Hospital-Escola de São Carlos – da pedra fundamental ao abandono total – por Moacir Pereira Alencar Júnior

Hospital-Escola de São Carlos agoniza

“Hospital-Escola de São Carlos agoniza”

Lembro-me como se fosse agora – 31 de março de 2005 – o lançamento da pedra fundamental que daria início as obras de construção do Hospital-Escola de São Carlos iria ser oficializado. Era uma quinta-feira, eu estava tendo aula na UFSCar pela manhã (era então graduando de estatística), e muitos de meus colegas resolveram assistir a este cerimonial. O evento começou por volta das 10h da manhã, contando com um atraso característico dos cerimoniais públicos que ocorrem no país.

Estavam presentes ao evento, o então presidente Lula; José Dirceu, então ministro da Casa Civil; o então prefeito, Newton Lima; o então Ministro da Saúde, Humberto Costa; Márcio Fortes, então Ministro-interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Ricardo Berzoini, então Ministro do Trabalho; Eduardo Campos, então Ministro da Ciência e Tecnologia; o general Jorge Armando Félix, então ministro-chefe do Gabinete da Segurança Institucional; Oswaldo Baptista Duarte Filho (Barba), então reitor da Universidade Federal de São Carlos; assim como o então Senador Aloisio Mercadante, e os deputados federais João Paulo Cunha, João Herrmann, Barbieri, Roberto Gouveia, Marquezelli, Iara Bernardi e Lobbe Neto.

O discurso de Lula, investido de grande retórica, já dizia que seus dois anos de governo (2003-2004), tinham sido melhores dos que os 10 anos anteriores. Em suas palavras:”quisera Deus que o Brasil tivesse crescido nos últimos dez anos o que cresceu nos nossos dois primeiros anos”. A arte do discurso falacioso e destrutivo contra  seus antecessores já era arma consagrada de Lula. Não deve ser esquecido as vaias que Lula recebeu neste evento, uma vez que ele também aproveitou a ocasião pra falar da Reforma Universitária que viria a ser posta em prática pelo governo federal em breve. Neste contexto todo o movimento estudantil se mostrava contra a aprovação do REUNI, e foi assim até o último momento, quando o mesmo foi aprovado tendo grande oposição dos estudantes das universidades federais do país.

Lula destacou neste mesmo dia, a oficialização do apoio a criação do curso de Medicina da UFSCar. Em suas palavras: “O nosso papel é cuidar, companheiro Newton, para que outras cidades recebam os mesmos benefícios que São Carlos está recebendo. São Carlos já é uma cidade com boa infra-estrutura, já é uma cidade com uma belíssima universidade, mas não era possível que aqui não tivesse um hospital-escola, uma faculdade para ensinar medicina e, sobretudo, ensinar dando uma conotação de formação aos profissionais, para que eles aprendam a medicina social, o médico de família, para que saiam da universidade e possam trabalhar no serviço público com orgulho, não apenas pensar em se formar para montar um gabinete e ganhar dinheiro às custas da doença do povo pobre deste país. É importante que mesmo tendo o seu consultório, o médico tenha um tempo para trabalhar na rede pública para ajudar os milhões de brasileiros que só têm acesso à rede pública de saúde deste Brasil”.

Começava neste momento a história conturbada e inacabada do Hospital-Escola de São Carlos, e do malfadado curso de Medicina da UFSCar- que se iniciou no vestibular 2006, tendo uma concorrência de quase 200 candidatos/vaga no ano de lançamento – mais exatamente 191,88 candidatos/vaga.

Ao fim de 2006 – mais exatamente novembro – o grupo responsável por  avaliar o papel do Hospital-Escola na integração à Rede de Cuidados com a Saúde recomendava a inserção do hospital como Unidade de Urgência e Emergência, de modo a ter uma capacidade instalada de retaguarda no atendimento aos pacientes de risco. O primeiro módulo deveria ter leitos com características de suporte semi-intensivo e também contar com o apoio da Santa Casa de São Carlos, vindo a ser coordenado pela Central Municipal de Regulação Municipal. O projeto básico da Central já estaria estruturado e a sua instalação ocorreria com o objetivo de regular tanto a disponibilidade de vagas hospitalares, urgência e emergência quanto de consultas para iniciar o funcionamento junto com o hospital.

O primeiro módulo do Hospital-Escola Municipal viria a ser uma Unidade de Urgência e Emergência com suporte técnico para atendimento de vítimas em situação de risco. A cidade de São Carlos disporia em 2006 de dois tipos de leitos hospitalares: os comuns para a internação de pacientes na Santa Casa e os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os 32 leitos do primeiro módulo do Hospital-Escola teriam o objetivo de desafogar o atendimento nos leitos da Santa Casa, vindo a atender a demanda do atendimento intermediário para os pacientes que não necessitassem da UTI, mas que precisassem de um leito com retaguarda maior que a de um leito normal.

