Época sem ‘fisionomia’ – por Moacir Pereira Alencar Júnior

Democracia e Autocracia – fusionismo do presente??

Quando pensamos em uma nova figuração do mundo no século XXI, as primeiras coisas que surgem em meio ao caos são reinterpretações de fracassos sucessivos, abomináveis e totalmente desconexos dos séculos XIX e XX. Elites dirigentes momentâneas, efêmeras e sem brio, buscam reinterpretar a história e remodelar o passado.

A revolução, como conceito de ruptura, de construção do novo, é confundida com uma nova releitura do passado, leitura enviesada e repleta de anacronismos. É uma ‘revolução’ descontextualizada, com atraso secular – e por consequência –  incompatível com a nossa realidade.

A passividade ‘revolucionária’ ocidental, originou uma elite dirigente que recorre constantemente a modelos obscuros de um passado que em pouquíssimos casos resultou no sucesso. A humanidade parece viver um processo de constante sazonalidade, onde ideias que perecem de credibilidade e sustentação voltam a ser reativadas em certos momentos-estanque.

A incapacidade de construir algo promissor e revigorante em nosso presente, é fator de corrida ao passado, já que o presente demonstra-se sem fisionomia, medíocre e desinteressante.

Na Grécia – berço da democracia – assistimos ao caos das instituições que foram bases de construção da cultura ocidental. Porém, isto não significa o fim ou mesmo a desconstrução da ideia de Democracia criada por Sólon e continuada e aprimorada por Clístenes. Se analisarmos a Primavera Árabe, veremos uma quantidade notável de povos que lutam contra o absolutismo e a autocracia, buscando a conquista desta mesma Democracia que na Grécia atual apresenta um processo forte de descrença.

O mundo do Século XXI é  envolto de obscurantismos e de um fusionismo cada vez mais extremado….a tentativa de conciliar opostos descontextualizados não se soma, mas sim criam abismos cada vez mais clamorosos entre diferentes culturas.

O lema da Revolução Francesa: “Liberté Egalité Fraternité” foi tomado como palavra de ordem de diferentes povos sem se analisar conjunturas, estruturas e superestruturas. A fisionomia dos povos foi apagada, assim como as suas respectivas histórias. Coube a um grupo limitado de indivíduos a imposição de um status quo que apresenta desvarios, sombras e total perplexidade.

Como o mundo agirá a isso??

Seria a Democracia um tesouro inalcançável?? O que difere a mesma de uma autocracia??

Segundo René Char, “Nossa herança foi deixada sem nenhum testamento”….porém para outros pensadores do início do Século XX, como Franz Kafka: “O homem na plena realidade de seu ser concreto vive nessa lacuna temporal entre o passado e o futuro”

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Fernando Haddad ganha apoio de intelectuais tucanos – Jornal Folha de São Paulo

Intelectuais historicamente ligados ao PSDB decidiram nas últimas semanas embarcar na campanha do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad.

Principal adversário do ex-governador José Serra (PSDB) na eleição deste ano, Haddad conseguiu atrair dois ex-ministros do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e até acadêmicos que no passado foram ligados a Serra.

Os que admitem seu empenho na campanha petista ressaltam, no entanto, que se trata de uma adesão pessoal ao candidato, e não ao PT.

Eles citam como motivação seu respeito à produção intelectual de Haddad, que fez carreira como professor universitário antes de entrar na política, e sua trajetória no Ministério da Educação, pasta que chefiou por oito anos.

Além disso, alguns dos intelectuais manifestam descontentamento com os rumos do PSDB desde a fracassada campanha de Serra à Presidência da República em 2010. Eles acham que o tucano fez o partido dar uma guinada à direita no ano passado, ao levar para o palanque a discussão de temas como o aborto.

Um dos primeiros a se aproximar de Haddad foi o economista e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) Luiz Carlos Bresser-Pereira. Ministro da Administração no primeiro mandato de FHC e de Ciência e Tecnologia no segundo, Bresser está articulando um convite para que Haddad vá à FGV fazer uma palestra em breve.

O ex-ministro, que foi filiado ao PSDB até o ano passado e rompeu com o partido publicamente depois da campanha presidencial, conhece Serra há muitos anos. Ele tem influenciado colegas como o professor José Márcio Rego.

“Há sim uma simpatia de parte do corpo docente da FGV, vinculada ao PSDB, pelo Fernando Haddad”, disse Rego. Em 2006, ele ajudou a coletar na academia assinaturas para um manifesto para lançar Serra de novo à Presidência da República. Mas o tucano preferiu concorrer ao governo de São Paulo, e o candidato do PSDB à Presidência foi Geraldo Alckmin.

Haddad contará ainda com o auxílio da secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin. Secretária de Cultura no primeiro mandato do governador Geraldo Alckmin e ex-ministra de Administração de FHC, Costin deve colaborar com o capítulo de educação do programa de governo petista.

Costin foi convidada a dar sugestões a Haddad por Cida Perez, ex-secretária de Educação na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy em São Paulo. Nas próximas semanas, ela participará de um debate sobre educação organizado pela campanha de Haddad ao lado da socióloga Maria Alice Setúbal, que em 2010 participou da campanha da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva à Presidência.

Na USP, onde Haddad se formou em direito, fez mestrado em economia e doutorado em filosofia, colegas apontam a aproximação da cientista política Maria Hermínia Tavares de Oliveira, que sempre foi próxima dos tucanos. Procurada pela Folha, ela não quis falar sobre as eleições municipais.