Guerra do tráfico contra o Estado do Rio mobiliza Plenário do Senado

A onda de violência que atingiu diversas áreas da cidade do Rio de Janeiro nos últimos dias está preocupando os senadores, que ocuparam a tribuna para sugerir medidas que possam pacificar a cidade a médio e longo prazo. Os parlamentares também apoiaram o governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, nas medidas que vem adotando no sentido de tornar a presença da polícia permanente nas favelas da capital fluminense.

A implantação do projeto Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), do governo estadual, provocou uma reação violenta dos traficantes de drogas, a quem a presença efetiva da polícia nas favelas não interessa. Juntamente com a implantação das UPPs – projeto da área de segurança – o governo do Rio de Janeiro pretende também ampliar nas favelas o atendimento nas áreas de saúde, educação e lazer, aumentando, portanto a presença do Estado em setores em que sua ausência abria espaço para a atuação do tráfico.

Em pronunciamentos nesta quinta-feira (25), os senadores Francisco Dornelles (PP-RJ), Alvaro Dias (PSDB-PR), Mão Santa (PSC-PI), Pedro Simon (PMDB-RS) e Magno Malta (PR-ES) manifestaram sua preocupação com a situação que vem enfrentando a cidade do Rio de Janeiro.

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UFSCar espera pela Avaliação do ConsUni para por em ação o projeto do “Campus Rural Lagoa do Sino”

O Conselho Universitário da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) deverá analisar no próximo mês a proposta de implantação de um novo campus da Universidade, no município de Buri, a 130 quilômetros de Sorocaba.

O projeto, denominado “Campus Rural Lagoa do Sino”, foi motivado pela possibilidade de doação de uma área de 643 hectares, na qual funciona uma fazenda de produção de grãos de propriedade do escritor Raduan Nassar, autor de obras como “Lavoura Arcaica” e “Um Copo de Cólera”. Além do terreno, a doação inclui os equipamentos e as instalações da propriedade, como tratores, colheitadeiras e silos de armazenagem.

“Fomos informados da possibilidade de doação pelo Ministério da Educação, pelo fato de sermos a Instituição Federal de Ensino Superior localizada no interior do Estado de São Paulo”, afirmou o reitor da UFSCar, Targino de Araújo Filho. “Com uma equipe da Universidade visitamos o local, conhecemos seu proprietário e montamos a comissão que elaborou o projeto para a apreciação do Conselho Universitário. Apesar do curto espaço de tempo, aceitamos o desafio justamente pela oportunidade de inovação nas atividades de ensino, pesquisa e extensão que a área inspira”, disse.

A Fazenda Lagoa do Sino está localizada na região administrativa de Sorocaba, perto dos municípios de Campina de Monte Alegre, que tem 6 mil habitantes, e Buri, com 19 mil habitantes. Próxima ao Vale do Ribeira, a região é considerada uma das mais pobres do Estado e, também, do País. Apesar de alguns municípios bastante industrializados, a maior parte das cidades da região tem economia voltada principalmente para a pequena agricultura.

A comissão responsável pela proposta sugere, para a primeira etapa de implantação, a criação dos cursos de graduação em Engenharia Florestal, Agronomia, Engenharia de Produção Agroindustrial, Economia e Geografia. Em uma segunda etapa, a proposta é de criação dos cursos de Matemática, Química, Física, Biologia, Administração, Sociologia e Pedagogia. Na pós-graduação, a proposta é de criação de cursos nas áreas de Gestão Ambiental, Gestão da Produção e Ciência Florestal. No entanto, todas essas sugestões podem ser alteradas após a apreciação do ConsUni.

