O OBJETIVISMO ABSTRATO SEGUNDO MIKHAIL BAKHTIN: “Intransponibilidade com o subjetivismo idealista.” – Mas qual destas vertentes prevalece hoje? – por Moacir Pereira Alencar Junior

Este artigo busca fazer uma análise do:

  • subjetivismo “idealista” e do objetivismo “abstrato” a partir do capítulo 4 da obra “Marxismo e Filosofia de Linguagem” do filósofo russo Mikhail Bakhtin (1895 – 1975).

Introdução

Na filosofia de linguagem e nas demais divisões metodológicas correspondentes da lingüística geral, encontraremos em destaque duas orientações principais que tem como objetivo isolar e delimitar a linguagem como um objeto de estudo específico: o subjetivismo idealista e o objetivismo abstrato.

Subjetivismo Idealista –

‘Bakhtin e o sócio-interacionismo’

Esta tendência tem como prioridade o ato da fala , de criação individual, como fundamento da língua. Nesta tendência a língua é análoga às outras manifestações de caráter ideológico, principalmente nos domínios da arte e da estética , todos os fatos da língua , sem exceção, tem como meta buscar uma explicação fundada na psicologia individual sobre uma base voluntarista, base esta que postulou o livre arbítrio na base do psiquismo.

Os adeptos do subjetivismo consideram a língua como constituinte de um fluxo ininterrupto de atos da fala, onde nada permanece estável, nada conserva sua identidade. Em suma, a palavra representa o signo por excelência. Sendo o signo responsável pelas atribuições de valores que promovem a humanização dos objetos. Deste modo a palavra acompanha e comenta todo ato ideológico.

Objetivismo Abstrato

Esta tendência vê cada enunciação, cada ato de criação individual como único e não reiterável. Em cada enunciação encontram-se elementos idênticos aos de outras enunciações no seio de um determinado grupo de locutores, ou seja, estes traços são normativos para todas as enunciações, garantindo a unicidade de uma determinada língua e sua compreensão por todos os locutores de uma comunidade.

Nesta concepção objetivista, o sistema linguístico completamente independe de todo ato de criação individual , de toda intenção ou desígnio. Assim como uma criança, a língua sobre pressão do meio onde desenvolve-se, tendendo a ser moldada à sua imagem e semelhança. Portanto a língua é independente de toda ação individual, assim como um fenômeno social, normativo para cada indivíduo.

Saussure na lingüística e Durkheim na sociologia : Exemplos de pensamentos linguísticos e sociológicos divergentes aos de Mikhail Bakhtin.

Bakhtin busca defender que as relações sistemáticas, que existem entre duas formas lingüísticas no sistema (em sincronia) , nada têm de comum, com as relações que unem qualquer destas formas à sua imagem transformada no estágio posterior da evolução histórica da língua. Para ele um evento torna-se um fenômeno de massa a partir de um erro individual, originando uma norma lingüística. A lógica da história da língua é portanto a lógica dos erros individuais ou dos desvios. A lógica da língua não é absolutamente a da repetição de formas identificadas a uma norma, mas sim uma renovação constante , a individualização das formas em enunciações estilisticamente únicas e não reiteráveis.

Portanto a passagem de uma forma histórica a outra se efetua , na essência, nos limites da consciência individual.

A vertente objetivista, que tem Saussure como um dos principais representantes, já vê a língua como um sistema estável, imutável, submetido a uma norma. A língua não é um motor ideológico; entre a palavra e seu sentido não existe vínculo natural e compreensível para a consciência , nem vínculo artístico.

Os atos individuais de fala constituem, do ponto de vista da língua, simples refrações ou variações fortuitas ou mesmo deformações das formas normativas. A influência cartesiana é clara, leva-se em conta o ponto de vista do receptor, mas não o do locutor como sujeito que exprime sua vida interior. Portanto os objetivistas, de certo modo, tem a matemática como signo por excelência, inclusive para a língua.

Durkheim considera , assim como Saussure, que a consciência coletiva não pode ser tratada como uma mera entidade de caráter metafísico que vem a ser fruto de fenômenos sobrenaturais, mas sim algo que decorre do concurso de vários indivíduos que vem a contribuir, cada um , com uma pequena parcela ao coletivo. Assim como as representações sociais , as representações lingüísticas independem do indivíduo e fazem parte da consciência coletiva.

Essa consciência transcende a consciência individual, pela sua exterioridade e pela pressão que exerce sobre ela.

