Morre em São Paulo o ex-governador Orestes Quércia

Ex-governador de São Paulo morreu vítima de câncer na próstata.
‘Ele teve papel importante na redemocratização do país’, disse Alckmin.

Morreu na manhã desta sexta-feira (24) o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, aos 72 anos, informou a assessoria do hospital Sírio Libanês, onde ele estava internado para tratar de um câncer na próstata.

No início de setembro, ele teve diagnosticado um tumor de próstata que havia sido tratado há mais de dez anos. Dias depois, o peemedebista desistiu de sua candidatura ao Senado para tratar a doença.

O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, chegou por volta das 10h ao hospital após ser informado da morte de Quércia. “Visitei o Quércia há três dias no hospital, mas ele já não reconhecia as pessoas”, comentou Alckmin, que durante a campanha para as eleições de outubro teve a companhia de Quércia em vários compromissos eleitorais. Segundo a assessoria de imprensa do ex-governador, o estado de saúde de Quércia piorou muito na quarta-feira (21), e se agravou nesta madrugada.

O velório de Quércia será no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, em horário a ser divulgado. De acordo com a assessoria do ex-governador, o enterro será neste sábado (25) no Cemitério do Morumbi, na Zona Sul de São Paulo.

Trajetória política

Orestes Quércia nasceu em Pedregulho, no interior de São Paulo, em 18 de agosto de 1938. O empresário foi vereador, deputado estadual, senador, vice-governador e governador do Estado de São Paulo. Construiu a maior parte de sua trajetória política dentro do PMDB, algumas vezes em oposição aos rumos da direção nacional do partido.

Quércia viveu com a família parte da infância nas cidades de Franca e de Campinas. Foi em Campinas, quando ainda era adolescente, que deu os primeiros passos na política estudantil, envolvendo-se no grêmio da Escola Normal Livre. Nesse mesmo período, trabalhou como repórter do “Diário do Povo”.

Escolheu cursar direito na Faculdade de Direito da Universidade Católica de Campinas. Na faculdade coordenou o jornal do centro acadêmico. Trabalhou como locutor entre 1959 e 1963 nas rádios Cultura e Brasil, além de trabalhar no “Jornal de Campinas” e na sucursal do jornal “Última Hora”.

Começou na política em 1963, quando foi eleito vereador em Campinas pelo Partido Libertador. Filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB) após o Ato Institucional nº 2. Pelo MDB, em 1966, foi eleito deputado estadual. Voltou para Campinas em 1969 para assumir a prefeitura da cidade.

Nas décadas de 70 e 80, Quércia tornou-se um dos políticos mais influentes no estado conquistando apoio de políticos do interior. Em novembro de 1974, venceu a disputa ao Senado. Em setembro de 1979, apresentou proposta de emenda constitucional convocando uma assembleia nacional constituinte. Em Campinas, no mesmo ano, fundou o “Jornal Hoje”, publicação posteriormente incorporada ao “Diário do Povo”.

Já no PMDB, em 1982, foi eleito vice-governador na chapa de André Franco Montoro. Em novembro de 1986, derrotou Paulo Maluf na disputa pelo governo do estado. Após a série de vitórias nas urnas que teve seu ápice no governo do estado, o peemedebista não venceu nenhuma outra eleição. Concorreu à Presidência da República em 1994, mas ficou em quarto lugar. Em 1998, tentou voltar ao governo de São Paulo, mas recebeu apenas 4,3% dos votos válidos.

No governo paulista, Quércia investiu na reforma de estradas, construiu o Memorial da América Latina e criou a Secretaria do Menor. O político também atuou como empresário nos ramos imobiliário e de comunicação, além de investir no setor agropecuário. Após deixar o cargo de governador, Quércia foi presidente nacional do PMDB entre 1991 e 1993.

Em 2010, chegou a lançar candidatura ao Senado. Enquanto o seu partido articulou uma aliança para a eleição de Dilma Rousseff, Quércia e o PMDB paulista ratificaram o apoio já estabelecido ao PSDB, que lançou José Serra como candidato. Em setembro, o peemedebista anunciou, por meio de carta, a desistência da candidatura.

O motivo da desistência foi o diagnóstico do retorno de um tumor de próstata que havia sido tratado há mais de 10 anos. “Entendo que essa atitude, nesse momento, apesar de difícil, é a mais correta a bem dos interesses da Coligação, do meu Partido, do meu estado e meu interesse em recuperar minha saúde”, diz Quércia na carta. Após a o diagnóstico, Quércia começou o tratamento com sessões de quimioterapia e ficou internado 36 dias, entre agosto e outubro.