Outro ponto importante do projeto apresentado é a recomendação de criação de grupos de trabalho para acompanhamento da implantação. Um dos grupos sugeridos é o de “Produção e Comercialização”, com o objetivo de estudar as alternativas para manter a produção da Fazenda Lagoa do Sino. Outro grupo deve ter a atribuição de acompanhar e assessorar a elaboração dos projetos pedagógicos. O terceiro grupo de trabalho é o de “Promoção da articulação institucional”, visando consolidar a relação com os demais campi da UFSCar e com organizações públicas e privadas dedicadas às temáticas do desenvolvimento rural, segurança alimentar, agricultura familiar e sustentabilidade.

Superior Tribunal Militar libera acesso de jornal a processo de Dilma

Na ditadura militar, processo levou à prisão da presidente eleita.
Com decisão, jornal poderá consultar autos e fazer cópias.

O Superior Tribunal Militar (STM) liberou nesta terça-feira (16) o acesso do jornal “Folha de S.Paulo” ao processo que, durante a ditadura militar, levou à prisão a presidente eleita, Dilma Rousseff. Por 10 votos a 1, o plenário concedeu o pedido feito pelo jornal, que havia sido impedido de conhecer os autos.

Com a decisão, o jornal poderá consultar e fazer cópias do processo, mas somente após a publicação da decisão no “Diário da Justiça”, o que deve ocorrer na próxima segunda (22).

A advogada da “Folha de S.Paulo”, Tais Gasparian, lamentou que a decisão tenha saído apenas depois das eleições. “Foi uma vitória da sociedade, mais que uma vitória da ‘Folha de S.Paulo’. Esses documentos históricos jamais poderiam ser subtraídos. É lamentável que o pedido tenha sido deferido pós eleições”, disse.

O julgamento sobre o caso havia sido interrompido em 19 de outubro, com placar de 2 votos a 2, por um pedido de vista da Advocacia-Geral da União (AGU). Segundo o coordenador de Assuntos Militares da AGU, Maurício Muriack, a União deveria ter sido citada na ação.

O relator do caso no STM, ministro Marcos Torres, foi o único a votar contra o acesso do jornal aos autos. Ele entendeu que isso fere o direito à privacidade da presidente eleita. Segundo o ministro, não houve pedido de autorização a Dilma para ter acesso ao processo.

No início do julgamento, Torres propôs que fossem citadas na ação também a presidente eleita e outras 71 pessoas envolvidas no processo, instaurado durante a ditadura militar. A sugestão foi rejeitada pela maioria dos ministros.

O ministro relator citou ainda em seu voto a legislação que trata do acesso a arquivos públicos e que, segundo ele, justifica o sigilo do processo no caso.

“Acho que só com o consentimento dela [Dilma Rousseff] e dos outros deverá haver o afirmativo ou não para que seja reproduzido ou colocado à sociedade [o processo]”, afirmou o relator.

A maioria dos ministros, no entanto, entendeu que o acesso do jornal ao processo deve ser irrestrito, até porque os autos já estiveram disponíveis por anos nos arquivos militares.

“Uma pessoa que deseja servir a Pátria como homem ou mulher pública não pode desejar que fatos históricos relacionados à sua vida sejam subtraídos da informação do povo. Assim como não pode subtrair do público fatos personalíssimos de sua vida, como a saúde”, afirmou o ministro José Coêlho Ferreira.

A ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha deferiu em parte o pedido do jornal. Ela sugeriu que fosse mantido o sigilo apenas de alguns trechos de 3 dos 15 volumes do processo. Segundo ela, é importante preservar relatos degradantes de torturas sofridas pelos envolvidos.

Para o ministro Cerqueira Filho, a imprensa deve utilizar as informações do processo com responsabilidade. “[Negar o acesso] é voltarmos ao período das cavernas, é conduzir a humanidade às trevas. No momento, a solicitação tem relevância política, e os impetrantes terão o discernimento de não atingir a honra e a imagem das pessoas. Que se abram os arquivos”, disse.

FARC SALUDA ELECCIÓN DE DILMA A LA PRESIDENCIA DE BRASIL

Para todos nuestros lectores en todo el mundo mensaje conocido por ANNCOL en el día de hoy:

Compatriota

DILMA ROUSSEFF

Presidenta electa del Brasil

Desde las montañas de Colombia, nuestro saludo cordial, bolivariano, con anhelo de Patria Grande.

