Jogos Vorazes – por Carlos Melo

Carlos Melo, cientista político e professor do Insper

Carlos Melo, cientista político e professor do Insper

Assisto a um filme com meu filho e penso no Brasil. O cenário não é simples e o maniqueísmo não dá conta dele; a voracidade é o motor de nossa confusão. O artigo procura tatear a complexidade do momento, revelar a voracidade dos atores e os desafios para nos afastarmos do abismo.

Um cenário de crueza e brutalidade: desagregação interna, competição desleal, falseamento da realidade, desfaçatez oportunista e coalizões de circunstância; a inexistência de pontes de diálogo, o extermínio do inimigo. E ainda assim, o marketing delineando os contornos da política; a desfaçatez da iminente derrota. O todos contra todos, de onde restará o indivíduo solitário e culpado por contribuir para a eliminação coletiva. Corrupção, peste, tragédia e desemprego. São os “Jogos Vorazes”, filme que assisto com meu filho, a metáfora do Brasil atual.

Como no cinema, para o fácil entendimento, o enredo é simples, de um reducionismo atroz: o bem contra o mal. Cada um escolhe seu lado, naturalmente, acreditando ser “do bem”. Estaremos mesmo desse lado da cerca? Numa singela polaridade de encomenda, há os “a favor” e “os contra”; “a favor” da presidente ou “a favor” de seu impeachment. Já o diabo é do contra: contra a presidente e/ou contra o impeachment. Não pode ser os dois? Destoar da galera é estar sujeito às garrafadas da arquibancada. O maniqueísmo é a tônica da torcida nacional.

Eduardo Cunha é o vilão e Dilma Rousseff, a princesa — ou Cunha o necessário anjo decaído — déspota instrumental – que enfrenta Dilma, a madrasta megera de ocasião. Depende do gosto. Projeta-se o “golpe” tanto quanto “a revolução bolivariana “em andamento: histeria e intolerância que empesteiam o ar e empastelam o raciocínio. Antes de tudo, o processo é uma grande guerra de comunicação: a estória se impondo à história; a construção de narrativas — que moderno! – no auxílio da mistificação.

Mas, é preciso um pouco de distância para notar a complexidade do todo. Nada é tão singelo e superficial, como nos debates inflamados da rede social. Que Eduardo Cunha não é boa bisca, o mundo sabe e não se desconhece suas intenções. Que Dilma troca pés e mãos, deficitária de governabilidade e credibilidade, é mais que evidente. Que o PT dá show de horror, é gritante. A oposição é indigente e, como se diz, o PMDB é mesmo essa serpente. Há rimas pobres, mas inocentes, aí, não há.

O dado concerto — que a febre da subjetiva indignação não permite tatear — é que o país chegou ao fim de uma linha: um ciclo histórico se esgotou. O pacto que deu luz à transição democrática, manquitola, patina hoje nesse atoleiro. Sim, é de união nacional do que se trata; eis o problema: há carência de quadros e mesmo de moderação para construir o abrigo da transição desses novos tempos; da tempestade perfeita ao seu rescaldo.

***

A fome altera humores; potencializada pela gula, desperta irritação e intolerância: é mãe de erros crassos e revela índoles. A voracidade, ah, a voracidade… Por definição, daí é que não virá a moderação. Sobejam exemplos de uma descomunal e tola avidez:

1) No governo, a sempre esperteza de malandro-otário: reduzir os problemas a Eduardo Cunha e negligenciar erros e escândalos, OK. É discutível, mas é estratégia. Todavia, em paralelo, instigar Michel Temer e, simultaneamente, empinar Leonardo Picciani é erro tão primário que até reabilita Aloízio Mercadante. Pensando em constranger o vice e seu PMDB, a presidente deu-lhe a autonomia e a liberdade de movimentos de que carecia. Uma simples carta pôs fim a “DR” que Dilma fazia em público. Como “o rosto do impeachment”, a face de Eduardo Cunha era tudo o que o governo poderia desejar; trocá-la pela de Temer, bem menos estigmatizado, foi um desatino. Os pífios 199 votos — consignados no painel de votação – foram o anticlímax do processo e, de imediato, detonam a debandada. Hoje, talvez, nem sejam 199. Até para a mestre em tiro-no-pé, Dilma Rousseff, é excepcional; constranger Michel Temer foi roleta russa com o tambor repleto de balas.