Políticos lamentaram a morte de Orestes Quércia nesta sexta-feira (24), em São Paulo. O ex-governador e ex-senador morreu no hospital Sírio Libanês para tratamento de um câncer na próstata. Veja as declarações abaixo:

Luiz Inácio Lula da Silva (presidente):“Recebo a notícia da morte do ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, com pesar. Nem sempre estivemos do mesmo lado na política, mas Quércia sempre foi da ala dos desenvolvimentistas, que pensam o país para além de seu tempo. Sua eleição para o Senado em 1974 foi um marco na luta pelo restabelecimento da democracia. Nesse momento triste, presto minha solidariedade a sua família, seus amigos e correligionários”.

Dilma Rousseff (presidente eleita): “É com pesar que recebo a notícia da morte de Orestes Quércia. São Paulo e o Brasil vão se lembrar dele como um expoente da resistência democrática, um governador de muitas realizações e um defensor do desenvolvimento do país. Em todas as circunstâncias, foi um lutador.”

Geraldo Alckmin (governador eleito de São Paulo): “Lamento muito a morte do ex-governador Quércia. Nosso sentimento é de oração e de solidariedade com a família. Quércia foi uma pessoa de posição forte que teve papel importante na redemocratização do país. Ele foi um excelente companheiro, entusiasmado e muito presente durante a campanha “.

Gilberto Kassab (prefeito de São Paulo): “Orestes Quércia teve atuação marcante na política nacional. Como vereador, prefeito, deputado estadual, senador, governador e dirigente partidário, carregou as bandeiras do municipalismo e do desenvolvimento. Desejo paz para sua família neste momento difícil.”

Paulo Maluf (ex-governador e deputado federal eleito): “Tenho pelo governador Quércia o maior respeito pela obra que realizou no estado de São Paulo. Foi um municipalista, ajudou na base da economia, que é o município, fez muitas obras de vulto. É um exemplar filho, pai e marido. Deixa uma lacuna na vida pública paulista. Nosso relacionamento foi sempre muito respeitoso. Uma perda lamentável e deixa um vazio muito difícil de ser preenchido na política nacional. Nessa hora temos que rezar para que a família possa suportar a dor da perda.”

Senador Sérgio Guerra (presidente do PSDB): “Convivi pouco com Orestes Quércia, mas quando nos encontramos, nos últimos três anos, a impressão que fica dessa convivência é de um político afirmativo e que honrava a palavra.”

Senador Valdir Raupp (vice-presidente do PMDB): “Quércia ajudou muito o partido no momento que o PMDB cresceu. Ele foi prefeito de Campinas e governador de São Paulo em um grande momento do PMDB. Era para ele ter sido candidato à Presidência da República em 1989 e tinham pesquisas que indicavam ele na frente para a Presidência, mas o candidato foi outro e o Collor acabou eleito. O Quércia contribuiu muito com o partido, com o estado de São Paulo, fez um bom governo, e em nome do partido a gente lamenta seu falecimento”.

Senador Pedro Simon (PMDB-RS): “Estou muito abatido com a morte do Quércia. A gente sabia da situação dele e ele tomou uma atitude corajosa e aceitou concorrer ao Senado este ano, mas no meio da campanha teve uma crise e teve de se submeter a quimoterapia e renunciar a candidatura. Lamentavelmente a situação piorou e agora veio a falecer. É uma figura muito controvertida. Tínhamos muita divergência, mas há de se reconhecer seu papel importante no PMDB e na política brasileira. Lamento muito a morte dele e deixo um abraço para a esposa e os filhos. Discordei muito dele ao longo da vida, mas reconheço as coisas que ele fez, principalmente para o estado de São Paulo”.

Alda Marco Antônio (vice-prefeita de São Paulo): Quem o conheceu de perto sabe que o mundo perdeu um ser humano de grandes qualidades, um grande amigo e um grande político. Ele deixa uma lacuna em todos os que o conheceram.

Roberto Freire (presidente do PPS): “O PPS – Partido Popular Socialista – lamenta o falecimento do ex-governador Orestes Quércia e se solidariza com a família e amigos. Com sua morte, São Paulo e o Brasil perdem um político que foi fundamental na luta pela redemocratização. Eleito senador por São Paulo na histórica eleição de 1974, que marcou a ascenção da oposição democrática ao regime militar, juntou-se a outros expoentes do MDB para conquistar a democracia que as atuais gerações desfrutam.”

PSDB será o partido com o maior número de governadores no país

Partido é derrotado na Presidência, mas conquista oito estados.
PSB é o segundo partido com mais eleitos: seis.

O PSDB governará oito estados do país a partir de 2011. É o partido com o maior número de eleitos para os Executivos estaduais. Com isso, o partido volta a liderar o ranking de representantes, passando o PMDB.

O PSB é o segundo partido com o maior número de eleitos. São seis governadores da sigla (três eleitos no segundo turno).

O resultado para o PSDB é importante após o partido sair derrotado na eleição presidencial e perder cadeiras tanto na Câmara dos Deputados como no Senado.

