PSDB de São Carlos será Hexa – ‘A arte da inépcia e a paixão pela derrota’. – por Moacir Pereira Alencar Júnior

Moacir Pereira Alencar Júnior

O PSDB nasceu no ano de 1988, em meio ao processo constituinte, como uma facção de dissidentes do antigo MDB. Caminhando hoje para seus 24 anos de vida, o partido não conseguiu atingir sua maioridade e sua maturidade política em certos municípios do Brasil.

De 1992 até 2008, foram cinco eleições municipais para a escolha de prefeito e vereadores. Nestes 16 anos tivemos diferentes conjunturas, diferentes senadores, diferentes governadores, diferentes presidentes; além de diferentes candidatos nos mais variados partidos que optaram por disputar a prefeitura são-carlense. Porém, o PSDB de São Carlos  não soube em nenhum momento aproveitar cenários favoráveis, seja da conjuntura estadual, seja da conjuntura federal.

De 1992 até então, o partido demonstra estar petrificado no que tange a candidatura a prefeitura do município de São Carlos. Em 1992, Paulo Altomani se lançou candidato à prefeito em um momento onde o PSDB ainda se mostrava incipiente, já que tinha apenas 4 anos de estrada, e quase nada a mostrar de factível e concreto a população.

Já em 1996, durante um período de relativa estabilidade econômica, e tendo Mario Covas como governador e FHC como presidente, o partido saiu das eleições derrotado. Melo, do então PFL, teve 36,4% dos votos; Altomani, pelo PSDB, teve 34,0%; e Lobbe Neto, então no PMDB , teve 14,7%. O regionalismo rasteiro e a completa ausência de unidade das coligações de então, levaram a segunda derrota do candidato do PSDB no município.

No ano 2000, buscando a reeleição, agora pelo PTB, Melo perdeu por 128 votos para Newton Lima (PT). O ex-reitor da UFSCar(1992-1996), vinha se destacando neste período, por sua capacidade administrativa e planejamento estratégico, atuando na FAI-UFSCar. Newton era uma imagem de ruptura frente aos candidatos anteriores, assim como Altomani, já que muito dos candidatos que disputavam, ainda estavam vinculados a grupos que gerenciaram a cidade em tempos de restrição dos direitos políticos, e representavam o famoso coronelismo que assola o país. Altomani teve nestas eleições apenas 11,7% dos votos. Certamente a campanha não decolou, uma vez que ele demonstrava ser mais do mesmo, não conseguiu conquistar os anseios e as aspirações de quem clamava por mudança.

Dentro do senso comum, uma derrota como a de 2000 – após três eleições seguidas – representaria o fim da trajetória política de Altomani como candidato a prefeito.  Porém em 2004, Altomani se lançaria a quarta candidatura sucessiva a prefeito de São Carlos, também pelo PSDB. Em uma realidade e contexto totalmente adverso, com a expansão do PT nas esfera municipal e federal, o PSDB pecou novamente. Newton Lima foi reeleito com 42,8% dos votos. Restou ao Altomani, 28% dos votos e uma sensação de definitivo e já tardio déjà vu.

Mas a surpresa ainda viria a bater as portas; em 2008, novamente ele – Altomani – se mostraria como uma ‘nova figura política’ para por fim aos 8 anos de gestão petista em São Carlos.  Sedento por poder dentro do partido – ou por falta de figuras credenciadas e qualificadas para disputar as eleições –  e crente que desta vez o povo votaria nele, ele conquistou o pentacampeonato consecutivo de derrotas para o executivo do município. Neste episódio, o partido demonstrou também uma incapacidade elevadíssima para buscar parcerias partidárias, e não conseguiu nem se quer união com o DEM – que lançou Aírton Garcia, que teve 30% dos votos, em um partido que na esfera estadual e federal sempre estava alinhado ao PSDB. Oswaldo Barba, ex-reitor da UFSCar (2004-2008), representando os legados e conquistas de Newton, não precisou de esforço para sair vencedor, já que a inépcia de ação e comunicação entre DEM e PSDB demonstrou a que ponto chega a fome pelo poder, tanto para se manter imutáveis dentro de seus respectivos diretórios, como também pela excessiva ambição de ‘chegar ao trono’ municipal.