2) Era esperado que para se salvar, Eduardo Cunha ateasse fogo ao circo – jamais às vestes. No entanto, a ansiedade com o processo na Comissão de Ética e o fantasma de Delcídio Amaral embaralharam seu cálculo normalmente frio. Precipitou-se no timing, descoordenando sua ação do contexto mais geral — a conjuntura econômica e social que degringolará, de verdade, só um pouco mais adiante. A voracidade provocou batalhas sangrentas pela composição da Comissão do Impeachment, antes desnecessárias. E tudo foi parar na justiça. Só poderia. Os apóstolos de Cunha são miséria à parte; sujeitos cuja a “Força” reside em não ter reputação alguma a zelar. Só um juizado para enquadrá-los.

3) Uma janela de oportunidade se abriu e uma parte do PMDB se lançou a ela como quem salta para a fonte da juventude. Ou, menos: como quem encontra no chão uma senha que lhe permite, oportunisticamente, furar a fila. Não é ilegal, mas não é moral. O poder, é verdade, carece de moral, enfim. Mas, quando revela mais do que oculta, deixa flancos. Como mencionei em artigo anterior, Ulysses Guimarães dizia que “a política adora a traição, mas detesta o traidor”.

4) A oposição conta pouco. Em sua maioria, portou-se como o cão que correu atrás do caminhão que parou; cansada e, paralisada, divide-se em grupos de interesses inconciliáveis. O principal deles sucumbe à ideia fixa e mal dissimulada de fazer o tempo voltar à eleição perdida que passou (e o tempo nunca volta). Na dislexia de seus líderes, resiste em compreender e admitir a realidade: o país precisa de acordo e transição. No mais, o PSDB precisará correr para recuperar o lugar na fila.

5) O PT é hoje um sedento do futuro que já não há; capaz de entregar Delcídio e rifar Dilma, num discurso de moral retardada e extemporânea, voltado mais a salvar a máquina eleitoral do partido, em 2016, e recuperar o apetite e a competitividade, em 2018, do que defender seu governo. Mesmo que seja na oposição – e talvez seja melhor na oposição – seu objetivo é recuar ao gueto e recuperar o perdido fio da história. A legenda (e Lula) ainda está com Dilma? Obviamente, a resposta formal é sim. Mas, no bolor dos interesses, o casamento de PT & Dilma pode ser comparado à transa “fértil e profícua” de Dilma e Temer. Há mais dissimulação do que amor.

6) No mais, o resto: a base governista do colapsado presidencialismo de coalizão, formada por famintos atávicos, que se empapuçam do banquete patrimonialista nacional. Adesistas de todo tipo, mais que vorazes, glutões que agem no faro do cheiro de carne queimada que se desprende das chaminés dos cofres públicos. E as militâncias — de direita ou de esquerda – pintando-se para guerra, contando sua história (narrativa) cheia de som e fúria, ignorantes de Shakespeare, significando neste momento algo mais nocivo do que “o nada”, de Macbeth.

***

Qualquer que seja o desfecho, é pouco provável que ficará bem. O país sai dividido; furúnculo pustulento para aventureiro tirar o carnegão. A vitória da presidente pode ter efeito contrário à ilusão do armistício pretendido para “até 2018”: superada esta fase, insistir com o “fora Dilma” já será realmente costear o alambrado do golpe (de verdade). Todavia, um ponto precede: Dilma não precisará de outra batalha para perceber que não mais reorganiza o sistema; a desinteligência não cessará e o abismo irá sorrir cada vez de mais perto.

Por sua vez, é tolice imaginar que todo impeachment é passeio de criança, papai e mamãe, num dia de domingo. Com Collor, a rua pendia para um lado só: sua queda até uniu. E, ao final, ninguém ouviu seu mimimi de vítima. Já a natureza de Lula, de Dilma e do PT são outros quinhentos: mesmo enfraquecidos, deitam raízes sociais, ideologias, idiossincrasias e, uma vez na oposição, o ressentimento com “o golpe” e a nostalgia do tempo que passou serão irresistíveis e mobilizadoras — a agenda do eventual Temer será delicadíssima. Na história do Brasil – e do mundo –, o bonapartismo surge de momentos assim.