Na Câmara, foram 53 deputados federais eleitos (contra 66 vitoriosos em 2006). No Senado, o partido perdeu cinco representantes (terá 11 senadores em 2011) e foi ultrapassado pelo PT.

O PT e o PMDB comandarão cinco estados cada um; o DEM, dois; e o PMN, um.

 Os governadores eleitos em cada estado foram:

Tião Viana (PT) no Acre , Teotonio Vilela (PSDB) em Alagoas, Omar Aziz (PMN) no Amazonas, Camilo Capiberibe (PSB) no Amapá, Jaques Wagner (PT) na Bahia, Cid Gomes (PSB) no Ceará, Agnelo Queiroz (PT) no Distrito Federal,  Renato Casagrande (PSB) no Espírito Santo , Marconi Perillo (PSDB) em Goiás, Roseana Sarney (PMDB) no Maranhão,  Antonio Anastasia (PSDB) em Minas Gerais, André Pucinelli (PMDB) no Mato Grosso do Sul, Silval Barbosa (PMDB) no Mato Grosso, Simão Jatene (PSDB) no Pará, Ricardo Coutinho (PSB) na Paraíba, Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco, Wilson Martins (PSB) no Piauí , Beto Richa (PSDB) no Paraná , Sérgio Cabral (PMDB) no Rio de Janeiro, Rosalba Ciarlini (DEM) no Rio Grande do Norte, Confucio Moura (PMDB) em Rondônia, Anchieta Junior (PSDB) em Roraima , Tarso Genro (PT) no Rio Grande do Sul , Raimundo Colombo (DEM) em Santa Catarina, Marcelo Deda (PT) em Sergipe,  Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo e Siqueira Campos (PSDB) em Tocantins.

‘José Ribamar Ferreira de Araújo Costa’ ou ‘José Sarney’ – ele soube governar o Maranhão e o Brasil ? – por Moacir Pereira Alencar Junior

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José Ribamar Ferreira de Araújo Costa nasceu em Pinheiro (MA) em 1930. Adotou o nome Sarney em homenagem ao pai.

Advogado, governou seu estado entre 1966 e 1971. Vice-Presidente de Tancredo Neves em 1984,  assumiu a presidência em 1985, devido à morte do titular.

Em seu governo foi reestabelecida as eleições diretas, foi promulgada a nova Constituição e foi implantado quatro planos econômicos sem sucesso.

Em 1986, o governo Sarney lançou o Plano Cruzado, o primeiro de uma série de programas para combater a inflação. O cruzeiro foi substituído pelo cruzado, os preços foram congelados e os salários reajustados pela média dos últimos seis meses.

Inicialmente os resultados foram bons, o que contribuiu para a vitória esmagadora do PMDB nas eleições, quando o partido ganhou todos os governos estaduais, exceto o de Sergipe, e a maioria das cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado.

Mas no início de 1987 a inflação disparou. O governo Sarney lançou outros três planos de estabilização da moeda que foram fracassados.

Em 1966, José Sarney assumiu o governo do Maranhão e encomendou um vídeo sobre sua posse. O cineasta Glauber Rocha fez o filme, sobrepondo ao discurso inflamado do futuro presidente do Brasil as imagens da dura realidade do pobre Estado nordestino.

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Durante o governo de José Sarney (1985-1989), a Inflação foi um flagelo para a população brasileira. Os trabalhadores tinham os salários constantemente corroídos, apesar de práticas de antecipação dos salários e reajustes trimestrais e até mensais de salários.
Planos como o Cruzado e o Cruzado II (respectivamente em fevereiro e novembro de 1986), o Plano Bresser (1987) e o Plano Verão (1989) fizeram com que aquela década ficasse conhecida como a “década perdida” na economia e também nas questões sociais.
Mais de quarenta anos após sua posse como Governador do Maranhão, o PIB per capita maranhense, de R$4.628 (em 2006), é o segundo mais baixo do Brasil, atrás apenas do estado do Piauí. O índice de mortalidade infantil é alto – 39,2 por mil nascidos vivos – a segunda pior taxa do país, só superada pela taxa do estado de Alagoas.
Apesar do desenvolvimento alcançado em alguns setores econômicos, o Maranhão ocupa a última posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) brasileiro. Realmente algo mudou após 40 anos, conforme visto no filme de Glauber Rocha? Ou será que tudo continua como sempre esteve ?
O mais estarrecedor é saber que sua filha, Roseana Sarney, tomou posse do Governo do Maranhão em 17 de  abril deste ano, uma vez que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cassou o mandato do candidato eleito nas eleições, Jackson Lago e de seu vice, Luís Porto. E  Sarney continua ‘firme’ e ‘forte’, ocupando o cargo de presidente do Senado, cargo este que ele ocupa representando o estado do Amapá, isto mesmo, o estado que ele criou na Constituição de 1988, e não o Maranhão, pelo qual ele prometeu lutar por melhorias em seu discurso de posse de governo há exatos 43 anos.