Meu encontro com Fernando Henrique Cardoso, no iFHC.

Evento contou com a participação de lideranças jovens de diversas regiões do país.

Na última terça-feira, 20, lideranças da Juventude do PSDB se encontraram com o presidente de honra do partido, Fernando Henrique Cardoso, na sede do IFHC (Instituto Fernando Henrique Cardoso), no centro de São Paulo. No encontro foram abordados temas como corrupção, infraestrutura, política de drogas, voto distrital e a participação do jovem na política.

Instituto Fernando Henrique Cardoso

Xico Graziano, assessor executivo do iFHC, abriu o encontro ressaltando que no instituto o objetivo não era discutir políticas partidárias, mas sim discutir a participação política e seus novos rumos. Falou sobre o site Observador Político e mídias digitais no que chamou de “Democracia 2.0”.

Na frente: FHC conversa com participantes; ao fundo: Xico Graziano e Eu (Moacir Alencar Jr)

O presidente da JPSDB-SP, Paulo Mathias, falou da importância dos jovens na política lembrando que é na juventude que está o futuro do país. Marcello Richa, presidente nacional da Juventude do PSDB, ressaltou a importância da internet no processo político. “A internet não é a solução, mas sim um caminho para que o jovem possa se manifestar politicamente”, afirmou Richa.

Fernando Henrique afirmou que existe uma conexão orgânica entre a corrupção e o sistema político. “Corrupção individual sempre existiu e sempre existirá, mas no nosso sistema político ela é endêmica, o óleo desse motor é a corrupção”, disse FHC. O voto distrital também foi abordado como uma saída para essa corrupção endêmica e para tornar as campanhas mais baratas. “Eu sou favorável ao voto distrital. Conforme propôs o senador Aloysio Nunes, o voto distrital tem que começar nos municípios” disse.

Eu( Moacir Alencar Junior) e Fernando Henrique Cardoso

Falando sobre drogas, elogiou iniciativas como a de Portugal, que descriminalizou o uso de todas e diminuiu em muito o número de dependentes no país. “Portugal foi o país europeu que mais avançou nas políticas de drogas”, afirmou.

O presidente abordou os temas energia e infraestrutura falando sobre os gargalos existentes. Reconhecendo o bom momento vivido pela economia do país, lembrou que a nação tem hoje condições como nunca teve, mas que não tem propriamente uma estratégia definida e que as parcerias “público privada” ainda são vistas de maneira dogmática no país.

Fernando Henrique falou sobre as características de vanguarda do PSDB e lembrou da importância da inovação. “O PSDB historicamente têm mais votos em estados mais modernos como São Paulo e Minas Gerais, a inovação e a vanguarda sempre foram as marcas do partido” disse. Lembrou ainda que esta característica vanguardista não pode ser perdida pelo partido e encerrou dizendo “Fazer política é estar em sintonia com o sentimento da população, a liderança não deve seguir a maioria, mas sim criar uma inovação que a maioria siga”.

Membros da Juventude conversam com Fernando Henrique Cardoso

Foi um momento onde o Presidente de Honra do PSDB pode esclarecer dúvidas e destacar novas perspectivas para o cenário político-social do país. Em suma, foi um evento de vital importância para os jovens do partido que tiveram a oportunidade de participar. FHC mostrou que ainda tem uma capacidade única de inovar.

“As vaias para Fernando Haddad”

Uma semana depois de o Enem de 2010 ter mostrado uma acentuada queda no desempenho das 50 melhores escolas de São Paulo, a cidade na qual pretende candidatar-se a prefeito em 2012, o ministro da Educação, Fernando Haddad, foi vaiado na Faculdade de Educação da USP e se envolveu em bate-boca com estudantes que criticavam a situação de abandono de várias instituições federais de ensino superior:

“Um país que só tem 3% da população na universidade não pode esperar ter talheres na mesa e papel higiênico no banheiro para que um campus comece a funcionar” – Haddad- ministro da Educação, em evento na USP, na qual foi vaiado por alunos que criticaram o abandono das universidades federais.

Lula e Fernando Haddad

A expansão das universidades federais é uma das bandeiras que Haddad pretende usar em sua campanha eleitoral e os estudantes que o vaiaram eram, justamente, supostos beneficiários de sua política. Criadas com base mais em critérios de marketing político do que acadêmicos, tendo em vista a eleição presidencial de 2010, várias universidades federais foram inauguradas às pressas em instalações improvisadas, sem laboratórios e professores em número suficiente.

Por isso, os grupos e facções estudantis que não se deixaram cooptar pelo governo federal – que converteu a UNE numa entidade chapa branca, por meio de generosos repasses financeiros – definiram uma pauta de reivindicações e um cronograma de protestos contra Haddad. Também acusam o ministro de não reivindicar um aumento mais expressivo do orçamento da educação.

Nesta década, o País tem investido, anualmente, 5% do PIB em ensino. No Plano Nacional de Educação, que tramita lentamente no Congresso, o governo propôs aumentar os investimentos para 7% do PIB. As organizações estudantis reivindicam 10%. Para tentar granjear a simpatia dos estudantes da USP, Haddad chegou a invocar, sem sucesso, sua condição de ex-líder estudantil. E ainda tentou comparar os gastos com educação dos governos Fernando Henrique e Lula. Segundo ele, o orçamento do MEC subiu de R$ 32,1bilhões para R$ 69,7 bilhões, nos seis anos em que está à frente da pasta. O problema da gestão Haddad, portanto, não é de escassez de recursos, mas de falta de competência administrativa.

Com o objetivo de mudar o foco do noticiário, que destacava o quadro desolador em que se encontra o ensino médio, revelado pelo último Enem, Haddad agora defende o aumento do tempo de permanência dos alunos na escola, seja ampliando de 200 para 220 o número de dias do ano letivo, seja elevando a carga horária diária.

Pedagogos e dirigentes de escolas afirmaram que a ampliação da jornada diária é a medida mais recomendada para a melhoria de qualidade do ensino fundamental e médio, mas lembraram que ela é de difícil implementação, pois não houve investimento na melhoria da infraestrutura da rede pública nem na mudança dos currículos. O ministro disse que já começou a discutir sua proposta com especialistas e secretários de educação, mas entidades do setor informaram que não foram procuradas para tratar do tema.

Esta tem sido a característica da gestão de Haddad à frente do MEC. Ele agita bandeiras vistosas, que lhe permitem sonhar com voos políticos mais altos, mas que carecem de eficácia e desperdiçam recursos escassos em programas sem a necessária conexão entre si. O ministro já defendeu a democratização do acesso ao ensino superior, sem tratar seriamente do ensino fundamental. Ele defendeu propostas irrealistas, como a adoção do tempo integral no ensino básico, quando deveria cuidar de questões fundamentais, como melhorar a qualidade do ensino de português, matemática e ciências. Endossou a introdução de filosofia e sociologia no ensino médio, sem que o País disponha de professores dessas disciplinas em número suficiente. Estimulou a ampliação desenfreada de escolas técnicas, sem que a rede já existente tivesse recursos suficientes para atender às despesas de custeio. E, ao tentar utilizar o Enem para unificar os vestibulares das universidades federais, desmoralizou esse mecanismo de avaliação.

A constrangedora vaia dos alunos da USP para Haddad não causa surpresa. Ela é a reação natural a uma gestão errática, demagógica e, principalmente, inepta.

opinião – Jornal Estado de São Paulo

“A Juventude e as Drogas no Brasil do Século XXI” – por Moacir Pereira Alencar Junior

Este artigo, escrito por mim – como muitos outros já postados neste blog – foi um dos 20 selecionados para a reunião da JPSDB com o sociólogo, ex-presidente da República e atual Presidente de Honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso. 

O Estado brasileiro apresenta uma grande dificuldade para desmobilizar ou mesmo enfraquecer o poder do narcotráfico nas diferentes regiões do país. E a guerra ao tráfico não é garantia de se consolidar um caminho que venha a ser mais promissor para tratar da questão das drogas.