O gosto de sangue na boca não permite que o lobo pare de morder. Mas, é preciso refletir: para questões complexas, raramente há soluções simples: se a virtude está no meio, o país ressente-se de um centro moderado e moderador, capaz de negociar um novo pacto. E, por isso, tudo fica ainda mais complexo. Não há apenas vazio, mas como que um buraco negro de liderança. Lula, enredado, e FHC, fora da linha de comando, pouco/nada farão nessa direção. Também o tempo deles passou. O tempo sempre passa.

Aécio, Serra, Alckmin, Dilma, Wagner, Marina, Ciro… Esses apresentam indicadores antecedentes pouco animadores. Temer, que da coxia tudo ouvia e enxergava, estava fora do jogo; revelará, agora, qualidades até aqui desconhecidas? Difícil afirmar sim ou não. A crise surpreende só às vezes. Se a sorte o levar para onde se movimenta, terá que provar rapidamente talento e sangue frio surpreendentes para quem encerraria a carreira de modo tão discreto. E é sob tiroteio grosso que será posto a prova; a vida testa sem dó, sem pena.

Jogos vorazes, eis a metáfora. Analogia adequada, mas nem tanto: o país carece dos efeitos especiais de uma grande produção; da criatividade de uma direção competente; de recursos, audiência, técnica e verdadeiro interesse do público. Nos identifica o roteiro raso, o enredo de ficção. No mais, esse sentimento de falta do brilho e da beleza da Jennifer Lawrence que não temos.

Estadão, 11 de dezembro de 2015

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Ex-vice-presidente José Alencar morre aos 79 anos

De vendedor de tecidos a industrial, a trajetória de José Alencar Gomes da Silva se divide entre o empresário que fundou um dos maiores grupos têxteis do país e o político que só iniciou a vida pública em 1994 e chegou à vice-presidência após ser disputado por diversos partidos.

Ele nasceu em 17 de outubro de 1931, em Itamuri, município de Muriaé, na Zona da Mata mineira. Décimo primeiro filho de uma família de 15 irmãos, saiu cedo de casa e começou a trabalhar aos 14 anos, como balconista em uma loja de tecidos. Estudou só até a 5ª série.

O primeiro salário, de 660 cruzeiros, não dava para pagar um quarto de pensão. Alencar alugava, então, uma cama no corredor de um pensionato.

Com dinheiro emprestado por um irmão, aos 18 anos abriu sua primeira loja de tecidos, em Caratinga (MG). Batizada de “A Queimadeira” por um viajante português, vendia de tudo a preços populares. Daí em diante, não parou.

Trabalhou como viajante comercial, atacadista de cereais, dono de fábrica de macarrão, atacadista de tecidos e industrial do ramo de confecções.

Em 1967, conseguiu um financiamento subsidiado da Sudene para instalar, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), hoje um dos maiores grupos industriais têxteis do país.

Com unidades industriais em quatro estados brasileiros – Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina –, além de uma na Argentina, a Coteminas exporta seus produtos para os Estados Unidos, Europa e países do Mercosul.

Carreira política
Como empresário, José Alencar começou a se dedicar às entidades de classe empresarial, atuando como presidente da Associação Comercial de Ubá (MG), diretor da Associação Comercial de Minas, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria.

Com a experiência administrativa, candidatou-se pelo PMDB ao governo de Minas Gerais, em 1994. Foi acusado por adversários de abuso de poder econômico na campanha. Acabou ficando em terceiro lugar, com 10,71% dos votos válidos.

Em 1998, foi eleito para o Senado com quase 3 milhões de votos, numa das campanhas mais caras do país. À época, Alencar gastou R$ 6,4 milhões, mais que o dobro gasto pelo ex-presidente Itamar Franco para se eleger governador (R$ 2,8 milhões), segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais.

Antes de entrar para o PL, em outubro de 2001, o então senador foi assediado também por PTB e PSB. O PMDB, do qual se desfiliara no mês anterior, chegou a lhe oferecer a presidência do Senado.

O perfil de homem simples e empreendedor, a imagem de político liberal, as críticas ao governo e a proximidade com o empresariado tornaram o então senador um dos políticos mais disputados pela oposição.

Mas levou dois anos até que a aproximação se convertesse na aliança entre PT e o conservador PL, em junho de 2002, e à formação da chapa vitoriosa com Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições daquele ano.

As críticas de ambos os lados à aliança até então inusitada levaram Lula a comparar a dupla ao par shakespeariano “Romeu e Julieta”, cujo romance despertou a ira das suas respectivas famílias.