Após 32 meses de obras – março de 2005 à novembro de 2007 – o primeiro módulo do Hospital-Escola era inaugurado. A princípio ele nascia como uma “virtual” base vital de suporte ao curso de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O hospital foi construído com recursos do Ministério da Saúde e da prefeitura, e atenderia pacientes do Sistema Único de Saúde. O hospital também serviria para o aprendizado dos médicos residentes a serem formados pela UFSCar. O então secretário de Saúde de São Carlos, Artur Pereira,  informava também que a conclusão do segundo módulo atenderia os alunos da UFSCar, que necessitariam da conclusão da obra para terem acesso a todos os equipamentos de um hospital. O segundo módulo contaria com 188 leitos de internação, nas áreas clínica, cirúrgica, pediátrica e obstétrica, além de laboratório de analises clínicas, UTI adulto, centro cirúrgico e obstétrico e serviços de apoio como manutenção, lavanderia, nutrição e dietética e central de esterilização de materiais.

Entre 2008-2013, mais de cinco anos, ocorreu problemas sistemáticos de gestão e ação da Reitoria da UFSCar com relação ao Hospital-Escola e o curso de Medicina. A incompetência do reitor Targino de Araújo Filho ( incrivelmente eleito (como!?) para um segundo mandato em 2012) foi fator central do descaso e da situação calamitosa do curso de medicina hoje. A retórica, típica de Lula, também passou a ser o modo de ação do reitor Targino, que é totalmente  incapaz de gerir o curso (também a universidade) que ganha a maior verba da instituição e é mantido na UTI ad eternum. Mas também não podemos esquecer do Barba…o então reitor da UFSCar entre 2001-2008, e prefeito do município entre 2009-2012, não teve capacidade alguma de levar adiante a tão ‘sonhada’ regularização plena do funcionamento do hospital e a parceria junto aos alunos de medicina, que foram deixados a míngua da maneira mais clamorosa possível. Foram 4 anos de tergiversações (pra usar a expressão da presidenta Dilma) como prefeito sem agir de modo eloquente pela redinamização da funcionalidade do Hospital e a eficiência das parcerias junto ao curso de Medicina (até hoje o módulo 2 do Hospital-Escola está inacabado).

Somado a isso, a população que depende do SUS (eu e meus pais já utilizamos mais de uma dúzia de vezes os serviços do Hospital-Escola), recorrem a um “hospital” (puxadinho) que não tem condições de atender de maneira adequada a população já de longa data. A entrada de Altomani no poder no ano de 2013 – como novo prefeito de São Carlos – veio a acelerar o processo de total paralisia do Hospital-Escola. Uma incompetente administração nestes seis meses iniciais decretou o ponto de alerta da situação periclitante que vive o Hospital- Escola.

O início de 2013 contou com um greve de estudantes da Medicina que durou mais de 80 dias, e não se conseguiu chegar a um ‘mínimo denominador comum’ da questão  problemática do curso junto a Reitoria. Agora a prefeitura atual, administrada por Paulo Altomani (dizem que ele consegue administrar, será?! Parece que não sabe agir de modo coeso em nada) vem a somar as forças de incompetência que gerem(geriram) o município e a universidade nos últimos 12 anos.

A questão em debate paira acima dos partidos, está em jogo a situação da saúde do município, que hoje tem como secretário interino de Saúde, um completo incompetente, Julio César Soldado, inapto mesmo pra administrar uma portaria de prédio (ser porteiro não é demérito, que fique bem claro!), imagine então uma Secretaria de Saúde de uma cidade de mais de 220 mil habitantes (pasmem, ele também é secretário de Governo). Este senhor não tem nenhum conhecimento da área profissional de medicina, e se tornou o tampão titular do Altomani para ocupar todas as secretarias que vão sendo abandonadas neste governo (e já foram 5).

Júlio César Soldado, o mestre da incompetência da Gestão Altomani - multitarefas, gerencia duas secretarias.

Júlio César Soldado, o mestre da incompetência da Gestão Altomani – multitarefas, gerencia duas secretarias.

A população tem que agir…..assim como tivemos a manifestação no final de junho pela baixa das passagens de ônibus (que obteve êxito), está na hora da população são-carlense, tanto estudantes como demais trabalhadores atuarem de modo efetivo pela melhora do sistema de saúde da cidade.Vamos nos unir em um verdadeiro ATO, distante de partidarização (mas que tenha militantes de variados partidos), que realmente venham a mostrar aos poderes municipal e federal, nosso total descontentamento com tudo isto que ocorre em São Carlos. Uma MOBILIZAÇÃO que consiga de fato reverberar o abandono do sistema de saúde da cidade e do país…este é o momento.