A escassez de políticas públicas voltadas à juventude faz com que muitos jovens fiquem sem perspectivas, e se veem atraídos para atuar no crime organizado, sendo utilizados como soldados descartáveis na disputa por terreno para o narcotráfico.

A questão de como lidar com as drogas é complexa, uma vez que envolve tanto o debate sobre o alcance dos direitos dos indivíduos , assim como aspectos culturais e socioeconômicos. Os diferentes momentos históricos vividos por certas nações possibilitam ver variados cenários do futuro das questões que abordam a juventude e as drogas no Brasil.

Primeiramente, merece ser destacado, que a proibição global às drogas só obteve um consenso no ano de 1961, na Convenção Internacional Única sobre Entorpecente, que ocorreu nos EUA. A partir de então, certas substâncias passaram a ter produção, venda e consumo considerados ilegais. Porém coibir, não foi a garantia de extinção do consumo destas substância ilícitas.

Como resultado, alguém produz, e ajuda a movimentar um comércio ilegal global de US$400 bilhões, segundo relatório da ONU, divulgado em 2005. Dentro deste cenário, há dificuldades para se obter resultados concretos e duradouros quanto a questão das drogas. Não há um consenso sobre qual seria a melhor forma para resolver esta questão.

Os defensores da proibição do consumo e do uso de drogas argumentam que pessoas dos diferentes ciclos geracionais, principalmente os jovens, estarão pondo em risco a saúde, passando a serem dependentes físicos e psicológicos. Para esta corrente, a legalização poderia diminuir o estigma social em relação ao usuário, levando a um aumento expressivo do consumo de drogas pelo mesmo. Isto levaria a um aumento da procura pelo sistema público de saúde, que teria ineficácia para atender os viciados, sem contar que estes usuários passariam a correr o risco de serem atraídos para o consumo de drogas mais pesadas.

A corrente em prol da legalização, dentro de uma visão econômica liberal, acredita que a regularização do comércio de drogas diminuiria a violência associada ao tráfico, assim como poderia vir a financiar o tratamento dos dependentes e de campanhas mostrando os possíveis males das drogas. A ideia de legalização cairia em uma forma de política de redução de danos. Países como Holanda e Suíça adotaram algumas destas medidas obtendo sucessos e fracassos.

Já a descriminalização, uma outra possibilidade de abordagem sobre a questão das drogas junto a juventude e a sociedade em geral, enxerga na atualidade, que o combate as drogas por meio de proibição não surte o efeito esperado. O ponto vital para a descriminalização estaria na forma como o governo enxergaria o uso de drogas; o caso de polícia daria lugar a um caso de saúde pública.

Se considerarmos que cerca de um quarto dos brasileiros já usaram alguma droga ilícita, segundo dados divulgados em 2005 pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, é mais do que claro que a proibição do uso e o endurecimento das condenações pelo crime de tráfico são ineficazes e pouco funcionais.

Mas a juventude brasileira estaria madura, estruturada e efetivamente instruída para mudanças rumo a legalização ou descriminalização do consumo/uso de drogas? O simples argumento que vem a associar juventude a drogas e violência já se tornou esteriótipo em muitas análises. A desconstrução deste esteriótipo deve ser feita o mais rápido possível, uma vez que a população jovem representa uma imensa força para o presente e futuro do país.

As políticas públicas voltadas a juventude tem que se solidificarem tendo como tripe básico: Educação, Saúde e Trabalho. Apenas políticas que estejam pautadas neste tripé básico levarão a juventude brasileira a participar das arenas de decisão vitais ao país de forma eficiente, responsável e produtiva. Junto do Estado, a família tem papel indispensável neste processo de construção do caráter e decisão de escolha do jovem.

Ou seja, a estabilidade social e familiar asseguram maior capacidade aos jovens de encararem um mundo cada vez mais utilitarista e demarcado por ideologias fechadas ao racionalismo e ao servilismo; que rompem com o espírito crítico tão necessário na juventude.

A sociedade e a juventude brasileira necessitam estar preparadas para este tipo de decisão quanto a legalização e a descriminalização das drogas. A conscientização e o debate mostrarão que não dá mais para postergar esta questão.