Em entrevista à revista “IstoÉ Dinheiro”, após a eleição de 2002, Alencar comparou sua trajetória à de Lula. “Nós dois somos homens de origem humilde que nos tornamos líderes sindicais; ele como trabalhador e eu numa entidade patronal. Mas não há incompatibilidade alguma entre capital e trabalho”, disse.

Governo

Desde o início, José Alencar ganhou fama de ser um vice-presidente polêmico, tornando-se uma voz dissonante no governo em relação à política econômica do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que mantinha juros altos na tentativa de conter a inflação e a economia sob controle.

A partir de 2004, passou a acumular a vice-Presidência com o cargo de ministro da Defesa. Mesmo tendo demonstrado várias vezes incômodo na função, se manteve na pasta, a pedido do presidente Lula, até março de 2006, quando deixou o cargo para participar da campanha à reeleição.

Em 2005, em meio à crise do mensalão, que atingiu em cheio o PL, desligou-se do partido. Com outros ex-membros da sigla, participou da fundação do Partido Republicano Brasileiro (PRB), pelo qual elegeu-se, na chapa com Lula, para o segundo mandato como vice-presidente, que duraria até o fim de 2010. Com o fim do segundo mandato, cogitou se candidatar ao Senado, mas desistiu por conta da doença.

A morte do ex-vice-presidente José Alencar, ocorrida na tarde desta terça-feira (29), foi lamentada por políticos e personalidades.

Leia o que eles disseram:

ACM Neto deputado (DEM-BA)
“José Alencar foi um guerreiro, a sua vontade de viver e toda a sua trajetória servem de exemplo e nos inspira muito.”

Aguinaldo Diniz Filho, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil
“José Alencar deixa saudades. Ele é uma positiva referência para o setor, para os jovens, os empresários e políticos e, acima de tudo, para aqueles que acreditam na honestidade, no trabalho e na fé como base para a construção de um futuro melhor e mais justo para todos. Por tudo isso e muito mais, o nosso estimado companheiro, que sempre dignificou, defendeu e fez maior o nosso setor no Brasil e no mundo, merece nosso reconhecimento e admiração.”

Antonio Anastasia, governador de Minas Gerais
“Minas já deu muitos exemplos para o Brasil de vida e de luta. Poucos foram tão marcantes como é o caso do empresário, político e cidadão José Alencar. Sua luta incansável contra a doença, com certeza, vai ficar na memória de todos nós brasileiros. Vem na minha lembrança agora, uma frase de outro grande mineiro, Guimarães Rosa, que dizia que ‘as pessoas não morrem, ficam encantadas’. É o caso do José Alencar. Um exemplo de resistência, persistência e esperança. À família que acompanhou suas batalhas, o nosso pesar, nossa solidariedade, o nosso abraço.”

Aécio Neves, senador (PSDB-MG)
“Ele nunca baixou a guarda. Sempre acreditou num sopro de vida, na recuperação. E esta crença fez com que ele adiasse seu encontro com o criador. Acho que fica a lembrança de um homem cordial e amável.”

Aloysio Nunes, senador (PSDB-SP)
“Um político honrado, um ministro competente, um vice-presidente leal e um empresário de sucesso. José de Alencar é um patriota.”homem cordial e amável.”

Álvaro Dias, senador (PSDB-PR)
“Era um exemplo de coragem e enfrentamento político pelos interesses do país.”

Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal
“Estamos lamentando profundamente. Era um homem extraordinário que teve uma força singular de amor à vida que prolongou diante de um quadro inexorável e terrível e deixou aí um vazio aí na política brasileira. Lamentamos e estamos solidários com a família.”

Delcídio Amaral, senador (PT-MS) (pelo Twitter)
“Morreu José Alencar. Alguém que com honra, dignidade e espírito público ajudou Lula governar o Brasil. Que Deus ilumine a sua família.”

Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-Geral da Presidência
“Vocês devem ter noção da importância que o Zé Alencar teve para o presidente Lula e para todos nós nesses oito anos. A nossa gratidão a ele é eterna. O Brasil deve a ele muito do que aconteceu nesser tempo, porque foi a ternura dele, a amizade dele que nos confortou nas horas mais difíceis.”

Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo
“Todos nós perdemos hoje uma pessoa muito querida e admirada. José Alencar é um exemplo de dedicação ao trabalho, à família e à democracia. Sua luta pela vida é uma síntese da enorme coragem do povo brasileiro. Deixa, além da saudade, uma grande lição de empenho pela causa pública e pelo desenvolvimento do país.”