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PSDB de São Carlos será Hexa – ‘A arte da inépcia e a paixão pela derrota’. – por Moacir Pereira Alencar Júnior

Moacir Pereira Alencar Júnior

O PSDB nasceu no ano de 1988, em meio ao processo constituinte, como uma facção de dissidentes do antigo MDB. Caminhando hoje para seus 24 anos de vida, o partido não conseguiu atingir sua maioridade e sua maturidade política em certos municípios do Brasil.

De 1992 até 2008, foram cinco eleições municipais para a escolha de prefeito e vereadores. Nestes 16 anos tivemos diferentes conjunturas, diferentes senadores, diferentes governadores, diferentes presidentes; além de diferentes candidatos nos mais variados partidos que optaram por disputar a prefeitura são-carlense. Porém, o PSDB de São Carlos  não soube em nenhum momento aproveitar cenários favoráveis, seja da conjuntura estadual, seja da conjuntura federal.

De 1992 até então, o partido demonstra estar petrificado no que tange a candidatura a prefeitura do município de São Carlos. Em 1992, Paulo Altomani se lançou candidato à prefeito em um momento onde o PSDB ainda se mostrava incipiente, já que tinha apenas 4 anos de estrada, e quase nada a mostrar de factível e concreto a população.

Já em 1996, durante um período de relativa estabilidade econômica, e tendo Mario Covas como governador e FHC como presidente, o partido saiu das eleições derrotado. Melo, do então PFL, teve 36,4% dos votos; Altomani, pelo PSDB, teve 34,0%; e Lobbe Neto, então no PMDB , teve 14,7%. O regionalismo rasteiro e a completa ausência de unidade das coligações de então, levaram a segunda derrota do candidato do PSDB no município.

No ano 2000, buscando a reeleição, agora pelo PTB, Melo perdeu por 128 votos para Newton Lima (PT). O ex-reitor da UFSCar(1992-1996), vinha se destacando neste período, por sua capacidade administrativa e planejamento estratégico, atuando na FAI-UFSCar. Newton era uma imagem de ruptura frente aos candidatos anteriores, assim como Altomani, já que muito dos candidatos que disputavam, ainda estavam vinculados a grupos que gerenciaram a cidade em tempos de restrição dos direitos políticos, e representavam o famoso coronelismo que assola o país. Altomani teve nestas eleições apenas 11,7% dos votos. Certamente a campanha não decolou, uma vez que ele demonstrava ser mais do mesmo, não conseguiu conquistar os anseios e as aspirações de quem clamava por mudança.

Dentro do senso comum, uma derrota como a de 2000 – após três eleições seguidas – representaria o fim da trajetória política de Altomani como candidato a prefeito.  Porém em 2004, Altomani se lançaria a quarta candidatura sucessiva a prefeito de São Carlos, também pelo PSDB. Em uma realidade e contexto totalmente adverso, com a expansão do PT nas esfera municipal e federal, o PSDB pecou novamente. Newton Lima foi reeleito com 42,8% dos votos. Restou ao Altomani, 28% dos votos e uma sensação de definitivo e já tardio déjà vu.

Mas a surpresa ainda viria a bater as portas; em 2008, novamente ele – Altomani – se mostraria como uma ‘nova figura política’ para por fim aos 8 anos de gestão petista em São Carlos.  Sedento por poder dentro do partido – ou por falta de figuras credenciadas e qualificadas para disputar as eleições –  e crente que desta vez o povo votaria nele, ele conquistou o pentacampeonato consecutivo de derrotas para o executivo do município. Neste episódio, o partido demonstrou também uma incapacidade elevadíssima para buscar parcerias partidárias, e não conseguiu nem se quer união com o DEM – que lançou Aírton Garcia, que teve 30% dos votos, em um partido que na esfera estadual e federal sempre estava alinhado ao PSDB. Oswaldo Barba, ex-reitor da UFSCar (2004-2008), representando os legados e conquistas de Newton, não precisou de esforço para sair vencedor, já que a inépcia de ação e comunicação entre DEM e PSDB demonstrou a que ponto chega a fome pelo poder, tanto para se manter imutáveis dentro de seus respectivos diretórios, como também pela excessiva ambição de ‘chegar ao trono’ municipal.

