A esquerda chilena não fez seu sucessor. A esquerda brasileira fará? – por Moacir Pereira Alencar Junior

Primeira mulher a ser eleita presidente do Chile, Michelle Bachelet chegou ao último ano de mandato batendo recordes de popularidade. Em outubro de 2009 seu governo foi aprovado por 80% dos chilenos, o maior índice desde a redemocratização do país em 1990.

A aceitação popular de Bachelet chegou  a ser surpreendente, levando-se em conta o conturbado início de seu mandato, em 2006, quando ela enfrentou manifestações de estudantes descontentes com a educação pública e protestos populares contra o novo sistema de transporte público.

Com o início da crise econômica mundial , Bachelet começou a reverter a situação a seu favor. Ao poupar boa parte dos lucros  obtidos com receitas de exportação de cobre, o governo acumulou US$35 bilhões só nos últimos três anos. Quando a crise chegou, em 2009, o país tinha reservas para investir em planos de estímulo à economia, com ênfase em políticas sociais para as famílias de menor renda.

Como a legislação chilena não permite a reeleição, a coalizão governista Concertación lançou o nome do ex-presidente Eduardo Frei à presidente , que terminou em segundo lugar nas eleições. Ele perdeu as eleições para Sebastián Piñera , empresário mais rico do Chile e candidato da Coalizão pela Mudança , de centro-direita.

Na Câmara , a Coalizão pela Mudança elegeu 58 candidatos contra 57 da Concertación. Já no Senado a Concertación ficou com 19 cadeiras, contra 16 da Coalizão pela Mudança.

E no Brasil?

No Brasil, Lula possui uma popularidade de 76%. Já foi reeleito (2002-2010), e indica como sua sucessora a ex-ministra de Minas e Energia (no primeiro mandato) e ex-ministra da Casa Civil (no segundo mandato), Dilma Roussef.

Será que Dilma Roussef conquistará o apoio deste eleitorado que vê em Lula um carisma único e intransferível?

A última pesquisa do Instituto DataFolha (o mesmo instituto que divulgou a alta popularidade de Lula) para presidência da República, divulgada em 17 de abril,  mostra que o candidato da oposição, José Serra (PSDB), lidera as pesquisas com 38% das intenções de voto, contra 28% de Dilma Rousseff (PT). Em seguida está Marina Silva (PV), que registrou 10%, à frente de Ciro Gomes (PSB), que pontuava 9%, mas que já está fora da corrida presidencial.

Como será o próximo cenário sem Ciro Gomes?

Em breve saberemos.