João Paulo Cunha, deputado (PT-SP)
“Lamento a morte do companheiro José Alencar. Um grande empresário, um grande político. Que descanse em paz e fique com Deus.”

José Agripino, presidente do Democratas
“Registro minha tristeza pela morte do sempre vice-presidente José Alencar. O empresário competente a quem o Rio Grande do Norte deve desenvolvimento e milhares de empregos e o político de raro espírito público, são exemplos que o Brasil não pode esquecer.”

Marcelo Tas, jornalista
“José Alencar se foi. Vamos aprender com ele: coragem e vontade de viver.”

Maria do Rosário, ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência
“Menino pobre se transforma num grande empresário, se transforma no vice-presidente da República. Mas acima de tudo se transforma em uma força para todos os brasileiros pela sua fé, pelo seu amor ao Brasil, pela sua defesa da nossa pátria. Esse sentido humano é o que vai estar presente em todos nós ao homenagearmos José Alencar.”

Miguel Nicolelis, cientista (pelo Twitter)
“Acabo de saber da noticia do falecimento do VP Jose Alencar. Meus profundos sentimentos a familia e amigos. Um lutador, um exemplo de vida!”

Nelson Jobim, ministro da Defesa
“Lamento muito a perda do vice-presidente José Alencar. Seu amor pela vida e seu espírito de luta servirão, hoje e sempre, como um exemplo singular para todos os brasileiros. Homem público íntegro e confiante no presente e futuro de seu país, Alencar ocupou a pasta que hoje dirijo por quase dois anos. Sua passagem pela Defesa foi fundamental para tranquilizar um setor que se encontrava imerso numa crise em razão da deterioração, à época, da relação civil-militar. Seu esforço apaziguador e sua habilidade política de mineiro prepararam o terreno sobre o qual se alicerçaram as bases para a modernização da nova Defesa do Brasil.”

Paulo Teixeira, deputado (PT-SP)
“Um dos maiores homens públicos do país. Exemplo de amor ao país. Um companheiro leal ao momento que vivemos. Teve coragem de apresentar problemas que muitos não tinham. Uma verdadeira doação ao Brasil. Ajudou a educar o país. Estamos muito sentidos.”

Romero Jucá, senador (PMDB-RR)
“Morreu José de Alencar – grande guerreiro e exemplo para todos. Meus pêsames à todos familiares e amigos.”

Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul (pelo Twitter)
“José Alencar: morre um grande brasileiro, orgulho do nosso povo e patrimônio da democracia no Brasil.”



Morre em São Paulo o senador “Romeu Tuma”

Vida política


Romeu Tuma exerceu dois mandatos como senador por São Paulo. Durante a campanha eleitoral deste ano, foi internado e não conseguiu se reeleger.

Em 1994, disputou pela primeira vez uma eleição e se elegeu senador com mais de 5,5 milhões de votos. Em 2000, foi candidato à Prefeitura de São Paulo, mas terminou em quarto lugar. Nas eleições de outubro de 2002, recebeu 7,27 milhões de votos e obteve novo mandato de senador, com vigência até 2011.

Tuma foi o primeiro corregedor parlamentar do Senado Federal. Pertencia ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa.

Dois de seus filhos seguiram a carreira política. Romeu Tuma Júnior foi deputado estadual em São Paulo e secretário nacional de Justiça. Robson Tuma foi deputado federal até 2006.

Carreira policial
Nascido na capital paulista em 4 de outubro de 1931, Tuma era policial, formado em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Ele ingressou na carreira policial aos 20 anos. Durante o regime militar, tornou-se investigador e delegado de polícia em 1967, quando ingressou no Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops). Um dos organismos de repressão da ditadura, o Dops era apontado por presos políticos como local de prática de tortura, o que Tuma negava. Ele exerceu o cargo de diretor de polícia especializada entre 1977 e 1983.

Em 1983, assumiu a Superintendência da Polícia Federal de São Paulo e logo depois o cargo de diretor-geral da PF, função em que permaneceu até 1992. Ainda nesse posto, acumulou os cargos de Secretário da Receita Federal e Secretário da Polícia Federal. Em 1991, também passou a ocupar uma vice-presidência da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).

Permaneceu como diretor-geral da PF até 1992, quando acumulou o cargo de Secretário da Receita Federal, no governo do presidente Fernando Collor. De 1992 a 1994, foi assessor especial do governador de São Paulo, com status de Secretário de Estado.