Estamos em 2012, os 12 anos de PT no município já demonstram desgastes e problemas graves nos mais variados setores. Há problemas de infra-estrutura na área de Saúde, Educação, Transporte,  e muitos outros. Centenas de milhares de cidadãos reclamam dos atendimentos das Unidades Básicas de Saúde, ora por falta de médicos qualificados em diferentes áreas médicas, além de problemas de atendimento, ora pela morosidade, ora pelo descaso de certos médicos para com a comunidade em variados bairros do município.

Na questão do transporte, a concorrência – tão cara e bela em uma verdadeira democracia, onde deveria predominar opção de escolhas e qualidades de serviços – é substituída pelo monopólio de uma empresa de ônibus (Athenas Paulista) que atende a população a seu bel prazer, furtando os cidadãos com suas taxas altas e serviços deficitários, distantes de uma boa qualidade.

Na questão da educação, certas escolas municipais agonizam devido a problemas de investimento, e a um constante problema de demanda para receber alunos nas séries iniciais e no ensino fundamental. A questão da infância e juventude é usada como modelo pela gestão municipal, mas problemas em conselhos tutelares e em algumas entidades de auxilio a jovens é constante e preocupante.

Chegamos a um período que precede os 6 meses para as eleições; o PSDB, julgando estar inovando, novamente lançará o desgastado e colecionador de derrotas Paulo Altomani, sendo que o apoio do DEM ainda está em aberto, ou seja, talvez voltaremos a assistir a oposição se degladiando mais uma vez.

O PT, gerenciando pessimamente a cidade, com sua política de pão e  circo, continua majestoso, mesmo em meio a inépcia administrativa e a incompetência de seu prefeito, uma vez que a oposição se mostra amorfa, apática e totalmente incapaz de mostrar onde está seu projeto hegemônico caso chegue ao poder.

O cenário político das eleições de 2012 em São Carlos promete:

Estas campanhas prometem ser uma tragédia muito maior do que nossas próprias forças. Os nossos “líderes políticos”, afirmando hoje as mentiras de ontem, negando amanhã as verdades de hoje, mostrarão a imagem da virtude da democracia, quem és o pai da ‘pátria’ são-carlense. E que ‘pátria’…

 

Mentiras,mentiras abomináveis e estatísticas – A UFSCar segundo o PT. – por Moacir Pereira Alencar Junior

Um grupo intitulado de “amigos da UFSCar” divulgou um informativo pró-DiLMA com o que eles chamam de “benefícios do Governo Lula à UFSCar”.

Em uma sequência de sete tabelas eles buscam mostrar as chamadas benesses do governo federal entre os anos de 2003- 2010 em uma comparação constante com o governo FHC.

Mas o que é visto é um contradição de dados sem fontes que mostram o quão precipitado foi o REUNI.

O que é o REUNI ??

A expansão da educação superior conta com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que tem como principal objetivo ampliar o acesso e a permanência na educação superior.

Com o Reuni, o governo federal adotou uma série de medidas para retomar o crescimento do ensino superior público, criando condições para que as universidades federais promovam a expansão física, acadêmica e pedagógica da rede federal de educação superior. Os efeitos da iniciativa podem ser percebidos pelos expressivos números da expansão, iniciada em 2003 e com previsão de conclusão até 2012.

As ações do programa contemplam o aumento de vagas nos cursos de graduação, a ampliação da oferta de cursos noturnos, a promoção de inovações pedagógicas e o combate à evasão, entre outras metas que têm o propósito de diminuir as desigualdades sociais no país.

O Reuni foi instituído pelo Decreto nº 6.096, de 24 de abril de 2007, e é uma das ações que integram o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).


Os “amigos da UFSCar” ao destacarem a evolução dos cursos de graduação e pós-graduação esqueceram de comparar com exatidão a relação da evolução corpo docente – corpo discente.

Durante o governo de FHC o número de vagas ano por vestibular oscilou de aproximadamente 850 (1995) a 1100(2002). Neste mesmo período o número de docentes da instituição se manteve na casa de 550 a 600. Tendo como parâmetro o ano de 2002, teremos um coeficiente de aproximadamente 0,5 professores para cada aluno ingressante ( 550/1100 = 0,5).

No primeiro mandato de Lula (2003-2006) estas estatísticas mantiveram-se similares obedecendo a uma mesma proporção. Porém, em 2007, com a aprovação do REUNI (a política de expansão da educação superior), a UFSCar passou a evoluir segundo uma perspectiva que deixou cada vez mais vísivel os problemas de infra-estrutura física e acadêmica.

