Aos amigos petistas e bolsonaristas – por Moacir Pereira Alencar Júnior

mos2

Deixo aqui uma reflexão aos meus amigos petistas e amigos bolsonaristas do Facebook….sim, para ambos. Sempre busquei cultivar essa divergência de pessoas com visões plurais no meu facebook, apesar de ver dezenas de pessoas me excluindo por não aceitarem meus pontos de vista… somente nas duas últimas semanas já foram umas 15 ao menos que me excluíram de suas listas e foram pra suas ‘redomas de conforto’. Lembro sempre de um professor de escola que tive no ensino fundamental, que dizia sábias palavras: “não vivam em caixinhas de algodão, não sejam medíocres”.

Aos meus amigos de esquerda e que apoiam Haddad enfatizo o pensamento do sociólogo já falecido – Guerreiro Ramos – que em 1963, em seu livro ‘Mito e Verdade da Revolução Brasileira’ – enfatizava que a crise brasileira daquela época era também uma crise de cultura política. Para Ramos, o Brasil passava por um processo de orfandade política. A crise de liderança poderia fazer com que a tão falada e possível ‘revolução brasileira’ se tornasse uma ‘jornada de otários’. Haveria muitos que viviam de ‘gesticulações revolucionárias e de ficções verbais’. Ele também enfatizava que o ativismo que se manifestaria nos setores sindicais, na categoria dos sargentos e dos oficiais das forças armadas, e em outras esferas nacionalistas, constituiria enorme capital político, porém este capital estaria exposto ao ‘malbaratamento’, em meio a ausência de lideranças competentes e realistas, que dessem o devido sentido verdadeiramente nacional.

Fazendo logicamente algumas distinções com nosso momento presente, fica evidente os  erros semelhantes da esquerda promovidas agora no Século XXI. Durante a ‘democracia populista’ (1946-1964) – assim como agora com o lulopetismo – a esquerda considerava que sua permanência no poder seria perpétua, e que seus erros e ‘gesticulações revolucionárias’ e ‘ficções verbais’, assim como a construção do “nós contra eles” por  mais de uma década por meio de narrativas sem solidez iriam evitar essa debacle sem autocrítica …espero que realmente a façam agora. Foram essas gesticulações revolucionárias e ficções verbais que levaram o Brasil a este cenário de hoje.

Aos meus amigos bolsonaristas enfatizo uma reflexão e pensamento do Visconde de Uruguai – Paulino José Soares de Sousa – que foi deputado, senador, ministro e conselheiro de Dom Pedro II. Era membro do Partido Conservador e atuou como figura de relevo no período do chamado ‘regresso conservador’, também conhecido como Tempo Saquarema – entre os últimos anos do período regencial (fim dos anos 1830) e início do denominado “renascer liberal”, nos anos sessenta do século XIX. Paulino acreditava que era “ preciso empregar todos os meios para salvar o país do espírito revolucionário, porque este produz a anarquia, e a anarquia destrói, mata a liberdade, a qual somente pode prosperar com a ordem”.

Dito isso, enfatizo que nas normas e regras democráticas não cabe jogar um contra o outro e fazer discursos irresponsáveis, sendo um possível virtual presidente da República ou o deputado federal mais votado do país. Antes de mais nada, “a soberba é má conselheira”, conforme enfatizou Marco Antônio Villa, no Jornal da Manhã da Jovem Pan há quatro dias. Mesmo que Bolsonaro seja eleito com 60% dos votos ele terá que governar para aproximadamente 210 milhões de brasileiros… não pode ser um irresponsável que diga que os “vermelhos serão banidos do país”, que irão parar na “cadeia” apenas por suas visões antagônicas ao seu grupo político que ascende ao poder. Não cabe mais a um candidato à presidência da República que lidera as pesquisas de opinião com folga sobre seu adversário fazer discursos de ódio e terror contra opositores (petistas e bolsonaristas sempre gostam dessa estratégia para alimentar a guerra política). Ter certa ordem é vital a democracia…com desordem a mesma não impera; todavia que ordem pode preponderar quando a liberdade se torna seletiva pela visão ideológica?

Assim como os petistas se sentiram donos do poder por longa data, Bolsonaro também não pode pensar que será dono do poder. A legitimação de sua eleição pelas urnas não dá a ele plenos poderes para passar por cima das instituições vigentes. Seus desvarios e máximas devem ser contidas -e espero que sejam apenas retórica – no contrário esse governo será um fracasso, e os mesmos que hoje o estão pondo lá, com toda certeza brigarão para tirá-lo… sempre dentro das regras do jogo democrático, que espero que seja as regras que ele siga. Conciliar e dialogar é vital a um chefe de Estado…quem assim não seguir já caminhará para a tirania.

Aos que não se consideram de nenhum destes espectros mas votarão em um deles, ou mesmo anularão, apenas digo que o centro político é requisito essencial da integridade de poder, palavras sábias também ditas pelo sociólogo Guerreiro Ramos, em 1963.

 

The URI to TrackBack this entry is: https://moaciralencarjunior.wordpress.com/2018/10/22/aos-amigos-petistas-e-bolsonaristas-por-moacir-pereira-alencar-junior/trackback/

RSS feed for comments on this post.

2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Muito bom, Moacir!

  2. Que ótimo Moacir! Atualmente,grande parte dos eleitores já tem a mesma visão. Se fosse hoje,eu não votaria em nenhum dos dois! Parabéns! Adorei.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: