“O pergaminho de Chinon ( 1308 ) – a absolvição do Papa Clemente V aos principais membros da Ordem dos Templários” – por Moacir Pereira Alencar Júnior

Documento original formado por um grande pergaminho folio (700x580mm), inicialmente previsto com os selos do enforcamento de três legados papais que formaram a Comissão Especial Apostólica ad inquirendum ; anúncio nomeado por Clemente V; Bérenger Frédol, o cardeal Sacerdote da igreja titular da Santíssimo Nereu e Aquileu e sobrinho do papa; Étienne de Suisy, padre cardeal de São Cyriac em Thermis; Landolfo Brancacci, cardeal diácono de Santo Ângelo. Em estado razoável, embora existam algumas grandes manchas violáceas, causada pelo ataque de bactérias. O original veio junto com uma cópia simples ainda mantidos no Arquivo Secreto Vaticano, com a referência Archivum Arcis, Armarium D 218.
ASV, Archivum Arcis, Arm. D 217

O documento contém a absolvição do Papa Clemente V dada ao Grão-Mestre do Templo, Frei Jacques de Molay e aos outros chefes da Ordem, depois de terem se mostrado arrependidos e pedirem para serem perdoados pela Igreja, após a abjuração formal , que é incontornável para todos aqueles que eram mesmo só suspeitos de crimes de heresia, os principais membros da Ordem dos Templários foram reintegrados na comunhão católica e readmitidos para receber os sacramentos.O documento, que pertence à primeira fase do julgamento contra os Templários, quando o Papa Clemente V ainda estava convencido de ser capaz de garantir a sobrevivência da ordem religiosa-militar, responde à necessidade apostólica para remover a pena de excomunhão dos guerreiros frades, causada por sua negação anterior de Jesus Cristo, quando torturados pelo inquisidor francês.

As diversas fontes contemporâneas confirmam, o Papa constatou que templários foram envolvidos em algumas formas graves de imoralidade e ele planejou uma reforma radical com a  finalidade de posteriormente fundi-los em uma corporação com outra importante ordem religiosa-militar , a dos Hospitalários. O ato de Chinon, um requisito para a realização da reforma, porém permaneceu letra morta. A monarquia francesa reagiu, iniciando um verdadeiro mecanismo de chantagem, o que teria obrigado Clemente V, em seguida, tomar uma decisão final durante o Conselho de Viena (1312): não se opor à vontade do Rei de França, Filipe, o Belo, que ordenou a eliminação dos Templários. O Papa, ouvindo o parecer dos Padres conciliares,  decidiu abolir a Ordem «irreformabile norma con e perpetua» (bula Vox in excelso, 22 de março de 1312). Clemente V, no entanto, afirmou que esta decisão sofrida não constituia um ato de condenação herege, que não poderia ser alcançada com base em diferentes inquéritos realizados no ano anterior ao Conselho.

Por uma questão de fato, uma pista de regular teria sido necessária a fim de passar uma sentença, incluindo também a afirmação da posição defensiva da Ordem. Mas, segundo o pontífice, o escândalo suscitado pelas vergonhosas acusações contra os templários (heresia, idolatria, homossexualismo e comportamento obsceno) teria dissuadido alguém, de usar o hábito dos Templários e, por outro lado, uma demora de uma decisão a respeito destas questões teria produzido o desperdício de grande riqueza que os cristãos tinham oferecido à Ordem, encarregada com o dever de ajudar a lutar contra os inimigos da Fé na Terra Santa. A consideração atenta a estes perigos, em conjunto com a pressão dos franceses, convenceu o papa a suprimir a Ordem dos Cavaleiros Templários, tal como tinha acontecido no passado para muitas outras importantes ordens religiosas e por muito menos importantes razões.

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“RELAÇÕES DE SENTIDO EM INFRA/SUPER ESTRUTURAS POR BAKHTIN: O CARÁTER PÚBLICO NA UNIVERSIDADE”

Escrito por Ana Lígia Criado Suman

e-mail: ligiaspanic@yahoo.com.br

Ao lançarmos um olhar para a esfera do real que circunscreve a vida em suas mais variadas relações da vivência humana, observa-se, de modo específico, no movimento ininterrupto das transformações ocorridas no âmbito social, o papel preponderante da linguagem no que diz respeito à efetividade de tais relações em contexto de interação verbal entre os sujeitos.

É importante discernir antes de tudo para qual diretividade será concebida a palavra efetividade na presente reflexão. Pode-se pensar, voltando-se ao campo da Pragmática como a plena realização de um comunicar-se entre dois indivíduos, onde o que se fala é entendido pelo outro, desencadeando assim um diálogo comum ao cotidiano em que o agrupamento de palavras em frases direcionará tal situação comunicativa.