Durante o segundo mandato do governo de LULA o número de vagas ano por vestibular oscilou de aproximadamente 1500 (2007) a 2600(2010). Neste mesmo período o número de docentes da instituição oscilou de aproximadamente 700 para cerca de  1000. Portanto , o coeficiente de professores para cada aluno ingressante caiu vertiginosamente para 0,38, uma vez que [(1000/2600)]=0,38. Isto representa uma queda de 24% no número de professores para cada aluno ingressante na universidade- um dado alarmante , que mostra como deverá estar a médio prazo a condição de ensino da instituição.

Além disso merece ser destacado o quanto foi irrelevante o repasse de dinheiro anual recebido pela instituição entre 2007 e 2010. Oscilou de aproximadamente R$ 35 milhões por ano, em 2007, para aproximadamente R$41 milhões, em 2010. Neste período o aumento do orçamento da instituição não chegou a 20%, sendo que o  aumento do número de  alunos que ingressaram na instituição ,anualmente, entre 2007 e 2010 aumentou em escala exponencial , chegando a 73%.

Quantidade X Qualidade

A expansão do Restaurante Universitário, que se deu  em 2009, não surtiu efeito, já mostrando quão problemática é a situação dos estudantes que dependem do mesmo para se alimentar.  Em médio prazo ele não comportará a demanda de alunos que ingressam anualmente na instituição. Além disso, a qualidade da refeição não está a altura do que poderia estar.

O Hospital-Escola, que teve sua pedra fundamental colocada por Lula no ano de 2005, e passou a funcionar em  2007, ainda não funciona de modo adequado, prejudicando a comunidade São-Carlense e os estudantes de medicina, que não  possuem parcerias sólidas para executarem seus estágios obrigatórios no próprio município.

No hospital, no dia 25 de outubro , assim que a fiscalização do Ministério Público chegou durante a manhã, os funcionários que trabalham na construção do novo módulo do hospital pararam de trabalhar. Eles estavam em um andaime de três metros de altura. O suporte não estava preso ao chão, o que poderia provocar acidentes.

Em outro ponto, onde funcionará um refeitório, faltavam grades de proteção. Em outra área, uma vala deveria ser mais larga para evitar que os funcionários fiquem presos em caso de desabamento. O MP interditou os três locais e multou a construtora responsável em R$ 15 mil devido irregularidades nos equipamentos de proteção individual.

A empresa foi multada também por descumprir um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MP, em que se comprometia a melhorar as condições de trabalho.

O administrador da obra não foi encontrado. A prefeitura informou que terceiriza o serviço e aguarda a notificação para poder cobrar a construtora.

Somado a isso assistimos ao loteamento de cargos públicos do Partido dos Trabalhadores nas mais variadas esferas nacionais. Será que a população vai eleger o próximo reitor da UFSCar como prefeito de São Carlos pelo PT? Será que todos permanecerão a tratar de maneira indissociável a Universidade, o Governo  e o Partido Político (PT)?

Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula ,o PT e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia – a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o “cara”?


“Estudo das características do cidadão São-Carlense”

CATEDRAL -são carlosSão Carlos é um município brasileiro localizado no interior do estado de São Paulo, próximo de seu centro geográfico, e a uma distância rodoviária de 231 quilômetros da capital paulista. Com uma população estimada em 218.080 habitantes (IBGE/2008), distribuídos em uma área total de 1.141 km², é a 14ª maior cidade do interior do estado em número de residentes.

A cidade é um importante centro regional, com a economia fundamentada em atividades industriais e na agropecuária (neste setor, destaca-se a produção de cana-de-açúcar, laranja, leite e frango). Bem servida por vias de transporte como rodovias e ferrovias, São Carlos conta com unidades de produção de algumas empresas multinacionais, dentre as quais Volkswagen, Faber-Castell (a subsidiária são-carlense é a maior do grupo em todo o mundo, produzindo 1,5 bilhões de lápis por ano), Electrolux, Tecumseh e Husqvarna. Algumas unidades de produção de empresas nacionais, dentre as quais Toalhas São Carlos, Tapetes São Carlos, Papel São Carlos, Prominas Brasil, Cardinali e Latina.

Atendendo às necessidades locais, e, em certos aspectos, regionais, há uma rede de comércio e serviços distribuída em lojas de rua, postos de conveniência e um Shopping Center da marca Iguatemi. No campo de pesquisas, além das universidades, estão presentes no município dois centros de desenvolvimento técnico da Embrapa.

Os dois campi da Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), além de outras duas instituições de ensino superior particulares, o Centro Universitário Central Paulista (UNICEP) e as Faculdades Integradas de São Carlos (FADISC), tornam intensa a atividade universitária no município, que conta com uma população flutuante de cerca de vinte mil graduandos, boa parte atraída de outras cidades e estados.

