Democracia amordaçada pela idolatria – por Moacir Pereira Alencar Júnior

QWE

A esquerda sempre se utilizou do marketing para estampar seus “heróis”… um exemplo clássico é a imagem de Ernesto Che Guevara estampada em camisetas, blusas, jaquetas, assim como em tatuagens em celebridades e em outras coisas mais. O revolucionário é tratado como um mártir, como figura transcendente no tempo e no espaço…um vigoroso representante do que seria um sonho da esquerda dos anos 1960 até os dias de hoje. Trazendo para o campo da razão, vemos que ele nada mais foi do que um líder autoritário, que uma vez no poder exerceu dos mesmos mecanismos de opressão, intolerância e ódio – que ele dizia combater – contra seus opositores. Sim, o meio de ação era matar, destruir, liquidar tudo aquilo que não estaria de acordo com a “revolução redentora” cubana. Agora no Brasil vemos essa mesma construção mitológica em torno de duas figuras. Uma é Lula, o líder sindical e ex-presidente,que foi elevado a figura sacrossanta, de ser intocável e acima das leis dos homens e de Deus – um “injustiçado incompreendido” e “odiado” gratuitamente, que não pode pagar por seus crimes – afinal quem é ele para cometer crimes, não é mesmo? “Ele é a alma mais honesta”, portanto pode e deve ser estampado em camisetas do seu poste presidenciável e nas camisas dos demais petistas, que nutrem em torno dele um sectarismo perverso e doentio.

No outro extremo temos a construção da figura de “mito” em torno de um deputado vergonhoso, inexpressivo, que por 30 anos não liderou uma comissão, um partido, ou sequer um movimento enfático na defesa de uma causa clara e concisa no Congresso Nacional. Parlamentar que sempre viveu na sombra das principais lideranças e sempre se perdeu nas incongruências de seu pensamento e ações quando tomava alguma posição, agora também é estampando em camisetas de dezenas de militantes, que já o elevaram a figura que paira sobre os demais humanos… um ataque criminoso de um radical politizado que tentou matá-lo há menos de um mês das eleições presidenciais aflorou ainda mais este sectarismo em torno de sua imagem. Bolsonaro não matou ninguém em nenhuma ditadura – mas como militar da reserva – gosta de cultuar os torturadores que no passado mataram em defesa de um projeto autoritário de poder (que fique claro que não são todos os militares que veem o mundo segundo a ótica de Bolsonaro). Estes dois grupos – lulistas e bolsonaristas – vivem da guerra santa, da construção de falsos ídolos e do deboche às instituições democráticas.

Que fim nosso país está tomando? Quem se diz religioso, em especial católico – ou tenha sua fé de variadas matizes – deveria saber que a Igreja está “fora e acima dos partidos” (ao menos deveria estar), e que esta cegueira em busca de falsos profetas é uma tremenda insensatez…uma marcha rumo a idolatria desvairada. A história nos mostra casos claros, e isso independe de viés ideológico, uma vez que a fé e religião já foram usados como instrumento político inúmeras vezes em nossa história. Esse ópio em torno do Lulismo e do Bolsonarismo é um ataque deliberado contra a liberdade. Essa guerra se mostra puramente secular, por conseguinte indigna. Se ambos grupos buscam “cruzados” para nos reger nos próximos quatro ou oito anos, saibam que o povo brasileiro é um, e a imposição da mordaça de um grupo sobre outro só se dá em uma nova ditadura, não em uma democracia.

 

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