Por outro lado, tomaremos como perspectiva o entendimento da interação verbal numa instância que venha a superar o aspecto material-físico em que a mesma se dá, ou seja, tomaremos a manifestação verbal que mobiliza a palavra para sua condição de signicidade a partir da organização social dos indivíduos que significam os objetos do mundo de forma interindividual, não necessariamente numa relação entre o eu-outro física, mas sim ao universo de significação social constituído pelos múltiplos pontos de vista em que se refratam/multiplicam os sentidos depreendidos de determinado elemento/objeto do mundo, subvertendo a ordem do que comumente se constrói na evidência em termos de linguagem.

A partir do que foi colocado, nos sustentamos teoricamente sobre o que Bakhtin vem a desenvolver quanto aos elementos essenciais constituintes ao horizonte social dos indivíduos, no que diz respeito aos jogos de relações de significação e compreensão do mundo: a realidade e o signo. Para tal, Bakhtin propõe a problemática entre a (…) “relação recíproca entre a infra-estrutura e as superestruturas (…)” (BAKHTIN, 1999, p.41), em que, em essência, se construirá em (…) “como a realidade (a infra-estrutura) determina o signo, como o signo reflete e refrata a realidade em transformação” p.41.

Entende-se como infra-estrutura um amplo aparato social atuante de forma basilar e indispensável à vida humana em termos de sua constituição e sobrevivência, considerando por sua vez, nesse sentido, as instituições que permeiam a vivência entre as pessoas em questões diretamente ligadas às ações e produções humanas em geral, como exemplo, as escolas, universidades, igrejas, o comércio, a indústria, enfim a realidade em suas formas de organização e existência enquanto objeto material.

Em consonância a essa base estrutural tem-se a existência de uma superestrutura, alcançando essa o espaço das idéias, opiniões, pensamentos, da construção de uma perspectiva ideológica que visualize de que forma se configura o funcionamento das infra-estruturas e por qual representatividade em termos de significação ela projeta no sujeito que a constrói.

Pensando na relação intrínseca e indissociável quanto à organização mental que se estabelece em termos de mundo entre a infra/super estruturas presentes nas interações sócio-ideológicas via linguagem, assim como a possibilidade de focos diversos para as transformações e mudanças que se evidencia, um recorte é feito no real para que se possa refletir de modo incipiente, porém orientado para a compreensão do ‘como’ evidenciado por Bakhtin nas relações já mencionadas. Toma-se a universidade pública como infra-estrutura participante do real-social para se considerar o movimento que se realiza na passagem da realidade ao signo.

A universidade inserindo-se ao corpo social intelectual como veiculadora do conhecimento, responsável por propiciar meios para a formação, estabelecer e direcionar caminhos que revelem oportunidades para as mais diversas áreas de atuação profissional é, pois tomada no contexto atual como uma infra-estrutura essencial nas relações humanas em seus aspectos mais relevantes, como a formação do próprio sujeito. Destacando as que se constituem pelo caráter público dentre as numerosas instituições de ensino superior existentes, encontramos um caminho para construir o percurso de significação social relacionado a esse caráter.

Numa distinção feita por Bakhtin sobre o estabelecimento do sentido em seu valor denotativo racional, diretamente representativo, num posicionamento analítico que coloca à parte, de certa forma, a especificidade do material verbal enquanto fenômeno ideológico entende-se assim o público, em nível de infra-estrutura, em sua relação com o ensino superior, como sendo relativo a um povo ou ao povo, que serve para uso de todos, ou seja, comum, coletivo, geral, acessível, indiscriminado.

Visualizando, contudo o processo de evolução social mediado pela transformação do corpo social das universidades públicas em signo, ou seja, tomando forma numa projeção de pensamento do universo ideológico, apresentam-se as mesmas (re) significadas em tal instância não por operação dedutiva, mas pelas etapas da transposição do fenômeno sócio-ideológico em natureza dialética.

Instaura-se a partir disso um litígio entre a dupla face do signo público em movimento dialético que, a partir de uma luta não mais entendida nos extremos de grupos ou classes sociais, mas sim na disputa discursiva, — esta em tentativa dominante de harmonizar a influência mútua entre as modificações mais aceleradas pela esfera infra para as mudanças graduais e lentas no espaço ideológico da super — vem assim a explicar o mundo nesse recorte de forma a velar, ou melhor, subverter a ordem do caráter público referido às universidades pelo viés da aceitação dialética em que o ‘para todos’ se apresenta com sentido concebido num campo semântico de restrição, limitação, reserva, exceção, delimitação, dada as relações contraditórias que se manifestam em tal confronto de interesses sociais por intermédio da linguagem na produção discursos e suas refrações de sentidos.

