos norte-americanos, que provocaram retração no comércio internacional.

No auge da crise provocada pela quebra da Bolsa de Nova York, Franklin Roosevelt assumiu a presidência dos EUA e lançou o New Deal ( Novo Acordo ), programa de reformas econômicas e sociais. Influenciado pelas idéias de John Maynard Keynes, Franklin Roosevelt criou frentes de trabalho, mecanismos de controle de crédito e um banco para financiar as exportações.

Entre outras medidas, fixou salários mínimos, limitou a jornada de trabalho e ampliou o sistema de Previdência Social.

Em 1937, o número de desempregados nos EUA havia sido reduzido pela metade, e a renda nacional, crescido 70%.

Grandes Economistas

Adam Smith  ( 1723 – 1790 )adam-smith

Economista britânico, que defendia que a teoria do valor era oriundo do “trabalho”.

Ele defende o combate aos monopólios públicos e privados, além de  defender a não-intervenção do estado na economia e a sua limitação as funções públicas de manutenção da ordem, da propriedade privada e da justiça.

Ele crê que a liberdade de negociação do contrato de trabalho entre patrões e  empregados é vital, e também defende o livre comércio entre os povos.

Para Smith, as ações de indivíduos agindo em seu próprio interesse, ao se somarem, formariam uma mão invisível que conduziria a economia pelo bom caminho do crescimento e da estabilidade.

Segundo Smith, a divisão do trabalho é necessária, porque com a divisão das atividades em uma manufatura, tenderemos a ter um aumento na escala produtiva.

Para ele , quando um mercado é reduzido, não é certo dedicar-se a uma única ocupação, novos mercados consumidores devem ser desbravados.

Para Smith, o trabalho é a medida do valor de troca de todas as mercadorias, onde cada atividade será valorizada segundo seu grau de dificuldade e sabedoria.

Ele trata  a quantidade de trabalho para fabricar um bem e a quantidade de trabalho necessária para comprá-lo como iguais.  Ele também conclui,  que a acumulação de capital antecede à divisão do trabalho, fazendo com que haja aprimoramento das forças produtivas, e assim ocorra um constante processo de  acúmulo de capitais.

David Ricardo ( 1772 – 1823 )

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Segundo o economista britânico, o capital pode ser classificado como  circulante ou fixo. O capital circulante pode girar ou voltar à aquele que o aplica, em períodos muito desiguais.

Exemplo: O trigo comprado por um lavrador para semente (plantio), é um capital fixo. Enquanto o trigo comprado pelo padeiro para fazer pão, é um exemplo de capital circulante. ( O padeiro pode transformá-lo em farinha, vendê-lo como pão e em curto período terá capital livre para repetir o que fez. )

Para Ricardo, sendo invariável a quantidade de trabalho, o aumento de seu valor promove uma diminuição no valor de troca das mercadorias em cuja produção se emprega capital fixo.

Quando a questão é a quantidade de trabalho,  Ricardo conclui que ele deve ser estimado pelo seu valor real, ou seja, a quantidade de trabalho mais o capital empregado para produzir a mercadoria mais o tempo para colocar o bem no mercado. Sendo que, os proprietários de terra viverão de renda da terra, os trabalhadores assalariados, de salários, e os arrendatários capitalistas, de lucros do capital.

Na Teoria das Vantagens Comparativas, ele demonstrou que duas nações podem beneficiar-se do comércio livre, mesmo que uma nação seja menos eficiente na produção de todos os tipos de bens do que o seu parceiro comercial .

Cada nação deve buscar seu bem estar econômico, dando prioridade ao que há de mais competitivo em sua economia.