Permítanos adherimos a la justificada alegría del gran pueblo de Luis Carlos Prestes, ante el hecho relevante de tener, por primera vez en la historia del Brasil, una presidenta; una mujer ligada siempre, a la lucha por la justicia.

Presidenta Dilma, para usted, nuestro aplauso y reconocimiento.

Su exaltación a la presidencia de la República Federativa, sumada a su pública convicción de la necesidad de una salida política al conflicto interno de Colombia, ha centuplicado nuestra esperanza en la posibilidad de alcanzar la paz por la vía del diálogo y la justicia social.

Estamos seguros que la nueva presidencia del Brasil jugará papel determinante en la aclimatación de la paz regional y en la hermandad de los pueblos del continente.

De usted, atentamente,

Secretariado del Estado Mayor Central de las FARC-EP

Montañas de Colombia, Noviembre 1 de 2010

Ministro Fernando Haddad diz que, se liminar não cair, novo Enem será em 2 ou 3 meses

Justiça mandou marcar uma nova prova para 3,5 milhões de estudantes.
MEC tenta anular ordem e fazer exame só para prejudicados em dezembro.

O Ministério da Educação espera fazer nos dias 4 e 5 de dezembro a nova prova no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para os estudantes prejudicados pelos problemas durante a aplicação do exame no último final de semana, caso consiga derrubar a liminar que determinou a suspensão do exame. Se não conseguir derrubar a liminar, o MEC informou nesta quinta-feira (11) que um novo exame só poderia ser aplicado em 60 a 90 dias.

O exame foi suspenso por determinação da Justiça Federal no Ceará, na segunda-feira (8), a pedido do Ministério Público Federal. Cadernos da prova tiveram páginas encadernadas fora de ordem e misturadas a outras provas. Também houve inversão de cabeçalhos de resposts no primeiro dia do exame, realizado no fim de semana dos dias 6 e 7

Nesta quinta, o ministro da Educação, Fernando Haddad, recebeu representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira de Estudantes de Secundaristas (Ubes) para conversar sobre os problemas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Segundo o represetante da Ubes, Yann Evanovick, Haddad pediu desculpas sobre os problemas no Enem e também pelo comentário publicado no microblog da assessoria de comunicação do MEC durante a prova, que dizia: Alunos q já ‘dançaram’ no Enem tentam tumultuar com msgs nas redes sociais. Estão sendo monitorados e acompanhados. Inep pode processá-los.”

O comentário se referia a estudantes que publicaram comentários e imagens direto da sala onde a prova estava sendo realizada. Segundo o presidente da UNE, Augusto Chagas, o ministro pediu desculpas aos estudantes e se comprometeu a fazer uma retratação pública.

“O ministro disse que fará um pedido de desculpa aos estudantes brasileiros pelos erros ocorridos no Enem e também pelo erro da assessoria de comunicação de ter colocado o termo ‘dançaram’ no Twitter”, afirmou Evanovick.

A assessoria de imprensa do ministério afirmou que Haddad não iria se manifestar sobre o encontro desta tarde, mas confirmou que o ministro pediu desculpa aos estudantes apenas pelos comentários no Twitter.

Exame
O Enem foi aplicado no último fim de semana a 3,3 milhões de estudantes. No sábado (6), participantes reclamaram de erros na impressão da folha de respostas e da prova amarela.

As entidades disponibilizaram desde o início da semana canais para que os estudantes que fizeram o Enem possam registrar reclamações a respeito das falhas. “Já tivemos em torno de 1.100 contatos, dos quais uma parte significativa foi de estudantes pedindo que o exame não seja anulado”, disse o presidente da UBES, Yann Evanovick.

Um levantamento prévio apontou que 93% dos que reclamaram são a favor da aplicação de uma nova prova opcional para aqueles que se sentiram lesados.