Entre os seus trabalhos policiais de maior repercussão, está a descoberta da ossada de um dos mais procurados criminosos de guerra nazistas, Joseph Mengele, e a captura do mafioso italiano Thommaso Buscheta.

Veja abaixo as reações de políticos e autoridades, nesta terça (26) à morte de TUMA (PTB-SP):

Aloizio Mercadante, senador (PT-SP)
“Romeu Tuma prestou relevantes serviços ao estado de São Paulo e ao Brasil como senador da República e foi extremamente dedicado a todos os temas relacionados à segurança pública. Nestes últimos anos, foi parceiro na sustentação parlamentar do Governo Lula. E se dedicou muito à integração sul-americana como parlamentar eleito para integrar a bancada brasileira do Parlamento do Mercosul.”

Álvaro Dias, senador (PSDB-PR)

“Sua ausência será sentida sim, em razão da contribuição que sempre ofereceu como parlamentar, mas sua ausência será sentida principalmente em razão do ser humano cordato, parceiro sempre. Não foram poucas vezes que o vimos transbordar lágrimas quando tratava de questões que atingiam sua alma.”

Carlos Pereira, Movimento Tortura Nunca Mais-SP
“Nunca fui torturado por ele, mas pessoas informaram que ele era conivente com a prática. Pena que os arquivos da ditadura não foram abertos para que a gente pudesse punir as pessoas que torturaram ou facilitaram a tortura.”

Cristovam Buarque, senador (PDT-DF)
“Perdemos um colega cordial, um colega que se aproximava de cada um de nós como amigo.”

Delcídio Amaral, senador (PT-MS)
“Triste com a perda do amigo, companheiro e conciliador, o senador Romeu Tuma. O Senado e o Brasil perdem uma grande figura humana.”

Demóstenes Torres, senador (DEM)
“O senador Tuma vai fazer falta ao cenário político brasileiro, mas com certeza tem o seu nome inscrito nas posições mais altas da República.”

Eduardo Suplicy, senador (PT-SP)
“O senador Romeu Tuma deu sua contribuição [à política brasileira], inclusive com sua experiência na área de segurança e sistema penitenciário. (…) Quero expressar a dona Zilda [mulher] e aos filhos e netos do Romeu Tuma os meus sentimentos e pesar.”

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, ex-presidente da República
“Lamento a perda de um homem que, mesmo no tempo do regime militar, sempre se mostrou cordial e aberto ao diálogo. Foi um senador que não deslustrou São Paulo.”

Geraldo Alckmin, governador eleito de São Paulo (PSDB)
“Romeu Tuma foi um grande homem público. Sua morte é uma perda para São Paulo e para o Brasil. Compartilho do profundo pesar dos amigos e familiares.”

Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo (DEM-SP)
“O senador Romeu Tuma é um exemplo de dedicação à vida pública. Exerceu com competência cargos importantes em nosso país. Quero, neste momento de dor, desejar paz para a sua família.”

Gim Argelo, senador (PMDB-DF)
“Foi um modelo de brasileiro, um brasileiro que dignificou muito sua passagem por esta Casa, pelo Senado, pelas comissões, por tudo o que representou para o estado de São Paulo e para o povo.”

Jair Krischke, Movimento Justiça e Direitos Humanos
“Acho que com a morte do Tuma deixa de se saber uma série de coisas importantes para conhecer a história do Brasil, em relação ao papel dele como repressor, como dirigente do Dops [Departamento de Ordem Política e Social] em São Paulo.”

José Sarney, presidente do Senado (PMDB)
“Ao longo de sua longa e rica trajetória na vida pública, o Senador Romeu Tuma logrou, por suas excepcionais qualidades, converter-se em ponto de referência para muitas gerações. (…) Era uma pessoa de bem, que tinha o gosto da convivência e da amizade. (…) A admiração pessoal há longa data converteu-se em amizade, e essa extrapolou também para nossas esposas e filhos. No Senado e na vida pessoal Romeu Tuma fará falta.”

José Serra, candidato a presidente da República pelo PSDB
“Perco um grande amigo, um senador dos mais brilhantes. Quero me solidarizar com a família dele neste momento.”

Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da OAB-SP
“O Brasil perde um grande homem público, que mesmo tendo ocupado o cargo de diretor-geral do DOPS durante a ditadura foi reconhecido por todos, inclusive pelos presos políticos, como um homem de diálogo. Sempre se destacou na carreira policial e na política ao longo dos dois mandatos que cumpriu no Senado, demonstrando ser um homem probo e preocupado com os interesses públicos.”

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
“Romeu Tuma dedicou grande parte da vida à causa pública, atuando de forma coerente com a visão que tinha do mundo e, por isso, merece o reconhecimento e o respeito dos brasileiros.
No Senado, deu contribuição especial ao debate da segurança pública no país, sempre com empenho e ideias inovadoras. Neste momento de dor, quero me solidarizar com sua família, amigos e admiradores.”

Marco Maciel, senador (DEM-PE)
“Era extremamente assíduo, comparecia a todas as sessões do Congresso e do Senado. […] Era um homem público na plena acepção da palavra. Se dedicava exclusivamente ao Senado, que honrou, através de seu desempenho, não apenas no plenário, mas nas comissões de que participou.”

Marta Suplicy, senadora eleita (PT-SP)
“Neste momento, presto respeito e solidariedade à dor da família e amigos do senador Romeu Tuma.”

Michel Temer, presidente da Câmara dos Deputados (PMDB-SP)
“Foi um grande brasileiro, que deu sua contribuição em todas as áreas em que atuou.”

Marisa Serrano, senadora (PSDB-MS)
“Tristeza pela morte do senador Romeu Tuma. Meus sentimentos aos familiares e amigos.”

Orestes Quércia, ex-governador (PMDB-SP)
“Lamento o que aconteceu. O Tuma teve uma grande importância e cumpriu seu papel durante anos no Senado e no processo político brasileiro.”

Paulo Maluf, deputado federal (PP-SP)
“Romeu Tuma foi um grande político, homem exemplar, bom delegado de polícia, nunca andou armado, sempre prestou excelentes serviços em todos os postos em que esteve. Trabalhou comigo, quando fui governador do Estado, chefiando com competência o Dops (Departamento de Ordem Política e Social). Sua morte é lamentável e deixa um lugar difícil de ser preenchido. “

Paulo Skaf, presidente da Fiesp
“Lamento a morte do senador Romeu Tuma, do PTB de São Paulo, um homem simples, trabalhador e preocupado com um dos maiores problemas brasileiros, a segurança. Tivemos, nesses anos de sua atuação parlamentar, um permanente contato no debate de vários problemas brasileiros, sempre com independência e respeito. Aprendi, assim, a lhe admirar por um inegável compromisso ético com a vida pública.”

Pedro Simon, senador (PMDB-RS)
“Tuma mostrava que um homem não é escravo do seu ambiente, de sua sociedade. Um homem pode viver nas circunstâncias que viver. Ele tinha tudo para ser sacerdote, bispo, pastor, do bem, tinha tudo para ser homem voltado à atividade social, do bem, e era um policial, um policial do bem.”

Roberto Jefferson, presidente do PTB
“É uma pena, Tuma foi um grande brasileiro, um homem que honrou São Paulo, honrou seu mandato parlamentar, honrou a Polícia Federal, um homem honrado, um homem de bem. Não fez carreira escandalizando pessoas como esses delegados novinhos querendo fazer carreira esculhambando pessoas. Ele era um homem poderoso, mas que nunca abusou do poder.”

Roberto Requião, senador eleito (PMDB-PR)
“Morreu Romeu Tuma, o senador que me ajudou a desmontar a trama dos precatórios na CPI . Era amigo, e assim lembro dele.”

Ronaldo Caiado, deputado federal (DEM)
“Fui colega de partido do senador Romeu Tuma. Um político respeitável, pulso firme. Lamento muito a morte dele.”

Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB
“Como servidor público e político, Romeu Tuma ocupou cargos e participou de importantes etapas da vida nacional, inclusive, colaborando para o processo democrático brasileiro. Em todos eles, demonstrou preocupação com as leis e com a cidadania e manteve sempre o espírito público. No Senado, trabalhou para que tivéssemos uma instituição mais transparente e mais honrada. Perdemos hoje um valoroso homem público e um bom amigo.”

Serys Shlessarenko, senadora, segunda vice-presidente do Senado (PT-MT)
“Tuma sempre teve uma atuação muito determinada em todos os aspectos junto ao Senado. Aonde quer que o senhor esteja, obrigado por fazer parte da história do nosso país”.