Conclusões

Na atualidade é complexo afirmar qual destas vertentes prevalecem, tanto no meio sociológico como linguístico. Ambas as vertentes trazem respostas que fazem com que a aplicabilidade das mesmas sejam aceitas e interpretadas de modo coeso e consistente em nosso contexto sócio-cultural, nas mais variadas temáticas.

Considerar uma como antítese e outra como tese seria algo que rompe com premissas  já consolidadas,afinal, será a união destas duas vertentes que produzirá uma síntese.

Dom Hélder Câmara (1909 – 1999)

02-09_CentenarioDomHelderCamara

Conhecido internacionalmente pela defesa dos direitos humanos durante o regime militar do Brasil , o cearense Dom Hélder Pessoa Câmara destacou-se como um dos responsáveis por incluir a problemática da desigualdade social na atuação da Igreja Católica no país.

Entre as várias iniciativas que criou ou de que participou ativamente , estão a Cruzada São Sebastião ( voltada para a questão de moradia da população carente ) e as Comunidades Eclesiais de Base. Em 1962, participou do Conselho Nacional de Reforma Agrária do Governo João Goulart.

Foi idealizador da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB ) , foi nomeado arcebispo de Olinda e do Recife em 1964. Foi uma das principais vozes de denúncia das violações e desmandos cometidos durante a ditadura militar.

assista aqui: Dom Hélder Câmara – um homem  inesquecível

“11 de setembro” – Este dia tem História na América. – PARTE 2 (2001) – EUA

Em 11 de setembro de 2001, exatos 8 anos, os Estados Unidos da América sofreram um atentado terrorista sem precedentes, com a destruição das torres do World Trade Center , em Nova York, e de uma das alas do Pentágono (o centro administrativo das Forças Armadas), em Washington, por 19 extremistas islâmicos.

World Trade CenterOs terroristas sequestraram aviões comerciais norte-americanos e os utilizaram como mísseis em missões suicidas. No total, os ataques causam cerca de 3 mil mortes.

Os atentados são atribuídos à rede terrorista Al Qaeda, liderada pelo milionário saudita Osama Bin Laden, que vivia no Afeganistão, sob a proteção do regime local, o Taliban.

A recusa das autoridades afeganes em entregar Bin Laden levam os EUA e o Reino Unido a atacarem militarmente o país. O regime Taliban é deposto em novembro de 2001. Os EUA ocupam o Afeganistão, mas não conseguem capturar Osama Bin Laden.

Notícias de 11 de setembro de 2001 podem ser vistas neste vídeo:

DOUTRINA BUSH

A luta contra o terrorismo tornou-se elemento central da política do governo Bush. Internamente, a necessidade de aumentar os dispositivos de segurança leva Bush a propor uma lei, conhecida como Patriotic Act (Lei Patriótica), que foi aprovada em outubro de 2001 pelos congressistas.

Essa legislação possibilitou, entre outras coisas, que pessoas suspeitas de vinculação com grupos terroristas fossem detidas por longos períodos. A medida recebe críticas de entidades de defesa dos direitos humanos.

Na sequência, vem a público a existência de uma ordem secreta de Bush, emitida em 2002, que autorizou o monitoramento de dados de telefonemas de cidadãos norte-americanos, sem a necessidade de decisão judicial para tanto.

Em 2002, Bush definiu diretrizes relativas ao combate antiterrorista, que ficaram conhecidas como Doutrina Bush. Preveu-se por exemplo, o uso de força contra qualquer país que pudesse vir a ameaçar a segurança norte-americana, de maneira unilateral ( sem necessidade de consulta aos aliados ) e preventiva.

O orçamento militar cresceu de forma expressiva, o que tornou-se o principal fator de aumento do déficit público do país a partir de 2002.

GUERRA AO IRAQUE

Bush denunciou, no mesmo ano, a existência do eixo do mal, formado por Iraque, Irã e Coréia do Norte, nações acusadas de produzir armas nucleares e de patrocinar o terrorismo. Saddam Hussein, então presidente iraquiano, negou que seu país possuisse armas.

Os EUA tentaram aprovar na ONU a autorização do uso da força contra o Iraque, mas enfrentaram a oposição russa, francesa, alemã e, com menos ênfase, a chinesa. Os EUA e o Reino Unido decidiram ir à guerra mesmo sem a permissão da ONU.

