Entre raposas e leões – a perspectiva Made in Brazil. – por Moacir Pereira Alencar Junior

Raposas e Leões

Adaptando Maquiavel, Pareto dividiu as elites políticas em ‘raposas‘ e ‘leões’. A primeira preferia a ‘astúcia’ dos que governavam por consenso; a segunda era a tendência conservadora, mais inclinada a empregar a força.  Os dois tipos de elite política conquistavam o poder recrutando o apoio de coalizões de grupos sociais e econômicos muito mais heterogêneos, que possuíssem características paralelas associadas aos ”especuladores” inovadores ou aos investidores ”rentistas”, respectivamente.

Pareto afirmou existir uma ‘circulação’ cíclica de elites que acompanhava os ciclos socioeconômicos.  Assim, as raposas adulavam os especuladores, ajudando-os tácita ou ativamente a espoliar os rentistas – fossem eles poupadores da pequena burguesia ou acionistas majoritários.

Inicialmente, a prosperidade crescente seria acompanhada do questionamento da moralidade tradicional  e de uma expansão do consumo. Mas o governo e o populacho  se endividariam devido ao sobreconsumo baseado no crédito, enquanto a escassez de capital e a falta de investimento produtivo levariam a economia a se contrair.

A necessidade de comedimento e de poupança se tornaria evidente, e um governo mais conservador, de leões, assumiria a ribalta, apoiado pela classe econômica dos rentistas. Ao final, a economia começaria a estagnar e as pessoas se cansariam da austeridade leonina, precipitando assim a ascensão das raposas e dos especuladores e o início de um novo ciclo.

No caso Made in Brazil há um problema grave…

Tudo se  dá de forma acíclica

As raposas assumiram…

O governo e o populacho se endividaram…

… a escassez de capital e a falta de investimento produtivo é uma realidade cada vez mais clamorosa…

A economia segue  rumo a estagnação…

O clientelismo das raposas dispersou o poder do Estado, criando um novo feudalismo.

A democracia Made in Brazil ofereceu o instrumento perfeito para os políticos-raposas construírem uma rede clientelista de “especuladores”.

Posso estar oferecendo apenas uma legitimidade espúria para se ter a substituição de um elite de raposas por uma elite de leões.

Mas o que ocorre quando os leões desaparecem?? Porque o silêncio dos leões??

cadê vocês, leões….

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“Nicolau Maquiavel” (1469-1527) – por Moacir Pereira Alencar Junior

Maquiavel foi um patriota apaixonado, um democrata , um crente na liberdade , e “O Príncipe” tem a intenção de advertir os homens quanto ao que os tiranos poderiam ser e fazer ,  para melhor poderem resistir a eles.

Maquiavel demonstrou lamentar os vícios humanos que criaram trilhas pecaminosas politicamente inevitáveis. Ele contemplou um mundo no qual os fins políticos só podiam ser atingidos por meios moralmente maus, e a par dele, foi o homem que divorciou as províncias da política e da ética.

Para Maquiavel, os homens que cometem erros e vivem em um mundo de ilusões , fracassarão em tudo o que empreenderem , pois não compreender a realidade – ou, pior ainda, ignorá-la e até mesmo menosprezá-la , sempre acabará por resultar em derrota.

Segundo Maquiavel, os homens, como indivíduos , buscavam finalidades diversas, e cada tipo de busca necessitaria de uma capacitação adequada. Para possibilitar que os fizessem, seriam necessários governos, pois não existiria nenhuma mão oculta que conduziria tais atividades humanas a uma harmonia  ( natural, espontânea ). O Príncipe ordenaria os grupos humanos governados por interesses diversos e lhes traria segurança, estabilidade, e acima de tudo proteção contra seus inimigos, a fim de estabelecer instituições sociais que fossem as únicas  a capacitar os homens para a satisfação de suas necessidades e aspirações.

Apesar de Maquiavel oferecer razões para preferir a liberdade e um governo republicano, havia situações nas quais ele acreditava que um príncipe forte seria preferível a uma república fraca.

Maquiavel destacou que os homens são facilmente corrompidos , e são difíceis de curar. Reagem tanto ao amor quanto ao temor , tanto ao cruel Aníbal quanto ao justo e humano Cipião. Este temor poderia vir a ser mais confiável, desde que jamais se transformasse em ódio , que destrói o mínimo de respeito que o povo tem de ter por quem os governa.

Maquiavel dizia que a liberalidade , misericórdia, honra, humanidade , franqueza, castidade, religião, e assim por diante , são de fato virtudes , e que uma vida vivida no exercício de tais virtudes seria um sucesso se todos os homens fossem bons. Porém, eles não são, e é ocioso esperar que eles assim se tornem. Para Maquiavel, temos de aceitar os homens tais como os encontramos , e buscar aprimorá-los por caminhos possíveis.

Portanto, Maquiavel busca dizer ao povo que o mesmo é o responsável por ter virtudes cívicas, sabendo escolher seus governantes. E o grande líder ( Príncipe ) deve ser implacável, sabendo remediar e premeditar suas ações , ora pela maldade, rompendo com as leis humanas e divinas; ora pela mercê do favor de seus conterrâneos, lembrando que aos fortes a fortuna ajuda.