Estamos em 2012, os 12 anos de PT no município já demonstram desgastes e problemas graves nos mais variados setores. Há problemas de infra-estrutura na área de Saúde, Educação, Transporte,  e muitos outros. Centenas de milhares de cidadãos reclamam dos atendimentos das Unidades Básicas de Saúde, ora por falta de médicos qualificados em diferentes áreas médicas, além de problemas de atendimento, ora pela morosidade, ora pelo descaso de certos médicos para com a comunidade em variados bairros do município.

Na questão do transporte, a concorrência – tão cara e bela em uma verdadeira democracia, onde deveria predominar opção de escolhas e qualidades de serviços – é substituída pelo monopólio de uma empresa de ônibus (Athenas Paulista) que atende a população a seu bel prazer, furtando os cidadãos com suas taxas altas e serviços deficitários, distantes de uma boa qualidade.

Na questão da educação, certas escolas municipais agonizam devido a problemas de investimento, e a um constante problema de demanda para receber alunos nas séries iniciais e no ensino fundamental. A questão da infância e juventude é usada como modelo pela gestão municipal, mas problemas em conselhos tutelares e em algumas entidades de auxilio a jovens é constante e preocupante.

Chegamos a um período que precede os 6 meses para as eleições; o PSDB, julgando estar inovando, novamente lançará o desgastado e colecionador de derrotas Paulo Altomani, sendo que o apoio do DEM ainda está em aberto, ou seja, talvez voltaremos a assistir a oposição se degladiando mais uma vez.

O PT, gerenciando pessimamente a cidade, com sua política de pão e  circo, continua majestoso, mesmo em meio a inépcia administrativa e a incompetência de seu prefeito, uma vez que a oposição se mostra amorfa, apática e totalmente incapaz de mostrar onde está seu projeto hegemônico caso chegue ao poder.

O cenário político das eleições de 2012 em São Carlos promete:

Estas campanhas prometem ser uma tragédia muito maior do que nossas próprias forças. Os nossos “líderes políticos”, afirmando hoje as mentiras de ontem, negando amanhã as verdades de hoje, mostrarão a imagem da virtude da democracia, quem és o pai da ‘pátria’ são-carlense. E que ‘pátria’…

 

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Mentiras,mentiras abomináveis e estatísticas – A UFSCar segundo o PT. – por Moacir Pereira Alencar Junior

Um grupo intitulado de “amigos da UFSCar” divulgou um informativo pró-DiLMA com o que eles chamam de “benefícios do Governo Lula à UFSCar”.

Em uma sequência de sete tabelas eles buscam mostrar as chamadas benesses do governo federal entre os anos de 2003- 2010 em uma comparação constante com o governo FHC.

Mas o que é visto é um contradição de dados sem fontes que mostram o quão precipitado foi o REUNI.

O que é o REUNI ??

A expansão da educação superior conta com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que tem como principal objetivo ampliar o acesso e a permanência na educação superior.

Com o Reuni, o governo federal adotou uma série de medidas para retomar o crescimento do ensino superior público, criando condições para que as universidades federais promovam a expansão física, acadêmica e pedagógica da rede federal de educação superior. Os efeitos da iniciativa podem ser percebidos pelos expressivos números da expansão, iniciada em 2003 e com previsão de conclusão até 2012.

As ações do programa contemplam o aumento de vagas nos cursos de graduação, a ampliação da oferta de cursos noturnos, a promoção de inovações pedagógicas e o combate à evasão, entre outras metas que têm o propósito de diminuir as desigualdades sociais no país.

O Reuni foi instituído pelo Decreto nº 6.096, de 24 de abril de 2007, e é uma das ações que integram o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).


