Temos tendências a sermos radicais e extremistas na juventude; oscilando ora por um estilo provinciano, até certo ponto, demagógico; e ora por crenças que santificam e genializam certos indivíduos, criando mártires e grandes ícones. Muitos tem fome pelo absoluto, mas realmente cada um não assume suas próprias ideias.
Com o passar do tempo, esta fase de obliteração e, até certo ponto, anarquismo, ganha sentido e nova forma. Alguns continuam a cultuar promessas, mas nunca vivem em um mundo da ação. Outros, por impotência e ingenuidade, procuram saídas na fé, tentando se afastar das misérias de nossas almas.
Aqueles que abraçam certas utopias, caem no fanatismo. Este hall, onde se encontra o utopismo, é composto por pessoas que dizem sintetizar a certeza, a lógica e o equilíbrio em tudo que pleiteam. Boa parte deles protestam, bradam por justiça, buscando mostrar que não são afetuosos com a covardia e com o servilismo, demonstrando não serem pessoas fracas e com medo. Do populista ao parnasiano (há populistas parnasianos?), todos buscam, pela habilidade, mostrar uma concepção do que é ser democrata.
O populista busca demonstrar que ele tem um vínculo com o povo, mais que um vínculo, um compromisso. Ele discursa para as massas sendo financiado pelos grandes agentes econômicos. Para garantir a manutenção do poder, se mostra afável e pronto a atender a massa por meio da caridade. Caridade esta, que apenas adia, mas agrava ainda mais a miséria. É muito fácil o raciocínio frio quando você está por cima nesta situação. Mas se o povo verdadeiramente se rebelar, este populista vai se usar da repressão policial, ora por falta de coragem, ora por falta de decisão; até porque uma liderança necessita de uma força moral, o que é cada vez mais escasso em nosso cenário político.
Neste cenário, tanto as cúpulas revolucionárias (que palhaçada), como as cúpulas ditas conservadoras, vivem deste mal caratismo. E, neste ano – 2012 -, começa mais um ano de eleições, onde compromissos e bases eleitorais voltarão a mostrar suas caras, e suas respectivas forças no jogo político.
Estas campanhas prometem ser uma tragédia muito maior do que nossas próprias forças. Os nossos “líderes políticos”, afirmando hoje as mentiras de ontem, negando amanhã as verdades de hoje, mostrarão a imagem da virtude da democracia, quem és o pai da pátria. As facções e ideias políticas passarão a criar uma nova classificação para a palavra amizade. Esta será a amizade para os interesses políticos, onde um amigo sempre aceita o outro, mesmo que aquele esteja na mais absoluta degradação.
Alguns continuarão a ver na despolitização, e na irresponsabilidade política/anarquismo, uma saída; outros continuarão a bradar que extremistas criaram a mística do povo.
A coerência é uma loucura, um gracejo com o isolamento, e uma grande chance de total queda no silêncio retumbante do ostracismo.

Olá Moacir, parabéns pelo texto. Acho que coerência é um termo não coerente com o ser humano e também com a lógica do mundo. Com a mudança nas comunicações e com a linguagem inglesa tomando conta das escolas de primeiro grau de todos os países, fica difícil mantermos a coerência com nossa cultura e nosso ideal. Cada vez mais nos tornamos globalizados e a coerência passa a fazer parte do jogo de interesses mundiais. Vimos em atitudes como a de Dilma ao defender as indústrias nacionais e fazendo-o foi contra ao que sempre lutou contra, ao protecionismo americano. Há lógica nisso? O fato é que cada um sabe onde o calo aperta e deste modo o político não pode manter-se em seu ideal de quando era jovem em um mundo que muda a cada 5 anos. É preciso que políticos acompanhem movimentos mundiais, haja localmente porém com tendências globais, buscando o crescimento de seu povo em uma nova lógica mundial e preparando-o para os novos desafios. Porém o que vemos em ditos líderes é esta tendência de proteger seu povo contra ataques externos, mas mantendo-os ignorantes para que continue enganando-os e controlando-os. Precisamos de líderes que nos ensinem a lutar e a crescer como outras nações o fizeram, crescer em educação, em respeito com o próximo, em cidadania e outros importantes conceitos. Porém ainda não temos líderes com L maiúsculo suficientes para tomarem essa frente. Todos ainda tem o famoso rabo preso e pensam como o famoso ditado: “Em terra de cego quem tem um olho é rei”.