Durante a semana, as duas entidades estudantis emitiram nota conjunta se posicionando contra a anulação do Enem mas exigindo o direito dos prejudicados a uma nova prova. Uma das reivindicações do texto era justamente a marcação de uma audiência do ministro Fernando Haddad com representantes da UNE, da UBES e do grupo de estudantes prejudicados.

A assessoria do Ministério da Educação (MEC) informou que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) tem trabalhado com a possibilidade de realizar a prova de reposição aos prejudicados no final de semana dos dias 4 e 5 de dezembro, mas a data ainda não está definida oficialmente. O ministério espera acabar de contabilizar o número de estudantes prejudicados até o final da próxima semana.

As entidades exigiram do ministro que fiquem claros quais os critérios para avaliar se um estudante vai poder ou não refazer a prova. “Até que esses critérios estejam determinados, prosseguiremos defendendo que seja realizado um novo Enem em 2010, e que ele seja opcional a todos os estudantes que se sentiram prejudicados”, declarou o presidente da UNE.

Chagas disse que novos encontros com Haddad serão realizados. “O ministro garantiu que nós vamos voltar a nos reunir na próxima semana e que o MEC vai ouvir os estudantes no debate para estabelecer esses critérios”, disse.

Os representantes estudantis disseram que também conversaram com o ministro a respeito de mudanças para o Exame Nacional do Ensino Médio a partir dos próximos anos, como a avaliação seriada ao longo do Ensino Médio em vez de uma única prova, e defenderam a criação de uma gráfica para o MEC. “Foram mais de 3 milhões de estudantes fazendo a prova, o ministério não pode ficar refém de uma ou duas gráficas que têm essa capacidade para a impressão do Enem”, disse Evanovick.

Enem aos presidiários

Nos dias 6 e 7 de dezembro o MEC vai aplicar o Enem para estudantes presidiários. A prova será feita em cerca de 700 presídios por 15 mil estudantes. Segundo a assessoria do ministério, o fato de se aceitar a aplicação do exame para presidiários, como já ocorreu em 2009, reforça a validade da estratégia do MEC de reaplicar o Enem apenas aos estudantes prejudicados pelos erros na prova amarela.

Um cálculo prévio do MEC levantou que o número de estudantes prejudicados no Enem 2010 é de pouco menos de 2.000. A prova nos presídios é feita semanas depois da aplicada nos colégios, em uma versão composta por questões diferentes. Segundo o ministério, sua validade não foi questionada em 2009.

MEC pode aplicar outro Enem aos alunos prejudicados por erro na prova

No sábado, cartões de resposta estavam com cabeçalho invertido e parte dos exames foi distribuída com questões repetidas ou ausentes; ministério afirma que abrirá na quarta-feira espaço em site para que alunos se manifestem sobre problemas

O Ministério da Educação (MEC) poderá aplicar outro Enem para candidatos prejudicados no sábado pelo erro de montagem no caderno da prova amarela. Essa é uma das possibilidades contempladas na promessa feita pelo MEC de analisar “caso a caso” as queixas de estudantes.

O governo afirmou também que abrirá na quarta-feira, no site do Enem (www.enem.inep.gov.br), um requerimento para que alunos prejudicados pela troca do cabeçalho dos cartões de resposta possam pedir a correção invertida. Eles terão até o dia 16 para enviarem seu pedido.

A aplicação do Enem no fim de semana foi marcada por dois erros: um nos cartões de resposta e outro em parte dos cadernos de perguntas. Os problemas geraram confusões e reclamações de muitos estudantes, que afirmam não ter recebido orientações sobre as falhas nos locais de prova.

A primeira confusão aconteceu porque, para evitar cola, o Enem tem quatro versões de prova: amarelo, azul, rosa e branco. As questões são as mesmas, o que varia é a ordem. Em milhares de casos, por um erro no encarte, folhas do caderno de prova amarelo estavam misturadas com folhas da prova branca. Com isso, estudantes se depararam com questões repetidas ou ausentes. Vestibulandos como Henrique Reis, de Belo Horizonte, por exemplo, identificaram problemas em 31 das 90 questões do exame.