Os “amigos da UFSCar” ao destacarem a evolução dos cursos de graduação e pós-graduação esqueceram de comparar com exatidão a relação da evolução corpo docente – corpo discente.

Durante o governo de FHC o número de vagas ano por vestibular oscilou de aproximadamente 850 (1995) a 1100(2002). Neste mesmo período o número de docentes da instituição se manteve na casa de 550 a 600. Tendo como parâmetro o ano de 2002, teremos um coeficiente de aproximadamente 0,5 professores para cada aluno ingressante ( 550/1100 = 0,5).

No primeiro mandato de Lula (2003-2006) estas estatísticas mantiveram-se similares obedecendo a uma mesma proporção. Porém, em 2007, com a aprovação do REUNI (a política de expansão da educação superior), a UFSCar passou a evoluir segundo uma perspectiva que deixou cada vez mais vísivel os problemas de infra-estrutura física e acadêmica.

Durante o segundo mandato do governo de LULA o número de vagas ano por vestibular oscilou de aproximadamente 1500 (2007) a 2600(2010). Neste mesmo período o número de docentes da instituição oscilou de aproximadamente 700 para cerca de  1000. Portanto , o coeficiente de professores para cada aluno ingressante caiu vertiginosamente para 0,38, uma vez que [(1000/2600)]=0,38. Isto representa uma queda de 24% no número de professores para cada aluno ingressante na universidade- um dado alarmante , que mostra como deverá estar a médio prazo a condição de ensino da instituição.

Além disso merece ser destacado o quanto foi irrelevante o repasse de dinheiro anual recebido pela instituição entre 2007 e 2010. Oscilou de aproximadamente R$ 35 milhões por ano, em 2007, para aproximadamente R$41 milhões, em 2010. Neste período o aumento do orçamento da instituição não chegou a 20%, sendo que o  aumento do número de  alunos que ingressaram na instituição ,anualmente, entre 2007 e 2010 aumentou em escala exponencial , chegando a 73%.

Quantidade X Qualidade

A expansão do Restaurante Universitário, que se deu  em 2009, não surtiu efeito, já mostrando quão problemática é a situação dos estudantes que dependem do mesmo para se alimentar.  Em médio prazo ele não comportará a demanda de alunos que ingressam anualmente na instituição. Além disso, a qualidade da refeição não está a altura do que poderia estar.

O Hospital-Escola, que teve sua pedra fundamental colocada por Lula no ano de 2005, e passou a funcionar em  2007, ainda não funciona de modo adequado, prejudicando a comunidade São-Carlense e os estudantes de medicina, que não  possuem parcerias sólidas para executarem seus estágios obrigatórios no próprio município.

No hospital, no dia 25 de outubro , assim que a fiscalização do Ministério Público chegou durante a manhã, os funcionários que trabalham na construção do novo módulo do hospital pararam de trabalhar. Eles estavam em um andaime de três metros de altura. O suporte não estava preso ao chão, o que poderia provocar acidentes.

Em outro ponto, onde funcionará um refeitório, faltavam grades de proteção. Em outra área, uma vala deveria ser mais larga para evitar que os funcionários fiquem presos em caso de desabamento. O MP interditou os três locais e multou a construtora responsável em R$ 15 mil devido irregularidades nos equipamentos de proteção individual.

A empresa foi multada também por descumprir um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MP, em que se comprometia a melhorar as condições de trabalho.

O administrador da obra não foi encontrado. A prefeitura informou que terceiriza o serviço e aguarda a notificação para poder cobrar a construtora.

Somado a isso assistimos ao loteamento de cargos públicos do Partido dos Trabalhadores nas mais variadas esferas nacionais. Será que a população vai eleger o próximo reitor da UFSCar como prefeito de São Carlos pelo PT? Será que todos permanecerão a tratar de maneira indissociável a Universidade, o Governo  e o Partido Político (PT)?

Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula ,o PT e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia – a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o “cara”?