Tomando por fim a importância da análise do material verbal para que se possam entender as mais diversas subversões no plano real, reconstruindo-as e, de certa forma aceitando-as, acomodando-se diante dos percursos e direções tomados no mantimento de uma ordem que se legitima em suas práticas discursivas, contrapondo-se, contudo, em incoerências na essência ideológica, evidencia-se a condição inseparável do signo, como abordado em Bakhtin, quanto a sua ubiqüidade social presente nas relações/interações assim como a sua dialética interna, interferindo de modo incisivo em suas orientações de significação determinantes, relacionadas às problemáticas envoltas nos princípios que abarcam as explicações do mundo sócio-histórico-ideológico em transmissão do que se pensa ou se compreende como sujeito atuante em contato com as transformações e criações ideológicas contínuas.

Referência:

BAKHTIN, Mikhail. A relação entre a Infra-estrutura e as Superestruturas. In: Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico da linguagem. 9 ed. São Paulo: Hucitec, 1999.

“34 anos sem Francisco Franco. E cerca de 30 anos sem o Franquismo na Espanha.” – por Moacir Pereira Alencar Junior

Em 1923, um golpe militar do general Primo de Rivera deu início a um governo de coloração fascista, que reprimiu manifestações operárias e reivindicações regionais.

Em 1931, o rei foi deposto e a República,proclamada. A Frente Popular, aliança entre republicanos, socialistas e comunistas, ganhou as eleições de 1936. Em seguida o general Franco lideraria um levante militar contra o governo, apoiado pela Igreja e pela oligarquia rural. Iniciou-se violentos combates entre milícias populares – lideradas por anarquistas, socialistas e comunistas – e o Exército.

A guera civil durou até 1939 e ganhou dimensão internacional. Os republicanos contavam com o apoio da União Soviética (URSS), que enviava armas e organizava as Brigadas Internacionais, com milhares de voluntários comunistas de 50 países. Os franquistas receberam apoio dos governos da Alemanha (Adolf Hitler) e Itália (Mussolini) que mandavam tropas e aviões. Perto de 1 milhão de pessoas morreram no conflito. A vitória dos militares levou à ditadura de Francisco Franco.

Franco, apoiado pelo Exército, instituiu um regime de partido único, em que exerceu os poderes Executivo e Legislativo, e controlava o Judiciário. Manteve o país fora da II Guerra Mundial, mas enviou soldados para ajudar os nazistas na invasão da URSS. Em 1947, o ditador restaurou a Monarquia e passou a ser regente vitalício. Em 1969, nomeou como seu sucessor o príncipe Juan Carlos , neto do antigo rei Alfonso XIII.

No período franquista, a Espanha se isolou do restante da Europa, mas a ajuda financeira e militar dos EUA, proporcionou relativo progresso econômico a partir dos anos 1960.

Com a morte de Franco (há exatos 34 anos), em 22 de novembro de 1975, foi coroado o rei Juan Carlos I, e iniciou-se o processo de redemocratização. Em 1977, foram realizadas as primeiras eleições livres do país desde 1936, que foram vencidas pela União de Centro Democrático (UCD), partido do primeiro-ministro Adolfo Suárez. Um plebiscito realizado em 1978, aprovou a nova Constituição, que instituiu a monarquia parlamentar e restabeleceu a liberdade partidária e sindical no país.

“EMPIRISMO”

John Locke (1632-1704) - o fundador do Empirismo

Nome genérico das correntes filosóficas em que o conhecimento é visto como resultado da experiência, sendo aceitas apenas verdades que possam ser comprovadas pelos sentidos. Rejeita os enunciados metafísicos – baseados em conceitos que extrapolam o mundo físico – , em razão da impossibilidade de teste ou controle.

A noção de gravidade, por exemplo, faz parte do mundo sensível; já o conceito de bem seria do mundo metafísico. O Empirismo provocou revolução na ciência. Partindo da valorização da experiência, o conhecimento científico, que antes se contentava em contemplar a natureza, passou a querer dominá-la, buscando resultados práticos.

O inglês John Locke (1632-1704) é considerado o fundador da Escola Empirista. No século XVIII, o principal nome é do escocês David Hume (1711-1776).

No empirismo contemporâneo, também chamado de positivismo lógico, destacava-se o austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951).

“ESCOLA DE FRANKFURT”

Juergen Habermas - um dos últimos remanescentes da Escola de Frankfurt ainda vivos

Grupo de pensadores alemães que, no século XX, se dedicou a reflexões e críticas sobre a razão , a ciência e ao avanço do capitalismo. Eles consideravam a racionalidade tecnológica do mundo moderno uma nova forma de dominação cultural.

Influenciados pelas idéias de Karl Marx (1818-1883) e Max Weber (1864-1920) , esses filósofos contrapõem-se ao funcionalismo de Émile Durkheim (1858-1917), que concebe a sociedade como um organismo com funções específicas, desconsiderando o processo histórico.

Entre os expoentes da Escola de Frankfurt destacaram-se Walter Benjamin (1892-1940), Theodor Adorno (1903-1969) e, mais tarde,  Jürgen Habermas (1929 -).