São Carlos

Figura 1. Localização do município de São Carlos

A cidade de São Carlos é considerada uma cidade de porte médio, com uma taxa de crescimento populacional crescente desde 1950, com destaque para as décadas de 1970 a 1990. Como a cidade possui várias indústrias e renomadas universidades, existem fluxos populacionais interessados em melhores condições de trabalho e, conseqüentemente, melhores condições de vida e de sobrevivência.

O crescimento urbano desordenado, devido à forte ocupação urbana aliado à ausência de políticas agrárias, resulta no inchamento das cidades, baixa expansão da rede de serviços urbanos, aumento da pobreza e diminuição da qualidade de vida. São Carlos não foge desse problema, com seus bairros periféricos que cresceram vertiginosamente nas décadas de 80 e 90.

Objetivos

O projeto de pesquisa consiste em analisar as tipologias de famílias existentes em São Carlos e relacioná-las com as características dos Indivíduos por ela avaliados.

Definições

A pesquisa “ Condições de Vida e Pobreza em São Carlos: a Questão da Pobreza – Uma Abordagem Interdisciplinar”, realizada no 2o. semestre de 1994 pelo NPD (Núcleo de Pesquisa e Documentação “Professor Dr. José Albertino Rodrigues”) do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos, teve como objetivo dimensionar, localizar e qualificar a pobreza em São Carlos.

Na primeira etapa desta pesquisa a população de São Carlos, recenseada em 1991 pelo Censo do IBGE, foi distribuída em cinco categorias socioeconômicas: de A, a mais rica, a E, a mais pobre. Essas categorias foram criadas a partir dos seguintes critérios: os valores dos terrenos que serviam de base para o cálculo do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e as condições de habitação e do entorno, a partir de impressões de alguns agentes imobiliários e de alguns recenseadores do Censo do IBGE de 1991 que auxiliaram na classificação das áreas dentro do continuum de A a E.

Conforme os dados apresentados, podemos observar que o padrão de vida em São Carlos em relação à Região Metropolitana de São Paulo é mais precário em relação à saúde e à renda, melhor nas condições de educação e expressivamente superior nas condições de habitação.

Analisando a pobreza em São Carlos, em suas várias dimensões, podemos notar que com exceção das condições de habitação, que mostram uma situação privilegiada de São Carlos em relação à região metropolitana de São Paulo e as condições de inserção de mercado de trabalho que mostram uma situação de correspondência entre as duas regiões tomadas para análise, às outras dimensões revelam uma situação de carência mais acentuada no que diz respeito a São Carlos.

Isto indica que a cidade convive com uma realidade de pobreza, em algumas de suas dimensões, pior do que a realidade da região metropolitana de São Paulo, já caracterizada por altos índices de “exclusão social”.

Esta pesquisa construiu cinco tipologias de carência familiar baseadas numa perspectiva multidimensional da condição de vida que enfatizava as seguintes dimensões: acesso à renda, à educação, ao emprego, aos equipamentos de saúde e a condições dignas de habitação.

Na dimensão da saúde foram consideradas carentes as famílias que dependiam do Sistema Unificado de Saúde (SUS); em renda, as famílias que possuíam rendimentos inferiores a 2 salários mínimos por adulto equivalente; em educação, as famílias nas quais os chefes da família não possuíam escolaridade básica – primeiro grau completo; em habitação as famílias que residiam em imóvel construído com material adaptado ou moravam em domicílios com menos de três cômodos básicos (quarto, sala e cozinha) ou utilizavam coletivamente com outras famílias banheiro,tanque ou cozinha ou aquelas que para dormir serviam-se de outro cômodo, além dos quartos.

São Carlos também não escapa do principal problema dos tempos modernos: o desemprego. A destruição de postos de trabalhos e a crescente precariedade das relações de trabalho são fatores que incidem diretamente na renda e conseqüentemente na sobrevivência das pessoas e da família.

O crescente desemprego se torna ainda mais perverso nos segmentos populacionais mais pobres, pois, a escassez do emprego soma-se a baixa escolaridade e baixa qualificação o que torna mais difícil a inserção no mercado de trabalho, sobram sempre os empregos mais precários e menos remunerado. Para a sociedade fica a responsabilidade de construir alternativas viáveis que gerem emprego e renda.

Assim, o que é possível constatar é que o município de São Carlos, apesar de estar localizado em uma das regiões mais desenvolvidas do país e apresentar uma economia dinâmica, não conseguiu administrar o padrão de crescimento desigual já conhecido do cenário nacional. A pobreza e a miséria fazem parte de sua realidade, fato que impõe a necessidade de serem propostas e operacionalizadas políticas de inclusão social”.