O jornal Estadão identificou ontem na porta dos locais de exame pelo menos três vestibulandos (em Curitiba e Belo Horizonte) que disseram que, após avisarem os fiscais do problema com a prova, receberam um segundo caderno também com falhas.

O outro problema está relacionado com a folha para marcar as respostas. Embora o número das 90 questões no caderno de prova e no cartão coincidissem, havia discrepância no cabeçalho do gabarito. As 45 questões de ciências humanas estavam sob a tarja ciências da natureza e vice-versa, o que gerou dúvidas.

O Inep afirmou que avisou para os fiscais orientarem os alunos. Mas muitos candidatos, em vários Estados, afirmaram que não foram alertados sobre o erro ou que receberam orientações equivocadas. Houve ainda casos em que a classe só recebeu o aviso horas depois do início da prova. Muitos afirmaram que se confundiram ou não tiveram tempo de fazer a marcação certa.

Método

 Pela técnica da Teoria de Resposta ao Item (TRI) usada pelo MEC no Enem é possível realizar várias provas com o mesmo nível de dificuldade – o que não acontece em vestibulares tradicionais, nos quais uma edição pode ser mais difícil do que a outra. No Enem do ano passado, estudantes que fariam a prova em locais afetados pelas enchentes do último verão realizaram outra prova, numa data diferente. O mesmo aconteceu com os candidatos em presídios e unidades de detenção.

O Estadão.edu apurou que, pelo balanço oficial, cerca de 20 mil alunos receberam cadernos com problemas, mas é possível que parte tenha conseguido trocá-lo. Dessa forma, a estimativa é de que o número de candidatos com direito à nova prova, caso ela seja aplicada, seja de aproximadamente 2 mil.

Isso porque, como é de praxe em vestibulares, os fiscais têm um estoque de segurança para repor exames com problemas. No caso do Enem, essa margem era de 10% do total de provas impressas. Havia ainda a possibilidade de recorrer aos cadernos dos alunos que deixaram de fazer o Enem no sábado (cerca de 27% do total de 4,6 milhões).

UFSCar extingue seu vestibular para usar o Enem

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) é uma das 20 instituições que usará exclusivamente o Sistema de Seleção Unificado (Sisu) – processo online coordenador pelo Ministério da Educação (MEC) – para escolher os estudantes que ingressarão na instituição em 2011. Pela primeira vez, a UFSCar vai deixar de realizar vestibular próprio. No ano passado, 50% das 2.577 vagas da universidade federal foram preenchidas por meio do sistema online do MEC.

“Avaliamos a experiência como bastante positiva, porque abrimos a possibilidade de ter alunos de todo o País”, diz o reitor Targino de Araújo Filho, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo. “Foi um ganho de qualidade para nós e também para os estudantes, que agora podem disputar vagas na UFSCar”.

O reitor acredita que, com o amadurecimento do sistema, outras universidades públicas passarão a oferecer mais vagas pelo Sisu. “Ainda existe um certo receio por parte das instituições. Elas estão se precavendo, mas, à medida que o projeto avança, vai aumentar este porcentual”, diz.

Trechos da Sabatina da franco-colombiana Ingrid Betancourt ao portal G1 (03/11/2010)

G1 – O que você achou da eleição da primeira mulher à Presidência no Brasil, Dilma?

Betancourt – Gostei muito. Devo confessar que gostei muito. Por muitas razões. Obviamente, porque é uma mulher, mas não só por isso. Mas porque é ela. Penso que é uma mulher muito complexa, que tem muitas facetas, obviamente de êxito profissional, mas também é uma pessoa que sofreu na ditadura, e portanto acho que deve valorizar infinitamente os direitos humanos e o valor da democracia.