Em março de 2003, milhares de soldados norte-americanos e britânicos invadiram o Iraque e em menos de um mês derrubaram o regime. As forças de ocupação foram autorizadas pela ONU a permanecer no país, mas tornaram-se alvos de campanha sitemática de guerrilhas e atentados. A presença de mais de 160 mil soldados norte-americanos não consolidaram o controle sobre o país. Por outro lado, a ocupação do Iraque permitiu o acesso dos EUA ao petróleo iraquiano, além de abrir caminho para que multinacionais norte-americanas lucrassem com as obras de reconstrução do país.

Em outro revés para a imagem do governo Bush, uma comissão parlamentar que investigava os atentados de 11 de setembro de 2001 concluiu que não havia provas de vínculos entre o regime de Saddam Hussein e a Al Qaeda. Essa conclusão derrubou uma das principais justificativas de Bush para a invasão iraquiana.

Do mesmo modo, não acharam-se indícios das armas de destruição em massa que supostamente o governo iraquiano possuiria. Isto não impediu Bush de ser re-eleito em 2004 e dar continuidade as leis de tortura, que desobedeciam a Convenção de Genebra.

“11 de setembro” – Este dia tem História na América. – PARTE 1 (1973) – CHILE

moneda_palace_in_santiagoSalvador Allende, da Unidade Popular (aliança de socialistas, comunistas e cristãos de esquerda) elegeu-se presidente do Chile em 1970, com 34% dos votos.

Seu governo nacionalizou mineradoras, algumas companhias multinacionais, entre elas mineradoras norte-americanas, e passou a ser alvo de uma campanha de desestabilização promovida pelos Estados Unidos (EUA).

Um golpe militar, há exatos 36 anos, poria fim ao seu governo. Allende foi deposto após um ataque ao Palácio Presidencial de la Moneda em 11 de setembro de 1973.

“Versões sobre a morte de Allende são paradoxais”

Há duas versões aceitas sobre a morte de Allende: uma é que ele se suicida no Palácio de La Moneda, cercado por tropas do exército, com a arma que lhe fora dada por Fidel Castro; a outra versão é que ele foi assassinado pelas tropas invasoras. Sua sobrinha Isabel Allende Llona é uma das que acreditam que seu tio foi assassinado. A filha do Presidente, a deputada Isabel Allende, declarou que a versão do suicídio é a correta. Allende foi inicialmente enterrado numa cova comum, num caixão com as iniciais “NN”. Com o término da ditadura de Pinochet, Allende teve um funeral com honras militares, em 1990.

allende e pinochet

Pinochet e Allende

O general Augusto Pinochet assumiu o poder, chefiando uma junta militar que dissolveu os partidos políticos e iniciou um período de censura à imprensa e de repressão aos oposicionistas. A violência da ditadura deixou milhares de mortos, desaparecidos e exilados.

Mais sobre 11 de setembro de 1973 , em um paralelo aos atentados de 2001, nos EUA, podem ser vistos neste documentário do ano de 2002.

( legendado em português )

O MARXISMO NA FILOSOFIA DE LINGUAGEM: “A infra-estrutura como determinante de uma boa superestrutura.” – por Moacir Pereira Alencar Junior

Este artigo busca fazer uma síntese do:

  • Capítulo 2 da Obra “Marxismo e Filosofia de Linguagem”- do filósofo russo Mikhail Bakhtin (1895 – 1975), que tem como título :

“A relação sobre a infra-estrutura e as superestruturas.”

  • Além de tentar demonstrar o papel da infra-estrutura nas superestruturas da atualidade.

Introdução

No século XIX , Karl Marx (1818-1883) daria origem ao materialismo histórico, que foi proposto pela primeira vez em “A ideologia alemã ”, no ano de 1847, e que viria a ser corporificado no ano seguinte com o “Manifesto do Partido Comunista”. Deste modo, Marx tentava defender abertamente uma visão de mundo e um programa de caráter político que buscava romper com as fantasias, segredos e conspirações das organizações sociais vigentes.

Marxismo segundo Marx

Para Marx, em “A produção da Consciência”, a emancipação do indivíduo se dava na medida que a História se transformasse completamente em História Universal. A verdadeira riqueza espiritual do mundo, segundo Marx, dependeria plenamente da riqueza de suas relações reais, ou seja, todos os indivíduos teriam condições de adquirir uma capacidade de usufruir de toda a produção universal em todas as esferas do conhecimento. Porém a dependência universal fazia com que a sociedade fosse vista na qualidade de sujeito, como algo subjugado , dependente de diversos fatores. Um indivíduo único realizava o mistério de gerar a si mesmo. Porém, os indivíduos criavam-se ‘uns aos outros’ no ponto de vista físico e espiritual , mas não criavam-se a si próprios ( homem feito “ele” próprio ).

Ciência e Ideologia

Karl Marx imaginava que não havia como tentar dissociar a ciência da ideologia , pois para ele , ideologia fazia parte da ciência. Segundo ele, ciência só é ciência porque explica os objetos tais como eles são, porém o conhecimento não poderia ser considerado como sendo neutro, já a política era determinada pela luta de classes.

Mikhail Bakhtin e o Marxismo segundo uma filosofia de linguagem

Bakhtin defende que tudo que é ideológico possui um significado e remete a algo situado fora de si mesmo. Ou seja , Bakhtin crê que tudo que é ideológico é um signo , sendo que o domínio dos signos é a esfera ideológica.

Bakhtin também ressalta que a consciência individual não é o arquiteto das superestruturas ideológicas , mas apenas um dos inquilinos da edificação social dos signos ideológicos. Por conseqüência , a materialização da comunicação obedece a uma idéia na qual o “todo será sempre maior do que a soma das partes associadas”. E nesta filosofia de linguagem ,a palavra será a protagonista , o fenômeno ideológico por excelência.

O material privilegiado da comunicação na vida cotidiana é a palavra. A palavra acompanha e comenta todo ato ideológico,ela está presente em todos os atos de compreensão e em todos os atos de interpretação.

É graças a palavra que a consciência desenvolve-se de modo flexibilizador e passível de expansão. A palavra é capaz de registrar de modo único as fases transitórias mais íntimas e mais efêmeras das mudanças sociais.

Partindo de um ponto de vista sócio-interacionista podemos destacar milhares de processos de relações sociais que vêem se marcados pelo horizonte social de uma época e de um grupo social pré-estabelecido ou determinado.

Buscando analisar a filosofia de linguagem em nosso contexto atual segundo uma ótica marxista, com sua metodologia estruturada na dialética, com ênfase nas contradições internas e na mutação constante de um determinado grupo social ou conteúdo, buscarei retratar um exemplo sócio-interacionista de nossa atualidade para melhor destacar as funções das infra-estruturas e das superestruturas em nosso cotidiano.

Como a infra-estrutura pode impedir o funcionamento de uma superestrutura? – Um exemplo nas relações sociais.

A infra-estrutura de um a corporação capitalista precisa estar totalmente sustentada em um tripé que tem como bases: a intensificação do trabalho, a produtividade e a economicidade.

Apenas o processo de intensificação do trabalho não é sinal de garantia de sucesso para o empreendimento do capitalista. O processo de intensificação do trabalho pode ser desgastante para o funcionário, que ao trabalhar extra e produzir a mais-valia não necessariamente manterá a mesma qualidade em produzir na linha de montagem, lembrando que, cada funcionário exerce um papel específico na linha de montagem, sendo que, uma falha individual desencadeará danos em toda a superestrutura da corporação, já que a produtividade é comprometida e acarreta uma perda de capital cumulativo, ou seja, ocorre uma reação em cadeia negativa, de grandes proporções.

Outro exemplo, que pode ser considerado quase impraticável na realidade, é quando o capitalista passa a ter a intensificação do trabalho de seus funcionários de certa maneira tão custosa, que torna-se inviável manter a dada metodologia de trabalho praticada, já que a economicidade acaba sendo excluída do tripé que determina o bem-estar do sistema ( funcionamento pleno da superestrutura ).

A realidade ( infra-estrutura ) neste exemplo, busca determinar o signo, e este signo reflete e refrata a realidade em transformação. Merece ser destacado que este signo, só originará uma superestrutura quando o bem-estar do sistema vigorar por excelência; e quando vigorar , a realidade não corresponderá a toda infra-estrutura (intensificação do trabalho, produtividade, economicidade) , mas sim a soma de cada uma das bases de sustentação da corporação capitalista associadas, ou seja:

  • infra-estrutura = (1)+(1)+(1) = 3
  • superestrutura = (1+1+1) > 3

Conclusões

Baseando se na idéia bakhtiniana de que o estudo do signo lingüístico permite observar de maneira mais fácil e de forma mais profunda a continuidade do processo dialético de evolução que vai da infra-estrutura às superestruturas, pode-se concluir que cada signo constituído possui seu tema , ou seja, uma funcionalidade vital. Sendo que, o todo existe nas suas partes, mas uma parte só é compreensível no todo.

Neste contexto podemos concluir que a palavra é neutra em relação a qualquer tipo de função ideológica específica, conforme dizia Bakhtin. Ela tem o poder de preencher qualquer espécie das funções das idéias; tanto na estética , na ciência , na moral , como na religião.