Figura 2 – Tipologias: cidade de São Carlos

São Carlos2

Fonte:Pesquisa “Condições de vida e pobreza em São Carlos : a Questão da Pobreza. Uma abordagem interdisciplinar” NPD – Núcleo de Pesquisa e Documentação “Prof. Dr. José Albertino Rodrigues“ – DCSo / UFSCar , 1994.

Hipóteses

  • Existe relação entre as cinco tipologias estudadas (habitação, educação, saúde, mercado de trabalho e renda) e quais as classes socioeconômicas a elas associadas?

  • Existe relação entre as características do indivíduo (qualidade de inserção no mercado de trabalho, posição na família e cor)?

  • Há ligação entre os anos de escolaridade do indivíduo com a qualidade de inserção no mercado de trabalho?

Metodologia

O conjunto de dados a ser analisado foi obtido pela pesquisa “Condições de vida em São Carlos. A questão da pobreza: uma abordagem interdisciplinar”. Consiste em 923 observações de 21 variáveis relativas à saúde, renda, mercado de trabalho, entre outras.

Este estudo levará em consideração as cinco categorias socioeconômicas existentes no município, categorias estas classificadas nas classes A, B, C, D e E. Baseado nestas classificações será relacionado essas categorias com cinco tipologias de carência familiar, sendo elas: Habitação, Saúde, Educação, Renda e Emprego.

O problema de pesquisa a ser estudado, que buscaremos esclarecer é a importância da educação e a sua relação com a posição de um cidadão na família, sua cor e sua inserção no mercado de trabalho. Além da qualidade da inserção do profissional no mercado de trabalho, avaliando informações como estas: procura por trabalho nos últimos 7 dias , se trabalhou nos últimos 7 dias , procura por trabalho nos últimos 30 dias e caso não procurou por trabalho , quais são as razões.

Para a análise estatística dos dados, serão utilizadas técnicas multivariadas, de Análise Fatorial de Correspondências Simples e Múltiplas. Estamos interessados em identificar relações entre as unidades de observação, entre as características observadas e entre unidades de observação e característica simultaneamente.

Os métodos estatísticos para este tipo de estudo, assim como o uso de qualquer procedimento estatístico, depende do tipo de informação disponível, ou seja, do tipo de característica observada. Quando as características observadas são quantitativas as metodologias de Análise de Componentes Principais (ACP), Análise Fatorial (AF) e Análise de Conglomerados (Cluster) são apropriadas para o estudo. Porém, em muitas situações práticas particularmente nas Ciências Humanas e Sociais, com destaque na parte de pesquisa de opinião, as características de interesse são em quase sua totalidade, características qualitativas. Nestes casos, caso exista alguma característica quantitativa dentre aquelas de interesse, ela poderá ser categorizada e assim receber o mesmo tratamento das demais. Para estas situações é que a Analise Fatorial de Correspondências aparece como uma alternativa para análise do problema em estudo.

Por suas propriedades estatísticas e pela riqueza de suas interpretações, corroborada pelo desenvolvimento de recursos computacionais, a análise de correspondências tornou-se um método privilegiado na descrição de dados qualitativos. Com estas características, constitui-se numa ferramenta com inúmeras possibilidades de uso, particularmente nas áreas de ciências humanas e sociais onde a presença de variáveis qualitativas de interesse é bastante usual.

Podemos destacar dois grandes objetivos gerais da Análise Fatorial de Correspondências:

  1. Analisar toda informação contida em uma Tabela de Contingência;

  2. Representar Graficamente a estrutura de uma Tabela de Contingência.

A Análise de Correspondência tem por objetivo, identificar as relações das linhas, colunas e entre linhas e colunas de uma tabela de contingência, ou ainda, analisar a similaridade e dissimilaridade das linhas e colunas.

Em uma tabela de contingência, a semelhança entre duas linhas, ou entre duas colunas, se expressa de maneira totalmente simétrica. Duas linhas são consideradas próximas se estão associadas da mesma forma em relação ao conjunto das colunas, ou seja, se elas apresentam freqüências próximas para todas as colunas. Simetricamente, duas colunas estão próximas se estão associadas de um mesmo modo no conjunto das linhas.

Esquematicamente, o estudo do conjunto das linhas consiste em expor uma técnica na qual se buscam as linhas cuja distribuição se desvia mais do conjunto da população, aquelas que assemelham entre si (no sentido determinado anteriormente) e as que se opõem. Para relacionar a tipologia das linhas com o conjunto das colunas, caracteriza-se cada grupo de linhas pelas colunas a que este grupo se associa muito ou muito pouco. O estudo do conjunto das colunas é totalmente análogo.

