Diferente, Exclusivo ou Igualitário? O Mundo e suas facetas. – por Moacir Pereira Alencar Junior

Há palavras no mundo que são utilizadas com uma frequência espetacular. Elas possuem o poder tempestuoso de organizar e desorganizar, de promover revoluções e reações. São elas : diferença, exclusãoigualdade.

Você é alguém diferente ou exclusivo em meio a todos?

Segundo o dicionário Aurélio, organizado por Aurélio Buarque de Hollanda, a palavra  diferença tem origem do latim differentia e significa a falta de semelhança ou igualdade, dessemelhança, dissimilitude, diversidade . Em suma, o resultado da subtração de duas ou mais quantidades para os matemáticos.

Já a palavra exclusão tem origem no latim exclusione e significa ato de excluir, exceção, exclusividade. Isto mesmo, a palavra exclusão leva à exclusividade.

Assim como as duas palavras anteriores, a palavra igualdade também tem origem no latim aequalitate, que significa paridade, uniformidade, eqüidade, justiça.

Em nossa atualidade estas palavras são interpretadas das formas mais variadas e distorcidas possíveis. Certamente haverá alguém que lerá este artigo e dirá que estou distorcendo conceitos de grandes pensadores. Sintam-se a vontade para questionar meu pensamento e minha perspectiva adotada neste tema.

Partindo da ideia de que não há uma verdade oficial, uma vez que todos bradam por suas verdades individuais, me sinto no direito de dizer que neste artigo a verdade floresce de mim.

Se a história da humanidade sempre foi construída a partir dos confrontos entre diferentes e pelo reconhecimento da exclusividade de ser e estar em um determinado lugar e em um determinado posto hierárquico, por que criar tantos esquematismos  e cismos quanto a estas questões?

Com a Revolução Russa consolidada, na década de 1930, o principal líder dirigente da então URSS, Josef Stalin, sempre frisou que o socialismo não era um regime de iguais. O sistema social desejado por Stalin e que subsistiu até o fim da URSS era hierárquico, mas com ampla mobilidade para cima. Stalin admitia com absoluta franqueza que isto implicava uma estratificação. Em 1931, Stalin atacou como extremista a prática do nivelamento dos salários. Marx e Lênin, dizia Stalin: “escreveram que as diferenças entre trabalho especializado e não-especializado existiriam também no socialismo, mesmo depois da abolição das classes”.(Stalin, Sotchinenia,vol XIII , pp.77-80)

Em outras palavras, o Socialismo que sempre foi defendido como a bandeira dajustiça e eqüidade”, criou a exclusividade, a igualdade entre diferentes.

A derrocada do Socialismo levou a vitória do Capitalismo, da ideologia liberal e do mercado total. Com o Capitalismo as diferenças e o caráter de ser exclusivo conquistaram cada vez mais força e determinaram as relações sociais, políticas e econômicas.

Isto fez com que a igualdade fosse posta novamente em pauta, por meio de discursos que defendiam a ideia de que não havia diferença entre povos, culturas e nações. Afinal, todos possuem mesmos direitos e deveres como um cidadão do mundo, tal como diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. A defesa do Homem uno e indissociável como átomo foi um dos motivos da consolidação de milhares de movimentos sociais pelo mundo nos anos 1980.

Mas este grande momento de reverberação da igualdade nasceu das diferenças entre grupos. Afinal de contas, o que levava um professor secundário em Genebra a ganhar 56700 francos suíços em 1979, enquanto no Rio de Janeiro o salário anual era de 7350 francos suíços? Como iguais podem ser tratados de forma diferente como esta? Seria a construção de uma cultura que tem como base o respeito a tradição e a valores primordiais como a educação? Para efeito de comparação, no Rio de Janeiro no mesmo período um administrador ganhava em média anualmente  53040 francos suíços enquanto em Genebra o salário de um administrador era de 71760 francos suíços.

Estes dados mostram a diferença de pensamento de diferentes povos para assuntos primordiais para a busca da igualdade. A igualdade nasce do acesso a cultura, da busca pelo reconhecimento via mérito. E todos os grupos podem atingir este patamar de enriquecimento cultural, independente das diferenças e quistos sociais existentes.

A igualdade, em contrapartida, não pode existir na plenitude. A diferença é e continuará a ser a determinante das mudanças  existentes no mundo, seja no cultural , no econômico e no social. Caberá aos grupos mostrarem as ferramentas para caminhar rumo ao exclusivo dentro da diferença, e por consequência se afastar da ideia do igual.

A igualdade tem que se dar em diferentes grupos que buscam se adequar ao mundo visando suas exclusividades. A Diferença, A Exclusão, A Igualdade; formam um tripé que levará a um compreensão maior das relações e das conquistas multiculturais à humanidade.

O caráter da diferenciação, da exclusividade e da igualdade permanecerão no cerne da vida humana, criando e recriando duelos nas mais variadas áreas do conhecimento. Basta ao homem saber empregá-las, e com mais equilíbrio torná-las aceitáveis e passíveis de interpretação em meio a diversidade.


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Imperialismo Econômico e Economia Socialista : faces da mesma moeda ? – Por Moacir Pereira Alencar Junior

Este artigo visa fazer uma síntese entre duas correntes de pensamento socioeconômico que foram estudadas por muitos teóricos na história :

  • o Socialismo, conjunto de doutrinas que se propõem a promover o bem comum pela transformação da sociedade e das relações entre as classes sociais, mediante a alteração do regime de propriedade, e

  • o Imperialismo, política de expansão e domínio territorial e/ ou econômico de uma nação sobre outras, que nas últimas décadas do século XX passou a também ser definida como Neoliberalismo. Sendo o Neoliberalismo uma doutrina que favorece uma redução do papel do estado na esfera econômica.

Introdução

O socialismo nasce em um período da história, século XIX, em oposição as idéias liberais e a expansão do capitalismo. Sendo a Revolução Industrial um dos principais fatos por ele discutido, uma vez que a revolução industrial provoca efeitos sociais irreversíveis.

Em seu primeiro momento, surge como um ideal, mas depois passa a ser visto como uma necessidade considerada histórica, que origina-se da crise do capitalismo. Esta corrente de pensamento baseia-se na análise da sociedade do século XIX, que de certa forma é eminentemente capitalista.

Para Karl Marx, o principal teórico do socialismo, o modo de produção capitalista determina as relações sociais ; relações estas que ele considera em sua obra “O Capital” como sendo desumanas, onde os trabalhadores são meros objetos de uso e são os únicos responsáveis por gerar toda a riqueza existente.

Porém esta sociedade que viveria em coletivismo, sem divisão de classes e sem a existência de um estado repressor , segundo Marx; não encontrou meios de se firmar em nenhuma nação, com exceção à França, onde a comuna de Paris governou por 72 dias no ano de 1871, e neste curto período acabou com os privilégios de classe, instituiu o ensino gratuito e obrigatório , além de promover a distribuição da renda em sistemas cooperativos.

Socialismo Científico  e “Socialismo” Soviético  – Antagonismos

Ao fim do século XIX, mais exatamente em 1885, na Conferência de Berlim, as principais nações européias dariam início a um processo conhecido como ‘imperialista’, ou também chamado neocolonialismo. Estas nações promoveram a Partilha da África,visando a exploração das riquezas naturais, e também, simultaneamente, buscaram por novos mercados consumidores em outras partes do globo, para expandir suas forças monopolistas e praticar suas políticas de cartelização internacional.

Foi neste contexto histórico que ocorreu a Primeira Grande Guerra Mundial, que durou de 1914 à 1918. Ela se deu devido ao revanchismo econômico e as rivalidades político-militares existentes entre as grandes potências mundiais, incluindo Alemanha, Itália, Japão, França, Império Turco-Otomano, EUA, Reino Unido e Rússia.

Em meio a esta guerra sem precedentes teria origem a primeira revolução de caráter socialista da história, a Revolução Russa, que ocorre em outubro de 1917.

Defendendo os lemas “pão , paz e terra” e “todo o poder aos sovietes” , os bolcheviques tomam o poder, assinam o tratado de Brest-Litovsk retirando -se da Primeira Grande Guerra e criam os conselhos populares com o objetivo de dar início as reformas sociais. Porém , a guerra civil permanece e só termina em 1921, quando o exército vermelho, comandado por Trótski, derrota o exército dos brancos, que é composto por czaristas e burgueses, que contavam com o apoio de franceses, britânicos, japoneses e norte-americanos.

Após a vitória bolchevique, a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) é formada em 1922, e na seqüência surge o NEP – Nova Política Econômica, criada por Lênin, que viria a ser um misto de economia de mercado e projeto socialista, com objetivo de minimizar os problemas econômicos e sociais existentes. Este projeto permitiria a criação de empresas privadas e o comércio em pequena escala sob a supervisão constante do Estado, que permitia uma entrada limitada de capital externo.

Para Lênin, aplicada de modo justo, a NEP não apresentaria perigos para a Rússia Soviética, mesmo que esta política econômica promovesse um certo ressurgimento e um desenvolvimento de elementos capitalistas. De modo que para Lênin, a NEP já tinha auxiliado no nascimento de um setor socialista, representado por empresas estatais, ferrovias, bancos, frota marinha e fluvial; e em questão de mais tempo, promoveria um número maior de melhorias na economia soviética.

Porém com sua morte, em 1924, a economia soviética passa a adotar um novo rumo. Com a chegada de Stálin ao poder, a sociedade passa a ser burocrática, tecnocrática e difícil de ser classificada como capitalista ou socialista.

Bruno Rizzi, um dos fundadores do Partido Comunista Italiano (PCI), torna-se crítico do Partido Bolchevique; ele afirmava que na URSS era a “posse do Estado” que dava à burocracia a propriedade dos meios de produção, que era coletiva e não mais privada. Segundo Rizzi, a burocracia tem a força do Estado, que vale bem mais que as propriedades e os títulos jurídicos da burguesia. Este totalitarismo, constituía a tendência também dos fascismos e das próprias democracias burguesas.

Segundo o ex-trotskista Max Schachtman, o stalininismo é uma contra-revolução-integral, principalmente nas relações econômicas e sociais. Para Schachtman, esta burocracia tem de ser destituída por meio de uma revolução social.

Schachtman viria a ser um dos criadores do neoconservadorismo, que defende o Estado minimamente burocrático. James Burnham, outro ex-trotskista, acreditava que assim como na economia moderna, atuando como Managers, os burocratas tem o poder de dirigir o aparelho produtivo, por conseqüência, também a sociedade.

Outras correntes da época dirão que o bolchevismo vem a ser uma variante do desenvolvimento capitalista.

Três grandes teóricos marxistas do século XX : Karl Korsch, Anton Pannekoek e Otto Rühle entraram em contradição com o estatismo centralizador que Josef Stálin pôs em prática. Segundo eles, a política de Stálin era a realização de uma nova fase da história do capitalismo e da modernização burguesa.

Segundo Korsch, o marxismo russo nada mais foi do que um processo de desenvolvimento do capitalismo em meio a uma Rússia czarista feudal , ou seja, a revolução socialista visava aproximar-se de um capitalismo triunfante.

Já para o holandês Anton Pannekoek, a Rússia stalinista praticava um socialismo de estado, uma vez que o estado era o único empresário; e também praticava o capitalismo de estado, uma vez que os trabalhadores não são donos dos meios de produção e são objetos de uso.

Encerrando esta lista de teóricos marxistas que se mostraram contra este estatismo centralizador de Stálin está o alemão Otto Rühle. Ele acreditava que as tendências teóricas, tanto de Lênin, como de Stálin, levariam a um regime burguês para servir como primeiro modelo ao totalitarismo fascista. Para ele, a luta contra o fascismo deveria começar pela luta contra o bolchevismo.

Analisando o significado da palavra socialismo, os ideais defendidos por Marx e o governo que se instaurou na URSS com Stálin, podemos concluir que o imperialismo econômico estava mais enraizado na economia “socialista” do que se esperava.

Em suma, o Estado Soviético tinha o monopólio de todos os meios de produção, praticava cartel, ou seja, fixava preços e quotas de produção, e além disso, manipulava a grande massa trabalhadora da linha de produção até o discurso ideológico, sem contar as atrocidades as quais os opositores tinham de passar nos campos de trabalho forçado, na Sibéria.

Lênin ( 1870 – 1924 )

lenin

Vladímir Ilitch Ulianóv nasce em Sibirsk, atual Ulianovsk.

Forma-se em direito e muda-se para São Petesburgo, onde adota idéias marxistas, dedicando-se à propaganda do comunismo nos bairros proletários.

Em 1895 é preso e deportado para a Sibéria .

Cumprida a pena, parte com a esposa para a Suíça, em 1900, onde lança o jornal Iskra ( A Centelha ), sob o pseudônimo Lênin.

Em 1902 funda no exterior o Partido Operário Social-Democrata Russo ( POSDR ).

Em 1917 , quando o czar Nicolau II abdica, Lênin retorna à Rússia e lidera a oposição ao governo do moderado Aleksandr Kerenski, até a tomada do poder pelos bolcheviques.

Em 1922 forma a União Soviética.

Em 1923 sofre um derrame que o deixa paralítico.

Morre no ano seguinte.

assista aqui: Tributo à Lênin , imagens de sua trajetória , monumentos  em sua homenagem , ao som do Hino Soviético.