E é muito interessante porque foi uma pessoa muito de esquerda, mas chega à Presidência democraticamente. Creio que isso, espero, que contribua para o distanciamento das Farc. E que finalmente o Brasil entenda que as Farc são um grupo terrorista que está fazendo mal. O mesmo mal que fizeram a ela na ditadura, que fez com que fosse vítima, torturada, é o que estão fazendo, pelos mesmos motivos ideológicos, com o mesmo extremismo, mas de um ponto oposto no espectro político, é o que estão fazendo as Farc. Então acho que é muito importante que nos posicionemos pela democracia, contra o terrorismo, seja de onde venha, do Estado ou da subversão.

G1 – Por que você desistiu de ser política? Com que deseja trabalhar agora?

Betancourt – Desisti da política na Colômbia, porque me parece que a política na Colômbia extrai o pior do ser humano, não o melhor. E eu quero estar em contato com o melhor do ser humano.

G1 – E por que traz o pior?

Betancourt – Porque a política é uma luta de poder, e nessa luta os instintos básicos, e não os melhores, são os que afloram.

G1 – Mas isso é só na Colômbia ou em todos os lugares?

Betancourt – Creio que por todos os lados. Na Colômbia está um pouco exacerbado por toda violência, pela corrupção. Há um culto à mentira. Há um grande cinismo. E penso que também há uma complacência no ‘status quo’.

G1 – Na campanha brasileira, houve acusações de que o Partido dos Trabalhadores, da presidente eleita, tinha relações com as Farc. Você reconhece alguma relação?

Betancourt – Não sei nada dessa relação, mas sei que existe no mundo. Houve uma complacência com as Farc. As Farc fizeram uma diplomacia muito ativa durante muitos anos. Me lembro que, quando sequestrada, uma coisa que me doeu muito foi quando o partido comunista francês recebeu uma delegação das Farc em uma das assembleias. Isso para mim foi muito violento, porque é dizer: estão nos torturando, nos estão fazendo muito mal e eles estão os recebendo como uma organização política.

Acredito que as Farc têm que sentir a pressão do mundo, porque eles têm jogado esse jogo duplo, de ser políticas para alguns e de ser narcotraficantes e terroristas em seu atuar. Acredito que o mundo tem que colocar um freio nisso. Ou você é político e tem uma consciência política e tem uma ética política e não se permite cruzar umas fronteiras. Acho que é importante colocar fim a essa filosofia de que os fins justificam os meios. Os fins não justificam os meios. Ao contrário. […] Porque as Farc estão sequestrando, porque as Farc estão se financiando com o trafico de drogas e se tornaram traficantes de drogas terroristas. […] E eu espero de Dilma que tenha, como mulher, como vítima, como democrata, como tudo o que nós vemos nela, que tenha a força de apresentar regras do jogo diferentes.

G1 – Você chegou a conhecer a jovem holandesa Tanja Nijmeijer, que entrou para as Farc? Por que você acha que jovens como ela se juntam à guerrilha?

Betancourt – Não a conheço, então não sei quais foram seus motivos. Mas penso que há jovens que têm a visão romântica das Farc. Não são a maioria dos jovens que ingressam. A maioria são ‘raspachines’, que são, na Colômbia, os camponeses que trabalham com a coca, a colhem e raspam para misturar com os produtos químicos e fazer a pasta de cocaína. Mas, obviamente, estão sujeitos a perseguição dos militares, da policia, estão sujeitos a abusos e a outros tipos de violência. Então, para eles, entrar para as Farc é como uma promoção social. […] As meninas que ingressam em sua maioria são prostitutas ou meninas que não querem ser prostitutas. Casos como dessa menina são exceções, digo, de pessoas que têm tudo e que entraram para a guerrilha. Provavelmente a enganaram.


G1 – Que lição você tirou de tudo isso para sua vida pessoal?

Betancourt – Lembro quando estava presa em uma árvore – e foi um momento muito preciso porque lembro que estava chovendo – e havia pedido ao comandante que me deixasse ficar na barraca com meus companheiros, e ele não me autorizou. Eu tinha pedido que me soltasse para ir ao banheiro e ele me olhou feio e disse: ‘faça aí, na minha frente ‘. Nesse momento eu pensei ‘perdi tudo’, meus filhos, minha vida, minha mãe. Meu pai que estava morto parecia estar mais perto de mim do que todos os demais.

[…] Mas depois pensei ‘não, não tinha perdido tudo’. Havia algo que eu não tinha perdido, e era a decisão que podia tomar de dizer que tipo de pessoa eu quero ser. E eu não quero ser como eles. Não quero ser uma pessoa que mata outro para obter a liberdade, não quero ser alguém que odeia, não quero ser uma pessoa que saia da selva, se um dia sair, com rancor, sede de vingança. Pensei: eu posso definir isso.

E hoje em dia, quando tenho a liberdade de tudo, sigo sentindo que o mais importante é isso. E essa liberdade de definir quem se quer ser é uma liberdade que não se dá nas grandes decisões da vida, mas nos pequenos detalhes, em cada momento. Na maneira como uma pessoa dispõe de seu tempo. Porque acredito que o maior presente que uma pessoa pode dar a outra é seu tempo. Então é no amor que se coloca nas relações com os demais, no trato com os demais. Enfim, não acho que uma pessoa seja capaz de mudar o mundo, mas é possível mudar o próprio mundo, o seu interior, e quando mudamos o nosso interior, estamos mudando o mundo.

PSDB será o partido com o maior número de governadores no país

Partido é derrotado na Presidência, mas conquista oito estados.
PSB é o segundo partido com mais eleitos: seis.

O PSDB governará oito estados do país a partir de 2011. É o partido com o maior número de eleitos para os Executivos estaduais. Com isso, o partido volta a liderar o ranking de representantes, passando o PMDB.

O PSB é o segundo partido com o maior número de eleitos. São seis governadores da sigla (três eleitos no segundo turno).

O resultado para o PSDB é importante após o partido sair derrotado na eleição presidencial e perder cadeiras tanto na Câmara dos Deputados como no Senado.

Na Câmara, foram 53 deputados federais eleitos (contra 66 vitoriosos em 2006). No Senado, o partido perdeu cinco representantes (terá 11 senadores em 2011) e foi ultrapassado pelo PT.

O PT e o PMDB comandarão cinco estados cada um; o DEM, dois; e o PMN, um.

 Os governadores eleitos em cada estado foram:

Tião Viana (PT) no Acre , Teotonio Vilela (PSDB) em Alagoas, Omar Aziz (PMN) no Amazonas, Camilo Capiberibe (PSB) no Amapá, Jaques Wagner (PT) na Bahia, Cid Gomes (PSB) no Ceará, Agnelo Queiroz (PT) no Distrito Federal,  Renato Casagrande (PSB) no Espírito Santo , Marconi Perillo (PSDB) em Goiás, Roseana Sarney (PMDB) no Maranhão,  Antonio Anastasia (PSDB) em Minas Gerais, André Pucinelli (PMDB) no Mato Grosso do Sul, Silval Barbosa (PMDB) no Mato Grosso, Simão Jatene (PSDB) no Pará, Ricardo Coutinho (PSB) na Paraíba, Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco, Wilson Martins (PSB) no Piauí , Beto Richa (PSDB) no Paraná , Sérgio Cabral (PMDB) no Rio de Janeiro, Rosalba Ciarlini (DEM) no Rio Grande do Norte, Confucio Moura (PMDB) em Rondônia, Anchieta Junior (PSDB) em Roraima , Tarso Genro (PT) no Rio Grande do Sul , Raimundo Colombo (DEM) em Santa Catarina, Marcelo Deda (PT) em Sergipe,  Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo e Siqueira Campos (PSDB) em Tocantins.