Está claro que esta aproximação, segundo a noção de semelhança utilizada, permite estudar a relação entre as duas variáveis, isto é, o desvio da tabela da situação de independência. A análise desta relação é o objetivo fundamental da AFCS.

Finalmente é importante destacar que a AFC (Simples e Múltiplas) como toda Análise Fatorial também é utilizada para uma redução da dimensão dos dados conservando maior parte da informação possível.

A representação gráfica de uma Análise Fatorial de Correspondências é feita através do gráfico das coordenadas de cada plano fatorial. Usualmente os primeiros planos fatoriais são suficientes para análise do problema em estudo.

Quanto às variaveis ; foram analisadas no estudo:

  • Tipologia de Família :

  1. habitação1 ( escala politômica )

  2. educação1

  3. saúde1

  4. mercado de trabalho

  5. renda1

  • Característica do Indivíduo :

  1. Qualidade de inserção do indivíduo no mercado de trabalho

  2. posição na família

  3. cor1

  4. anos de escolaridade

São Carlos3

Figura 3 – Análise Fatorial de Correspondências – Tipologias da Família

Na figura 3, identificamos alguns grupos. O primeiro relaciona indivíduos classificados como classe A relacionados à medicina privada, à habitação mais que satisfatória e à educação muito alta. O segundo grupo, relacionado à classe social E, é relacionado às faixas de renda miseráveis e indigentes, grau de educação muito baixo e habitação insatisfatória. O terceiro grupo associa indivíduos da classe social D com a faixa de renda pobre, mercado de trabalho intermediário e habitação precária.São Carlos4Figura 4 – Análise Fatorial de Correspondências – Características do Indivíduo

Analisando estes dados constatamos que podemos formar grupos de características mais correlacionadas entre si , sendo eles :

  • Quando a qualidade de inserção da pessoa no mercado de trabalho é considerada como sendo dependente há uma tendência de que ela venha a ser de cor amarela e ocupe posição de cônjuge na família.

  • Quando a qualidade de inserção da pessoa avaliada é considerada como sendo ruim e muito ruim há uma tendência de que ela venha a ser de cor parda e preta-mulata e ocupe posição de parente e outros na posição da família.

  1. Foi considerado parente :filho , enteado , neto , pai , sogro , genro , nora , etc.

  2. Foi considerado outros: agregado , pensionista , empregado doméstico , parente da empregada , etc.

  • Quando a qualidade de inserção da pessoa avaliada é considerada como sendo regular e muito boa há uma tendência que ele venha ser um chefe de família.

  • Pela variável suplementar idade observamos que os indivíduos mais escolarizados , ou seja , com 15 anos de estudo ou mais estão associados à qualidade de inserção no mercado de trabalho considerada ótima.

Conclusões

Após a análise dos resultados, podemos dizer que o município de São Carlos apresenta problemas de inserção das classes D e E em vários setores da sociedade, desde a educação até o atendimento médico. Essas classes sociais estão fortemente associadas aos níveis de educação, saúde e habitação mais baixos e degradantes, ao passo que vemos os cidadãos da classe A com os níveis mais altos. Como essas classes de nível socioeconômico baixo, além das tipologias analisadas, possuem pouca educação, podemos concluir que o futuro para estes indivíduos é obscuro e extremamente limitado. Assim como o abismo social , que tende a aumentar.

A inserção do indivíduo no mercado de trabalho é um dos pilares fundamentais para um desenvolvimento gradativo da sociedade são-carlense. Quanto melhor a inserção do indivíduo no mercado de trabalho, mais destacada será a sua posição perante os seus familiares. Os indivíduos de cor preta/mulata e parda continuam a sofrer com um mercado de trabalho excludente, que apresenta um pré-conceito que podemos chamar de anomia.

Vale ressaltar que os indivíduos com maior escolaridade no município, que seria de mais de 15 anos de estudo , tendem a obter os melhores empregos, uma vez que o município possui uma qualidade de ensino superior considerada a melhor do interior do Brasil.

Em suma , São Carlos como uma cidade de porte médio apresenta problemas que ocorrem em quase todos os municípios da federação , porém por apresentar um índice de acesso ao ensino superior público e gratuito acima da média nacional era de se imaginar que o governo do município pudesse apresentar uma política que buscasse integrar as classes D e E com maior efetividade ao mercado de trabalho , a saúde e a educação . Além de promover políticas públicas que venham a atender com mais acurácia e transparência o cidadão de baixa renda que necessita de uma moradia digna para viver , e não apenas para sobreviver.

Esta pesquisa foi realizada por Moacir Pereira Alencar Junior e Victor Ramos Zambrano , no 2º semestre de 2008.